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EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.

segunda-feira, 3 de março de 2014

O QUE É REALMENTE NOSSO?: RELATO DE EXPERIÊNCIA (WHAT IS REALLY ?: OUR EXPERIENCE REPORT)

POR MARI MONTEIRO


Sempre, durante as aulas de Literatura, um trecho de livro ou características de determinados autores, permitem que eu faça algo que adoro:  a relação entre o que  estamos aprendendo ( e que aconteceu há séculos) com o que vivenciamos agora. Além de demonstrar a GENIALIDADE dos autores da nossa Literatura clássica, fica claro para nós que as BOAS OBRAS são atemporais.

Da última vez, agora antes do carnaval, conversávamos sobre “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, a mais famosa obra machadiana. Depois de lermos a biografia do autor e a famosa dedicatória da obra, os alunos demonstraram extremo interesse. Em seguida, lemos um fragmento da obra em que ele descreve seu funeral, o qual contou com onze “amigos” (“ONZE!”), aliás, exclama ele neste trecho.


Esta leitura, para minha alegria, desencadeou um produtivo debate relacionando o porquê da dedicatória “AO VERME QUE PRIMEIRO ROEU AS FRIAS  CARNES DO MEU CADÁVER...” e a ideia de que ele morrera insatisfeito com sua vida e certo de que possuía pouquíssimos (se é que possuía) amigos VERDADEIROS.




Foi então que aproveitei para iniciar uma boa conversa em torno de um recorte que lhes contei, a fim de que, à luz da OBRA MACHADIANA, eles pensassem sobre o QUE VERDADEIRAMENTE TEMOS NESTA VIDA. 

Diante disso, Lembrei-me de um fato ocorrido anos atrás, envolvendo alguns alunos. Estava eu colocando alguns números de páginas na lousa, quando ouvi:

- Que isso “véi”? Este seu tênis ralé aí, que nem de marca é? O meu é original. Não sou como você que compra roupa no camelô!

Ah!!! Logo eu fui ouvir uma coisa destas... Pra que? Deixei tudo que havia planejado de lado.  Esperei pacienciosamente o garoto sentar. Aproximei-me dele devagar  e esperei que ele me dissesse algo. E ele disse:

- Que foi “SSÔRA”? (É assim mesmo que eu, como professora de Língua Portuguesa “enxergo” a palavra dita rsrs).

A partir de então, segue um diálogo improvisado, claro, pois eu não esperava isso... E, bocuda que sou, imagina se me calaria diante de tamanha ARROGÂNCIA e CONSTRANGIMENTO de outros alunos. Era a Mari que estava ministrando aquela aula  e não um SER INANIMADO, sem sangue nas veias. Não respondi e ele repetiu a pergunta. Queria me certificar que todos já haviam se dado conta do iria acontecer...

- Estou olhando seu tênis. Bonito neh? O – RI – GI – NAL  neh?

- É “ssôra”, só tenho roupa original.

- E a calça também é muito bonita. A camiseta também. E esse boné? Da Oakley neh? Sabia que a Oakley é uma empresa norte-americana? E que os norte - americanos nem sabem que você existe?

- E daí? Achei “da ora” e comprei. Mas não do camelô como esse bando de Zé Mané aqui da sala compra.

- Bando de Zé Mané??? Então, querido, tenho uma  SURPRESA pra você. Este tênis NÃO É SEU!

- Como não? Comprei p----!

- Mas não é seu! Esta calça não é sua! Esta camiseta que você nem sabe o que está escrito também não é sua. Esse boné não é seu!

- “Cê tá loca ssôra?”

- Quer ver como NADA DISSO É SEU? Digamos que você morresse amanhã... Sei lá de bala perdida, atropelamento... Estas fatalidades que sempre acontecem, na maioria das vezes com pobre, e a gente aqui é TUDO POBRE, e nunca sabemos quando vêm. Você não seria sepultado com estas roupas. Mas, suponhamos que fosse. AINDA ASSIM NADA SERIA SEU; pois apodreceria sob a terra. E, caso você fosse cremado, aí sim é que as roupas desapareceriam em segundos!

Durante algum tempo, ele ficou me olhando em silêncio. Nunca esquecerei o que me DISSE COM SEU OLHAR. Era um misto de raiva, de vergonha, de tristeza... Pediu licença. Saiu da sala por alguns minutos e, quando voltou, começou a acompanhar a aula que eu já havia iniciado.

ONDE ESTÁ A LITERATURA? Em tudo que ele disse e que eu disse, e no que ficou nas entrelinhas e nas pausas de nosso diálogo.  Isso porque a Literatura é algo transformador, nada assim instantâneo ou miraculoso, mas que faz a diferença.




ONDE ESTÁ MACHADO DE ASSIS? Na ousadia de ser REALISTA; de não calar pra uma sociedade hipócrita que impõe costumes e hábitos ao invés de se preocupar com valores. Tal como Machado de Assis, que fez uma retrospectiva e constatou com pessimismo o que havia vivenciado, eu também o fiz naquela noite. Mas, com uma diferença, em tempo de o aluno repensar sua vida EM VIDA. E, nesta aula sobre Machado de Assis e sobre as memória de Brás Cubas, percebi que meus alunos do EM apreenderam a “mensagem” da obra e do autor,  que representa um marco na Literatura Brasileira.


Quanto a mim, creio que, se vivêssemos na mesma época, eu e Machado teríamos nos tornado ótimos amigos... rsrs


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

SÉRIE IMPRESSÕES: “FOMOS MAUS ALUNOS" (Rubem Alves e Gilberto Dimenstein)

POR MARI MONTEIRO

E se  lhe pedissem para traçar seu próprio perfil como aluno? Que tipo de aluno você foi ou ainda é? Numa conversa descontraída e bem humorada Rubem Alves e Gilberto Dimenstein abordam suas peripécias, curiosidades e desejos durante o período escolar. A obra “Fomos maus alunos”, escrita na forma de diálogo, incita-nos a relembrar muitos momentos da nossa vida escolar. O que é muito interessante; sobretudo para pais e educadores, pois nos mostra o quanto as posturas mudam de geração para geração.

Outra reflexão pertinente, trazida pela obra, é sobre a ESTAGNAÇÃO da escola (física e pedagogicamente). A maioria dos professores de hoje ainda espera que seus alunos se comportem como ele se comportou e, pior, que REAJA aos mesmos “ESTÍMULOS” que lhe foram oferecidos. Doce ilusão. Trágica constatação!


No decorrer da obra, os pensadores conversão sobre os mais variados temas; inclusive, elaborando reflexões bem profundas a respeito de suas próprias escolas, como demonstram os trechos a seguir sobre experiência de confluência: 

Dimenstein - Por que você virou educador?

Alves - Tenho a seguinte teoria (eu disse só a teoria, pois não tenho provas para isso): todos nós nascemos com determinados saberes. A aranha nasce sabendo fazer teia, o caramujo nasce sabendo fazer a concha. Meu conterrâneo de Boa Esperança, Nelson Freire, é um pianista absolutamente fantástico. Por que ele ficou um pianista fantástico? Não foi porque foi ensinado, não foi porque estudou muito. Porque eu estudei muito mais do que ele e nunca aprendi a tocar piano. É porque tinha algo dentro dele. Aliás, você que é judeu. Tem um dos salmos, terrível, que diz assim: Inútil te será levantar de madrugada e trabalhar o dia todo porque Deus, àqueles a quem ele ama ele dá enquanto dormem. Eu acho que nasci educador. De repente, descobri que é uma delícia comunicar ideias. Primeiro tem o projeto de gestação. Porque você tem de ter uma ideia para comunicar, aquela coisa que pega, dá paixão, e que para mim é um jeito de fazer amor com o outro. Isso tem a ver também com a sua tradição. Porque lá na Bíblia, quando diz que o marido transou com a mulher, como é que diz? Ele conheceu a sua mulher, que é um ato essencialmente prazeroso. Acho que o ato de educar é essencialmente sexual e prazeroso.

Dimenstein - É interessante, porque conhecer, do latim, vem de nascer com.

Alves - Eu não sabia!

Dimenstein - Só se conhece, de fato, alguma coisa quando nascemos com ela. Só entendemos a poesia quando nos emocionamos na descoberta de suas metáforas.

Alves - Às vezes, as pessoas me perguntam: Quem foi que influenciou você? Eu digo: Ninguém. Não tenho memória de alguém que tenha me influenciado. Influenciar é uma coisa que vem de fora para dentro. Eu tenho a experiência de confluência. Confluência é quando você bate com uma pessoa. Sabe quando você tem duas taças de cristal? Você bate as taças e as duas, então, reverberam. Há pessoas que bateram em mim e eu descobri coisas dentro de mim que ninguém me ensinou, mas eu descobri que as coisas estavam dentro de mim. Então, para mim, o educador tem muito a ver com isso. Você vai lá provocar, não para ensinar alguma coisa à pessoa. Isso é a teoria socrática da educação. Sócrates dizia que todos nós estamos grávidos de beleza, e que a tarefa do educador, como na história de A Bela Adormecida, é dar o beijo, o beijo para despertar uma inteligência que estava adormecida. (...)” (Op. cit.)
Gilberto Dimenstein e Rubem Alves 

Sempre admirei muito Rubem Alves. Há aqueles que o acusam de “autor de autoajuda para professores”. Não concordo. Mas, ainda que o fosse QUEM DISSE QUE, NÓS, OS PROFESSORES NÃO NECESSITAMO DE AJUDA? Pois, eu sempre precisei. E, confesso, sempre que o desânimo me alcança (e CANSA!), meus percorrem minhas estantes à procura das palavras de Rubem Alves. Há trechos, textos, versos, poemas, crônicas e causos para toda ocasião. Ou então, o que é mais eficiente ainda, eu vejo um DVD dele que veio num de seus livros. E COMO O SEU FALAR PAUSADO ME ACALMA... 


O efeito sobre mim deve ser maior, porque já tive o prazer de ouvi-lo ao vivo. Num espaço para aproximadamente 1000 pessoas (completamente lotado), restou-me sentar na última fileira. Pensei: “não ouvirei  nada." Para minha surpresa, quando  Rubem começou a falar, com seu sotaque macio, era possível ouvir até sua RESPIRAÇÃO. Que encantamento. Saí de lá embevecida e pensando sobre a relação que ele faz entre o PÔR DO SOL e a MORTE. A morte de cada dia; por isso: CARPE DIEM!


Nesta tarde, após a palestra, ao invés de ir para a faculdade, procurei um lugar na cidade de onde pudesse ver o sol se por completamente. O aspecto urbano do local não maculou meu encanto. Vi um por de sol como nunca havia visto. E, desta tarde em diante, aprendi que morremos um pouco a cada dia/ que a vida é UMA CONTAGEM REGRESSIVA e que, portanto, devo viver cada momento com intensidade e com vontade... sem desperdícios. Algum tempo depois tatuei: " TEMPUS FUGIT. CARPE DIEM"...


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

MEMÓRIAS DE UM CORPO QUE DÓI

POR MARI MONTEIRO



Já aviso: Não foi fácil compartilhar este texto. Foi quase uma CONFISSÃO. Ato que exigiu de mim muita HUMILDADE e uma boa dose de CORAGEM. Falar da condição dos outros é algo fácil e vil; mas falar da própria condição, é algo que se assemelha a um ato cirúrgico invasivo, que tira de dentro coisas que até eu mesma desconhecia...

Não há como não pensar. Nem como não sentir. Está por toda parte: nos olhares; nas asperezas das palavras ditas (ou não)  pelos outros; nos burburinhos pelos cantos; nos rótulos negativos e pesados que recebemos... Nas palavras não ditas e tão bem guardadas. Em momentos assim, sinto-me só. Extremamente só, onde quer que eu esteja. É por isso que gosto tanto de estar no meu quarto, porque lá a SOLIDÃO FÍSICA é real; logo, dói menos que a solidão acompanhada.

Digamos que eu decida (e já fiz isso muitas vezes) NÃO SOFRER MAIS, seguindo à risca as máximas de que “sempre somos capazes de curar a nós mesmos”; “que depressão é frescura”; "QUE TUDO NÃO PASSA DE ALGO NEGATIVO QUE, POR ACASO, ENFIAMOS NA CABEÇA” e outros tantos clichês que ouço quase que diariamente. Então, amanhece e, decidida, opto por não sofrer hoje, por não me entristecer com nada, por não me deixar abalar. Ok. Decisão tomada. Saio de casa para “colher” mais um dia e debitar um dia da minha vida. Duas horas depois, no mínimo, já me deparei com duas ou três situações que me incomodaram. Quando digo incomodaram, por favor, entendam como algo tão forte, que senti fisicamente. Uma dor que varia entre um leve roçar de um espinho a um corte profundo e lento com uma faca serrilhada.


Pois bem. O que faço agora? Espero a dor passar? Finjo que não estou sentindo nada? Não sou muito boa nisso. Atingi um estágio da minha luta contra a “depressão” que, se guardar algo que deveria ter sido dito e não foi, aquilo sai de dentro de mim em forma de vômito. Mas não um vômito qualquer. É um vômito acompanhado de dores LANCINANTES. Então, na maioria das vezes, eu DIGO. Com toda diplomacia e educação do mundo, DIGO olhando bem no fundo dos olhos... Não que isso me cure de vez. Mas sinto-me menos covarde, mais autêntica e meu corpo dói menos.

E as frases feitas ouvidas quase que diariamente? Não as suporto mais. Primeiro, porque são tão clichês, que as pessoas as expressam  “no automático”. 

Segundo, porque já sei que não são verdadeiras. NÃO ACONTECEM! Por exemplo: “Tudo passa” (Tudo o que cara pálida? Cada um tem um ‘tudo’ diferente que pode ou não passar); “Vai ficar tudo bem!” (Quando vai ficar tudo bem?); “Não chore, você precisa ser forte!” (Essa é demais pra mim; por que devo engolir um choro que pode trazer algum alívio?); “Fulano passou por isso e está ótimo!” (Bom pra ele. Além disso, o “isso” dele pode não ser o “isso” meu). E por aí vai...

Sabe o que ajudaria muito? Se as pessoas, além de entender um pouco mais sobre a depressão, parassem de generalizar, de nivelar os acontecimentos, como se todos os problemas; todas as circunstancias e todas as pessoas fossem iguais. Não somos. CADA UM SENTE A DOR NUMA FREQUÊNCIA E NUM GRAU DE INTENSIDADE DIFERENTES. Um fato que pode me causar uma dor aguda pode ser irrelevante para outra pessoa. Porque não é só o fato em si. São as circunstâncias; sãos as fragilidades; as vivências pessoais somadas... E aquele fato, irrelevante para alguns, pode ser a gota que fará transbordar o copo para mim ou para você.

Em tempo, preciso avisar que me chamar de FRACA não ajuda em nada. Além de ser algo que não me traz nenhum constrangimento, é minha condição (oxalá algo temporário); portanto, respeite-a. Além disso, assumir a própria fraqueza é um ato de EXTREMA CORAGEM. Principalmente, porque não sobra muita disposição a alguém deprimido para escolher “ARMADURAS” e “MÁSCARAS” para fingir sensações. Nunca experimentei usá-las, mas tenho certeza de que causaria um imenso desconforto, capaz de deixar meu corpo ainda mais dolorido.
Ajudaria muito também se as pessoas parassem de me pedir para não chorar... Já sorrio tanto. Se não me chamassem de fraca... Tomei coragem e renunciei a tantas coisas. Se não me pedissem pra fingir que está tudo bem... Tenho orgulho da minha autenticidade. Se não duvidassem da intensidade dos meus sentimentos... Sei o quanto são reais. Se não me rotulassem... Sei exatamente quem sou. E, acredite TUDO ISSO TEM UM LADO BOM: A INTENSIDADE. Quando estou triste, estou intensamente triste; mas se estou feliz, estou intensamente feliz...
Aprendi muito... Sobretudo a ser feliz “APESAR DE” ... e não “POR CAUSA DE”. Isso é imensamente bom; sobretudo, porque, agindo desta maneira, não deposito minhas expectativas num só pilar e, muito menos, em questões materiais. Valorizo cada momento; todo gesto de bondade; cada abraço; cada riso; cada lágrima e cada minuto que tenho com aqueles que amo.
Ah! Só mais uma coisinha: Não sinta culpado a se, por acaso, em algum momento você foi uma das muitas pessoas que me julgou. Eu não me sinto culpada de nada. Além disso, sinta-se PLENAMENTE PERDOADO. Porque sou muito boa nisso. Reconheço meus erros, peço desculpas e perdoou com facilidade... Aprendi que estas ações fazem parta da CURA! Escrever nossa própria história é importante, mas ter a coragem de contá-la é essencial. Sobretudo, porque NÃO SOU PERFEITA em muitas coisas; assim como você não o é em tantas outras; portanto, RESPEITEMO-NOS e já teremos avançado muito rumo à "cura" para as dores da alma que transbordam, fazendo doer o corpo...


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

ALGUNS MOTIVOS PARA VALORIZAR E PARA GOSTAR DE LITERATURA

POR MARI MONTEIRO



Confesso que uma das minhas maiores dificuldades como professora de Literatura sempre foi atrair a atenção dos alunos para este campo de estudo. Minha inquietude levou-me a procurar auxílio na resposta da seguinte pergunta feita a mim mesma: POR QUE EU ME APAIXONEI POR LITERATURA? Ao encontrar as respostas (minhas respostas...) consegui enxergar uma série de aspectos. Aspectos estes que, se despertaram meu DESEJO e minha PAIXÃO, possivelmente, haveriam de motivar também meus alunos.


Animada, revirei o RELICÁRIO que tenho na memória, e elaborei os seguintes tópicos:

► A Literatura é uma espécie de “porta” para diferentes “mundos”.



► REFINA os olhares sobre todas as circunstâncias; ou seja, olhamos de forma mais sensível para tudo o que nos cerca.

► Permite “vivenciar” muitas vidas numa ÚNICA existência. Se o indivíduo não lê, ele só tem sua própria história como parâmetro. Através da Literatura, ele pode vislumbrar muitas outras possibilidades para si mesmo.

► Graças aos grandes CLÁSSICOS da Literatura e ao estudo destes, a escola pode retomar ”resguardar” e valorizar a NORMA CULTA DA LÍNGUA. E, através do acesso à norma culta, nos tornamos menos vulneráveis diante da elite manipuladora.


► Agrega valores através das reflexões que ela permite.

► A produção literária acompanha as transformações dos contextos social, cultural e histórico de cada época e local. Diante disso, os enredos literários nos propicia o conhecimento de costumes, características, gostos musicais, figurinos, regimes políticos etc de épocas distantes de nós. A Literatura ANUNCIA e DENUNCIA.

► Enriquece o VOCABULÁRIO do autor, do leitor e do falante. Apropriamo-nos de uma gama cada vez maior de vocábulos, o que faz com que tenhamos mais opções para formular hipóteses e para defender diferentes pontos de vista.

► Quanto mais se estuda obras literárias, melhor se escreve e melhor se fala.



► O olhar da Literatura sobre os mais variados assuntos é TERAPÊUTICO, pois permite um distanciamento da nossa realidade e, ao mesmo, tempo nos oferece a oportunidade de “voltar” diferente após cada leitura.

► Literatura é ARTE e arte é alimento para a alma.

► Quando lemos um bom livro, as cenas MARCANTES permanecem na nossa memória, assim como as características dos personagens e as tramas que os envolvem.


Diante disso, todo começo de ano letivo uma das primeiras atividades que realizo do Ensino Médio é entregar uma cópia destes aspectos e conversar profundamente sobre cada um deles. No final da conversa, lemos e interpretamos (oralmente) a letra da canção “Sintaxe à Vontade”, da autoria de Fernando Anitelli - O Teatro Mágico (letra anexa). Durante todo o ano letivo, desde que adotei esta prática há três anos, não ouço nenhum tipo de lamentação, durante o ano inteiro, quando vamos estudar Literatura. ISSO ME DEIXA MUITO FELIZ! Por isso, “sintaxe à vontade” você também.

O TEATRO MÁGICO
Sem horas e sem dores
Respeitável público pagão
A partir de sempre toda cura pertence a nós
Toda resposta e dúvida

Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto
Nenhum predicado será prejudicado
Nem tampouco a vírgula, nem a crase nem a frase e ponto final!
Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas
E estar entre vírgulas é aposto
E eu aposto o oposto que vou cativar a todos
Sendo apenas um sujeito simples; um sujeito e sua oração
Sua pressa e sua prece

Que a regência da paz sirva a todos nós... Cegos ou não
Que enxerguemos o fato de termos acessórios para nossa oração
Separados ou adjuntos, nominais ou não, façamos parte do contexto da crônica.
E de todas as capas de edição especial
Sejamos também o anúncio da contracapa, mas ser a capa e ser contracapa
É a beleza da contradição, é negar a si mesmo e negar a si mesmo

É muitas vezes, encontrar-se com Deus, com o teu Deus
Sem horas e sem dores
Que nesse encontro que acontece agora
Cada um possa se encontrar no outro até por que... Tem horas que a gente se pergunta...
Por que é que não se junta tudo numa coisa só?
(Link: http://www.vagalume.com.br/o-teatro-magico/sintaxe-a-vontade.html#ixzz2rpWyERlG)

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

SÉRIE IMPRESSÕES: "O PODER DO AGORA" (Eckhart Tolle)

Por Mari Monteiro


Não vinculado a nenhuma religião, a obra trata da constante BUSCA de explicações para questões que, desde sempre, afligiram o autor. A busca mais intensa e visível  na obra é a busca do nosso ALINHAMENTO AO MOMENTO PRESENTE.


 Como se tratam de impressões sobre a obra, citarei as minhas. A princípio, pensei que fosse mais um simples livro de autoajuda e seus inúmeros clichês. Ledo engano. Que bom! Quando percebi o engano, voltei à capa da edição que li (9ª edição) e lá estava a observação: "UM DOS MAIORES FENÔMENOS DA LITERATURA ESPIRITUAL. MAIS DE 1. 500. 000 LIVROS VENDIDOS EM TODO O MUNDO."Além disso, havia também uma citação de ninguém menos que Deepak Chopra: "Este é um dos melhores livros que surgiram nos últimos tempos. Cada frase transmite verdade e poder."
Ganhei este livro no meu aniversário de 2007. Porém, somente tive tempo para lê-lo (pasmem!!!) em 2010! 


Foi uma experiência incrível. Literalmente, conversei com Eckhart . Minha edição é repleta de anotações, questionamentos, admirações etc.Numa delas escrevi: "Deus, preciso disso!", referindo-me à seguinte frase: "(...) Você já tem. Mas não consegue sentir porque sua mente está fazendo muito barulho." O autor referia-se à paz interior que nos permite  estar AQUI E AGORA.

Enfim, fiz até uma lista das principais ações e atitudes que deveria aprender e praticar para conseguir VIVER NO AGORA EM TODA SUA PLENITUDE, sem ansiedade pelo que virá e sem pesares pelo que se foi. Mas, não a colocarei aqui, pois é muito pessoal. Suas IMPRESSÕES podem ser outras ao ler o livro e, até mesmo, INFINITAMENTE MELHORES QUE AS MINHA. 

RE - CO - MEN - DO!!!
BOA LEITURA!
Com afeto,
Mari.



Mais Informações:  https://www.facebook.com/SeguidoresDeOPoderDoAgora




segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

SÉRIE IMPRESSÕES: "OS SOFRIMENTOS DO JOVEM WERTHER" - J. WOFGANG GOETHE

POR MARI MONTEIRO



Esta é a capa da edição que li do Romance de Goethe, um autor que aprendi a gostar na minha primeira faculdade,  durante as aulas de Filosofia. Como já havia anunciado no artigo anterior, a SÉRIE IMPRESSÕES não é uma resenha e nem um resumo e muito menos contém o  SPOILER de qualquer obra aqui tratada.  Trata-se de um início de conversa sobre as minhas impressões sobre  a leitura. Contudo, não há como fugir de algumas formalidades como a ficha catalográfica da obra, por exemplo:






  • Publicado em: 29 de setembro de 1774





  • Gênero: Romance epistolar





  • Idioma original: Língua alemã





  • O gênero "Romance epistolar", foi um dos motivos, depois do autor claro, que me levou a desejar ler a obra. A obra é inteira descrita na forma de cartas do jovem werther ao seu melhor  amigo. Todas as cartas são carregadas de paixão e não há um padrão; cada uma delas depende do ESTADO DE ESPÍRITO em que se encontra  Werther. Por isso, algumas são curtas, outras mais longas... Por vezes, ele passa alguns dias sem escrever, em outras fases escreve quase que diariamente.

  •  Fato é que a intensidade com que são descritos os sentimentos do protagonista é o que nos prende. Passei algum tempo pensando nesta frase:  "(...) E, NO ENTANTO, É UM IMPULSO NATURAL DA HUMANIDADE O QUERER TOCAR O QUE NOS FERE OS SENTIDOS.(...)". Lembrei-me, inclusive, das inúmeras vezes em que fiz isso... e como dói!  

  • Outra frase de Werther que marcou minha leitura e, claro, está grifada no meu livro é esta: "ESTOU CERTO DE QUE  SOMENTE O AMOR TORNA O HOMEM NECESSÁRIO NESSE MUNDO. (...)"

  • Ficaria citando inúmeras frases intensas aqui. Fato é que, durante a leitura, eu, como leitora não me senti o jovem WERTHER; ou seja, o protagonista que, inclusive, escreve na primeira pessoa, como de costume, me senti o SEU MELHOR AMIGO, tamanha a intimidade que o leitor vai adquirindo enquanto lê as cartas. Sentia vontade de respondê-las. Isso é o que chamo de INTERAGIR E  CAUSAR IMPACTO NO LEITOR.

  • Além disso, apesar da obra toda narrar sofrimentos, muitas confissões feitas por Werther se tornam nossas, à medida em que tomamos para nós  seus anseios e suas angústias. Algumas curiosidades sobre obra aguçam mais ainda nosso apetite como leitores. Por exemplo, "OS SOFRIMENTOS DO JOVEM WERTHER" foi considerado por Otto Maria Carpeaux, um ensaísta muito conceituado (crítico literário e jornalista austríaco naturalizado brasileiro.), o primeiro grande romance da literatura alemã. 



  • Outro fato curioso é que, reza  a lenda que após o lançamento do romance e da ampla propagação do mesmo, houve um agrande onda de suicídios entre os jovens.























  •    


  • Além disso, cabe ressaltar que a obra foi adaptada para o cinema, com imagens belíssimas e com todo o glamour e intensidade a ela inerentes. Enfim, vale a pena conferir o filme também!





  • RECOMENDADÍSSIMO!

  • Com afeto, Mari Monteiro.

  • Até a próxima obra!

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