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EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

HUMILDADE: ÀS VEZES, A GENTE VÊ POR AQUI

Por Mari monteiro

Acompanho futebol desde que me conheço por gente. Todos os campeonatos locais, nacionais e mundias... Enfim, salta aos olhos que o brasileiro acolheu o time do Taiti como preferido em todos os jogos por  diferenciais que, por vezes faltam aos grandes times: garra (hoje mesmo, com a partida perdida, lá pelos 6X0 em favor do Uruguai, eles não demonstravam desânimo e nem faziam "corpo mole").

Além disso, fica a lição de HUMILDADE. O carinho retribuído à torcida e o respeito à todas as equipes enfrentadas. Isso pra mim está além da EDUCAÇÃO. É uma questão cultural. E, neste quesito, a impressão que ficou, foi de que eles estão anos-luz à nossa frente.


Enfim, eles jamais esquecerão este momento... e considero que devamos fazer o mesmo, tomando suas atitudes como lição de HUMILDADE e de CIVILIDADE!!! Poucos retornarão à sua Pátria tão felizes e com a consciência tão tranquila!!!



Parabéns Equipe do Taiti!!!


quinta-feira, 6 de junho de 2013

O AMOR NÃO CURA E NEM TEM CURA (LOVE NOT HEALING AND NEITHER HAS HEALING)

POR MARI MONTEIRO            

In memoriam de “O Mocinho”. Agradecimentos especiais à Mocinha e texto dedicado a E. K.

Anne Frank (1929-1945) disse mais ou menos isso: “prefiro escrever, porque o papel é dotado de mais paciência que as pessoas.” Fato. Acrescento que , enquanto escrevo e enquanto você lê, raramente seremos interrompidos e dispersaremos. Neste momento, por exemplo, você pode estar se perguntando:“o que tem a ver o ato de amar, a cura ou não do amor com um blog sobre educação?” Simplesmente TUDO. Tentemos exercer (se é que já não o fizemos algumas vezes) nossa função que, a propósito é junto“ a pessoas, sem “estar amando” alguém.  Estão estabelecidos o caos e a infelicidade. A educação, assim como todas as relações interpessoais, está diretamente relacionada a todas as formas de amor e de amar. Dentre todas estas formas, este texto é sobre o AMOR PASSIONAL ou sobre o AMOR ROMÂNTICO, que também ensina. Ah como ensina...

Mas para começar este “conto de amor”, precisei pedir autorização à Mocinha para falar sobre o Mocinho. Era assim que, carinhosamente se tratavam. Tomei coragem e escrevi: “Mimo, como você está? Tentei ligar, mas acho que estou me desencontrando de você (rs). Fato é que , desde o dia em que conversamos, revi muitas coisas na minha vida e preciso escrever sobre isso no meu blog. Gostaria da sua permissão para citar uma frase da sua história com o Mocinho. As pessoas precisam saber que devem fazer como vocês: "AMAR EM TEMPO"... Por favor, permita-me alertar as pessoas no sentido de entregar-se ao amor que sentem, sem priorizar materialismos e outras banalidades. Ninguém saberá de quem estou falando, pois as pessoas não sabem da nossa conversa. Mas não me sentiria bem sem sua aprovação. Amo você!!! Bjus”


Confesso que naquela noite não consegui dormir. Levantei-me  e me pus a escrever. Certamente, se a resposta da Mocinha fosse negativa, eu rasgaria as folhas. Fato é que eu precisava “esvaziar” meu peito. Na manhã seguinte, olhei para as três páginas manuscritas e pensei no destino que elas teriam.  

Contudo, assim que abri a internet, lá estava a resposta da Mocinha: “Mimo. que lindo! Nem preciso dizer que estou chorando.... Acho que aprendi com você. Escreve sim, com toda sua inspiração e me mostra... Aliás, me passa o texto e o endereço... Não esquece de dizer que nosso amor foi lindo desde o início e que daria tudo para tê-lo de volta. Sabe, a cada dia a dor só aumenta. Eu daria tudo para abraçá-lo mais uma vez e dizer que o amo. Não tenho perspectiva de futuro, pois nada faz sentido sem ele... 

Agora, fico me lembrando de cada momento lindo que tivemos... Tudo foi especial desde o começo... Diga pra todos valorizar cada momento, pois não sabemos o que nos reserva o futuro... Se quiser, pode usar a maneira como nos tratávamos: mocinho e mocinha. Dou essa permissão a você, mas não se esqueça de me avisar quando terminar de escrever... grande beijo.”

Diante disso, não se trata de uma atitude egoísta da minha parte: a narrativa da mudança do meu jeito de enxergar o amor, mas é também uma vontade da Mocinha de que todos saibam que é preciso AMAR EM TEMPO. Tempo este, muitas vezes, preenchido com pequenezas do cotidiano, com picuinhas que não conduzem a nada. É quase uma fuga. A impressão que tenho é que se fizermos sobrar tempo para o amor, muitos de nós não saberiam o que fazer com eles (nem com o amor e nem com o tempo). Sinto medo quando penso nisso. Estamos nos “DESACOSTUMANDO A AMAR” ou nos conformando com a superficialidade dos sentimentos a ponto de não saber demonstrar este amor ou de não ousar assumi-lo. Mas, felizmente, com o Mocinho e com a Mocinha foi diferente. Tudo foi intensamente vivido sempre.

Sinceramente, não vejo saída para quem não se permite amar; para aqueles que, mesmo tendo em mãos a possibilidade de amar e de ser amado, se recolhe (e se encolhe) num ostracismo egoísta.  É certo que ninguém precisa gritar aos quatro cantos que ama, mas demonstrar, do seu jeito... Simples assim. Se é verdade que o amor cura? Não creio. Se assim fosse, nenhum dos nossos entes amados partiria. Mas uma coisa é certa: O AMOR MUDA O NOSSO ESTADO DE ESPÍRITO; nos torna mais fortes, esperançosos e seguros... E os olhos?  Estes se entregam por si só ao refletir a luz mágica. Digo mágica, porque somos mais generosos quando amamos; mais afetuosos e mais gentis. Eram assim os olhos da Mocinha com quem tive o prazer de conviver por muitas tardes em anos de amizade. Quanto à afirmação (presente no título) “e nem tem cura”, isso também é um fato: AMOR VERDADEIRO é para sempre.


A frase dita pelo Mocinho à Mocinha, depois de maravilhosos seis anos de convivência e de vitórias mudou radicalmente meu modo de pensar o amor e o desprendimento advindo dele. Isso porque se pararmos para prestar atenção, mas muita atenção mesmo é possível aprender e transformar-se nas situações mais adversas. Numa determinada manhã, após saber que Mocinha havia perdido o seu Mocinho por motivo de doença, decidi me oferecer para uma conversa e foi então que,  em meio a lágrimas e detalhes soube que a Mocinha, que por mim seria denominada carinhosamente de Princesa Guerreira, ouviu a seguinte frase do Mocinho que, em questão de horas, partiria deste mundo: “DESCULPE. EU TE AMO E QUERO FICAR. MAS EU NÃO CONSIGO. EU NÃO AGUENTO MAIS.” Esta frase me transformou visceralmente. Virou-me do avesso e percebi que era lá, no meu avesso, que morava a mais pura verdade: QUEM AMA QUER FICAR PERTO. Desde então, meu espírito desassossegou, precisava compartilhar isso. Pensei nisso por muitos dias. Qual a medida do amor? Onde ele mora? Como ele chega? Como ele se vai? (Se vai?)


De tanto pensar, agora sei. O amor verdadeiro é INTENSO e ele NÃO SE VAI. E o clichê “até que a morte os separe” é real, ao menos enquanto aqui estamos sobre esta terra de Deus. O que está à margem desta intensidade; da vontade de estar junto; de tomar a dor do outro pra si... NÃO É AMOR! Pense. O Mocinho queria continuar aqui com sua Mocinha, amando e sendo amado, mas não conseguiu. QUER DOR MAIOR QUE ESTA? Isso me fez pensar em vários tipos de pessoas que, mesmo amando e sendo amadas, e em plenas condições de fazê-lo, não investem nesse amor; não valorizam os pequenos gestos. Não me refiro a declarações de amor ditas por dizer, aquele “Eu te amo”, que soa como “saúde” para quem acabou de espirrar. Refiro-me ao respeito, ao companheirismo, às mãos dadas, ao zelo, ao afago, ao afeto, à ansiedade do reencontro, à aceitação da autenticidade, dos limites e das dores  do ser amado (não há nada mais desprezível do que fingir que não se percebe a dor do outro).



Enfim, o que sei agora é que a pessoa que amo a mim me parece perfeita. Porque, não sendo nenhum de nós perfeitos, é o meu ato de amar que o torna perfeito; que me faz, a exemplo do Mocinho, desejar ficar para amar por tempo indeterminado... Sei também do tanto que o Mocinho e a Mocinha se amaram. Saber destas certezas sossegou meu espírito.  Ah! E só pra lembrar... Tenho pra mim que AMAR só se aprende AMANDO!

segunda-feira, 20 de maio de 2013

BOOMERANG

Por Mari Monteiro

Creio que educação tem muito a ver com RECIPROCIDADE.  Desde bem cedo é bom que a criança saiba o significado desta palavra que, grosso modo, para mim, quer dizer: “SOU PARA VOCÊ O QUE VOCÊ É PARA MIM”. Quanto antes nos der conta disso, mais cedo aprenderemos a respeitar e nos colocar no lugar do outro. Resultado: menos mágoa, menos agressões e mais COLETIVIDADE.

A propósito, coletividade é o que mais falta na educação.  E se nós, adultos, não demonstrarmos isso, as crianças e adolescentes não perceberão o significado de reciprocidade e, muito menos, seu valor. A reciprocidade é uma das manifestações humanas mais louváveis e gratificantes. Pois, envolve: gratidão, empatia e respeito mútuo. Sentimentos raros hoje em dia. Entendo a reciprocidade também como a chamada lei da ação e da reação. Como um boomerang que vai e volta pra você. Caso o lancemos com violência, com violência ele voltará. Isso implica em NOS IMPORTARMOS UNS COM OS OUTROS. Daí a importância de se trabalhar ética e cidadania na escola. Mas, não somente na escola, fora dela também.

Enfim, toda minha vida pessoal, profissional e social está pautada na reciprocidade, no que eu desejo para o outro. Se maltratar as pessoas de um modo geral, não posso esperar gentilezas... E assim por diante. E, acreditem, não há nada mais gratificante que receber gentilezas. Já passei por isso muitas vezes, com muitas pessoas... e é um sentimento impagável!


 

domingo, 12 de maio de 2013

LER PARA QUÊ?

Por Mari Monteiro


Está lançado um dos maiores desafios para os professores: convencer aos alunos de a prática a da leitura é um a ação necessária para a formação de um modo geral. Para nós, docentes, a importância da leitura é clara. Se bem que sabemos que há uma boa parcela dos professores que não lê sequer os chamados periódicos. O que agrava ainda mais a situação. Como posso convencer meu aluno a ler se eu não tenho o hábito da leitura e – não tendo esta prática – não tenho boas “histórias” ou “memórias” para contar sobre minhas leituras e nem recomendações a fazer. Contudo esta NÃO É UMA RESPONSABILIDADE QUE CABE APENAS À ESCOLA. A família deve desempenhar a função de motivadora: levar os filhos às bibliotecas e às livrarias, permitir que eles folheiem e ESCOLHAM as obras que desejam ler; dar-lhes vale-presentes de livraria, por exemplo, funciona muito bem, pois o indivíduo se sente à vontade para escolher o que ler sem a presença dos pais ou a imposição da escola. Eis uma questão que me incomoda: a imposição da escola. Ou seja, o fato das escolas fazerem descer goela abaixo – sobretudo no Ensino Fundamental II - as obras clássicas da literatura, cujo conteúdo e enredo são de extrema importância, porém ainda não é chegada a hora da assimilação deste tipo de leitura. As ações em torno da prática da leitura devem começar o quanto antes, mas respeitando as escolhas do próprio aluno.

Fala-se muito em desenvolver o hábito da leitura (pauta de todo planejamento e reunião pedagógica que participei até hoje); contudo, é preciso, antes, desenvolver o HÁBITO DE FREQUENTAR LIVRARIAS e BIBLIOTECAS. Afinal, os jovens e as crianças frequentam e consomem tantos outros lugares e “coisas” mais caras que livros...



Outro entrave à leitura (adversário talvez fosse um termo mais apropriado) é a internet. Os resumos de todas as obras estão lá. E os filmes, com seus magníficos efeitos especiais, também. Alguns nada fiéis às obras originais. Daí advém a necessidade do gosto pela AQUISIÇÃO do livro ENQUANTO OBJETO DE PRAZER, MANUSEIO E SEDUÇÃO. Isso passa pela vontade de conhecer as biografias dos autores; as variedades de títulos encontradas nas boas livrarias e nas boas bibliotecas; ou seja, o gosto de escolher e de levar para casa algo que lhe despertará INÚMEROS SENTIMENTOS. E “despertar” isso no aluno (ao menos em parte deles) é uma obrigação de todo educador, não importando sua área de atuação.
  
        Costumo dizer para os meus alunos que livro bom é aquele que nos faz ENXERGAR tudo que lemos que nos leva para outros lugares e nos faz conhecer outras sensações. Aí responderão os incrédulos: “A internet faz tudo isso.” Ledo engano. Na internet está tudo PRONTO. O leitor não tem escolhas. Seus olhos só enxergam o que está à mostra e sua imaginação não cria os cenários, não escolhe as cores, os sabores, os aromas... Porque sua LIBERDADE DE PENSAMENTO FOI CERCEADA pelo hermeticamente fechado mundo da internet. Explico melhor esse paradoxo: mundo fechado da internet.  Ler um parágrafo descritivo de uma obra não é o mesmo que olhar para uma cena já desenhada numa tela (por outra pessoa). No livro, o cinegrafista, o pintor, o protagonista é você e não um designer que fez tudo segundo seu ponto de vista.

Finalmente, concordo com José Saramago quando ele diz que está havendo um retrocesso n a comunicação, que o vocabulário empregado pelas pessoas está cada vez mais escasso. Inclusive, concordo com ele quando diz que no tempo das cavernas, os homens apenas emitiam sons monossilábicos e que, se continuarmos a nos privar da leitura, muito em breve não encontraremos palavras, por exemplo, para expressar os nossos sentimentos. E um homem murmurará sons monossilábicos para uma mulher e ela se sentirá amada, pois estará feita uma declaração de amor. Concluo que este é um argumento quase irrefutável sobre a necessidade da leitura. Quanto mais leio, mais amplio meu vocabulário e, quanto mais o amplio, mais opções de palavras e expressões estarão ao meu dispor para expressar sentimentos e para argumentar. Será que respondi por que precisamos ler?


      

sábado, 27 de abril de 2013

APOLOGIA À GREVE DOS PROFESSORES



Lamentável ter de concordar com a afirmação de Jô Soares. Contudo, a prova é a GREVE, a mobilização que continua, apesar de ineficiente, ser uma das poucas “ARMAS” que o professor dispõe. Explico. Já participei de muitas greves. E, se tem uma coisa que constatei é que a CLASSE DOS PROFESSORES É DESUNIDA; sobretudo quando se trata de greve, cada um olha para seu próprio umbigo e pronto. As escolas continuam funcionando parcialmente, algumas de forma integral. Cadê o desejo de LUTAR? Cadê a INDIGNAÇÃO? Cadê o exemplo de CIDADANIA que devemos deixar para nossos alunos?

Não adianta ficar SOMENTE NO DISCURSO, reclamando em corredores e em sala de professores. É preciso ação. Estou fazendo apologia à greve dos professores sim. Tenho orgulho de quem “perde” um dia inteiro, enfrenta polícia, fica extenuado nas paralisações para, depois, TODOS OS ACOMODADOS, receberem as migalhas que o Governo nos oferece à custa daqueles que foram pras ruas e, por isso,  terão descontos em seus salários. Certamente a greve seria mais curta e eficiente se contasse com apoio de todos; ou seja, ESCOLAS FECHADAS. Por que o metrô para por algumas horas e o Governo resolve e negocia tão rapidamente? UNIÃO. E, com certeza, ele (o Governo) entende que o transporte é muito mais importante que a educação de qualidade...

O mais contraditório é que até os usuários de maconha conseguem ser mais unidos na marcha pela liberação da droga...  Em outros países, um número cinco vezes maior de estudantes se une e vai para as ruas reivindicar ensino de qualidade.  A copa de 2014 mobilizará o país inteiro, em detrimento da fome e da miséria, e a EDUCAÇÃO continua relegada a segundo, terceiro... Planos (se é que está nos planos de alguma autoridade). 

Mas, como diria Renato Russo: “VAMOS CELEBRAR COMO IDIOTAS A CADA FEVEREIRO E FERIADO (...)”. Todos tem o direito de discordar da minha posição. Porém, então, apresentem uma solução mais eficiente, pois, historicamente, todas as parcas conquistas do professorado foram por conta das greves bem sucedidas... Isso há muito tempo atrás, num reino tão, tão distante...

quarta-feira, 24 de abril de 2013

(IN) SATISFAÇÃO DOCENTE

Por Mari Monteiro

Vivemos um paradoxo. Por um lado, a maioria de nós (quero crer) gosta do que faz e, portanto, está SATISFEITA. Por outro, somos mal remunerados, trabalhamos em mais de um emprego por dia, enfrentamos a pressão constante do “sistema” para aprovar alunos que mal sabem ler e escrever - trabalhamos com classes superlotadas e mais uma série de fatos que ESTAMOS CANSADOS DE SABER.


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Inegavelmente, esta é uma situação perturbadora para um profissional que, minimamente, precisa de tranquilidade e de equilíbrio para exercer suas funções. Estamos na contramão das empresas do Primeiro Mundo, que se preocupam com o bem estar físico e mental de seus funcionários, tais empresas costumam investir em “descansos” remunerados e intercalados em horário de trabalho, ginástica laboral e até em massagens expressas ao longo do período (conheço alguns bancos aqui em São Paulo que já fazem isso).

Durante o período em que estamos com os alunos ocorrem as mais diversas situações. O que é normal (e até encantador a meu ver – não há monotonia!); porém, lidar com tantas situações e dificuldades adversas causa um desgaste que, gradativamente, mina nossa resistência, nossa satisfação e nosso prazer em ensinar. Há alguns anos, observando os colegas de profissão num apalestra, percebi que quase todos tinham uma fisionomia muito parecida: a testa tensa e franzida, lábios “duros” e inclinados para baixo (denotando uma expressão triste) e olhos opacos. Neste dia, fiz um pacto com uma amiga (até hoje falamos sobre isso e reparamos uma na outra). Prometemos que quando começássemos a perceber estes sinais de INSATISFAÇÃO uma na outra, no sentido de nos tornarmos carrancudas e amargas, imediatamente, comunicaríamos o fato.

Diante disso; ou seja, dos problemas e das consequências advindas da insatisfação docente, costumo optar por uma decisão muito particular e radical: ou trabalho feliz ou me afasto. O que não pode acontecer é descontar nos colegas de trabalho, na equipe gestora e muito menos nos alunos, as nossas frustrações profissionais (e PESSOAIS; sim, porque PROFESSOR TEM VIDA PESSOAL!). E isso ocorre com muita frequência. Não vou mentir. Sempre senti um certo “desprezo” (raiva até) pelos docentes que berram (o que  é diferente daqueles cujo tom de voz é naturalmente alto) com seus alunos. AS PALAVRAS PESAM de acordo com os sentimentos contidos nas falas. Então, o problema não é exatamente o tom de voz, que é peculiar de cada professor, mas a carga emocional que é somada à palavra. E, neste caso, um berro ou um cochicho ameaçador ao pé do ouvido podem machucar  na mesma proporção.

Neste instante me vêm à mente os versos de Cecília Meireles, interpretados por Fagner na música “canteiros”:



“(...) E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza.
E deixemos de coisa, cuidemos da vida,
Pois se não chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta moço sem ter visto a vida. (...)”








Isso nos remete à constatação de que docentes insatisfeitos envelhecem muito mais rapidamente. Observem. SOMOS MUITO JOVENS, como diz o verso de Cecilia Meireles, pra tanta tristeza. E, o convite pra cuidar da vida, não quer dizer: “vamos deixar de lecionar” e sim “VAMOS LECIONAR COM A DIGNIDADE QUE MERECEMOS!”; no sentido de ter VIDA PRÓPRIA. Sei bem a diferença entre lecionar para 10-12 alunos e lecionar para 35-40. A qualidade de ensino e de vida é outra. Merecemos atuar com satisfação. Não reivindicar isso é o mesmo que se AUTO VILIPENDIAR. E a primeira vítima será o aluno e, depois, nós mesmo, geralmente de forma tardia, quando já estamos nos privando de uma série de atitudes que nos tornam melhores (passeios em família, namoro, cinema, boas leituras etc.). A propósito, já repararam na quantidade de docentes que estão “sozinhos” (divorciados, solteiros)... Isso me ocorreu porque pessoas insatisfeitas, via de regra, são MUITO CHATAS.

Enfim, a satisfação é essencial. A alegria é essencial. O desejo é essencial. NOSSA VIDA É ESSENCIAL. Estar com quem amamos é essencial. Fazer o que amamos (no caso lecionar) é essencial. E isso tudo não pode “se perder” sob uma pilha de provas pra corrigir no final de semana; numa dor de cabeça que senti durante o trabalho e, que piorou ao chegar em casa; nos gritos que não se ouvia até bem pouco tempo atrás... Então, reivindiquemos salário, jornada menor, menor número de alunos por sala; mas, sobretudo, MAIS QUALIDADE DE VIDA PARA O DOCENTE, esta espécie em extinção.

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