Há tempos quero
escrever sobre este tema... O que me
impedia de começar? Um preconceito
formado ( petrificado até ) de quem está há vinte cinco anos na Educação e que
vivencia tanta coisa errada que nem sabe por onde começar a lista. Mas, que por outro lado sabe EXATAMENTE O QUE
ESTÁ ERRADO.
Enquanto isso me
debrucei sobre alguns artigos e ouvi
atentamente cada fala do Ministro da
Educação Senhor Mendonça Filho. Quanto
mais estudei, mais encontrei paradoxos e as dúvidas aumentaram. O que não
deveria ter acontecido porque esta “ideia” é antiga. Outros governos já
pensaram em fazer algo parecido.
Logo, deixo claro queNÃO ESTOU “BATENDO O
MARTELO”; mas me posicionando e tentando
mensurar a validade da provável proposta.
Um dos argumentos que
se vê em entrevistas por parte dos “BRILHANTES IDEALIZADORES” dessa reforma
é que estão fazendo isso para atender
aos anseios e necessidades profissionais
dos alunos. Ah! Poupem-me! Quem, ao final do Ensino Fundamental II, já tem
plena certeza do que deseja fazer? Qual
graduação cursará?Outra questão é a
privação imposta ao aluno no que se
refere à convivência e ao seu pleno
desenvolvimento social e intelectual. Ou
seja, será retirada do aluno a
POSSIBILIDADE DE EXPERIMENTAÇÃO. O Ensino médio é um período de contato entre
os alunos, que começam a amadurecer suas ideias e ideais, com as
diversas áreas de conhecimento. Mesmo que deixem um primeiro ano básico (com
todas as matérias); não é o suficiente.
Enquanto
isso, no
site do MEC, encontramos mais dúvidas do que “respostas”. A exemplo desta pergunta:
“Como vocês esperam que isso funcione, se é de extrema importância
sabermos filosofia e sociologia”?R – “A implantação do novo ensino médio depende da aprovação
da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que estabelecerá as competências, os
objetivos de aprendizagem e os conhecimentos necessários pra a formação geral
do aluno. A previsão é que, até meados de 2017, a BNCC para o ensino médio seja
encaminhada ao Conselho Nacional de Educação, que terá de aprová-la para depois
ser homologada pelo MEC. Dessa forma, a inclusão dos conhecimentos contidos nas
áreas de filosofia e sociologia será definida pela BNCC.” ( Fonte: http://portal.mec.gov.br/component/content/article?id=40361#nem_08
acesso 13/02/2017). Particularmente, considero essa questão é pertinente
porque a reforma obrigará tais
disciplinas somente no primeiro ano.
Alguns questionamentos
meus:
- A polarização entre exatas e humanas sempre foi motivo de piadas
e inspiração para memes em redes sociais. A “separação oficial “ destas áreas
não tende a agravar esta espécie de preconceito? Lembrando que isso ocorre
entre os próprios professores nos ambientes escolares.- Escola em período
integral para atender ao cumprimento da
carga horária prevista na proposta, Há
(haverá estrutura física) para isso em TODO O BRASIL?
- Reforma e investimentos maiores não deveriam começar pelas crianças do Ensino Fundamental,
já que os alunos chegam ao 9º ano sem preparo?
- E o Enem? Continuará nos mesmos moldes?
- Que criança, aos
quinze anos, ESTÁ CONVICTA A RESPEITO DE
QUAL ÁREA SEGUIR?
“No meio do
basquetebol essa tendência seria reforçada pelo fato de que os Estados Unidos
(EUA), que é o país de maior tradição no basquetebol mundial, realizar nas
escolas e universidades a sua formação de atletas. Ferreira Jr. (2008) ao
atentar a formação de atletas nos EUA complementa “O atleta de basquetebol
norte americano de alto nível, que consegue chegar a NBA, começou sua vida
esportiva na escola.” Lá toda a formação de atletas é feita pelos high-schools
e universidades, ou seja, entre os 16 e 23 anos, uma grande porcentagem desses
indivíduos passam por essas instituições, e como não existem clubes sociais
esportivos nos moldes como existem no Brasil, aproveita-se a passagem dos
mesmos como alunos como forma de fomentar esse processo.” (Pellanda, Fabio,
2010 – Curitiba - O PROCESSO DE
FORMAÇÃO DO ATLETA DE BASQUETEBOL MASCULINO EM CURITIBA - Dissertação de Mestrado) http://acervodigital.ufpr.br - acesso em 21/02/2014.
- A implantação
gradativa do sistema contemplará o ENEM que é de âmbito NACIONAL?
- Haverá aumento da já
existente e gritante da DESIGUALDADE, no que se refere a oportunidades de avançar
nos estudos, entre os alunos das escolas privadas que, a propósito, NÃO PRIVAM
OS ALUNOS DE NENHUMA DISCIPLINA CURRICULAR; ao contrário disponibilizam disciplinas
extracurriculares?
- E quanto às diferenças
regionais? Mesmo existindo um currículo básico elas já existem. A tendência não é aumentar devido a
questões óbvias como: infraestrutura; transporte escolar para as crianças (muitas não
conseguem chegar á escola a pé etc.)?-
- Outra questão: o
trabalho dos professores. Atualmente nenhum professor sobrevive ministrando
aulas de Sociologia ou de Filosofia, por exemplo, se não trabalhar em 4 ou 5
escolas de tão curta que é a carga horária. Como ficarão as “vidas profissionais”
destes especialistas após a reforma?
Somam-se aos referidos questionamentos, alguns valiosos comentários que li nem Redes
Sociais e em Fóruns, os quais eu
mantenho no anonimato por uma questão ética:
1 – “Ensino em
tempo integral pode até ser uma excelente ideia para Colégio particular. A rede
pública recebe inúmeros alunos que trabalham mães e pais de família a procura
de adquirir conhecimento e melhores oportunidades, sem contar os alunos que
morram na zona rural que gastam quase meio dia entre ida e volta .isso irá
aumentar os jovens fora da escola .Se não bastasse teremos o "notório
saber".”
2 – “Essa
regra que se aplica aos professores é muito errada. Professor tem que ser
qualificado e treinado para ensinar aos seus alunos. Não existe isso de que
qualquer um com "notório saber" pode ensinar..agora desceram a
profissão de docente mais um andar abaixo..que vergonha..eu vou dar mais 3 anos
da minha vida estudando pra ser professora. N posso acreditar que todo esse
estudo e tempo vai ser em vão com essa regra.”
3 – “Acredito
que essa reforma é para uma qualificação maior para os alunos. Porém não temos
uma infraestrutura para tempo integral e também como ficam os alunos que
trabalham no turno inverso para aumentar a renda familiar?”
4 – “Então não
saiu nenhuma matéria, outras foram acrescentadas, ficou mais complexo. Com o
perigo de sociologia e filosofia, serem manipulados por grupos de esquerda. Os
estudantes não poderão trabalhar não haver tempo suficiente, para as duas
atividades.”.
5 – “Eu tenho
uma grande dúvida quanto essa reforma.
Para ampliar de 800hs para 1400hs, suponho que o ensino vai passar a ser em
turno integral, mas hoje, as escolas tendo 3 turnos, já há dificuldade
referente à vagas, como pretendem fazer isso?
Precisariam de muito mais escolas públicas para atender a demanda do período
integral.”
6 – “Se até as
obras da copa do mundo não terminaram, o que dizer de escolas..”
Enfim, em minha opinião (e quero muito saber da sua), o mais prudente é pensar (e
concretizar!) um sistema educacional que
contribui para a construção do SER PENSANTEe, consequente, para um número de pessoas que não conseguem ser pró-ativos e
nem se posicionar quanto aos fatos
sociais. Se bem que... É exatamente assim que “O SISTEMA”nos quer:
sonsos; pacatos e (parafraseando R. Russo: CADA UM DE NÓS IMERSO EM SUA PRÓPRIA
IGNORÂNCIA.