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EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O ENSINO DE POESIA NO ENSINO MÉDIO: RELATO DE EXPERÊNCIA

POR MARI MONTEIRO


Quem são os cegos do castelo? (artigo baseado na letra: “Os cegos do castelo” – Nando reis)

 Uma das tarefas mais difíceis, a meu ver, nas aulas de Literatura, é promover o gosto pela poesia e pela disposição de interpretá-la. Por isso, sempre que posso (e percebo que os autores dos livros didáticos também o fazem) promovo a leitura de letras de música e realizo a associação destas com a poesia. Este artigo conta um pouco desta experiência a partir de uma atividade de interpretação da letra "Os cegos do castelo", de Nando Reis.


Creio poder afirmar, com certa tranquilidade que, em determinados momentos da nossa vida, todos ficamos “cegos” para algumas coisas.  Os motivos? Muitos. Não sofrer ou sofrer menos, por exemplo. Pois, quanto menos profundamente ENXERGO, menos SEI, menos SINTO, menos SOFRO.
Castelo medieval na Romênia (sempre que ouço esta canção... me vejo fugindo de um castelo semelhante...)

 Porém, a referida letra de Nando Reis (meu compositor contemporâneo preferido) merece um zelo minucioso em cada verso ou estrofe. O que é uma coisa muito particular, porque, a menos que pudéssemos ter uma conversa franca e particular com o autor, jamais saberíamos  suas reais intenções ao escrever determinado poema. Daí o ENCANTAMENTO da poesia. Ela pertence aquele que a lê, alternando as nuances de acordo com as circunstâncias e com o estado de espírito em que se encontra o leitor. Diante disso, para começar, eis a composição:



“Eu não quero mais mentir

Usar espinhos que só causam dor

Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu

Dos cegos do castelo me despeço e vou

A pé até encontrar

Um caminho, o lugar pro que eu sou. Eu não quero mais dormir

De olhos abertos me esquenta o sol

Eu não espero que um revólver venha explodir

Na minha testa se anunciou

A pé a fé devagar

Foge o destino do azar que restou. 

 E se você puder me olhar

E se você quiser me achar. E se você trouxer o seu lar.  Eu vou cuidar, eu cuidarei dele. 

Eu vou cuidar do seu jardim. Eu vou cuidar, eu cuidarei muito bem dele. Eu vou cuidar. Eu cuidarei do seu jantar. 

Do “céu e do mar, e de você e de mim.” (refrão)

Link http://www.vagalume.com.br/nando-reis/os-cegos-do-castelo.html#ixzz2grj8VmP7 (acesso em 04/10/2013)


 Comecemos pelos dois primeiros versos: “Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor.” Pressupõe-se que o eu lírico esteja cansado de mentir e de sentir dor. Sabe que a mentira traz consequências que doem. Além disso, faz uma analogia entre mentira e espinhos. Ele inicia seu poema tomando um posicionamento: NÃO QUERER MAIS MENTIR.



Para que isso aconteça, de fato, ele precisa “abandonar” certas atitudes, pessoas e lugares, o que ele denomina de “CEGOS DO CASTELO”. Isso fica muito evidente nos versos seguintes: “Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu/ Dos cegos do castelo me despeço e vou. / Nesse sentido, o eu lírico está ciente do que deve fazer:” Ele deve deixar para traz tudo que o atraia e que, mesmo assim, causava dor e sofrimento. Nesse sentido, o eu lírico está ciente do que deve fazer: “A pé até encontrar/ Um caminho, o lugar pro que eu sou.” Ou seja; ele sabe o quanto terá de caminhar até alcançar seus objetivos, até se redescobrir e descobrir um lugar onde ele possa ser plenamente feliz.
 

A segunda estrofe, provavelmente seja a mais complexa do poema. Ela denota o temor da distração (“Eu não quero mais dormir”), como se, ao distrair-se, algo de muito ruim pudesse lhe ocorrer. Ele ainda se mostra enfraquecido na sua fé e no seu otimismo (“A pé a fé devagar/ Foge o destino o azar/ Que restou”).


 
Nas estrofes seguintes (o refrão), o eu lírico denota esperança em dias melhores. Ele acredita que, caso encontre (ou reencontre) a pessoa amada, tudo poderá ser diferente. Diante de uma ENTREGA, de uma confiança incondicional (“E se você trouxer os eu lar”); ou seja, se a outra pessoa vier INTEIRA para ele, ele também se entregará e cuidará bem de tudo que lhes pertence. Quando o eu lírico diz: “Eu cuidarei do seu jantar/ Do céu e do mar, e de você e de mim”, ele se compromete a se dedicar de corpo e alma a um amor SEM MENTIRAS, onde haja RECIPROCIDADE, ZELO e, consequentemente, MENOS "ESPINHOS"... 



Daí  emerge a questão:
“QUEM SÃO OS CEGOS DO CASTELO?”. Eu? Você? Todos que mentem? Todos que não cuidam das pessoas amadas? Todos cuja fé não é forte o suficiente para confiar no semelhante e dormir em paz?  


Numa visão muito particular, acredito que seja tudo isso junto. E, assumindo uma posição ainda mais particular, também desejo para mim esta RUPTURA: DESPEDIR-ME DOS CEGOS DO CASTELO E SEGUIR... Para onde? Para onde ninguém sofra por mentiras; para onde não haja espinhos e nem dores. UTOPIA? Sim... Mas, por que não sonhar? E foi assim que decidi realizar uma atividade para dividir este sonho: solicitei aos meus alunos que ouvissem a canção, pensassem sobre um determinado verso e registrassem suas impressões, as quais os convido para conhecer agora. São "CAMINHOS" surpreendentes! Garanto! A questão é a seguinte:


 ► Releia o verso: “(...) a pé até encontrar um caminho, um lugar pra o que eu sou. (...)”. Caso você encontrasse este caminho, descreva detalhadamente como ele seria? (sinta-se à vontade para descrever também o seu caminho...)

 

domingo, 3 de novembro de 2013

ENEM 2013: DEPOIMENTOS

POR MARI MONTEIRO



A problemática maior que enxergo em relação ao ENEM é o fato de que Os estudantes e os professores necessitam ter consciências d e que são necessários TRÊS ANOS de estudos para se prestar o ENEM. A maioria acredita, e vejo isso acontecer anos a fio, que apenas os conteúdos do Terceiro ano dão conta de prepara-los. Pensando assim, TODOS deixam para o ÚLTIMO ANO, para o ÚLTIMO MÊS, para a ÚLTIMA SEMANA, para o ÚLTIMO DIA, para a ÚLTIMA HORA... Uma preocupação e uma responsabilidade que já deveriam estar instaladas desde o início da vida escolar.


O aluno necessita; sobretudo, desde o início do Ensino Médio, saber que a preparação para o ENEM e para o vestibular acontece em todas as aulas. Além disso, há outros fatores que não são levados em conta quando o assunto é ENEM. Por se tratar de um exame matematicamente mensurável, o aluno pensa somente na quantidade. Contudo, há outros aspectos envolvidos e que não são devidamente desenvolvidos pelas escolas junto aos alunos.


De acordo com Camila Guimarães (2013) numa reportagem intitulada: “CARÁTER SE APRENDE NA ESCOLA”, na edição nº 804, de 21 de outubro de 2013, existe uma lista de atributos que influenciam o êxito  nos estudos e, por conseguinte, no mercado de trabalho e que devem ser desenvolvidos e aprimorados na escola. Segundo a pesquisadora os atributos poderiam ser agrupados assim: PERSEVERANÇA (perseguir uma meta, ser disciplinado e resiliente); AUTOCONTROLE ( não ceder a impulsos, como ligar a TV enquanto estuda); EXTROVERSÃO (não ficar apenas no campo das ideias, conseguir realizar o que planeja; CURIOSIDADE (estar aberto aos erros, sem medo de assumir riscos); PROTAGONISMO ( acreditar que, com esforço, é possível mudar o que está ruim e COOPERAÇÃO (habilidade de trabalhar em equipe).  A pesquisadora afirma ainda que:

“(...) este tipo de lacuna na FORMAÇÃO DO JOVEM pode comprometer a continuidade dos estudos, não importa o quão inteligente ele seja. (...)” (Guimarães, 2013:61).


Trata-se de atributos que são inerentes ao indivíduo durante sua vida, cabendo, em MAIOR RESPONSABILIDADE aos pais; contudo podendo sim ser desenvolvido se APRIMORADOS na sala de aula e pelo resto da vida, mesmo porque são aspectos inerentes a todos os setores da vida humana. E; por isso mesmo, tal como diz na reportagem (na íntegra) devem ser considerados na AVALIAÇÃO ESCOLAR. Ou seja, ao saber que terá sua capacidade de perseverança, por exemplo, avaliada, o aluno tratará de considerá-la  e de pensar sobre suas atitudes com uma visão mais crítica, enquanto SUJEITO QUE INSISTE  (ou que desiste). Suas escolhas passarão a ter um peso maior, o que o ajudará no seu amadurecimento.


Enfim, o ENEM é uma possibilidade (talvez a única que a maioria dos estudantes brasileiros tem de cursar uma boa faculdade). Então, por que não pensar mais seriamente sobre o assunto desde o início do Ensino Médio? Por que não considerar todas as implicações periféricas que envolvem um bom resultado: RERSPONSABILIDADE; DISCIPLINA PARA OS ESTUDOS e PERSEVERANÇA?

Segue uma pequena amostra com alguns DEPOIMENTOS dos meus alunos do “TERCEIRÃO” do CEC, que relatam suas impressões e sensações acerca do ENEM 2013. Percebam, nos relatos, as pitadas de angústia, de pressão, de insegurança etc... Aspectos que poderiam ter sido minimizados, se a preocupação de “TODOS” não fosse somente a questão intelectual e quantitativa, mas também emocional e comportamental.


1 – NAARA

“O ENEM 2013 estava complicado pelo fato de ter muitas questões e, na minha concepção, pouco tempo para responder; por isso, não dava para pensar e analisar qual seria a resposta certa. Tinha que ler o texto, as alternativas e já assinalar a que considerasse correta. Nos dois dias fiquei muito nervosa e ansiosa, mas consegui conter minhas emoções e fazer as provas. O ENEM foi um aprova que me deixou tensa e desnorteada, devido à pressão psicológica.”

2 – FELIPE

“Eu estava ansioso por ir fazer a prova, mas mediante  a minha situação de trabalho, iria para o local da prova usando minha mochila, pois iria direto para o trabalho após a prova. Ao sair de casa,  comentaram que possivelmente eu não entraria já que  estava de mochila. Então, peguei a carta que recebi do ENEM e  a caneta preta; mas, por infelicidade, esqueci de pegar o RG. Só percebi ao chegar ao local. Enfim... meses estudando, horas “jogadas ao vento”. De certo modo,  a culpa foi da pressa e do nervosismo.

3 – NATALI

O ENEM despertou várias emoções ao mesmo tempo em mim, desde o dia que o antecedeu até os minutos finais das provas, como insônia, insegurança. Aflição por conta do tempo e ansiedade.
Mesmo achando o ENEM fútil e um método cheio de avaliação repleto de brechas e vãos, a expectativa criada sobre os dois dias era imensurável, pois um pensamento surgia em minha mente a todo o momento: “meu futuro está n aponta da minha caneta.”

4 – ABNER CARVALHO

Minha pessoa nunca imaginaria que faria o ENEM com tanta serenidade, mesmo não sabendo com profundidade a matéria de química e de biologia.
Quando fui informado que faria aprova no Jardim Rosina, logo comecei a reclamar; porém, ao adentrar na escola, percebi que se tratava de uma escola muito bem estruturada e ainda encontrei dois conhecidos.
A prova, em si, foi difícil, mas, final que prova não é? Apesar de ter “chutado” igual ao Ronaldinho em Química, eu acredito ter ido bem.

5 – MICAELLE

Para mim o ENEM não passa de um exame banal, servindo somente para rebaixar ca  autoestima de cada aluno, tentando fazê-lo acreditar que, literalmente, não sabe nada.
Creio que 180 questões, sendo 90 por dia e no segundo dia incluindo a redação, seja um abuso, por exigir demais dos alunos. Creio que 50 questões seriam suficientes e testaria os conhecimentos da mesma forma.
A Experiência que passei foi cansativa e, se fui mal, como acredito que fui não me adiantará de nada... Mas acredito que adquiri muito conhecimento durante o Ensino Médio.

6 – BRUNA

Um momento de tensão e muita ansiedade, nem uma barra de chocolate seria capaz de amenizar o que estava sentindo.
Enquanto ia para a escola, minha mãe tentava me acalmar, mas mal sabia ela que eu queria era chorar ao cantar a música do Guilherme Arantes que dizia:” Se você tentou/ E não aconteceu/Valeu/Infelizmente nem tudo é/ Exatamente como a gente quer”.
Desci do carro, entrei na escola e fui surpreendida quando a fiscal disse para eu aguardar, pois não saberia se eu poderia fazer a prova devido ao fato de meu RGT ser antigo. Aquele momento foi propício para que minhas lágrimas transbordassem. Com a confirmação de outros fiscais, e coordenadores, minha entrada foi autorizada e consegui realizar minha prova. Porém, fiquei incomodada com o barulho que durou mais de meia hora. Isso, consequentemente, me desconcentrava. Eu tentava manter a calma; porém, passar as dez últimas questões para o gabarito, o que me prejudicou.
No segundo dia, voltei com um sentimento d emedo e de vergonha. Acabei saindo meia hora antes de casa com meu pai, e estava uma chuva contínua  e forte. Quando não estávamos nem na metade do caminho, o trânsito parou. Comecei a ver pessoas saírem dos carros e terminar o percurso a pé. Meu pai retornou com o carro, pegou  amoto... E fomos mesmo embaixo de chuva. Chegamos ao local exatamente às 12h59! Achei aprova em si um pouco mais fácil e a redação me surpreendeu. Ao me deparar com ela, um sentimento de alívio tom ou conta de mim. Consegui desenvolver o tema e me lembrei das dicas da Prof. Mari e de palavras que facilitaram o desenvolvimento do assunto proposto.
Foi uma experiência bem complicada; porém, boa. Uma amostra de como serão daqui em diante as avaliações do meu desempenho e eu superando, cada vez mais, meus erros. Isso foi apenas um desabafo!

7 – ANDRE

Em minha opinião, o ENEM é uma prova idiota e sem sentido, pois fazemos apenas para o Governo ver a qualidade do ensino. Para nós, estudantes, é uma prova muito cansativa. Não é uma prova fácil d esse fazer. São 90 questões por dia (180 no total), mais a redação.
Foi uma péssima experiência pra mim. No meio da prova, alguém ligou o som no último volume e não me concentrei; ou seja, minha nota deverá ser baixa, disso não tenho dúvidas.
Enfim, foi um aprova ridícula que, sob meu ponto de vista, só causou revoltas  e frustrações entre os estudantes.


8 - JESSICA

Os professores da minha escola falaram do ENEM. O professor de matemática com suas contas complicadas, falando em equações e o Teorema de Pitágoras. A professora de português falando de advérbios, interjeições e substantivos. A professora de geografia com suas explicações regionais, sítios e selvas.


9 - LETÍCIA

Você possui um propósito?  Já pensou o porquê de fazer o ENEM? O ENEM  é uma prova cansativa, mas para quem sabe o que quer e se preparou intelectual e psicologicamente, o ENEM torna-se um desafio possível de ser superado.
A pior parte para os candidatos é a pressão que lhes são colocadas, seja da família, amigos ou até mesmo da escola. Todos esperam que você se saia bem. Entretanto, todos passam seu tempo dizendo o que todos já sabem: “O ENEM é tão difícil!”. Isso faz com que o candidato se perca dentre seus medos e, na hora “H”, não consiga ser producente e acaba se decepcionando.
Então, a maior dica para você que pretende fazer o ENEM é, primeiramente, estudar bastante. Vá fazer a prova com um bom domínio dos conhecimentos escolares. Segundo, acalme-se, o ENEM, como já foi dito, é um desafio que pode ser superado. E, acima de tudo, acredite em si mesmo... Que, no final, tudo dará certo.

10 - GABRIELLA

Minha primeira experiência ao fazer o ENEM 2013 foi tranquila em partes. No início, senti certa insegurança por ser minha primeira vez e pelo fato d éter sido muito pressionada no decorrer do ano em relação a isso.  Porém, aos poucos fui me tranquilizando.
No segundo dia, de exame, fiquei mais inquieta, acreditava que não conseguiria concluir a prova em tempo hábil, porque costumo demorar a fazer redações. Primeiramente, organizo meus pensamentos para, depois, passá-los para o papel, mas não tenho a habilidade de fazer isso em pouco tempo. Porém, superei minhas expectativas e terminei a redação antes do esperado.
As duas provas foram bem cansativas, não fui tão bem, mas também não fui tão mal. Espero me sair melhor da próxima vez.




 OBS. Novos depoimentos serão postados durante a semana...




sexta-feira, 25 de outubro de 2013

PROFESSOR: O PROFISSIONAL QUE MAIS GERA TRABALHO PARA SI MESMO

Por Mari Monteiro



Se há uma categoria que "gosta" de gerar trabalho para si mesmo é a dos professores. Não aprendi isso sozinha. Aprendi convivendo com pessoas e com suas inúmeras pilhas de papel; suas sobrecargas de compromissos e com suas artérias a ponto de explodir.




Não me refiro às obrigações diárias (curriculares) e relevantes. Falo das BUROCRACIAS que "inventamos" para nós mesmos. Por exemplo, constatei que PILHAS DE ATIVIDADES em folhinhas xerocadas NÃO LEVAM MUITO LONGE; pois, se assim fosse, tudo estaria resolvido: não existiria um aluno com defasagem de aprendizado. Porque - nem precisa de cálculo - basta olhar para saber que  a quantidade de folhas coladas nos cadernos, em pastas, soltas... ou perdidas não equivale aquilo que o aluno sabe (ou deveria saber). O QUE ESTE PROCEDIMENTO GEROU? Mais trabalho para o professor: planejamento;  elaboração; xerox; correções (quando são feitas a contento)...


E as PROVAS? Quantas provas! Há a prova propriamente dita (para  provar o que? Não sei!). Os alunos demonstram ou não seus saberes todos os dias em suas ações, suas falas, em  suas produções nos cadernos e livros. Há as provas "adjacentes", aquelas que chamamos de ATIVIDADES. Não bastasse tudo isso, há ainda a PROVA DE RECUPERAÇÃO. Aí está  um instrumento de avaliação ABOMINÁVEL. Explico. Primeiro, porque se é preciso usá-lo, é porque algo deu errado no percurso (durante o bimestre TODO, TUDO deu errado?); segundo, o aluno não faz as atividades anteriores com a devida RESPONSABILIDADE, porque sabe que terá uma segunda chance; terceiro, porque É MAIS UM TRABALHO GERADO POR NÓS MESMOS e quarto, porque NÃO ACREDITO NOS RESULTADOS DA RECUPERAÇÃO, porque se fossem sempre melhores que os anteriores (porque é esse o objetivo) por que o aluno não sabia antes?  E, o MAIS PERNICIOSO dos aspectos é que se instala, assim, A CULTURA DA RECUPERAÇÃO. 



O aluno deve perceber que TUDO É IRRECUPERÁVEL; sobretudo, o tempo que perdemos (alunos, professores...).  Mas, ao contrário, ele passa a pensar que  durante toda sua vida de estudante será assim: segunda chance sempre. E transfere isso para todos os aspectos de sua vida: "Posso deixar rolar, pôr tudo a perder, depois eu recupero, porque sempre terei uma segunda chance".


Enfim, não se trata somente de gerar ou não mais trabalho para nós mesmos, trata-se de não contribuir, em absolutamente nada, para o crescimento intelectual e pessoal do aluno, sempre que damos a ele inúmeras oportunidades de "recuperar".  Desta maneira, ele não encara  a RESPONSABILIDADE e o COMPROMETIMENTO como algo que deve fazer parte da sua vida, do seu comportamento, do seu caráter; mas como algo que, esporadicamente, retira do bolso e usa somente quando é necessário ou quando alguém  lhe  diz: "chegou  a hora de recuperar, pegue aí 200 gramas de responsabilidade e mais 300 gramas de comprometimento e você  estará aprovado na escola."  E na vida? Como fica  a vida? E a reputação e o valor do professor? CADÊ? QUANDO VAMOS RECUPERAR? QUEM NOS DARÁ UMA SEGUNDA CHANCE?

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

“VOCÊ TEM UM PROBLEMA?”

POR MARI MONTEIRO



O título deste artigo até parece um daqueles anúncios de tarô e afins colados nos postes da cidade. Não é o caso. A pergunta é LITERAL e VISCERAL. Tenho um amigo muito querido, de longa data, cujo nome é Mailson e trabalhamos muito tempo juntos. Outro dia nos reencontramos rapidamente (depois de mais ou menos uns três anos); tempo suficiente para relembrarmos algumas passagens bem “punks” das nossas vidas. Ele me disse algo interessante. “Mari, sempre que ouço alguém reclamando de banalidades; mas banalidades mesmo: ‘Eu quero uma calça de 500 reais e só posso comprar no mês que vem! ’; ‘Putz! Não irei ao próximo show internacional! ’; ‘MINHA MÃE PEGA MUITO NO MEU PÉ! ’ e por aí vai... A vontade que tenho é dizer: ‘Vem cá amigo, então você tem um problema? Vou te contar uma história. ’ E dizer daquilo que ocorre de mais forte em nós, que nos ARRASTA e nos deixa à deriva, sem bote salva-vidas E SEM MÃE PRA PEGAR NO PÉ...”.

Problemas? Os problemas têm um jeito próprio de machucar e de abater a cada pessoa. O fato é que todos têm (em maior ou menos grau). A questão é que alguns deles nos colocam DIANTE DE UM ESPELHO para o qual não queremos olhar e dizem: “E agora?”. Aí, nos olhamos, com certo desconforto, e devolvemos a pergunta: “E AGORA?”. E lá está você, o espelho e sua fé. Porque, acredite, nestes momentos, o espelho não reflete mais ninguém. Apenas você. Seus amigos estão longe, seu pai e seus irmãos também. E SUA MÃE NÃO ESTÁ LÁ PARA PEGAR NO SEU PÉ.


Agora, como diz meu amigo Mailson, vem cá que vou te contar uma história. Era uma vez um menino de oito anos chamado Felipe, está no segundo ano, não sabe ler, nem escrever e já viu muita coisa ruim nesta vida. Tive o prazer de conhecê-lo este ano. Era para ter sido uma simples aula de leitura... Mas, que leitura?

(...) Estávamos no meio de um momento de leitura. Quando eu, sem saber da história, sugeri ao Felipe que estudasse mais em casa, que pedisse ajuda à sua mamãe. Infeliz momento.
 FELIPE: Num dá. Só estou com meu pai.
- Por quê?
FELIPE: Porque minha mãe bebeu soda.
(Imediatamente me lembrei de ter ouvido dizer que a mãe de um aluno da escola havia ingerido soda cáustica).
- Por que ela bebeu soda?
FELIPE: Porque ela queria morrer.
- E por que ela queria morrer?
FELIPE: Pra ir pro céu (sic).
- Onde ela está agora?
FELIPE: No Magine (ele quis dizer Nardine – um hospital público da região)
- Como ela está?
FELIPE: Ela está bem magrinha (e mostrou com os dedinhos...).
- Você acha que ela iria para o céu se morresse?
FELIPE: Acho “móde (sic) que” ela tava ino (sic)  na igreja e depois não ia mais e o diabo estava dentro dela. E tem uns que vai pra baixo... Pra treva. No dia que ela bebeu soda, ela disse que eu só ia ter mãe naquele dia.
- Você quer ficar pra sua mãe ou com seu pai?
FELIPE: Quero ficar com minha mãe, mas num vô (sic) podê (sic) só porque móde(sic) ela bebeu soda.
- E agora?
FELIPE: Ela vai pra Goiânia quando sai do hospital, móde (sic) que meu irmão tá (sic) lá.
- Por que ele foi embora?
FELIPE: Foi com minha vó(sic). Quando eu ficar grande eu vou também pra Goiânia móde (sic) que quero ficar com minha mãe.
- Você promete vir conversar comigo todo dia? Promete?
FELIPE: se minha prô (sic) deixar, eu venho.

(...)
Alguns dias depois, para minha surpresa, apareceu um rostinho na porta e se escondeu. Chamei: “Felipe?” Mal terminei de falar e ele pulou nos meus braços e me abraçou com força. E A MÃE DE FELIPE NÃO  ESTAVA MAIS POR PERTO PARA LHE OFERECER COLO . Ela havia partido três  dias depois do nosso encontro.


Penso que existem problemas que são grandes demais para pessoas pequenas demais; não falo apenas sobre os dramas infantis semelhantes ao de Felipe; falo de mim; falo de você; de nós que, quando fragilizados, tomamos a forma e o tamanho de um bebê indefeso. Pedimos colo. E NEM SEMPRE NOSSA MÃE ESTARÁ ALI PARA NOS OFERECER COLO.  E quando você e eu acharmos que temos um problema, olhemos para os lados, ouçamos outras histórias... NÃO PARA NOS CONFORMARMOS (aquela coisa irritante de ouvir sobre zona de conforto, o clichê: “tem gente passando coisa pior!”); mas para dizer NÃO! NÃO PODE SER PARA ISSO QUE ESTAMOS AQUI. A vida não deve ser assim. Mesmo porque, segundo um poeta: “reza a lenda que a gente nasce é para ser feliz!” ENTÃO QUAL É O PROBLEMA? O problema é o percurso. É nele que nos perdemos e nem sempre nos reencontramos; mas sempre há de ter algo de bom em cada dia vivido; porém, sem OLHOS ATENTOS e CORAÇÕES HUMILDES, não veremos estes momentos. Vamos atropelá-los e, à noite, nos deitaremos apenas com as amarguras.


SOLUÇÕES? Quem dera as tivesse. Mas, sou abusada. Do contrário não estaria aqui pra contar a história. Tenho sensações, INTUIÇÕES e a principal é a de que devemos aprender a fazer o contrário: superestimar os risos e a presença discreta de qualquer traço de esperança, as palavras ditas com doçura e os olhares.  Ah! Os olhares! Estes são inesquecíveis; aqueles que se demoram e que mergulham em outro olhar, dizendo muito apenas com o silêncio e com suas cores; os abraços... Que, tomara, um deles seja o da NOSSA MÃE QUE AINDA ESTARÁ POR PERTO... E, se não mais estiver fisicamente, como a mãe do Felipe, que aconteça o que desejei a ele: que possamos nos lembrar de SEU OLHAR, sentir seu CHEIRO DE MÃE e seu colo que cura todas as dores deste mundo. Mas, enquanto ela estiver por perto, não passe um só dia sem dizer que a ama; abrace-a sempre que possível... Sem pressa, deixe que seus corações se encontrem. Converse olhando nos olhos dela. Decore sua íris... Memorize seu cheiro... Valorize sua presença. Porque quando, finalmente, restarem apenas lembranças, seus sentidos vão cobrar todas estas sensações e você as terá guardadas no lugar mais sagrado que existe: NA SUA ALMA!
Frase creditada  ao Roberto Frejat (Barão Vermelho)

domingo, 13 de outubro de 2013

FELIZ VIDA DE PROFESSOR!

POR MARI MONTEIRO

(Frase creditada a Renato Russo)

Desejo que cada minuto valha a pena;
Que, ao menos, um aluno de cada turma, jamais te esqueça; que eles QUEIRAM APRENDER.

Desejo um salário digno e uma boa dose de glamour.
Que seus alunos te achem bonito (a), perfumado (a), iluminado (a).

Desejo que você não precise gritar para ser ouvido.
Que seus ensinamentos sirvam a você e aos seus alunos.

Desejo que seus olhos brilhem ao responder: “Qual é sua profissão?”.
Que você possa dizer que NÃO DÁ aulas, mas que as vende por um preço justo e que, de brinde, oferece SONHOS...

Desejo que as linhas de expressão do seu rosto sejam de tanto sorrir ou de chorar de alegria; mas, nunca, causadas pela ira... Pela escolha errada... Pelo arrependimento...
Que seja sempre OUSADO (A) e não esconda suas dores e seus medos. Enfrente-os com orgulho.

Desejo que esteja INTEIRO (A) quando chegar a hora de colher os frutos do seu trabalho.
Que cada dia da sua carreira, seja lembrado como um dia “BEM VIVIDO.”.

Desejo que seu semblante seja portador de aconchego para os alunos.
Que seus alunos sejam bons para você, que os respeite e valorize.

Desejo, por fim, que se, ao menos metade disso ainda não estiver acontecendo, você tenha a CORAGEM de parar tudo.
Que PARE AGORA. Não adoeça! Há tantas alternativas e a vida é tão fugas. E, segundo reza a lenda, a gente nasce é para ser feliz!


FELIZ VIDA DE PROFESSOR!!!
COM CARINHO, MARI... Uma professora feliz... Por enquanto!


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

E ESTA HISTÓRIA ESTÁ APENAS COMEÇANDO...

POR MARI MONTEIRO


Nesta vida, é preciso estar atentos aos sinais, aos presentes enviados por Deus. Já recebi muitas pessoas de presente!  Há também pessoas que nos tiram o ânimo e a energia.  Em contrapartida, há pessoas que nos empolgam com sua vivacidade, habilidade e luz própria. A Mylena Andrade Cordeiro é uma destas pessoas.


Tive o prazer de conhecê-la este ano no Ensino Médio do CEC. Tenho a honra de ser sua professora de Literatura Brasileira. Foi amor à primeira vista. A cada dia, uma surpresa boa se revela. Mylena é uma atleta de tênis de mesa que nos representa dentro e fora do país. Nada é obstáculo para ela. Sempre disposta e com um brilho único no olhar, participa de todas as competições de peito e CORAÇÃO abertos.


“Disputar os Jogos Paralímpicos do Rio em 2016, sabendo que tem concorrentes fortes, parece um sonho distante para uma garota de 15 anos. Apenas parece.



 A mesa-tenista Mylena Andrade Cordeiro, de Ribeirão Pires, sabe que este é apenas mais um obstáculo em sua curta, mas vitoriosa carreira. Há cinco anos competindo no tênis de mesa, hoje  na categoria juvenil, ela é dona de simplesmente 38 medalhas, primeira colocada no ranking da classe 5 e vai disputar o PARAPAN - AMERICANO da modalidade, em outubro, em BUENOS AIRES (Argentina). 
  http://www.dgabc.com.br/Noticia/482316/rio-2016-nao-sai-da-cabeca-de-mesa-tenista-de-ribeirao-pires?referencia=buscas-lista (acesso em 10/10/2013). Aos poucos, ela conquistou não somente medalhas, mas também o respeito  e a admiração de todos que a cercam.

 Há mais uma pessoa que preciso apresentar. Sua mãe: Shirlei Cordeiro. Uma mulher admirável. Arrisco afirmar que é esse amor todo (TÃO VISÍVEL A OLHO NU, pois basta ver o brilho nos olhos das duas para vê-lo transbordar) que faz da Mylena o que ela é: forte; guerreira; incansável e disciplinada nos seus treinos; uma filha preciosa; uma amiga leal (tenho o privilégio de sentir isso na pele) e um a adolescente linda, adorável, com sonhos, desejos muitas conquistas por fazer e muitos amores por viver. A propósito, Mylena possui um dos maiores bens que um ser humano pode ter: uma linda família, da qual sempre fala com muito amor e carinho.


Para nós, do Colégio Euclides da Cunha, foi uma honra prestar-lhe uma singela homenagem de despedida para seu desafio na ARGENTINA. Através da iniciativa da Professora Roseli Belo e da Coordenação do Colégio Maria Alice Camargo, nós, professores e alunos nos despedimos dela nesta linda manhã de quarta feira ensolarada com muita alegria e emoção.

Assim, em nome de TODOS O SPROFESSORES, FUNCIONÁRIOS E ALUNOS do Colégio Euclides da Cunha, tenho o prazer de desejar o melhor a ela. Sorte não, pois se há uma coisa em que não acredito é “sorte”. Acredito em “FAZER POR MERECER”. E isso Mylena aprendeu desde bem cedo.   Estamos com você Mylena. SEMPRE!



(...) Dias depois...

Aconteceu o que todos esperávamos, pois Mylena SEMPRE faz por merecer. Ela conquistou A MEDALHA DE OURO!!! Em nome de todos agradeço aqueles que torceram  e a Deus por presenciarmos sua VITÓRIA!!! Parabéns Mylena!!!

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