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EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Filme: COMO ESTRELAS NA TERRA - TODA CRIANÇA É ESPECIAL

Belo, sensível, impactante...

Taare Zameen Par – Every Child is Special, com tradução de " Como Estrelas na Terra - Toda Criança é Especial" é um filme de produção indiana  e uma obra prima do até então ator e produtor Aamir Khan, que no filme assume o papel do professor Ram Shankar Nikumbh.
O filme é o relato da história de Ishaan Awasthi, um garoto de nove anos, disléxico, que é incompreendido pela escola e sofre pelo desconhecimento e abandono dos pais, que se preocupam apenas em torná-lo produtivo, competente para o trabalho e apto à concorrência.

Na escola, Ishaan é dispersivo e encanta-se com um mundo que só ele vê. A mente criativa e prodigiosa do menino é ignorada pelos professores. Na sala de aula, os algarismos da prova adquirem vida e travam com ele, uma incrível batalha intergalática. Ishaan ignora os significados dos códigos, para ele o  mundo é de um colorido e de um ritmo bastante diferente do que vive na sala de aula. Ele se encanta com o vôo das borboletas, com os pássaros que alimentam os filhotes  e com os pingos da chuva nas poças d'água.  As nuvens são seu chão firme. O menino sonha e seus sonhos não cabem no currículo escolar.

Diferente dos outros, Ishaan  sofre. Rotulado e estigmatizado, se isola.  Reprova de ano e é encaminhado pelos pais a um internato que costuma usar como marketing institucional explicar aos pais que são os melhores domadores de cavalos selvagens. Ishaan é entregue e própria sorte, abandonado intelectual e emocionalmente, tido como preguiçoso, relapso, desorganizado. Nada mais faria sentido pra ele, se Ram Shankar Nikumbh, um professor substituto não cruzasse seu caminho e o resgatasse desta triste história.
“Taare Zameen Par – Every Child is Special" , é um filme  questionador e instigante. Nos faz pensar sobre tantos Ishaans que por nós podem ter passado, incompreendidos, encaminhados equivocadamente  à escolas especiais, excluídos, rotulados.  Nos apresenta possibilidades de repensarmos os discursos que usualmente utilizamos para constituir os sujeitos os quais denominamos não aprendentes. Surge o desafio de que  nos interroguemos sobre a educação, a escola, o currículo, as competências, os alunos e as alunas, as diferenças, os olhares, os discursos, o padrão, o normal,  o fazer e o nosso não fazer pedagógico. Desafia-nos  a desapergar-nos da ideia das correções, para pensarmos outras relações de ensino e aprendizagem a partir das diferenças e a possibilidade de uma inclusão das diferenças na escola, uma oportunidade para estudar e experimentar pedagogicamente outras representações de diferença  que  escapem ao normalmente instituído pela escola como o lugar do desvio, da anormalidade ou da deformidade. Chama a atenção para como temos olhado e significado a "falta de atenção", "os erros", o "mau comportamento", "a falta de interesse", 'a incapacidade de ler e escrever" e tantas outras  formas de interpretarmos o cotidiano de uma criança que não está aprendendo.

É um filme que emociona pela produção, pela trilha sonora, pelas imagens, pela sensibilidade com que  foi criado, mas acima de tudo, pelo sentimento de que pela educação podemos impregnar de sentido a vida das pessoas e como dizia Paulo Freire, entender que  ensinar e aprender não pode se dar fora da boniteza e da alegria.

É preciso que ensinemos os saberes do mundo, mas também, que ensinemos e aprendamos os saberes do coração.

Texto de autoria do blog: http://sobreeducacao.blogspot.com.br/

ASSISTA: FILME COMPLETO!

segunda-feira, 22 de abril de 2013

ARTIGO COMEMORATIVO: MAIS DE 5.000 ACESSOS!

Por Kássia Rocha e Mari Monteiro

Não vamos iniciar este artigo afirmando que começamos este blog despretensiosamente. Seria MENTIRA. Foi exatamente o contrário. Começamos com muita pretensão, FOME e crença de que teríamos muitos parceiros (educadores profissionais ou não os educados e educadores da VIDA!). E isso tem s e consolidado um pouco a cada dia. São mais de 5 000 acessos dos mais variados locais do Brasil e do mundo (como mostra o quadro Live Traffic Feed do blog).

Saber que há tantas pessoas COMPROMETIDAS com a educação e que COMPARTILHAM de nossos ideais é intenso  e gratificante. Cada vez que dialogamos com uma pessoa que comentam os artigos, a “TEIA” se torna mais resistente.  Pois, se há uma coisa da qual necessitamos é resistência, o que  é possível apenas quando nos unimos.

Diante disso, nós temos a agradecer a TODOS que até agora acessaram e participaram deste blog. Isso nos dá certeza de que a educação, mesmo capenga como está, ainda tem jeito, que NÃO SOMOS CULPADOS pelo seu fracasso; que há muitos interessados em melhorar a qualidade da educação e; sobretudo, a QUALIDADE DE VIDA DO PROFESSOR. Porque posso afirmar, com toda convicção que um PROFESSOR INFELIZ É INCAPAZ DE ENSINAR. A questão é o que as autoridades fazem para que exerçamos nossas funções felizes? E, mais, o que nos deixa felizes... De verdade? Então, continuemos a busca pelas respostas e pelas realizações: JUNTOS!

Gratas a TODOS e FELIZES em reencontrá-los sempre por aqui!

Foto: Kássia Rocha, mimo, postei NOSSO artigo gostaria que vc revisasse e tentasse colocar nossos dois nomes em coma, só consegui colocar embaIXO (HAHHAHHA) e acrescentar esta foto  do lado do artigo (ou onde vc achar melhor...) 
Obrigadíssima Beijus!!!!!

quinta-feira, 18 de abril de 2013

A CULPABILIDADE ATRIBUÍDA AO PROFESSOR


- “Na hora que começa a briga, o professor não intervém?” (REPÓRTER)
- “Somente após alguns minutos”. (ALUNO)


Por Mari Monteiro

Engraçado, a pergunta deveria ter sido: “E as autoridades educacionais não intervém?”. Mas, agora, já é de praxe. A culpa é sempre do professor. Não podemos esquecer que caso o professor tocasse nas alunas, as mesmas poderiam alegar alguma forma de assédio e até agressão. E, desde quando estudamos “técnicas de MMA nos cursos normal Superior ou nas Faculdades relacionadas à educação”?

A sala de aula há muito tempo, deixou de ser local de respeito mútuo e de aprendizado. Na maioria dos casos, o professor exerce múltiplos papéis e as aulas propriamente ditas ficam reduzidas a 20 ou 30 minutos, devido às intervenções feitas: conversas solicitando silêncio, temáticas envolvendo ética educação (aquela educação que já caberia ao aluno trazê-la de casa, imbuída em seu comportamento...).


Contudo, cada vez que nós, professores, fazemos tais intervenções (apagando fogueira), assumimos uma responsabilidade que NÃO É NOSSA. Deste modo, fica bem fácil para o governo e para a mídia (porque eu deveria poupá-la?) de colocar a culpa no PROFESSOR, que também não passa, em casos como este, de uma vítima da situação e que, por inúmeros motivos sente-se “desarmado” e impotente para resolver situações de violência como esta.

Não são raros os casos em que os professores (isso já aconteceu comigo ao tentar separar uma briga no recreio) saem feridos. E quem lhes dá assistência (médica ou psicológica) ou sequer razão? Não sei vocês, amigos, mas quando vejo notícias como estas, sinto-me DESAMPARADA. É como se os papéis tivessem sido invertidos totalmente. O professor não é mais a autoridade (no sentido da RESPEITABILIDADE) máxima na sala; portanto, para que prestar atenção às suas aulas, por que não proferir palavrões em sua presença e por que não “sair na porrada”?

Por outro lado, percebo que os alunos também estão desamparados, SEM REFERÊNCIAS. Refiro-me às referências relacionadas aos valores à moral. Tudo em suas vidas é muito instantâneo, imediato e efêmero. A inconsequência reina, pois eles não possuem o hábito (assim como muitos adultos) de ponderar sobre as consequências de seus atos.

Portanto, senhores repórteres e mídia em geral e; sobretudo às AUTORIDADES EDUCACIONAIS COMPETENTES (competentes?) que, antes de perguntar se os professores não intervêm, procurem conhecer melhor NOSSA REALIDADE e nossos limites enquanto educadores. Somos educadores e, nosso currículo, não inclui artes marciais, jiu-jitsu e outras modalidades. Quando conseguimos desenvolver uma boa aula na qual somos ouvidos e conseguimos estabelecer um diálogo com nossos alunos já nos damos por SATISFEITOS. E, da próxima vez, não entrevistem um aluno, entrevistem um professor.




domingo, 14 de abril de 2013

O PROFESSOR E A NECESSIDADE DO ÓCIO



Por Mari Monteiro
Uma nova semana se inicia. Final do 1° bimestre letivo. Correria, cansaço, tensão, Entrega de notas, conselho de classe. Aí alguns dirão (como já ouvi muito: “Escolheu esta profissão porque quis!”). Sim!  SOU PROFESSORA com muito orgulho. No entanto, essa escolha não tem que ser sinônimo de Sofrimento, desgaste, estresse etc. Você já viu o médico levar o paciente para a casa dele e passar o final de semana cuidando dele? Agora, dirão alguns (Também como já ouvi muito, inclusive dos meus superiores): “O Professor recebe horas atividades para trabalhar onde quiser, inclusive, em casa”. NÃO CONCORDO. Estas horas deveriam estar incorporadas no salário e o horário de trabalho do professor dividido de tal forma, que ele tivesse aulas (livres ou vagas, como queiram) dentro da escola e dentro do seu horário para os afazeres como planejar aulas, corrigir provas e fechar notas. Todo profissional precisa de ócio. Sem o que chamo de ÓCIO CRIATIVO, sucumbimos a meros repetidores de afazeres... Quando percebemos, está tudo funcionando no automático.


Todos precisam de um tempo para si mesmo... Sobretudo, de finais de semana LEVES e LIVRES para retomar a semana com disposição e, principalmente com BOM HUMOR. Basta reparar na fisionomia da maioria dos professores: cansaço, inexpressividade, olheiras... E ainda há quem ache isso louvável. “Nossa, como fulano trabalha!”. Eu diria outra coisa: “NOSSA COMO ESTE PROFISSIONAL ESTÁ INFELIZ E ACABADO!” E o aluno?  O aluno é o primeiro a perceber isso. É o primeiro a sentir o “azedume” do professor... Isso é patético. Deveríamos chegar à escola; felizes, bem vestidos, sorridentes, bem dispostos e trabalhar com prazer.


Enfim, espero, de verdade, que vocês, colegas professores, possam ter tido seus momentos de ócio (o que inclui muitos momentos prazerosos, de risadas e de descanso), para que amanhã possam chegar a seus locais de trabalho sentindo uma leveza interior ímpar. Porém, observem, se isso não acontecer, caso sinta seu corpo pesado e sua mente confusa a cansada, está faltando ÓCIO nas suas vidas e isso é essencial para continuar trabalhando com PRAZER e, na minha concepção, NÃO É POSSÍVEL ENSINAR USANDO UMA MÁSCARA DA CARRANCA DO RIO SÃO FRANCISCO! Boa semana de trabalho bom a todos!





segunda-feira, 8 de abril de 2013

I - NE - VI - TA - VEL - MEN - TE

Por Mari Monteiro

“En rachâchant” é um curta-metragem francês lançado em 1982, baseado em um conto de Margarite Duras. O conflito começa quando um menino não quer ir à escola, pois lá ensinam coisas que ele não compreende. Esse é um cotidiano familiar comum: em uma conversa com os pais, o menino canta docemente o seu problema. De repente, a cena é transferida para uma sala de aula onde a família se une ao professor – figura que, a priori, parece calmo, mas logo se revela impetuoso diante da questão proposta pela criança. (http://jozieliwolff.blogspot.com.br/2009/08/en-rachachant-tributo-margarite-duras.html acesso em 08/04/2013)
  
Muitos detalhes e falas chamam a atenção no curta “Em Rachâchant”. Há frases fortes como: “(Na escola me ensinam coisas que eu não sei). (...)” Além disso, o Ernesto é invisível para o professor (“uma mosca morta, como ele diz”.).
As fisionomias das personagens também chamam bastante atenção. São pessoas carrancudas; sobretudo os pais e o professor. Quanto a Ernesto, ele é ENCANTADORAMENTE IMPETUOSO e CORAJOSO. Encara fixamente seu professor e lhe responde apenas quando lhe convém e com uma certeza inquestionável.

Contudo, Ernesto é sensível. Ao ser perguntado sobre o que era um quadro na parede com uma borboleta emoldurada, ele responde: “UM CRIME!”. Apesar de sua inteligência ficar comprovada em vários detalhes, sua mãe o predestina como “CRETINO”. Ele não quer mais aprender o que já sabe... e quanto o que ainda não sabe, ele diz ter encontrado um novo método, um método próprio: “rechachando”.(confesso  não saber o que significa esta palavra, provavelmente, um verbo... o que me veio à cabeça, por mais ridículo que pareça, é que Ernesto prefere aprender "achando, reachando', no sentido de descobrir. Daí o convite-desafio, vamos desvendar o que realmente Ernesto quis dizer com o nome dado ao seu novo método.).

Quando os pais questionam se o menino Ernesto irá aprender a ler e a escrever um dia, independentemente da escola, o professor afirma que, infelizmente, sim. O porquê da expressão “infelizmente”, dita pelo professor, fica a critério da interpretação pessoal de cada leitor... Pois, é uma resposta no mínimo INTRIGANTE. De minha parte, só posso entender que Ernesto é uma criança entediada com o sistema escolar rígido e que prefere saber “além dos muros da escola”, através de descobertas próprias.

No mais, apreciem o vídeo... E, como uma humilde sugestão, coloquem-se nos papéis de cada uma das personagens  e reflitam sobre este conflito educacional único...

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