QUAL A IMPORTÂNCIA DE UMA BOA REDAÇÃO PARA O ENEM? (WHAT IS THE IMPORTANCE OF A GOOD WRITING?)
POR MARI MONTEIRO
Uma avaliação de múltipla escolha ou uma avaliação em que os alunos realizam as provas
após estudar horas a fio (decorando os conteúdos), não tem, para mim, ao mesmo “PESO”
que uma avaliação cujas respostas devam ser dissertativas e, obviamente, uma
REDAÇÃO. Isso porque, estes tipos de avaliações possibilitam a análise daquilo
que o aluno REALMENTE CONHECE E É CAPAZ DE DEMONSTRAR ATRAVÉS DOS SEUS
REGISTROS. Por exemplo, através das avaliações mencionadas, podemos analisar
aspectos como: qualidade da escrita formal; habilidade de argumentações;
conhecimento de variados conteúdos de ensino desenvolvidos etc.Neste sentido, e até porque ouço muito,
INFELIZMENTE, no meio escolar que as redações não são tão importantes assim,
segue uma excelente entrevista com o
Professoro Ludovico Bernardi que disserta com muita propriedade sobre o
assunto.O Professor Mestre Ludovico Omar Bernardi vem do
Paraná, sendo especialista em Redação para o ENEM, Pré-vestibular e Concursos
Públicos, atuando a 14 anos na área. Também é professor da Fundação Getulio Vargas
- FGV, ministrando as disciplinas de Comunicação Integrada de Marketing na Era
Digital e Comunicação Empresarial. No ensino superior, atua como Professor de
Língua Portuguesa, Semiótica e Redação Publicitária (Cursos de Jornalismo e
Publicidade e Propaganda). Seu projeto para Aracaju: o curso de Redação Ateliê
do Texto, que conta com o apoio do Colégio Módulo, e será estabelecido em
agosto próximo. André
Pestana: Os estudantes já sabem que, para conseguir
aprovação nos principais vestibulares do país, uma boa redação é decisiva?
Quais são as habilidades e competências essenciais para o sucesso do candidato?
Prof. Ludovico Bernardi: Ainda que
os veículos de comunicação de massa tenham noticiado, há ainda alguns alunos
que desconsideram o fato de que a redação hoje é primordial no sucesso
estudantil. Por exemplo, no ENEM ELA VALE 50% DA NOTADO ALUNO, ou seja, mil pontos. Se você
considerar os demais vestibulares de quaisquer universidades federais, o mínimo
que se atribui à redação, hoje, é 40% da nota final.
Já quanto às habilidades e competências, os princípios e o formato da prova de
Redação dos exames vestibulares e mesmo do ENEM demonstram, claramente, que o
objetivo é avaliar em que medida os candidatos apresentam certo rol de
“capacidades” que as universidades desejam encontrar em seus alunos. Estas, por
sua vez, podem ser enumeradas em: capacidade de exprimir-se com clareza;
capacidade de organizar ideias; capacidade de estabelecer relações; capacidade
para interpretar dados e fatos; capacidade de elaborar hipóteses.
André Pestana: A leitura de sites, revistas, jornais é prática
obrigatória para a elaboração do pensamento crítico. Como conciliar a rotina
dos estudos das disciplinas tradicionais com essa nova dinâmica?
Prof. Ludovico Bernardi: Há que se entender,
primeiro, que a redação é totalmente transversal, ou seja, ela exige que o
aluno estabeleça relações com outros textos. Estes, por sua vez, podem ser da
área de sociologia, filosofia ou mesmo da ciência em linhas gerais. Por
exemplo, é impossível se discutir a condição certeira ou errônea do STF em
permitir o aborto em casos de anencefalia, caso o aluno não conheça um mínimo
de biologia. Logo, o conciliar das disciplinas tradicionais com essa nova
dinâmica de provas nasce da criação de um caderno de argumentos. Estes serão
consequência de leitura, e por serem amplos, podem servir ao escritor em várias
limitações temáticas distintas. Eis, aliás, o sucesso de um texto: a leitura.
André Pestana: Vivemos em um momento em que a fragmentação das
relações humanas e dos objetivos profissionais conflitam com a chamada
convergência de mídias e a informação em tempo real. De que forma os
professores devem se preparar, em especial os profissionais de Linguagens e
Códigos, para esse novo contexto?
Prof. Ludovico Bernardi: Bem, o fato
é: o mundo mudou a partir da internet. Não dá pra conceber linguagem sem passar
por ela. Aliás, a internet é a grande responsável por toda a mudança percebida
hoje nos meios de comunicação de massa. Assim, a primeira grande mudança nesse
contexto quanto ao ensino de Linguagens e Códigos está no fato do professores
entenderem que o texto deve ser visto como um produto misto, ou seja, fruto da
linguagem verbal e não-verbal. Depois, que há grandes distinções entre gênero
textual e tipologia textual. Logo, não dá pra conversar com um mundo azul sendo
daltônico. Assim, não dá pra ensinar linguagem pensando como mero gramaticista.
Como bem disse Mário Quintana, estudar português pela gramática é tão inútil
quanto estudar dança por correspondência.
André Pestana: A
interdisciplinaridade ressalta a importância das disciplinas construírem pontes
de diálogo entre si. As escolas estão conseguindo viabilizar essa interface?
Prof. Ludovico Bernardi: Se você analisar
genericamente, não. Basta vermos os resultados hoje de provas como o próprio
ENEM. No entanto o que vejo é que pontualmente a realidade está mudando. Na
década de 80, ao se analisar um enunciado como “Ivo viu a uva”, era simples
entender que Ivo era o sujeito da oração. No entanto era quase que impossível
conceber que Ivo era o referente da oração. Aliás, definiu-se como sujeito o
elemento que praticava a ação. Pois bem, e em um enunciado como “Pedro apanha
de sua esposa todos os dias”, Pedro pratica a ação? Logo, eis o desafio das
escolas de hoje: viabilizar interfaces, discutir, dialogar e ver a língua como
um meio e não um fim. Como conseguir isso? Simples: a linguagem é a única área
que perpassa por todas as demais. Assim, basta, para tanto, o aproveitamento de
seu ensino. http://www.infonet.com.br/andrepestana/ler.asp?id=129755
– acesso em 29/07/2014)
Nenhum comentário:
Postar um comentário