EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Filme recomendado: "Detachment" (Título em português: O substituto)
Por Mari Monteiro
Detachment,
novo filme de Tony Kaye, tem um título muito interessante e que é aberto para
várias interpretações. Em português, a palavra “detachment” significa
“desapego”, “indiferença”. Levando em consideração que o filme faz uma crônica
de alguns dias na vida de um professor substituo (Henry Bathes, interpretado
por Adrien Brody) numa infernal escola pública estadunidense, poderíamos até
dizer o filme faz reverência a um suposto desapego por parte dos professores
aos seus alunos, ou comenta e crítica tal desapego.
Porém,
se disséssemos isso, estaríamos mentindo. Detachment faz exatamente o
contrário: Ele condena quem não tem moral (ou vontade)
de encarar uma manhã e uma tarde com alunos que não estão interessados em
estudar e faz uma ode aos professores que se jogam nesse dia-a-dia. E
isto está muito claro desde o início do filme, quando somos apresentados a uma
epígrafe animada assinada pelo pensador Albert Camus (“E eu nunca me senti tão
imerso em uma pessoa ao mesmo tempo em que estou tão desapegado de mim mesmo e
tão presente no mundo”).
Portanto,
Detachment é um filme explosivo de um cineasta
explosivo. Tony Kaye, autor de dois filmes bombásticos sobre problemas sociais
urgentes (A Outra História Americana [American History X, 1998] discursa sobre
o neonazismo; Lake of Fire [idem, 2006] é um documentário que fala sobre
aborto), a partir de um roteiro assinado pelo estreante Carl Lund, tem em suas
mãos um filme em que ele pode apontar, pela primeira vez em sua carreira, sua
metralhadora não para as consequências das ações tomadas pelas vítimas do mal
abordado no longa, mas sim acusar as vítimas. Detachment não é uma investigação
sobre problemas — é um julgamento.
Uma
vez que estamos tratando das deficiências do sistema de
educação pública (mais conhecido pelo projeto “No Child Left Behind”), é
fácil traçar um paralelo com o excelente documentário Waiting for “Superman”
(idem, 2009) — afinal, Detachment adota uma mise-en-scene realista, quase
documental; ambos os filmes procuram mostrar a falácia do “No Child Left Behind”
(apesar de desviarem uma crítica direta ao seu criador, George W. Bush). Apesar
disso, as semelhanças entre os filmes param por aí. Detachment
é lírico, absurdo e gráfico; não está preocupado em fazer análises — para Kaye,
isso é perda de tempo: Ele está interessado em fazer acusações, não
ponderações. Desde o primeiro momento em que entramos na escola em que o filme
se passa, fica claro que o problema é muito mais dos alunos e da sua
diretoria do que de um hipotético despreparo dos professores (Waiting
for “Superman”, por sua vez, diz, entre outras coisas, que o problema está nos
professores que não têm qualificação suficiente).
Levando
seu espectador a lugares anaeróbicos e inóspitos, Tony Kaye mostra que continua
afiado e interessado na violência inerente no contato humano. Sua câmera é
frenética e procura causar desconforto na audiência; há pouca solenidade em sua
direção, mesmo quando a cena lhe propicia algo, digamos, mais clássico: Observe
que quase todas as cenas na escola em que Henry Bathes trabalha são filmadas
com a câmera na mão, utilizando uma lente extremamene angular e com um número
elevado de cortes. Portanto, mesmo que Detachment seja um filme que se segure
bastante nos diálogos, Kaye prova ser um diretor que tem a consciência de que a
tensão não é formada no roteiro (que é brilhante, verdade seja dita), mas sim
no conjunto da sua direção — se sua hand-held aliada a grande angular provoca
desconforto, o desenho de produção de Jade Healy aposta numa combinação de
branco e vermelho que deixa os ambientes áridos e nauseantes — vermelho este,
aliás, que está presente mesmo nas cenas que não se passam na escola, como
prova a segunda conversa que acontece entre a jovem prostituta de rua Erica
(Sami Gayle) e Bathes.(...)
Com tudo isso, deve-se levar em consideração que nem
todos estão preparados para assistir um filme de Tony Kaye — aqui está um
cineasta inovador, revolucionário; alguém que utiliza motivos clássicos num
filme e eleva-os a uma potência em que eles atingem uma nova tez. Há muita
trilha-sonora pomposa (excelente, assinada pelos Newton Brothers) e muita
câmera lenta. Falando assim, pode até parecer que Kaye é um cineasta que
simplesmente utiliza recursos clássicos a todo minuto, mas falar isso não é
nada além de preguiça intelectual. A questão é que ele é um cineasta explosivo;
alguém que não se furta a chance de utilizar os mais infinitos meios de passar
uma mensagem — às vezes, claro, você precisa gritar para se fazer ouvir, e Kaye
faz isso seja com a tal da câmera lenta, seja com música dramática ou com
animações extremamente gráficas (elas podem variar entre um fio de telefone
enforcando uma pessoa até moscas rodopiando ao redor de uma lâmpada — o que nos
revela um pouco da ótima montagem de Barry Alexander Brown e Geoffrey Richman).
No
mais, Detachment é um filme mais otimista que A Outra História Americana e mais
redondo que Lake of Fire (Tony Kaye ainda assinou Black Water Transit e Lobby
Lobster, mas esses filmes são obscuros demais e não achei para assistir).
Alguns podem achar que isso é uma tentativa de “se vender” ou de “encontrar
espaço nos estúdios” — afinal de contas, Kaye se tornou pária em Hollywood
depois de apresentar um comportamento infantil durante o processo de
pós-produção de A Outra História Americana que culminou com a sua própria
falência (e ele sabe disso).
Mas
pensar isso é baboseira. A questão é que Detachment fala sobre educação, sobre
o futuro do planeta — sobre crianças. Se não nos mantivermos otimistas sobre o
futuro delas, qual é o mundo que será habitado no futuro?
Detachment,
2011 / Dirigido por Tony Kaye. Com Adrien
Brody, Sami Gayle, Christina Hendricks, Lucy Liu, James Caan, Betty Kaye, Tim
Blake Nelson, Marcia Gay Harden, William Petersen e Brian Cranston
Fonte:
http://ornitorrincocinefilo.wordpress.com/2012/06/25/detachment-tony-kaye-2011/ (acesso em 03/04/2013)
domingo, 31 de março de 2013
PARA ADORMECER EM PAZ...
Por Mari Monteiro
Não
quero que a postagem anterior seja a última deste dia. Me incomoda a imagem...
o FATO! Quero conservar meu otimismo e minha esperança. Às vezes, no caso do
otimismo, chego a pensar que é genético (olha o absurdo!). Isso porque, por
mais que tudo esteja desmoronando, as lágrimas caindo, penso com
convicção: "Isso não pode ser o fim!"
O
que se assemelha muito aos versos de Renato Russo em
"A montanha
mágica":
"(...) E nossa história
Não estará
Pelo avesso assim
Sem final feliz
Teremos coisas bonitas pra contar
E até lá
Vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos."
Então, desejo que guardem imagens e palavras
amenas... Tal como estas de RUBEM ALVES (a propósito, ele é uma espécie de
"enérgico", que degusto cada vez que minha fé na
educação esmorece... como hoje.).
DURMAM BEM!!!
ATÉ QUANDO?
Por Mari Monteiro
Quando vi esta imagem, a primeira coisa que fiz foi ficar paralisada por alguns minutos. Depois, , me senti mal (DE NOVO!!!), porque isso já virou um "déjà vu" na educação. TODO MUNDO sabe o que acontece. Sabe também que as agressões verbais (que também doem!!!) são constantes... e as mortes??? Daí a OBVIEDADE do título deste artigo. E quem pode responder a pergunta: "Até quando?" eu, você, os alunos, os professores que são agredidos das mais variadas formas, as autoridades (aliás, autoridades em que mesmo???).
E, por falar em AUTORIDADES EM EDUCAÇÃO, quem são vocês caras pálidas que se escondem atrás das portas de seus gabinetes? Distantes dos palavrões, dos xingamentos, das ofensas, das agressões e de toda sorte de descasos que sofremos em sala de aula? De que lado estão? Tais questionamentos advém do fato de que esse tipo de notícia já se tornou comum (isso quando é veiculada pela mídia que, afinal de contas, tem coisas mais importantes para noticiar..."coisas" que desviem o foco de nós mesmos, que faça com que nos acostumemos com nosso próprio sofrimento), o que fortalece o "NÃO - ASSOMBRO".
Tenho muito medo de que nos acostumemos com cenas e fotos relacionadas à profissão docente... porque às outras formas de violência já tomaram o seu lugar na sociedade: o "lugar - comum"...
Enfim, quero muito saber o que acontecerá com o agressor (independentemente de sua idade. FODA-SE o ECA! A Constituição não funciona mesmo...). E se fosse sua mãe?
domingo, 24 de março de 2013
APENAS PARA LEMBRAR...
Por Mari Monteiro
Há tempos que o educador vem sendo ludibriado com "agradinhos" aqui e acolá. Lamento informar às autoridades que ainda não perceberam (e não o fizeram porque se fazem de cegas, surdas e mudas!) que o professor quer e NECESSITA é DIGNIDADE!. O que começa com um salário JUSTO, porque, como todo trabalhador HONESTO (o que não inclui determinados políticos, que trabalham pouco e ganham muito...) o professor precisa morar minimamente bem e suprir as necessidades básicas de sua família. Além disso, precisa de TEMPO. Planejar boas aulas pressupõe pesquisas, pesquisas pressupõe tempo. Tempo este que não existe, pois já que o salário não é digno, é preciso que trabalhar em mais de uma escola.
Os professores que não gostam de falar sobre os seus salários que me desculpem, mas... das duas uma: ou trabalham por diversão (não acredito nisso), ou são sustentados pela família (conheço alguns, cujo dinheiro é só para os próprios gastos particulares); ou seja, não arcam com despesas como contas de LUZ, ÁGUA, TELEFONE, ALIMENTAÇÃO, MORADIA, SAÚDE, TRANSPORTE... SEM CONTAR A COMPRA DE LIVROS (isso seria luxuoso demais!!!).
E a mídia continua mostrando escolas de primeiro mundo. Por acaso seu filho já estudou numa destas? Você já trabalhou numa destas? Quantas assim existem na sua cidade??? Enfim, NÃO ADIANTARÁ "INAUGURAR" MEIA DÚZIA DE ESCOLAS EM TEMPO INTEGRAL ( para inglês ver), SE O PROFESSOR NÃO ESTIVER INTEIRO...
quinta-feira, 21 de março de 2013
AS REDES SOCIAIS E A HUMANIZAÇÃO DAS RELAÇÕES
por Mari Monteiro
O trato entre as pessoas, tal como as
quase instantâneas mudanças sociais, tem sofrido modificações EXTREMAS
INTENSAS e TENSAS. Obviamente, o ser humano está
sempre “SENDO” (deveria até
existir uma ciência para tratar disso: a “SENDOLOGIA” conforme
sugeriu, numa palestra, o professor Doutor José Eustáquio Romão) e, por isso,
muda constantemente de comportamento. Então, QUAL
É O PROBLEMA? Se pensarmos apenas em termos de evolução,
transformação e amadurecimento, tudo certo. Contudo, não é apenas isso que
acontece. Os indivíduos, em geral, estão, em primeiro lugar, sem referências (BOAS
REFERÊNCIAS) na arte, na música, na
Literatura; não por falta de opções (se garimparmos encontraremos bons
alimentos para a alma), mas por falta de critérios para seleção. O acesso à
arte de um modo geral nunca foi tão intenso e fácil; no entanto, boa parte da
população; sobretudo, os jovens, não sabem selecionar.
Em
segundo lugar, há a questão das relações virtuais, o que não é de todo ruim, ao
contrário, elas oferecem muitas oportunidades de interação que, talvez,
pessoalmente, o indivíduo não fosse capaz de efetivá-las. Mas, como tudo na
vida, este aspecto tem dois lados (ou mais, se analisarmos mais profundamente).
Daí,
a necessidade de abordar, a princípio, os aspectos negativos advindos deste
tipo de relação social. Os jovens tem perdido a habilidade (e pensar que
as gerações futuras sequer perderão esta habilidade, pois não a terão CONHECIDO...)
de relacionar-se “DE PERTO”:
olhos nos olhos, diálogos sem pressa. Isso porque tudo no mundo virtual é muito IMEDIATISTA.
Esta instantaneidade é trazida para o mundo real. Há uma urgência em tudo que
fazem: Falam rápido demais; não tem paciência para ouvir; não tem interesse
pela leitura, pois se habituaram à comodidade dos “TEXTOS
IMAGÉTICOS”, onde tudo está pronto. A imaginação não tem o
trabalho de criar, porque alguém já criou o cenário, as cores... Tudo. Diferentemente
de um livro que o indivíduo lê e a imaginação trabalha para construir
cenas, cores e aromas, o que exige serenidade, tempo e inventividade “ROUBADAS” pelas
imagens PRONTAS.
Todos
estes aspectos refletem quase sempre de forma negativa, por exemplo, NA
SALA DE AULA, principalmente quando se trata de ouvir as
explicações, ler textos considerados mais complexos, usar um tom de voz mais
adequado com colegas e professores. Na hora de escrever, FALTAM
PALAVRAS e as poucas que surgem são “pobres”,
repetitivas e escassas. Para a maioria dos estudantes, é quase um parto
elaborar uma redação de vinte linhas. No âmbito familiar, tais condutas
contribuem para o isolamento entre as pessoas. Então, o que fazer? EQUILÍBRIO é
a resposta. As redes sociais, por exemplo, quando bem utilizadas, constituem
uma excelente plataforma para a manifestação de ideias e para a conscientização
acerca das questões políticas e sociais. COMO FAZER ISSO? É
necessário que existam inferências constantes por parte da FAMÍLIA e
da ESCOLA. À escola cabe,
por exemplo, solicitar o uso de ferramentas que possibilitem aos alunos
praticar uma boa leitura, elaborar e registrar reflexões e APRENDER
A FILTRAR o que é lido.
Outro
aspecto a ser abordado é o fato de que as relações travadas no âmbito familiar
refletem diretamente na sala de aula. Ouvi algo curioso de um amigo. Segundo
ele, numa tarde de domingo, não havia ninguém vendo TV na sala. Ao andar pela
casa, percebeu que estava cada um no seu quarto, assistindo sua própria TV e –
o mais grave – todos estavam vendo o mesmo programa; ou seja, este tempo de
interação foi substituído pelo ISOLAMENTO e,
consequentemente, pelo diálogo acerca do que foi visto. Fato é que NADA
SUBSTITUI UMA BOA CONVERSA, um AFAGO nos
cabelos, um ABRAÇO.
Mas,
por outro lado, é preciso admitir que o FASCÍNIO que
a internet (e a mídia em geral) exerce sobre nós é “viciante”. Chega a ser uma
batalha desigual tanto para a família como para a escola. Este é o típico
caso em que cabe um antigo dito popular: “Se não pode com eles, junte-se a
eles.” A questão é COMPARTILHAR e REFORÇAR os
aspectos positivos e COMBATER os
negativos, através, por exemplo, da aprendizagem e prática de alertas contra
golpes e pedofilias; seleção dos conteúdos postados (o que nada tem a ver com
censura da liberdade de expressão, mas sim com a SELETIVIDADE);
ou seja, os usuários (nossa! O próprio termo “usuários” remete-nos a alguma
espécie de vício...) das redes sociais devem ter consciência da utilidade de
suas postagens. É bom ver um post engraçado e dar risada em frente à tela, mas
não é nada engraçado se deparar com posts de cunho racista ou preconceituoso.
Enfim,
absolutamente nada contra as redes sócias, faço parte de várias. Nem por isso
perco as oportunidades de interagir pessoalmente. Não abro mão do olho no olho,
de longas conversas e do contato físico. Sei que pode parecer que, para o
adulto, isso é fácil. Sim, a maturidade ajuda. Mas se a escola e a família se
unirem para esclarecer os prós e os contras (que, a propósito, são
infinitamente menores que os prós), as crianças e os adolescentes poderão ser
(RE) educados para aprimorar suas relações sociais, tornando-as mais humanas e
mais próximas. O uso da tecnologia em prol da HUMANIZAÇÃO
DAS RELAÇÕES é possível! Há muita poesia e generosidade
“nas redes”, basta garimpar e tomar para si apenas o que for capaz de nos
tornar INTELIGENTEMENTE MAIS AMOROSOS e
menos indiferentes...
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