EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Até que enfim!!!! Venho falando isso há pelo menos dez anos!!! Desde que comecei a conhecer alunos com MAIS de doze anos que não sabem ler nem escrever. Isso não devia se chamar "pacto bla-bla-bla" Deveria se chamar "PACTO DA VERGONHA NA CARA"! precisou ficar em ÚLTIMO LUGAR EM INTERPRETAÇÃO DE TEXTO NO MUNDO, para implantar algo. Bom para os que virão... porque, para muitos alunos, o estrago já está feito... e o tempo já foi perdido!!!
por Mari Monteiro
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Por Mari Monteiro
Não encontrei a data
precisa desta fala de Cristovam Buarque; ainda assim, posso afirma que SEU
CONTEÚDO É ATEMPORAL. Não vou dissertar muito sobre tal tema, as palavras
escritas no post falam por si. Sabemos que em diversas regiões do Brasil há
pessoas vivendo de forma completamente isoladas e aquém do chamado MUNDO LETRADO.
Então, fiquemos, cada
um de nós com sua própria reflexão. Porém, faço questão de reafirmar o que
sempre disse aos meus alunos: APROVEITEM O MOMENTO. Aprender é um
direito de todos (clichê "governamentista" este hein?), mas
lamentavelmente nem todos dele usufruem e, parte daqueles que o tem em mãos, não dão o merecido valor. "Carpe
Diem"...
Valor e Valorização
por Kássia Rocha
Pesquisando na internet, sobre o valor das coisas, do tempo e de
si mesmo, encontrei este vídeo, que diz tudo e mais um pouco...
O tempo passa e nossas crianças se desenvolvem, conforme o que aprende
no que é cativado ou simplesmente desmotivado, a se
acostumar com o “sistema”. A educação pode proporcionar
ao indivíduo que se torne pensante e que aos poucos assimile o que é essencial
para sua formação, o que não pode deixar passar, as oportunidades de valorizar
o se tem por sonho e o que se é como pessoa, a luta de alcançar o que é imprevisível,
mediante a comodidade que transcorre entre os seres, ultimamente. Antes disso, os professores são parte
importante desta motivação, ao pesquisar e/ou elaborar temas (nem que seja
semanalmente) de interação do aluno para com o meio em que vive, e
principalmente, na busca pela idealização individual e social, no qual, o
educador pode salientar o valor das coisas que são pertencentes à vida, as
escolhas que são fundamentais quando não nos sentimos à vontade, o modo como
agregamos nossos interesses e desinteresses. A valorização em tempo real, de
como vamos determinar o que é importante para se conviver em sociedade, e para
aprender cognitivamente, perante, o que se apresenta, sendo bom ou ruim, como
encarar a mudança, a busca pelo novo.
Sim, eu acredito que o educador pode incentivar o seu aluno a
pensar, a ter ponto de vista (em práticas pedagógicas), é possível elaborar
caminhos que questionam - atividades que os façam pensar e raciocinar. Mas de como é interessante se autoconhecer, e saber o que se quer por valor moral e cívico. Isso é de suma
importância!
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Por onde andará o Mike?
Por Mari Monteiro
“Mike... Por
onde andará o Mike?
Assim que
ingressei no Serviço Público Estadual através de um concurso (muito difícil por
sinal e elaborado pela Cesgranrio), ocorreu algo inusitado. No dia da
atribuição, havia muitas salas para serem escolhidas. No meio delas, uma “nomenclatura”
diferente: “RECUPERAÇÃO DE CICLO”. Achei bonito aquilo. E mais. Achei louvável.
Imagine um professor conseguir recuperar um ciclo inteiro de aprendizagem (o
que significaria “recuperar” o que não havia sido aprendido desde a 1ª até a
então 4ª série do Ensino Fundamental.) Decidi que esta seria a minha sala de
trabalho do ano letivo de 2006. “Apenas” 25 alunos (as outras tinham em média
35 alunos). Fiquei animada!
No primeiro
dia de aula, lá estava eu, na porta e com um sorriso nos lábios para
recepcionar alunos e pais. Porém, aos poucos, o sorriso foi se fechando. A maioria dos alunos veio sozinha. As mães que vieram
juntas chegavam à porta, puxando as crianças pelos colarinhos e perguntavam: “É
aqui a sala dos repetente?”. Não dava tempo de dizer “Boa tarde, sou a professora
Mari, como vai?”
Logo no
inicio percebi que todos os alunos eram muito diferentes entre si, cada um com peculiaridades
bem marcantes. Ainda conheceremos mais alguns amigos desta turma através deste blog.
Por algum motivo, decidi começar pelo Mike. Um garoto de 12 anos, com sorriso
fácil. Parecia estar sempre feliz! Tudo era sorriso, até mesmo quando não
parecia estar bem e eu perguntava: “O que houve Mike?”. Ele sorria e dizia: “É
nada não fessora!!!” Quando alguém o perturbava, ele dizia sempre: “Sai da
minha vida muleke!”. E os “muleke” davam risada, mas o respeitavam. Essa frase
virou uma espécie de chavão na sala, brincávamos com ela e repetíamos a frase
para ele mesmo às vezes... e ele? Ele sorria e só!
De sua
história fora da escola , sabia muito pouco, era arredio. Somente na primeira
reunião de pais as coisas começaram a ficar mais claras para mim: sobre Mike e
sobre o “porquê” da chamada RECUPERAÇÃO DE CICLO. Ele não sabia nem ler e nem
escrever. Apenas fazia o que eu chamava de “graminha” (no pedagogês,
garatujas). E insistíamos em ensiná-lo, como insistíamos!!!
Chegada a primeira
reunião de pais, pude entender muitas coisas
sobre Mike e sobre a educação. Atendi cada pai/mãe individualmente; por
isso tenho tantas histórias pra contar desta sala. Mas, voltemos ao Mike. Após
cumprimentar seu pai, um senhor muito educado e simpático, introduzi o fatídico
assunto. Tarefa difícil. Já havia dito
algo parecido aos demais pais e cada um tinha uma justificativa mais
interessante que a outra. Vejamos como seria com o pai do Mike:
- Bom tarde
senhor Antônio.
- Boa tarde
Senhora Professora. (quase chorei de
emoção por ser solenemente chamada assim)
- Como vai
a família?
- Bem
demais e a da senhora?
- Também.
Obrigada.
Não nos
restava muito tempo, Ele havia chegado bem no final do período. Não pude fazer
muitos rodeios. Então, a notícia foi mesmo à queima-roupa.
- Senhor
Antônio, o senhor saberia me dizer por que o Mike está há 5 anos na escola e ainda não sabe ler ou
escrever?
- Como assim
professora?
- É. Ele
não sabe ler e nem escrever.
Tudo está tão nítido na minha memória como se fosse ontem.
Inclusive o timbre da voz deste senhor.
- Olha
Senhora professora. Vou ser sincero com a senhora. Ler, ele não lê muito bem
não. Quando eu peço pra ele ler, ele engasga , fica pensando no que vai
falar... Ele lê ruim demais. Mas,
escrever, ele escreve muito bem demais e depressa. A senhora quer ver?
Petrificada,
disse sim. Ele prontamente chamou o Mike, pediu seu caderno, abriu numa página qualquer...
Enquanto o pai foleava o caderno, mostrando as “graminhas” feitas pelo Mike, eu olhei para ele que sorriu o mesmo sorriso de sempre, mas desta vez, escondeu o rosto de mim e, depois, do pai. Hesitei, mas só por um segundo, olhei nos olhos do Sr. Rosangelo e perguntei:
Enquanto o pai foleava o caderno, mostrando as “graminhas” feitas pelo Mike, eu olhei para ele que sorriu o mesmo sorriso de sempre, mas desta vez, escondeu o rosto de mim e, depois, do pai. Hesitei, mas só por um segundo, olhei nos olhos do Sr. Rosangelo e perguntei:
- O Senhor sabe ler e escrever?
- Sim senhora. E é por isso que eu luto pra que o Mike continue firme nos
estudos.
- Entendo.
O senhor faz muito bem.
Eu não
tinha mais palavras. Apenas um nó na garganta. Despedi-me do pai e do Mike.
Sentei na minha mesa e fiquei por um tempo parada antes de começar a arrumar as
coisas para ir para casa. Nunca mais esquecerei este dia. O Mike, safo que era e livre de toda culpa, fingia que contava
uma história qualquer quando o pai pedia para que lesse.
Nos dias
que se seguiram, sentia um embrulho no estômago, um desconforto por não saber o
que fazer com as informações (não apenas sobre o Mike, mas também sobre os
outros). Era como se eu já fosse cúmplice daquilo tudo. Descobri que não se
tratava de Recuperação de ciclos, mas da regeneração de expectativas, de
autoestima, de honestidade e de
comprometimento social. Não consigo conceber o fato de alguém passar anos a fio
na sala de aula fingindo ler e escrever... Os professores não perceberam???
Enfim, Mike
ficou comigo durante todo o ano de 2006. No dia seguinte à reunião, pedi ao pai
que comparecesse à escola e lhe disse toda a
verdade. Eu e o Mike, que, com a cabeça baixa e nenhum esboço de sorriso no
rosto, confirmou tudo. Ele não aprendeu muita coisa. No final do ano, ele escrevia
e lia palavras simples e textos pequenos. Com os números, era um pouco melhor.
E... Surpresa! O Mike foi APROVADO! Sim, aprovado. Era a lei. Eu era obrigada a
aprová-lo. Adoeci com isso. Ele não estava preparado. ( E este fato, em
especial, expressa toda minha indignação com o sistema de ensino que ainda
continua aprovando alunos que não estão “prontos”). E lá foi o Mike frequentar
a 5ª série. Ele, suas poucas palavras aprendidas, toda autoestima que consegui
colocar no seu bolso com extrema dificuldade e uma boa dose de coragem para
ouvir, todos os dias, de boa parte dos professores que ele não sabia ler e nem
escrever. O problema é que esta verdade estava sendo dita e ouvida tarde
demais. Até hoje penso muito nele. Nunca mais o vi. Espero que esteja bem... E que
um dia possa, por um destes acasos providenciados por Deus, ler este artigo e dar notícias...
(É com imensa satisfação que os convido a ler a continuação deste artigo: "MIKE: O REENCONTRO!". CLIQUE NO LINK ABAIXO)
(É com imensa satisfação que os convido a ler a continuação deste artigo: "MIKE: O REENCONTRO!". CLIQUE NO LINK ABAIXO)
Livro: "O Pequeno Príncipe" em Braille!
Por Kássia Rocha
O rumor das conversas, sobre este livro, surgiu no facebook...
Fiquei encantada!
O meu desejo, como educadora e cidadã, é que amplie se mais este
segmento, tanto na criação e estruturação de outros livros, que são essenciais
para que o "ouvinte" passe a ser um leitor ativo, quanto na compra
dos livros em Braille, no qual ocorre uma escassez, ao tentarmos encontrar
pontos de venda e, até pela internet, não encontramos editoras que invistam
nesta linha, de livros em Braille.
As crianças precisam deste contato com o livro, não somente
ouvir as histórias, mas que se alfabetize em Braille, se torne um cidadão
alfabetizado. Que haja mais visibilidade na categoria de Libras (Língua
Brasileira de Sinais). E que nós como seres conscientes, enxerguemos o nosso
próximo com igualdade e apreço!
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