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EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.

domingo, 12 de maio de 2013

LER PARA QUÊ?

Por Mari Monteiro


Está lançado um dos maiores desafios para os professores: convencer aos alunos de a prática a da leitura é um a ação necessária para a formação de um modo geral. Para nós, docentes, a importância da leitura é clara. Se bem que sabemos que há uma boa parcela dos professores que não lê sequer os chamados periódicos. O que agrava ainda mais a situação. Como posso convencer meu aluno a ler se eu não tenho o hábito da leitura e – não tendo esta prática – não tenho boas “histórias” ou “memórias” para contar sobre minhas leituras e nem recomendações a fazer. Contudo esta NÃO É UMA RESPONSABILIDADE QUE CABE APENAS À ESCOLA. A família deve desempenhar a função de motivadora: levar os filhos às bibliotecas e às livrarias, permitir que eles folheiem e ESCOLHAM as obras que desejam ler; dar-lhes vale-presentes de livraria, por exemplo, funciona muito bem, pois o indivíduo se sente à vontade para escolher o que ler sem a presença dos pais ou a imposição da escola. Eis uma questão que me incomoda: a imposição da escola. Ou seja, o fato das escolas fazerem descer goela abaixo – sobretudo no Ensino Fundamental II - as obras clássicas da literatura, cujo conteúdo e enredo são de extrema importância, porém ainda não é chegada a hora da assimilação deste tipo de leitura. As ações em torno da prática da leitura devem começar o quanto antes, mas respeitando as escolhas do próprio aluno.

Fala-se muito em desenvolver o hábito da leitura (pauta de todo planejamento e reunião pedagógica que participei até hoje); contudo, é preciso, antes, desenvolver o HÁBITO DE FREQUENTAR LIVRARIAS e BIBLIOTECAS. Afinal, os jovens e as crianças frequentam e consomem tantos outros lugares e “coisas” mais caras que livros...



Outro entrave à leitura (adversário talvez fosse um termo mais apropriado) é a internet. Os resumos de todas as obras estão lá. E os filmes, com seus magníficos efeitos especiais, também. Alguns nada fiéis às obras originais. Daí advém a necessidade do gosto pela AQUISIÇÃO do livro ENQUANTO OBJETO DE PRAZER, MANUSEIO E SEDUÇÃO. Isso passa pela vontade de conhecer as biografias dos autores; as variedades de títulos encontradas nas boas livrarias e nas boas bibliotecas; ou seja, o gosto de escolher e de levar para casa algo que lhe despertará INÚMEROS SENTIMENTOS. E “despertar” isso no aluno (ao menos em parte deles) é uma obrigação de todo educador, não importando sua área de atuação.
  
        Costumo dizer para os meus alunos que livro bom é aquele que nos faz ENXERGAR tudo que lemos que nos leva para outros lugares e nos faz conhecer outras sensações. Aí responderão os incrédulos: “A internet faz tudo isso.” Ledo engano. Na internet está tudo PRONTO. O leitor não tem escolhas. Seus olhos só enxergam o que está à mostra e sua imaginação não cria os cenários, não escolhe as cores, os sabores, os aromas... Porque sua LIBERDADE DE PENSAMENTO FOI CERCEADA pelo hermeticamente fechado mundo da internet. Explico melhor esse paradoxo: mundo fechado da internet.  Ler um parágrafo descritivo de uma obra não é o mesmo que olhar para uma cena já desenhada numa tela (por outra pessoa). No livro, o cinegrafista, o pintor, o protagonista é você e não um designer que fez tudo segundo seu ponto de vista.

Finalmente, concordo com José Saramago quando ele diz que está havendo um retrocesso n a comunicação, que o vocabulário empregado pelas pessoas está cada vez mais escasso. Inclusive, concordo com ele quando diz que no tempo das cavernas, os homens apenas emitiam sons monossilábicos e que, se continuarmos a nos privar da leitura, muito em breve não encontraremos palavras, por exemplo, para expressar os nossos sentimentos. E um homem murmurará sons monossilábicos para uma mulher e ela se sentirá amada, pois estará feita uma declaração de amor. Concluo que este é um argumento quase irrefutável sobre a necessidade da leitura. Quanto mais leio, mais amplio meu vocabulário e, quanto mais o amplio, mais opções de palavras e expressões estarão ao meu dispor para expressar sentimentos e para argumentar. Será que respondi por que precisamos ler?


      

sábado, 27 de abril de 2013

APOLOGIA À GREVE DOS PROFESSORES



Lamentável ter de concordar com a afirmação de Jô Soares. Contudo, a prova é a GREVE, a mobilização que continua, apesar de ineficiente, ser uma das poucas “ARMAS” que o professor dispõe. Explico. Já participei de muitas greves. E, se tem uma coisa que constatei é que a CLASSE DOS PROFESSORES É DESUNIDA; sobretudo quando se trata de greve, cada um olha para seu próprio umbigo e pronto. As escolas continuam funcionando parcialmente, algumas de forma integral. Cadê o desejo de LUTAR? Cadê a INDIGNAÇÃO? Cadê o exemplo de CIDADANIA que devemos deixar para nossos alunos?

Não adianta ficar SOMENTE NO DISCURSO, reclamando em corredores e em sala de professores. É preciso ação. Estou fazendo apologia à greve dos professores sim. Tenho orgulho de quem “perde” um dia inteiro, enfrenta polícia, fica extenuado nas paralisações para, depois, TODOS OS ACOMODADOS, receberem as migalhas que o Governo nos oferece à custa daqueles que foram pras ruas e, por isso,  terão descontos em seus salários. Certamente a greve seria mais curta e eficiente se contasse com apoio de todos; ou seja, ESCOLAS FECHADAS. Por que o metrô para por algumas horas e o Governo resolve e negocia tão rapidamente? UNIÃO. E, com certeza, ele (o Governo) entende que o transporte é muito mais importante que a educação de qualidade...

O mais contraditório é que até os usuários de maconha conseguem ser mais unidos na marcha pela liberação da droga...  Em outros países, um número cinco vezes maior de estudantes se une e vai para as ruas reivindicar ensino de qualidade.  A copa de 2014 mobilizará o país inteiro, em detrimento da fome e da miséria, e a EDUCAÇÃO continua relegada a segundo, terceiro... Planos (se é que está nos planos de alguma autoridade). 

Mas, como diria Renato Russo: “VAMOS CELEBRAR COMO IDIOTAS A CADA FEVEREIRO E FERIADO (...)”. Todos tem o direito de discordar da minha posição. Porém, então, apresentem uma solução mais eficiente, pois, historicamente, todas as parcas conquistas do professorado foram por conta das greves bem sucedidas... Isso há muito tempo atrás, num reino tão, tão distante...

quarta-feira, 24 de abril de 2013

(IN) SATISFAÇÃO DOCENTE

Por Mari Monteiro

Vivemos um paradoxo. Por um lado, a maioria de nós (quero crer) gosta do que faz e, portanto, está SATISFEITA. Por outro, somos mal remunerados, trabalhamos em mais de um emprego por dia, enfrentamos a pressão constante do “sistema” para aprovar alunos que mal sabem ler e escrever - trabalhamos com classes superlotadas e mais uma série de fatos que ESTAMOS CANSADOS DE SABER.


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Inegavelmente, esta é uma situação perturbadora para um profissional que, minimamente, precisa de tranquilidade e de equilíbrio para exercer suas funções. Estamos na contramão das empresas do Primeiro Mundo, que se preocupam com o bem estar físico e mental de seus funcionários, tais empresas costumam investir em “descansos” remunerados e intercalados em horário de trabalho, ginástica laboral e até em massagens expressas ao longo do período (conheço alguns bancos aqui em São Paulo que já fazem isso).

Durante o período em que estamos com os alunos ocorrem as mais diversas situações. O que é normal (e até encantador a meu ver – não há monotonia!); porém, lidar com tantas situações e dificuldades adversas causa um desgaste que, gradativamente, mina nossa resistência, nossa satisfação e nosso prazer em ensinar. Há alguns anos, observando os colegas de profissão num apalestra, percebi que quase todos tinham uma fisionomia muito parecida: a testa tensa e franzida, lábios “duros” e inclinados para baixo (denotando uma expressão triste) e olhos opacos. Neste dia, fiz um pacto com uma amiga (até hoje falamos sobre isso e reparamos uma na outra). Prometemos que quando começássemos a perceber estes sinais de INSATISFAÇÃO uma na outra, no sentido de nos tornarmos carrancudas e amargas, imediatamente, comunicaríamos o fato.

Diante disso; ou seja, dos problemas e das consequências advindas da insatisfação docente, costumo optar por uma decisão muito particular e radical: ou trabalho feliz ou me afasto. O que não pode acontecer é descontar nos colegas de trabalho, na equipe gestora e muito menos nos alunos, as nossas frustrações profissionais (e PESSOAIS; sim, porque PROFESSOR TEM VIDA PESSOAL!). E isso ocorre com muita frequência. Não vou mentir. Sempre senti um certo “desprezo” (raiva até) pelos docentes que berram (o que  é diferente daqueles cujo tom de voz é naturalmente alto) com seus alunos. AS PALAVRAS PESAM de acordo com os sentimentos contidos nas falas. Então, o problema não é exatamente o tom de voz, que é peculiar de cada professor, mas a carga emocional que é somada à palavra. E, neste caso, um berro ou um cochicho ameaçador ao pé do ouvido podem machucar  na mesma proporção.

Neste instante me vêm à mente os versos de Cecília Meireles, interpretados por Fagner na música “canteiros”:



“(...) E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza.
E deixemos de coisa, cuidemos da vida,
Pois se não chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta moço sem ter visto a vida. (...)”








Isso nos remete à constatação de que docentes insatisfeitos envelhecem muito mais rapidamente. Observem. SOMOS MUITO JOVENS, como diz o verso de Cecilia Meireles, pra tanta tristeza. E, o convite pra cuidar da vida, não quer dizer: “vamos deixar de lecionar” e sim “VAMOS LECIONAR COM A DIGNIDADE QUE MERECEMOS!”; no sentido de ter VIDA PRÓPRIA. Sei bem a diferença entre lecionar para 10-12 alunos e lecionar para 35-40. A qualidade de ensino e de vida é outra. Merecemos atuar com satisfação. Não reivindicar isso é o mesmo que se AUTO VILIPENDIAR. E a primeira vítima será o aluno e, depois, nós mesmo, geralmente de forma tardia, quando já estamos nos privando de uma série de atitudes que nos tornam melhores (passeios em família, namoro, cinema, boas leituras etc.). A propósito, já repararam na quantidade de docentes que estão “sozinhos” (divorciados, solteiros)... Isso me ocorreu porque pessoas insatisfeitas, via de regra, são MUITO CHATAS.

Enfim, a satisfação é essencial. A alegria é essencial. O desejo é essencial. NOSSA VIDA É ESSENCIAL. Estar com quem amamos é essencial. Fazer o que amamos (no caso lecionar) é essencial. E isso tudo não pode “se perder” sob uma pilha de provas pra corrigir no final de semana; numa dor de cabeça que senti durante o trabalho e, que piorou ao chegar em casa; nos gritos que não se ouvia até bem pouco tempo atrás... Então, reivindiquemos salário, jornada menor, menor número de alunos por sala; mas, sobretudo, MAIS QUALIDADE DE VIDA PARA O DOCENTE, esta espécie em extinção.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Filme: COMO ESTRELAS NA TERRA - TODA CRIANÇA É ESPECIAL

Belo, sensível, impactante...

Taare Zameen Par – Every Child is Special, com tradução de " Como Estrelas na Terra - Toda Criança é Especial" é um filme de produção indiana  e uma obra prima do até então ator e produtor Aamir Khan, que no filme assume o papel do professor Ram Shankar Nikumbh.
O filme é o relato da história de Ishaan Awasthi, um garoto de nove anos, disléxico, que é incompreendido pela escola e sofre pelo desconhecimento e abandono dos pais, que se preocupam apenas em torná-lo produtivo, competente para o trabalho e apto à concorrência.

Na escola, Ishaan é dispersivo e encanta-se com um mundo que só ele vê. A mente criativa e prodigiosa do menino é ignorada pelos professores. Na sala de aula, os algarismos da prova adquirem vida e travam com ele, uma incrível batalha intergalática. Ishaan ignora os significados dos códigos, para ele o  mundo é de um colorido e de um ritmo bastante diferente do que vive na sala de aula. Ele se encanta com o vôo das borboletas, com os pássaros que alimentam os filhotes  e com os pingos da chuva nas poças d'água.  As nuvens são seu chão firme. O menino sonha e seus sonhos não cabem no currículo escolar.

Diferente dos outros, Ishaan  sofre. Rotulado e estigmatizado, se isola.  Reprova de ano e é encaminhado pelos pais a um internato que costuma usar como marketing institucional explicar aos pais que são os melhores domadores de cavalos selvagens. Ishaan é entregue e própria sorte, abandonado intelectual e emocionalmente, tido como preguiçoso, relapso, desorganizado. Nada mais faria sentido pra ele, se Ram Shankar Nikumbh, um professor substituto não cruzasse seu caminho e o resgatasse desta triste história.
“Taare Zameen Par – Every Child is Special" , é um filme  questionador e instigante. Nos faz pensar sobre tantos Ishaans que por nós podem ter passado, incompreendidos, encaminhados equivocadamente  à escolas especiais, excluídos, rotulados.  Nos apresenta possibilidades de repensarmos os discursos que usualmente utilizamos para constituir os sujeitos os quais denominamos não aprendentes. Surge o desafio de que  nos interroguemos sobre a educação, a escola, o currículo, as competências, os alunos e as alunas, as diferenças, os olhares, os discursos, o padrão, o normal,  o fazer e o nosso não fazer pedagógico. Desafia-nos  a desapergar-nos da ideia das correções, para pensarmos outras relações de ensino e aprendizagem a partir das diferenças e a possibilidade de uma inclusão das diferenças na escola, uma oportunidade para estudar e experimentar pedagogicamente outras representações de diferença  que  escapem ao normalmente instituído pela escola como o lugar do desvio, da anormalidade ou da deformidade. Chama a atenção para como temos olhado e significado a "falta de atenção", "os erros", o "mau comportamento", "a falta de interesse", 'a incapacidade de ler e escrever" e tantas outras  formas de interpretarmos o cotidiano de uma criança que não está aprendendo.

É um filme que emociona pela produção, pela trilha sonora, pelas imagens, pela sensibilidade com que  foi criado, mas acima de tudo, pelo sentimento de que pela educação podemos impregnar de sentido a vida das pessoas e como dizia Paulo Freire, entender que  ensinar e aprender não pode se dar fora da boniteza e da alegria.

É preciso que ensinemos os saberes do mundo, mas também, que ensinemos e aprendamos os saberes do coração.

Texto de autoria do blog: http://sobreeducacao.blogspot.com.br/

ASSISTA: FILME COMPLETO!

segunda-feira, 22 de abril de 2013

ARTIGO COMEMORATIVO: MAIS DE 5.000 ACESSOS!

Por Kássia Rocha e Mari Monteiro

Não vamos iniciar este artigo afirmando que começamos este blog despretensiosamente. Seria MENTIRA. Foi exatamente o contrário. Começamos com muita pretensão, FOME e crença de que teríamos muitos parceiros (educadores profissionais ou não os educados e educadores da VIDA!). E isso tem s e consolidado um pouco a cada dia. São mais de 5 000 acessos dos mais variados locais do Brasil e do mundo (como mostra o quadro Live Traffic Feed do blog).

Saber que há tantas pessoas COMPROMETIDAS com a educação e que COMPARTILHAM de nossos ideais é intenso  e gratificante. Cada vez que dialogamos com uma pessoa que comentam os artigos, a “TEIA” se torna mais resistente.  Pois, se há uma coisa da qual necessitamos é resistência, o que  é possível apenas quando nos unimos.

Diante disso, nós temos a agradecer a TODOS que até agora acessaram e participaram deste blog. Isso nos dá certeza de que a educação, mesmo capenga como está, ainda tem jeito, que NÃO SOMOS CULPADOS pelo seu fracasso; que há muitos interessados em melhorar a qualidade da educação e; sobretudo, a QUALIDADE DE VIDA DO PROFESSOR. Porque posso afirmar, com toda convicção que um PROFESSOR INFELIZ É INCAPAZ DE ENSINAR. A questão é o que as autoridades fazem para que exerçamos nossas funções felizes? E, mais, o que nos deixa felizes... De verdade? Então, continuemos a busca pelas respostas e pelas realizações: JUNTOS!

Gratas a TODOS e FELIZES em reencontrá-los sempre por aqui!

Foto: Kássia Rocha, mimo, postei NOSSO artigo gostaria que vc revisasse e tentasse colocar nossos dois nomes em coma, só consegui colocar embaIXO (HAHHAHHA) e acrescentar esta foto  do lado do artigo (ou onde vc achar melhor...) 
Obrigadíssima Beijus!!!!!

quinta-feira, 18 de abril de 2013

A CULPABILIDADE ATRIBUÍDA AO PROFESSOR


- “Na hora que começa a briga, o professor não intervém?” (REPÓRTER)
- “Somente após alguns minutos”. (ALUNO)


Por Mari Monteiro

Engraçado, a pergunta deveria ter sido: “E as autoridades educacionais não intervém?”. Mas, agora, já é de praxe. A culpa é sempre do professor. Não podemos esquecer que caso o professor tocasse nas alunas, as mesmas poderiam alegar alguma forma de assédio e até agressão. E, desde quando estudamos “técnicas de MMA nos cursos normal Superior ou nas Faculdades relacionadas à educação”?

A sala de aula há muito tempo, deixou de ser local de respeito mútuo e de aprendizado. Na maioria dos casos, o professor exerce múltiplos papéis e as aulas propriamente ditas ficam reduzidas a 20 ou 30 minutos, devido às intervenções feitas: conversas solicitando silêncio, temáticas envolvendo ética educação (aquela educação que já caberia ao aluno trazê-la de casa, imbuída em seu comportamento...).


Contudo, cada vez que nós, professores, fazemos tais intervenções (apagando fogueira), assumimos uma responsabilidade que NÃO É NOSSA. Deste modo, fica bem fácil para o governo e para a mídia (porque eu deveria poupá-la?) de colocar a culpa no PROFESSOR, que também não passa, em casos como este, de uma vítima da situação e que, por inúmeros motivos sente-se “desarmado” e impotente para resolver situações de violência como esta.

Não são raros os casos em que os professores (isso já aconteceu comigo ao tentar separar uma briga no recreio) saem feridos. E quem lhes dá assistência (médica ou psicológica) ou sequer razão? Não sei vocês, amigos, mas quando vejo notícias como estas, sinto-me DESAMPARADA. É como se os papéis tivessem sido invertidos totalmente. O professor não é mais a autoridade (no sentido da RESPEITABILIDADE) máxima na sala; portanto, para que prestar atenção às suas aulas, por que não proferir palavrões em sua presença e por que não “sair na porrada”?

Por outro lado, percebo que os alunos também estão desamparados, SEM REFERÊNCIAS. Refiro-me às referências relacionadas aos valores à moral. Tudo em suas vidas é muito instantâneo, imediato e efêmero. A inconsequência reina, pois eles não possuem o hábito (assim como muitos adultos) de ponderar sobre as consequências de seus atos.

Portanto, senhores repórteres e mídia em geral e; sobretudo às AUTORIDADES EDUCACIONAIS COMPETENTES (competentes?) que, antes de perguntar se os professores não intervêm, procurem conhecer melhor NOSSA REALIDADE e nossos limites enquanto educadores. Somos educadores e, nosso currículo, não inclui artes marciais, jiu-jitsu e outras modalidades. Quando conseguimos desenvolver uma boa aula na qual somos ouvidos e conseguimos estabelecer um diálogo com nossos alunos já nos damos por SATISFEITOS. E, da próxima vez, não entrevistem um aluno, entrevistem um professor.




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