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EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

PROFESSOR FORA DA ZONA DE CONFORTO: uma provocação necessária

por Mari Monteiro
Primeiramente, preciso definir a expressão “zona de conforto” constante do título deste artigo. Trata-se de onde nos encontramos neste exato momento (a maioria de nós). Livros na mão, giz e lousa. Há quem chame isso de falta de estrutura e culpe o sistema, a escola,os gestores... Enfim. Eu chamo isso de zona de conforto.  Enumero os motivos:

- posso justificar a péssima qualidade do meu trabalho;
- não preciso ir além das páginas do livro;
- acomodo e me sinto confortável com o que já sei;
- o conteúdo é considerado, literalmente, DADO, o que não significa: discutido, desenvolvido, trabalhado...
- através dos registros nos livros e das tarefas feitas, posso comprovar que as aulas foram dadas: coloco data e considero aula dada;

Poderia continuar encontrando outros motivos. Mas estes bastam para que possamos REVER NOSSO PAPEL. Tudo, absolutamente tudo, amanhece DIFERENTE à nossa volta, menos a escola e o que fazemos nela.

Conteúdo. O QUE É O CONTEÚDO? “Assunto, teor, soma de conceitos e ideias de texto, obra, filme etc. o conteúdo de um artigo”. Read more: http://aulete.uol.com.br/conte%C3%BAdo#ixzz2cQuu7FU8

 Costumo dizer que conteúdo é tudo que está no GOOGLE e que está nos LIVROS DIDÁTICOS! E quem vai me contradizer? Faça as perguntas e o Google responderá. Isso é confortável. Todos os estudante e professores fazem isso. O que não é nenhum pecado. O mundo usa a internet para descobrir o que não sabe. Mas NÃO É MUITO INTELIGENTE; sobretudo, se o leitor/usuário do buscador não souber FILTRAR e INTERPRETAR os conteúdos oferecidos pelo Google.
Pronto. Chegamos onde queria. PRECISAMOS
DEIXAR ESTA ZONA DE CONFORTO. Por quê? Porque há uma imensa diferença entre LER os conteúdos dos links e FILTRÁ-LOS e; sobretudo, INTERPRETÁ-LOS.  Caso continuemos ignorando as ferramentas usadas pelos alunos para realizarem suas pesquisas e lições, no máximo, estaremos contribuindo para a formação de ANALFABETOS FUNCIONAIS. É bom que tenhamos completa clareza deste termo:
“Termo que se refere ao tipo de instrução em que a pessoa sabe ler e escrever, mas é incapaz de interpretar o que lê e de usar a leitura e a escrita em atividades cotidianas. Ou seja, o analfabeto funcional não consegue extrair sentido das palavras nem colocar ideias no papel por meio do sistema de escrita, como acontece com quem realmente foi alfabetizado. No Brasil, o analfabetismo funcional é atribuído às pessoas com mais de 20 anos que não completaram quatro anos de estudo formal. Mas a noção de analfabetismo funcional varia de acordo com o país. Na Polônia e no Canadá, por exemplo, é considerado analfabeto funcional todo adulto com menos de oito anos de escolaridade.

O conceito de analfabetismo funcional foi criado na década de 30, nos Estados Unidos, e posteriormente passou a ser utilizado pela UNESCO para se referir às pessoas que, apesar de saberem ler e escrever formalmente, por exemplo, não conseguem compor e redigir corretamente uma pequena carta solicitando um emprego. Segundo a Declaração Mundial sobre Educação para Todos, mais de 960 milhões de adultos são analfabetos, sendo que mais de um terço dos adultos do mundo não têm acesso ao conhecimento impresso, às novas habilidades e tecnologias, que poderiam melhorar a qualidade de vida e ajudá-los a perceber e a adaptar-se às mudanças sociais e culturais. Na declaração, o analfabetismo funcional é considerado um problema significativo em todos os países industrializados ou em desenvolvimento. Mais de um terço da população adulta brasileira é considerado analfabeta funcional.” (http://www.educabrasil.com.br/eb/dic/dicionario.asp?id=132 – acesso em 19/08/2013)

Trocando em miúdos: O analfabeto funcional lê e escreve, mas isso não lhe traz qualquer TRANSFORMAÇÃO e nem acréscimo intelectual ou social uma vez que não entende o que lê ou escreve. Diante disso, o Google pode lhe oferecer milhares de links e suas dificuldades continuarão as mesmas. Neste caso nem Google e nem professor fazem o papel de “FACILITADORES DA CONSTRUÇÃO DE SENTIDO DA LÍNGUA ESCRITA”. Denominação comprida não é? Porém, não encontrei definição melhor para o “NOVO” PAPEL QUE O PROFESSOR DEVE ASSUMIR.
Doravante, cada um de nós deve redirecionar sua prática pedagógica. Não podemos nos ater somente aos conteúdos de ensino. Eles estão ao alcance dos alunos em todo lugar. Redirecionar, neste caso, implica em mais oralidade e questionamento acerca de tudo que é lido e “descoberto”. O aluno precisa aprender a CURIOSIDADE e a DESCONFIANÇA SAUDÁVEL sobre as informações que lhes são enfiadas goela abaixo. O aluno deve saber que tudo que foi dito ontem como verdade absoluta, pode não ser tão absoluta assim. Este comportamento deve ser instigado em sala de aula pelo professor.

O novo papel do professor implica ainda em fazer inferências e ensinar seus alunos a fazê-las também. Por exemplo, lido um texto ou uma informação, não cabe querer saber o óbvio sobre o conteúdo, pois o óbvio está explícito nos conteúdos (mídias, textos etc.). É preciso aprender a ler as entrelinhas, perceber a INTENCIONALIDADE dos autores, dos jornalistas, da mídia em geral. Caso contrário, aí sim seremos apenas “DADORES DE AULAS”.
Acredito na profissão de educador, aliás, foi bem por isso que a escolhi, porque a vejo como uma possibilidade de transformação social. Não falo aqui de milagres ou de transformações em massa. Falo de uma transformação paulatina, da diferença que um professor PROVOCADOR e ABUSADO pode fazer na vida do educando. De que adianta conhecimento sem prática? Teoria sem entendimento? Tirar dez na prova se esquece de tudo amanhã? Costumo dizer que o que FICA da vida escolar não são os conceitos aprendidos (a maioria deles é efêmera e esquecida...). O que fica são as PROVOCAÇÕES; os OLHARES SURPRESOS com algum a revelação feita pelo professor e que não estava no texto; o NÓ NA GARGANTA  diante de uma fala emotiva; a AUTENTICIDADE do professor percebida pelos alunos; os VALORES e os PRINCÍPIOS que condizem com a prática...
Enfim, não sei quanto a vocês leitores, mas eu preciso (e tento isso a cada dia) redirecionar minha prática. Penso muito no que não está ao alcance dos alunos e descubro que eles ( a maioria) não tem “acesso” a diálogos, argumentações, direito de questionar,  textos  e obras literárias de boa qualidade, o mesmo vale para a música e para a arte. ENTÃO, O QUE FAZER? Não sei. Não há receita. O que há é uma VONTADE QUE NÃO CABE EM MIM de não me conformar com o que está posto como educação, porque se isso funcionasse, não ocuparíamos uma COLOCAÇÃO TÃO VERGONHOSA no ranking mundial de educação. Assim, continuarei provocando, orientando a filtrar conteúdos e informações, interpretar, argumentar, formar o próprio ponto de vista e defendê-los com bons argumentos e não com gritos ou violência. Pois mesmo o CORRETOR DO WORLD não é capaz de exercer esse papel. Ele “diz”, em suas alternativas, onde está o erro ortográfico, dá algumas sugestões, mas é incapaz de perceber que, no texto digitado, não há coesão ou coerência. Ou seja, no world ainda não há a opção: MELHORE SEUS ARGUMENTOS. Logo, isso continua sendo uma tarefa nossa. Intransferível e muito mais relevante que a “decoreba” de conteúdos. Mesmo porque conteúdo  e informação é o que não falta. Faltam SELEÇÃO, CRITICIDADE e ATITUDE.


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

EDUCAÇÃO CAPENGA: ALGUMA DÚVIDA?

POR MARI MONTEIRO



O artigo abaixo foi publicado ontem (13/08/2013, no caderno Cotidiano, Jornal Folha de São Paulo.).

“Técnicos da Secretaria da Educação PASSARÃO A ASSISTIR AULAS EM ESCOLAS ESTADUAIS  para, depois, sugerir mudanças nas práticas dos docentes. Vista como projeto piloto, A AÇÃO COMEÇOU ONTEM e chegará a 200 escolas do 6º ao 9º ano, onde estudam 100 mil alunos, na Grande São Paulo (a rede tem cerca de 4,5 milhões de alunos). Cada colégio será visitado por dois técnicos. Em dois dias, eles assistirão as aulas, participarão de reuniões e entrevistarão alunos, professores, funcionários e diretores. Em seguida, vão propor aos professores ações que ajudem alunos com dificuldades em português e matemática. Segundo o secretário da Educação, Herman Voorwald, as informações levantadas pelos técnicos poderão nortear ações para toda a rede. A proposta é mais uma tentativa da gestão Geraldo Alckmin (PSDB) de melhorar a qualidade da sua rede: 34% dos alunos do 9º ano possuem conhecimento abaixo do básico em matemática. Nos últimos dias, a Secretaria de Educação anunciou o maior concurso público de professores da história, com a abertura de 59 mil postos.”

Ao ler o artigo me ocorreram alguns inevitáveis questionamentos. PARA QUEM É SURPRESA QUE A EDUCAÇÃO PÚBLICA NÃO VAI BEM? Isso não apenas na educação básica, mas em todos os níveis de ensino. E, pior, não é de hoje!  


Outro questionamento refere-se ao CONCURSO PÚBLICO. Nenhuma surpresa!  Os professores que estão (ou estavam) na rede pública estão SATURADOS. Os mais abusados (num bom sentido) assumem suas dificuldades e se afastam. Outros insistem CAPENGANDO, do verbo capengar, que , segundo o dicionário, equivale aos sinônimos: perneta; fraco; desprezível. (http://www.dicionarioinformal.com.br/capenga/ - acesso em 14/08/2013). E outros poucos que, ainda mantêm a saúde mental e a saúde física, continuam na lida.

AINDA SOBRE O CONCURSO: "(...) A ideia da Secretaria da Educação é colocar os novos professores na rede já em 2014, ano em que Alckmin pode tentar a reeleição. Não necessariamente os 59 mil começarão de uma vez (pode ficar um "estoque" de aprovados para os próximos anos).
O plano de redução do número de temporários, porém, esbarra na dificuldade que o Estado vem tendo em reter seus professores na rede.
Desde 2011, houve concurso para 34 mil professores, mas hoje há apenas 4.000 professores efetivos a mais do que no início da gestão.
A discrepância ocorre porque não houve aprovados para todas as vagas em alguns casos. Alguns concursados novatos desistiram dos postos e parte dos efetivos teve de substituir educadores que se aposentaram.

"Chamar de uma vez 59 mil professores traz dois riscos", diz Ocimar Alavarse, pesquisador da Faculdade de Educação da USP. "Pode não ter candidatos para todas as vagas, porque o estoque de professores não é tão grande. Ou você não consegue fazer uma boa seleção", afirma.

Alavarse ressalta, porém, que, dentro do quadro atual, é melhor fazer o concurso. "O maior problema foi deixar chegar a essa situação."
A Secretaria da Educação afirma que toma medidas para estimular a permanência dos docentes na rede.
Uma delas é o plano de reajuste salarial, dividido em quatro anos, que somará 45% até 2014. O salário base atualmente é de R$ 2.300 (jornada de 40 horas semanais).


Em outra frente, o Estado passará a permitir que o concursado possa atuar também como temporário no período extrajornada. Das 40 horas semanais máximas atuais, ele poderá chegar a 64 horas.
A ideia é evitar que seja chamado um temporário para cobrir licenças ou aposentadorias, por exemplo. "A ideia é adequada, mas pode trazer sobrecarga ao professor", diz Alavarse. ( In.05/07/2013 - 04h00 FÁBIO TAKAHASHI - Folha de ão Paulo)


Outra questão que trago à baila é: quem são estes “TÉCNICOS”? Qual a formação deles? Já ministraram aulas antes? Conhecem a realidade de cada comunidade que visitarão? As escolas visitadas serão aquelas consideradas modelos no que se refere à estrutura física, para “SAIR BEM NA FOTO” e, mais uma vez, culpar o “fator humano”?

Sobre o concurso público, era completamente previsível. Não me surpreenderá se as provas forem “fáceis” para que todos sejam aprovados... Mesmo porque, a maior parte dos inscritos, teoricamente, serão os professores não efetivos, justamente por NÃO CONSEGUIREM APROVAÇÃO EM CONCURSOS ANTERIORES!!!



Outra aberração: o professor, também há tempos, vem sofrendo sérias agressões em sala de aula. Isso será levado em conta nas mudanças que, supostamente serão implementadas? Questiono isso porque, por motivos óbvios, durante a visita dos técnicos, os alunos não agirão normalmente...

Enfim, que venham os tais “TÉCNICOS”.  E que venham dispostos a enxergar e registrar a REALIDADE. Que não haja duvidosos relatórios e, muito menos, propostas de MUDANÇAS que já foram tentadas antes e falharam. O fato é que ninguém quer investir mais nos CURSOS SUPERIORES VOLTADOS PARA O MAGISTÉRIO. O professor é uma espécie de extinção. É apenas uma questão de tempo. Eis a SOLUÇÃO. Melhorar significativamente o salário para que o professor trabalhe apenas EM UMA ESCOLA e, assim como tratam os animais em extinção, cuidar muito bem daqueles que ainda SOBREVIVEM nos CATIVEIROS, para que possam procriar e render bons resultados...

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

CRIANÇAS ASSASSINAS: VONTADE DE DESACREDITAR

POR MARI MONTEIRO



Desde já, aviso: não me sinto confortável para falar ou escrever sobre este assunto. Creio que ninguém se sente. E não é um desconforto qualquer. Ele afeta profundamente nossa alma e nossas perspectivas de futuro. O fato referente ao POSSÍVEL crime, seguido de suicídio, cometido pelo garoto Marcelo Pesseghini é “surpreendente” para nós, brasileiros. Mas, não é tão raro assim em outros países, como o caso a seguir:

O caso Joshua Phillips (EUA):



O que começou como uma simples faxina terminou com a condenação de um rapaz de 14 anos chamado Joshua Phillips. Sua mãe foi limpar seu quarto uma manhã após Phillips ter ido para a escola.

Foi quando ela percebeu uma mancha molhada debaixo da cama de seu filho e pensou que era um vazamento de cano. Ela colocou a mão debaixo da cama e sentiu algo frio.

Ligou uma lanterna que lhe mostrou o cadáver de Maddie Clifton, um vizinho de oito anos de idade, que havia desaparecido há sete dias.

Pessoas da comunidade, especialmente pais do menino, mal podiam acreditar que ele poderia ter matado Clifton. Phillips inclusive foi um dos vizinhos que se ofereceram para procurar a menina desaparecida.

Como ele era menor de 16, Phillips não foi classificado para a pena de morte. Ele foi condenado e sentenciado à prisão perpétua, sem possibilidade de libertação. Phillips não disse quais foram seus motivos para matar Clifton.

Ele disse que acidentalmente atingiu-a nos olhos com um taco de baseball, e depois a arrastou para o quarto onde ele esfaqueou-a, mas o júri não se convenceu sua história.

A foto tirada de Joshua Phillips na prisão em 2008, 10 anos após o 

assassinato, neste ano, com 24 anos de idade.



Por outro lado, acredito que qualquer pessoa; sobretudo pais e educadores, deve acompanhar e refletir sobre o referido fato. E, caso se consolide esta triste e, em minha opinião, MACABRA hipótese, temos não apenas o dever, mas a OBRIGAÇÃO de refletir sobre isso e dedicar-se a uma ação, por menor que seja junto a estudantes do Ensino médio e aos pais. Impossível, continuar os PROGRAMAS CURRICULARES passando “batido” por uma questão que comoveu não apenas o país, mas o mundo. Não fazer nada é omissão e omissão e CONIVÊNCIA.

Por ora, o que fica é a esperança de que toda esta estratégica ação não tenha sido  minuciosamente planejada e executada por um menino de treze anos. Ficam também alguns questionamentos:

- o quão próximo está qualquer um de nós de um fato assim?
- o que se passa na mente de nossos filhos, irmãos mais novos, sobrinhos e alunos?
- qual é a “história” desta família?
- como nos relacionamos com as crianças e os jovens em geral?
- Quais são os ANSEIOS e as FRUSTRAÇÕES das crianças e dos adolescentes nessa sociedade volátil?
- de que modo a criança e o jovem encara o caso?

Enfim, consolidando ou não a pior das hipóteses, devemos nos debruçar sobre nós mesmos e sobre nossos DIÁLOGOS com as crianças e com os jovens.  Quanto de nós temos lhes oferecido em termos de TEMPO, de AFETIVIDADE, de “OLHOS NOS OLHOS” e de CUMPLICIDADE? E eu sempre, para variar, querendo encontrar e “tratar” as CAUSAS, mesmo porque, as CONSEQUÊNCIAS SÃO IMUTÁVEIS. Ninguém os trará de volta à vida, mas é possível evitar que isso abra precedentes...












segunda-feira, 5 de agosto de 2013

PROFESSOR NÃO PODE ADOECER!!!

POR MARI MONTEIRO






Afastada da Rede Pública há mais de um ano, retorno agora à “vida pública” (literalmente pública, descobri).  Após meses de tratamento por conta de “AGAROFOBIA”, síndrome desencadeada por stress pós-traumático entre outras coisas, eu RETORNEI. Acredite não me faltaram motivos para deprimir. Não os listarei aqui POR RESPEITO A MIM MESMA. Então, encare, por gentileza, este artigo como um retrato geral das condições de boa parte dos professores.

Após estudos de laudos sem fim, deliberações daqui e dali, concluiu-se que deveria voltar ao trabalho EXERCENDO OUTRA FUNÇÃO, o que tecnicamente é denominado: readaptação. Perfeito! E rápido. O processo deve ter girado em torno de dois meses. Fiquei feliz com a notícia; porém bastante ansiosa: será que eu daria conta?  Quais serão minhas novas atribuições? Como serei recebida? Agora, eu bem entendo o depoimento da colega abaixo:

Mais detalhes desta reportagem em: http://educar.wordpress.com/category/burnoutstress/


Hoje, já tenho as respostas para a maioria dos meus questionamentos e MEDOS MAIS ÍNTIMOS. Estes, sim, faço questão de torná-los públicos. Sobretudo, porque garanto que não estou sozinha. Há os docentes afastados por motivos outros e há (o que considero MAIS GRAVE, sob todos os aspectos) aqueles que sabem que precisam, mas não assumem suas mazelas, suas dores, suas angústias, suas indignações. Fiz o contrário: resolvi RESPEITAR MEUS LIMITES. Foi quando tudo desabou. Todas as gotas d’água transbordaram. NÃO ME ARREPENDO.



Fiz isso: "DESCORTINEI -ME". Quando se retoma, depois de mais de um ano, espera-se um cenário diferente (ainda mais eu: sonhadora que só!).  De cara, não foi isso que encontrei. Os mesmos problemas e as mesmas possíveis soluções elencadas no planejamento de DOIS ANOS ATRÁS. Obviamente, tudo sendo orientado pela Secretaria da Educação. Isento aqui a gestão de qualquer responsabilidade. Mas isso é MUITO TRISTE, patético até. E os professores, comprometidos que são, juntamente com a  equipe escolar, continuam resistindo e insistindo bravamente. A sensação não foi boa. Misturei ansiedade com frustração, alegria de ter voltado com o medo do que virá...

Abrindo os trabalhos, fico feliz, verdadeiramente feliz, com minha nova incumbência.  Hoje foi o primeiro dia “pra valer”, escola lotada e eu cheia de planos. Pois bem. PASSEI MAL. Suei frio, tremi dos pés à cabeça e fiquei com as mãos gélidas durante toda tarde.  Lembrei-me do que a médica disse: “Você sabe os sintomas da crise e sabe que eles não te matarão; então, aguente”. Foi o que fiz! Verifiquei minha lista de afazeres e fui tocando as coisas... Não foi fácil!!!

Mas, se me perguntarem o que é MAIS DIFÍCIL no retorno, já sei na ponta da língua. É você, com a experiência, convivência e observação saber quem SÃO SEUS AMIGOS, QUEM NUNCA FOI E QUEM SEMPRE FOI! É uma sensação ímpar. Como saber? Simples! Adoeça por mais de um ano e observe: quem te procurou? Quem se importou? Quem se mantem fiel aos seus princípios e valores depois do distanciamento? Quem fala e FAZ o que FALA? Enfim, são inúmeras constatações feitas... Todas ao mesmo tempo.



Mas... Procuro e acho sempre algo de bom em meio ao CAOS. É impagável REENCONTRAR OS VERDADEIROS E RAROS AMIGOS. Um brinde a eles. A cada olhar que troco com um amigo verdadeiro, sinto - me fortalecida.  A estes amigos, me apego e valorizo e, principalmente agradeço a Deus por tê-los por perto.  Aos demais, àqueles que não se importaram, um só desejo: NÃO ADOEÇAM E NUNCA, JAMAIS, TENTEM RESPEITAR SEUS LIMITES; caso contrário, estarão sujeitos a passar por tudo que passei... E, posso garantir, NÃO É NADA AGRADÁVEL correr atrás de médicos; frequentar o DPME (lá na casa do capeta); tomar remédios fortíssimos e sofrer os danos colaterais a cada tentativa do médico; ter crises que só passam com morfina na veia, pesadelos, insônia... Sofrer de uma doença invisível para os outros é cruel!   Então “amigos professores”, repito: PROFESSOR NÃO PODE ADOECER! Quanto a mim, farei o que Pessoa chama de "TRAVESSIA" e, oxalá, eu colha bons frutos do outro lado da margem.


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

CYBERBULLYING: ISSO PODE MACHUCAR!

POR MARI MONTEIRO





Não é algo novo. O nome é que tem sido mais divulgado pela mídia. A expressão cyberbullying refere-se a uma prática que envolve o uso de tecnologias de informação e comunicação para dar apoio a comportamentos deliberados, repetidos e hostis praticados por um indivíduo ou grupo com a intenção de prejudicar outrem. Como tem se tornado mais comum na sociedade, especialmente entre os jovens. Atualmente legislações e campanhas de sensibilização têm surgido para combatê-lo. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cyberbullying)

Sempre afirmo que A PALAVRA TEM PODER. Muito poder. Imagine palavras associadas a imagens, fotos, vídeos, montagens etc.! De um modo geral, quando ocorre o cyberbullying, ele está acompanhado de tudo isso. O que faz com que a vítima  sinta-se duplamente agredida devido ao apelo visual e a exposição da imagem. O constrangimento advindo desta prática pode trazer sérios danos MORAIS, PSICOLÓGICOS e até FÍSICOS.

No Brasil, assim como em outros países, há como recorrer à lei. “(...) O Poder Judiciário não está silente tampouco inerte ou ausente frente às demandas que têm tratado do problema.Tanto assim que na esfera cível muitas condenações tiveram por base os atos de bullying ou cyber bullying, inclusive por atos praticados por menores. O dano moral é evidente e inconteste nos casos em que se trata do cyber bullying ou do bullying e não são poucas, nem irrisórias as indenizações que se aplicam aos bullies (agressores ou praticantes do bullying). É o caso dos Tribunais de Minas Gerais, São Paulo e Paraná que entre os anos de 2008 e 2011 julgaram inúmeros casos relacionados a danos morais decorrentes do uso impróprio do site de relacionamentos , lesando a honra das vítimas. (...)” (http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=10882)

Contudo, são raras as vítimas que denunciam  e procuram ajuda. Não há ORIENTAÇÕES SATISFATÓRIAS – na maioria dos casos – por parte das escolas e das famílias sobre como o indivíduo deve proceder. Fato é que não se pode permitir que este tipo de hostilidade  fique  impune. Pois, a médio ou longo prazo, os acontecimentos (ou fragmentos deles) podem trazer à tona sérias consequências para a vítima, comprometendo seu desenvolvimento global. Os efeitos disso podem ser catastróficos e surpreendentes. A vítima tanto pode se tornar acuada e extremamente  tímida, como pode se tornar violenta. Prova disso são os inúmeros casos de ex - alunos que voltam às suas antigas escolas atirando a esmo, provavelmente como uma forma equivocada e criminosa de extravasar sentimentos represados por um longo período.



Daí a necessidade de dar atenção a estes casos; acompanhar MAIS DE PERTO os sites de relacionamento frequentados pelos jovens, auxiliando-os na tarefa de FILTRAR o que postam e o que é postado. É fato que na internet há muito mais ASPECTOS POSITIVOS que negativos. Porém, na mesma proporção que o indivíduo se sente feliz ao ser elogiado numa foto ou postagem, ele se sentirá desconfortável quando ocorrer qualquer forma de HOSTILIZAÇÃO. A frase mais ouvida no meio escolar quando a questão é abordada é: “FOI ZUEIRA PRÔ! PEGA NADA!”. Em alguns casos, a própria vítima comporta –se de modo subserviente ora por ser “cúmplice” (manifestando uma necessidade de se destacar no grupo), ora por temer represálias.

Além da atenção dispensada  aos sites  ( que cabe única  e exclusivamente à FAMÍLIA)e do CONSTANTE DIÁLOGO com  os jovens (onde cabe uma parceria entre escola  e família), recomendo aos  pais e professores que assistam ao filme “CONFIAR”. 




Confira a sinopse: “Will (Clive Owen) e Lynn (Catherine Keener) têm três filhos. Enquanto um está prestes a entrar para a faculdade, a filha do meio, Annie (Liana Liberato), começa a apresentar os sintomas comuns das adolescentes que querem se parecer mais velhas e ser aceitas entre seus pares. Publicitário bem sucedido e  envolvido com a profissão, Will procura ter uma relação de confiança com os filhos, mas Annie inicia um relacionamento no computador com um jovem de 16 anos e dá continuidade através do telefone. Sem que seus pais soubessem, ela aceita o convite dele para um encontro, mas a surpresa que ela tem no primeiro momento é só o começo de um pesadelo que marcará para sempre a sua vida e a de sua família.” (http://www.adorocinema.com/filmes/filme-174066/)

Para finalizar, recomendo ainda muita atenção à mudança de comportamento da vítima de cyberbullying  e ao último  DIÁLOGO entre a filha e seu pai. IMPAGÁVEL!

terça-feira, 23 de julho de 2013

DEMÔNIOS INTERIORES (PARTE II)

POR MARI MONTEIRO


Não está fácil!



Alguns dias se passaram desde a publicação da parte I e, tendo eu cumprido o combinado, devo dizer que é uma das coisas MAIS DIFÍCEIS QUE JÁ FIZ. O ato de SE EDUCAR, de EDUCAR (ou reeducar) OS PENSAMENTOS chega a ser doloroso. Tento, tento todos os dias e a todo o momento fazer a troca do negativo pelo positivo. Raras vezes dá certo. A impressão que tenho é que temos uma tendência pessimista incutida em nossa mente. De que forma isso ocorre? Posso arriscar algumas possibilidades. Crescemos ouvindo que isso e aquilo outro não vai dar certo; engolindo as desgraças veiculadas pela mídia; deparamo-nos com pessoas negativas pelo menos uma vez ao dia... Isso soa um tanto desigual.

Penso numa outra possibilidade. Que há uma luta INTERNA e DESLEAL dentro da gente. Quando eu era criança, sempre ouvi dos adultos: “Olha lá viu, quem muito ri, depois chora.” E eu, imediatamente engolia o riso. Isso só poderia fazer mal mesmo. Então preciso DESAPRENDER muitas coisas. Especificamente, esta coisa do riso eu já desencanei. Assim que conheci este texto de José Saramago sobre Sorriso:


PARA VOCÊ, UM SORRISO SUTIL. POIS GOSTO MESMO É DE CHORAR DE ALEGRIA!!!


“Sorriso, diz-me aqui o dicionário, é o ato de sorrir. E sorrir é rir sem fazer ruído e executando contração muscular da boca e dos olhos.
O sorriso, meus amigos, é muito mais do que estas pobres definições, e eu pasmo ao imaginar o autor do dicionário no ato de escrever o seu verbete, assim a frio, como se nunca tivesse sorrido na vida. Por aqui se vê até que ponto o que as pessoas fazem pode diferir do que dizem. Caio em completo devaneio e ponho-me a sonhar um dicionário que desse precisamente, exatamente, o sentido das palavras e transformasse em fio-de-prumo a rede em que, na prática de todos os dias, elas nos envolvem.
Não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de cepticismo, o amargo e o irónico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso.
O Sorriso (este, com maiúsculas) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contrações musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por um frémito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Movem-se músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se. Mas não terá? Não nos conhecemos sorrisos que são rápidos clarões, como esse brilho súbito e inexplicável que soltam os peixes nas águas fundas? Quando a luz do sol passa sobre os campos ao sabor do vento e da nuvem, que foi que na terra se moveu? E, contudo era um sorriso.”.




Quero dizer com isso que crescemos cercados de crendices, que nem sempre fazem jus à verdade. E, muitas delas, só fazem aumentar nossos medos. Como o MEDO DE SORRIR, por exemplo. Sempre parava de rir na metade, pra não chorar no dia seguinte. Sabe-se lá durante quanto tempo, fiz isso.

Enfim, não desisti. Apenas confesso minha dificuldade e assumo minha necessidade de DESAPRENDER muita coisa está arraigada no meu interior, dificultando minhas superações. Continuarei a dizer das minhas dificuldades... Não mais com o título de “Demônios interiores”; pois eles estão, DEVAGAR,SILENCIOSA E DOLOROSAMENTE se afastando, claro... Deixando cicatrizes, algumas bem profundas. Mas não me importo com elas... QUERO REAPRENDER; quaro rir sem medo; chorar sempre que for preciso exorcizar a dor (por enquanto, este é o único jeito que conheço) e dizer o que sinto, com sutileza, mas dizer, sem engasgar ou guardar dentro do peito pra ficar dando náusea como s e eu  tivesse engolido um grande novelo de lã.  Aprendi mais uma coisa. Uma coisa que não quero fazer: ficar esperando uma receita do além para não sentir dor. Mesmo porque, como dizia Renato Russo: “(...) TODA DOR VEM DO DESEJO DE NÃO SENTIRMOS DOR. (...)”.
DERROTANDO, POUCO A POUCO, COM AS PARCAS "ARMAS" DE QUE DISPONHO, MAS COM MUITA FÉ, OS MEUS DEMÔNIOS INTERIORES.









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