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EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

CAPITU E A MULHER ATUAL: UMA ANÁLISE FEITA PELOS ALUNOS DO 2º ANO MÉDIO

POR MARI MONTEIRO


A ideia de estabelecer uma analogia entre a personagem Capitu, uma mulher do século XIX e a mulher do século XXI, se deve a longas conversas travadas durante as aulas de Literatura Brasileira nas quais os alunos do Segundo Ano Médio estudaram a obra Dom Casmurro. 


Durante as conversas, inevitável e felizmente, veio à baila a questão comportamental da mulher do século XIX em relação à mulher atual, contemplando, inclusive o perfil psicológico, físico e a questão da sensualidade em épocas separadas por quase dois séculos. Conforme as discussões se aprofundaram, os alunos tiveram a brilhante ideia de elaborar um texto, estabelecendo uma analogia entre os dois perfis e ilustrando com letras de músicas que fazem algum tipo de alusão depreciativa à mulher. Em meio às aulas, os textos emergiram. Semana de provas e correria. Entre uma atividade e outra, alguém aparecia com uma letra ou trechos de músicas. Chegamos até ver alguns vídeos. O que não é recomendável...




Impressionante perceber o DISCERNIMENTO dos alunos quanto ao papel da mulher no século XXI. Muitos deles entenderam perfeitamente a diferença entre sedução (aquela em que um olhar sutil prende a atenção) e a erotização (situação sem qualquer mistério, pois não há o que ver, está tudo à mostra).  Apenas por esta constatação já teria valido a pena realizar este trabalho. 



Contudo, os alunos foram além. Houve um envolvimento verdadeiro.  Na escrita, muita coisa se perdeu. Mas é preciso registrar que, no dia a dia, os relatos dos alunos demonstraram muito entendimento sobre o tema. Alguns chegaram a estudar mais profundamente (além do conteúdo da apostila) a obra e, mais especificamente, a personagem Capitu. O que fez com que, na oralidade, o trabalho ficasse mais rico do que na escrita.
 


De qualquer forma, embora a mulher tenha – de um modo geral – causado sua própria desvalorização; nem todas as mulheres são iguais. Os alunos são enfáticos em afirmar que não há graça e nem valor em “conquistar” a maioria das mulheres hoje em dia, porque elas estão muito disponíveis e “facinhas”. 



CAPA DO LIVRO IDEALIZADA PELOS ALUNOS DO 2º ANO MÉDIO
Assim sendo, foi elaborada uma coletânea de textos que deu origem a um livro livro. Neste artigo encontram-se apenas alguns fragmentos de textos, seguidos de alguns versos de letras de música; mas que, nem por isso, deixarão de suscitar no leitor uma reflexão necessária sobre o atual papel da mulher na sociedade. Pois trazem consigo uma grande carga de valores atribuídos (ou não) à mulher e que esta, por sua vez, pode escolher entre ser sensual e atraente sem ser vulgar ou deixar se manipular pela mídia e tornar-se um mero objeto de consumo, a propósito tão  “homenageado” e propagado nas letras de funk. (SEGUEM ALGUNS FRAGMENTOS DOS TEXTOS PRODUZIDOS). 

Parabéns a todos!Mari Monteiro (Outono de 2014)  


                         De Capitu mulher Atual


“Capitu é representada, na obra de Machado de Assis, como uma mulher destemida, que sabia o que queria, era ousada, esperta, dissimulada, que persuadia as pessoas. Entretanto, percebe- se ser uma mulher gentil e doce. Diferente das apresentadas nas letras de funk, por exemplo. (...)”

"(...) charmosa, chique, elegante
Com teu colar puro diamante
A pele saudável com Victoria's Secret
Não depende de homem nenhum
Pra querer se mostrar, empinar o bumbum (...) ( Mc Guimê – Mina Sedução)

(Fábio Constantino)


Semelhança entre Capitu e a mulher atual

“As mulheres de hoje estão querendo mostrar mais, sua beleza, seu corpo e suas qualidades. E muitas delas estão mais se desvalorizando pelas roupas vulgares e destruindo sua imagem na sociedade (...)”.

“(...) Bandida,
Menina extrovertida,
De sainha curtinha,
Vem conhecer,
O bonde das casinha,
Baixada ou capital,
Elas tão super produzida, (...) (Mc Lon – Bandida).


(Jéssica Henriques)


Capitu x pirigas

Olhando a personagem de Capitu, ela faz o possível para instigar Bentinho com sua sensualidade, comportamento que para as mulheres daquela época era algo inaceitável, pois ela andava em panos curtos e se fazia de fácil para Bentinho , no fina,l acabou se tornando seu marido, mas fazendo uma comparação básica à personagem Capitu com a mulher atual se Capitu vivesse nos tempos de hoje ela seria a mulher mais recatada possível, pois a vulgaridade é o que está em maior evidencia hoje em dia, pois as mulheres acham que se oferecendo mais elas conquistam os homens mais facilmente, algumas mulheres acham que a palavra sensualidade tem o mesmo sentido da palavra sexualidade (...)”

“Deixa o livro de lado
O dia melhora
Sem namorado pra casa ela desce
Só quando a noite aparece
(...)
Pode deixar que ela vai
Escolher a noitada
Não é interesseira
Mas quer andar bem acompanhada

E quando passar
Chama atenção dos parça
Pega o Black Label
E joga o Chandon na taça (...)” (Mc Pikeno e Menor)


(Marcos Vínicius)


Capitu no século XXI

Existe uma grande diferença entre Capitu e as mulheres de hoje. A Capitu é o estilo de mulher que seduz, seja pelo olhar, jeito ou toque. Ela é do tipo misterioso que faz os homens caírem a seus pés para desvendá-la.

Já as mulheres de hoje, não seduzem. Elas induzem, se jogam em cima dos homens, não dando escolha. Elas são mulheres de uma noite só, não para uma vida. Elas mostram tudo o que tem, não deixando ar de mistério.
Penso que a mulher, nesta caminhada, perdeu muito o seu jeito de seduzir, elas querem status, atenção e acabam passando dos limites, principalmente, por dançar músicas em que os homens se ridicularizam perante a sociedade.


“As mina pira quando a gente chega na balada,
Fazendo rodinha com baldinho de cachaça (...)”
                             (Gusttavo Lima – As Mina Pira)

(Yasmim Jacó Cavalieri)


Capitu vs “Novinha”

Ao compararmos Capitu com algumas mulheres de hoje em dia, conseguimos perceber uma grande diferença, tanto de comportamento, arte de conquista e até mesmo no modo de se vestir.
No que se refere à arte da conquista, Capitu não precisava utilizar roupas curtas, decotes exagerados, ela utilizava o olhar como principal “arma”, como diz o livro, era conhecida pelos seus “olhos de ressaca”. Ela era uma mulher dissimulada, uma falsa inocente, ela queria olhar, mas, ao mesmo tempo, se escondia. Hoje, qual é o artifício que as mulheres usam para conquistar? Bundas e peitos de fora. Nos dias de hoje, as mulheres são vulgares demais, acham que para conquistar um homem precisam excitar o sexo masculino um desejo sexual usando roupas curtas, e muitas vezes o homem se aproveita da situação para passar apenas uma noite de prazer com a tal mulher e no outro dia “jogar fora”. Também vale ressaltar que nem todas as mulheres são assim e que ainda existem mulheres de valor e respeito nesse mundo.
Enfim, a questão é que as mulheres estão sendo desvalorizadas, devido ao comportamento hostil de umas e outras, que podemos chamar de “piriguetes”. Elas usam roupas extremamente curtas em locais públicos, simplesmente para chamar atenção dos homens a sua volta.

“Vai novinhas, vai novinhas, vai novinhas, vai novinhas
Sarrando e vem roçando(...)”
“(...)E vem sarrando e vem roçando... E vem sarrando e vem roçando(...)”
       (Os Havaianos)

(Guilherme Martins Andrade dos Santos)


Capitu e a mulher do séc XXI

Capitu é uma mulher, pobre, ambiciosa, interesseira, e curiosa. Ela era ambiciosa também na questão “amorosa”. Por essa ambição todos os homens a desejavam, e por sua beleza também. Afinal ela era linda.
Em nossa sociedade ocorrem as mesmas coisas com as mulheres. Elas acabam querendo atenção, seja ela por sua beleza ou interesse financeiro.
Os homens só as querem sendo bonitas ou não (pobres ou não). Hoje em dia os homens não respeitam as mulheres e elas também não se valorizam e isso acaba influenciando a decisão dos homens.

“(...) Que te peguei, barulhei, botei, soquei
Só falei a realidade depois que eu gozei
Que te peguei, barulhei, botei, soquei
Só falei a realidade quando tu me satisfez (...) ( Ela é aquela – Mc Guimê)

(Agatha Fernandes)


De Capitu à novinha do baile

“É muito comum vermos hoje em dia garotas que passam a maioria de seu tempo se dedicando a dançar em bailes funk, o que pode trazer benefícios e também fazer um grande mal para a vida dessas meninas, alguns benefícios são, por exemplo, ganhar dinheiro fazendo essas músicas sem se expor de tal maneira, uma cantora que se utiliza desse bem é a cantora Anitta, que consegue ter suas letras de funk sem se expor de maneira que possa ridicularizá-la, e o que possa fazer mal é expor o corpo de maneira completamente frustrante. (...)”

 “Me olha e deseja que eu veja
Mas já digo: "não vai rolar!"
Agora é tarde pra você querer me ganhar
Rebolo e te olho
Mas eu não quero mais ficar
Admito que acho graça em ver você babar
Vem, se deixa render
Vou como sereia naufragar você(...)” (Anitta – Menina Má)

(Henrique Morroni)


Capitu do baile

“Capitu era interesseira e oportunista assim como muitas mulheres de hoje. Para obter o que almejava se utilizava de seu corpo; porém não era vulgar como algumas mulheres da atualidade, ela era sensual e sutil, tinha consciência de seu valor. (...)”

"Olha ela de novo
Dança e rebola
Descendo até o chão
Parou o baile todo
Os meninos choram
É pura sensação (...)" (Mc Guimê – Olha Ela de Novo)

(Laísa Nascimento da Silva)


Capitu: a ousada

“Capitu era uma moça de família, mas que queria conquistar Bentinho. Ela não precisava usar roupas curtas, usava apenas o charme que fazia os homens “pirar”. Era só ela mexer nos cabelos, eles já estavam todos “em cima dela”; assim como eram os seus olhos.(...)”


“Eu vou para ousadia
Eu vou para cachorrada
Hoje eu quero trair
A minha namorada(...)”  (Leo Rodriguez – Hoje Eu Vou Trair )

(Gabriel Silva Mantelato)


De Capitu às “pouca roupa”

“Capitu era uma moça que conquistava os homens, com seu jeito de mulher, uma “jogadinha” de cabelo para os lados, com gestos aparentemente sutis que faziam os homens lhe desejarem.
Já as mulheres de hoje em dia, principalmente no Brasil, mudaram o jeito de seduzir, a mulher anda mostrando tudo o que tem. Desta forma não tem mais o desejo de ver o que a mulher possui sob da roupa, ela já está deixando praticamente à mostra, a famosa “pouca roupa”. (...)”



“(...) Piri,pipiri, pipiri, piri piradinha
Ela ta doidona, fora da casinha(...)”
Gabriel Valim – Piradinha



(Marcelo Tadeu Barbosa Reis)


Capitu Ostentação

“(...) Capitu tinha um modo de agir diferente, pois na sua época não podia fazer praticamente nada, tudo o que significava rude era proibido pelas pessoas que tinham demais poder sobre a sociedade. Capitu pode ser comparada essas garotas, não pelo modo de agir, mas sim pelo modo de pensar, se seus pensamentos pudessem vir a se realizar seriam atitudes parecidas com as das meninas“funkeiras”.(...)”



“(...)Hoje eu tô perigosa, hoje eu tô venenosa
E me bateu uma vontade louca de fazer
Nada de papo torto, eu sei jogar o jogo
Fica ligado que o meu alvo pode ser você (...)
Eu tô querendo um homem, cachorro eu tenho em casa
Vem, eu tô preparada pra te dominar (...)” (Anitta – Cachorro Eu Tenho Em Casa)



(Beatriz Morroni)


Capitu e as mulheres da nossa sociedade

Em tempos passados, as mulheres se preservavam mais do que hoje em dia. Antigamente, as mulheres não tiram seus direitos. E, mesmo assim, elas eram românticas. No caso de Capitu, ela era uma moça pobre, e pretendia se casar algum dia. Capitu era uma mulher simples e muito determinada.
Hoje em dia, as mulheres não se preservam como antigamente, mas ainda existem muitas mulheres e meninas que se preservam. (...)  muitos homens estão desprezando as mulheres. O pior é que muitas mulheres aprovam o que os homens estão fazendo. (...)”

“(...) Cheguei aqui no baile
Escutei um palco maravilhoso
Sabe o que eu descobri?(...)”

(4x) “(...) As magrinhas que faz gostoso
As magrinhas que faz gostoso
Faz gostoso, gostosinho
Faz gostoso, gostosinho.” (Os Havaianos – As Magrinhas Que Faz Gostoso)

(Nicolas M. O. Alves)

As “funkeiras” e as “comportadas”

Há varios tipos de mulheres, hoje irei comparar dois, as “funkeiras” e as “comportadas”, irei falar de suas diferença, dar exemplos de musica que elas provavelmente escutam . Aquelas que podemos intitular como “funkeiras” usam muitas vezes shorts extremamente curtos, as vezes usam mini saias, um tomara que caia, (que por mim pode ficar la mesmo), de muitas cores chamativas segundo elas isso é o que se esta na “moda” ultimamente. Se eu tivesse um tipo de comercio que seria necessário um contato com o meu cliente, certamente não contrataria esse tipo de mulheres para o emprego .
Já as mulheres que como Capitu que é uma personagem do livro Dom Casmurro de Machado de Assis um dos maiores autores brasileiros, tem o seu valor na sociedade podemos definir ela com um trecho do livro que a descreve : "criatura de 14 anos, alta, forte e cheia, apertada em um vestido de chita, meio desbotado. Os cabelos grossos, feitos em duas tranças, com as pontas atadas uma à outra, à moda do tempo,... morena, olhos claros e grandes, nariz reto e comprido, tinha a boca fina e o queixo largo... calçava sapatos de duraque, rasos e velhos, a que ela mesma dera alguns pontos". (...)”

“Essa que o magrinho fez vai pra todas as novinhas
Senta ni mim, xerecão, C.....!
Quica ni quica mim, xerequinha
Senta ni mim, xerecão, quica ni mim, xerequinha
Senta ni mim, xerecão
Quica ni quica mim, xerequinha
REFRÃO (...)”

(Fernando Silveira) 

domingo, 20 de abril de 2014

“ MINHA VIDA MEIO INVENTADA” ("MY LIFE THROUGH INVENTED")

POR MARI MONTEIRO



Ao acaso, me lembrei de todas AS DORES DESNECESSÁRIAS que senti. Desnecessárias agora. No momento, me pareciam a única e até a justa alternativa. Mas, o melhor desta vida é que podemos APRENDER com o tempo e com a vivência.  A propósito, tudo para mim é passível de aprendizado. E, nisso, aprendi também a inventar outra vida pra mim.

Lembro-me dos sapatos apertados que calcei. Que dor terrível! Isso ocorria ora por não ter outro; ora porque a ocasião pedia... Aprendi a dizer: "DANE - SE A CONVENÇÃO" . Não se assuste quando olhar para o lado e se deparar comigo caminhando a pé - em qualquer lugar aberto ou fechado – segurando um par de sapatos. Não ligo a mínima... Essa dor eu não sinto mais.


Lembro – me do medo de apanhar sem saber nem o porquê. Sofria duas vezes: a agonia da antecipação e a dor física. Hoje, em sã consciência, NÃO ME BATEM MAIS. Essa certeza já me livrou da agonia. E, se acontecer, terá sido por alguém desconhecido, sem valor algum para mim.

Ainda sinto algumas dores e medos. Estou viva! Não aprendi a ser imune. Mas, ter consciência de que são em menor número e menor intensidade, me permite compreender que cresci e aprendi. Todas as dores e medos me foram muito úteis. Sou mais tolerante hoje. Mais paciente... Não que eu as tivesse merecido todas; mas talvez eu não fosse a pessoa que sou se não tivesse enfrentado as situações. NADA AINDA ME MATOU.

Das cicatrizes, a gente não se livra facilmente. Mas, daquilo que antes fora tão ruim ponto de fazer sofrer... A gente vai se livrando pelo caminho... E não é que a gente amanheça diferente. É lentamente... Muito lentamente aprendo a decidir quando me calo e quando falo. Mais uma coisinha sobre isso: SINTA-SE IMPORTANTE ENQUANTO EU FALAR COM VOCÊ! Quando eu me calar, terei lhe esquecido.

Talvez; por isso tudo, eu (ou uma grande parte de mim) viva, hoje, numa vida inventada... Que mal isso pode fazer? Melhor seria ver e viver somente da dura e áspera realidade que nos cerca? Não aguentaria. PRECISO SABER QUE NÃO É APENAS ISSO! Preciso crer em dias melhores; pessoas melhores; em uma “Mari” melhor...



Na minha vida “meio inventada” existem dias serenos; a morte está distante; as pessoas que amo são eternas; não há gritos; não há fome; há coragem; há saúde; há trabalho  e salário justos para todos; há olhares demorados e abraços macios... HÁ PESSOAS.

Na minha vida “meio inventada”, sobra tempo para SER; para SENTIR; para OUVIR; para CONVERSAR...  Diz: Na vida real, que tempo nos sobra PRA VIVER! VI – VER e não apenas sobreviver? Na minha vida “meio inventada”, tudo é INTEIRO e INTENSO. Se alguém me perguntar se passo o tempo todo na minha vida “meio inventada”, a resposta é NÃO. Seria impossível. Há sempre algo que me traz de volta: um grito; o relógio; a correria; as ocupações e as preocupações. Mas, volto sempre para ela e lá descanso.



Por fim, preciso dizer: não estou NUNCA SOZINHA na minha vida “meio inventada”. Muitas pessoas, nem sonham, mas estão sempre lá comigo. Por vezes, eu as levo; por vezes, elas me levam. Importa que, nestes momentos, ainda que breves, VIVEMOS PLENAMENTE e absorvemos o suficiente do que é “do bem” e “da luz” para continuar a VIDA REAL. Se me achar louca, não me importarei. Essa conversa é mesmo surreal; mas, acredite: TODAS AS POSSIBILIDADES SÃO REAIS NA MINHA VIDA “MEIO INVENTADA”.



sexta-feira, 11 de abril de 2014

ALMA QUE TE QUERO VER... (SOUL THAT YOU WANT TO SEE ...)

POR MARI MONTEIRO



(...) Artigo iniciado em 26/03/2014.


O que espero, de verdade, é que após ler este artigo (assim como eu ao revisitá-lo) SEJAMOS MAIS SABEDORES DE NÓS MESMOS. Muito crédito à escrita? Pode ser! “SQN”. Trata-se do desejo de que sejamos REVIRADOS DO AVESSO diante de um espelho que possa refletir a nossa ALMA. Consegue visualizar esta imagem? Forte? Sim. PROVOCANTE? Também.


Estive pensando e seria muito egoísmo meu pensar sobre isso sozinha: O MEU AVESSO; prefiro NOSSO AVESSO. Se nós consideramos difícil olhar no espelho e fitar os próprios olhos por algum tempo, na tentativa de encontrar-se consigo mesmo, imagine tentar ENXERGAR POR DENTRO.


A propósito, O QUE SOMOS POR DENTRO? Órgãos, células; água; sangue; vísceras?  Sinceramente, e sem subestimar, anatomia é o que menos interessa nesse momento. A maioria de nós possui conhecimentos básicos a este respeito.


Falo da ALMA; do ESPÍRITO; da ESSÊNCIA ou outra denominação equivalente. Por uma questão de entendimento, a denominação usada neste artigo, para me referir ao NOSSO LADO DE DENTRO, será ALMA. A principal questão é: podemos enxergar a própria alma? E se nós pudéssemos como ela seria? De que cor seria? Qual sua forma?


Convido você a conjecturar. Caso fosse possível fotografar a própria alma, o que veríamos? Paro para pensar. As sensações e imagens que me vem à mente são muito diversas e adversas. Meus questionamentos e devaneios serão registrados neste artigo. Porém, isso não levará a NADA se a troca não for possível. Uma conversa é necessária. Precisamos SABER UNS SOBRE OS OUTROS.  Então, sugiro que este artigo dê origem a um “FÓRUM” para que possamos prosear e – quiçá – nos conhecer melhor.


(...) 29/03/2014


O Dicionário Priberam de Língua Portuguesa traz 23 possíveis definições de alma:
1. Parte imortal do ser humano.
2. Pessoa, indivíduo.
3. Habitante.
4. Índole.
5. Vida.
6. Consciência.
7. Espírito.
8. Agente, motor principal; o que dá força e vivacidade.
9. Essência, fundamento.
10. Entusiasmo, calor.
11. Ânimo, coragem, valor.
12. Ente querido.
13. Interior da arma de fogo.
14  Peça de madeira no interior do violino.
15. Parte bicôncava do carril entre a cabeça e a patilha.
16. Pedaço de cabedal entre a sola e a palmilha de um sapato.
17. Pedaço de sola que fortalece o enfranque do calçado.
18. Válvula do fole.
19. O vão entre o calcanhar e o joanete.
20. O vão da maçaroca, do novelo, etc.
21. Chancela ou sinete de carta.
22. Mote de divisa.
23. Peça interior do botão coberto.

"alma", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/alma [consultado em 10-04-2014].

Confesso que estas definições me são muito familiares; mas me detive apenas até a 12ª, talvez, porque estas me soaram mais “HUMANAS”. Mas nada me intriga mais do que a sinopse do filme “21 GRAMAS”, dirigido por  Alejandro González Iñárritu e com um elenco respeitável (RE –CO –MEN –DO).   Eis a sinopse: “Três pessoas, Paul (Sean Penn), Jack (Benicio Del Toro) e Cristina (Naomi Watts), têm seus destinos cruzados em função de um acidente. A partir dele serão testados os limites do amor e da vingança, assim como a promessa da redenção. Vinte e um gramas é o peso que uma pessoa perde no momento da morte. É o peso carregado pelos que sobrevivem.” (http://www.adorocinema.com/filmes/filme-47795).


A primeira coisa que me vem à mente é: caso eu pudesse ENXERGAR MINHA ALMA, será que me alegraria com a visão? Penso isso porque há dias nos quais sinto medo até do meu “reflexo físico” no espelho. Imagine, num dia destes, enxergar minha alma.


Independentemente do significado técnico-científico ou religioso, vejo minha alma como uma névoa que se adapta (ou não!) ao meu corpo de acordo com o que digo, penso ou faço. Como a névoa é algo volátil e, como tal, muda não apenas de forma, mas também de cor e densidade. Por exemplo, neste momento, escrevo tensa, minha cabeça pesa e dói. Estou irritada e cansada. Penso que minha alma esteja pesada e opaca. ESTÁ UM DESASSOSSEGO SÓ!


(...) 31/03/2014 


Confesso que este é o artigo mais demorado e fragmentado que já escrevi. Fiz várias pausas. Todas as vezes que minha alma se calou, parei. Todos nós temos vez ou outra, bloqueios para escrever. Mas, neste caso, é diferente. É quase UMA NEGAÇÃO. É um não querer. Mais que isso: cada pausa que faço representa uma espécie de impedimento. Estas pausas longas me fazem pensar o seguinte: OBEDEÇO MINHA ALMA. E, por que digo minha alma e não meu cérebro? Porque, se fosse um ato exclusivamente racional (usasse apenas meu cérebro em nome da razão), eu continuaria escrevendo...


(...) 04/04/2014


Cada vez que volto de uma pausa, releio tudo que foi escrito. A caneta pesa. Há muitas rasuras nos meus manuscritos (escrevo muito à mão). Aí me lembro de algo que digo sempre aos meus alunos: “Façam sempre rascunhos. Escrevam, antes, com a ALMA. Depois, revisem com a RAZÃO.” Não sei por que motivo, com este artigo, isso não está funcionando. Há dias escrevo e pareço não ter encontrado ainda o “fio da meada”. Isso me incomoda... Nunca havia experimentado isso antes. Meus pensamentos e manuscritos sempre fluem. Os bloqueios que já tive até então foram breves e, quando retomava a escrita, o pensamento corria mais rápido que meus dedos...


(...) 06/04/2014


Devido ao tempo das pausas, a cada vez que retomei este artigo, me sentia de um jeito único. Isso dever ter sido um aspecto positivo, pois comecei a perceber que, a cada retomada, tentava enxergar a forma da minha alma. Nesta altura da escrita, as pausas já não me incomodam mais. Elas tinham uma razão de ser. Porém, foi necessária muita abstração para perceber os POSSÍVEIS DESENHOS DA MINHA ALMA. Quando estava feliz, enxerguei minha alma transparente, pude ver através dela e ela tinha o formato exato do meu corpo. Quando estava insegura, vi minha alma trêmula. Quando estava apaixonada, vi minha alma colorida e efusiva, ultrapassava os contornos do meu corpo. Quando estava cansada, vi minha alma disforme e escura, uma escuridão que cercava meu ser...

ALMA (Arnaldo Antunes)

“Alma, 
deixa eu ver sua alma
A epiderme da alma,
superfície.

Alma, 
deixa eu tocar sua alma
Com a superfície da palma,da minha mão, 
superfície (...)

Alma, 
isso do medo se acalma
Isso de sede se aplaca
Todo pesar 
não existe
Alma, 
como um reflexo na água
Sobre a última camada
Que fica na superfície, (...).

Abra a sua válvula agora
A sua cápsula alma
Flutua na 
superfície lisa, que me alisa, seu suor
O sal que sai do sol, da superfície
Simples, devagar, simples,
bem de leve a alma já pousou, na superfície.”.


(...) Algumas horas depois...


Foram tantas as nuances vistas. Tenho ciência de que tudo foi subjetivo: as cores; as formas; as sensações. Ocorre-me que, talvez, não haja outra maneira de enxergar a alma. E, se assim for, muito do que NÃO É ESSÊNCIA perde ainda mais seu VALOR. Nenhuma roupa, por mais cara que seja, é capaz de colorir uma alma triste. Nenhuma maquiagem, por mais que disfarce as imperfeições e ilumine a face, não é capaz de iluminar uma alma que está na escuridão.


(...) 09/04/2014


Neste retorno, minha alma quer parar de “pensar” sobre si mesma. Aquela curiosidade do início do artigo abrandou. Não sei você, mas eu não me esforçarei mais para tentar enxergar nossas almas. Pelo menos não como fiz comigo. Descobri que minha alma NUNCA É A MESMA e mutante que é sempre me surpreenderá; assim como, a alma do outro. Contudo, prestarei mais atenção AOS SENTIMENTOS DO OUTRO e; sobretudo, AOS MEUS SENTIMENTOS.


(...) 10/04/2014


Parando por aqui, para mim, fica valendo o antigo preceito de que “os olhos são as janelas da alma.” Este par de olhos delatores... Somos capazes de fingir com todas as partes do corpo: um riso forçado; um gesto para disfarçar um embaraço... Mas os olhos tem vontade própria. Assim como piscamos sem nos darmos conta disso, eles REVELAM a alma. É através deles que a alma se apresenta. QUEM CONSEGUE POR DE VOLTA A LÁGRIMA DERRAMADA? Ou esconder as marcas de expressão que encolhem nossos olhos quando rimos? Nesses momentos quem fala é alma que, bem lá do fundo, estará sempre a nos fitar como quem se deslumbra com uma imensa vitrine. De que? Daquilo que escolhemos ter por perto.


Mari Monteiro (Outono, 2014)

domingo, 30 de março de 2014

A FALTA DE EDUCAÇÃO NA EDUCAÇÃO (EDUCATION OF MISSING IN EDUCATION)

POR MARI MONTEIRO


Notícias e bibliografias sobre a indisciplina e a falta de educação dos alunos não faltam. Contudo, me surpreendi quando procurei algo relacionado à FALTA DE EDUCAÇÃO e à INDISCIPLINA DO PROFESSOR em relação aos alunos; aos  seus pares e aos seus superiores. Supostamente, adultos que somos, deveríamos ser mais contidos; falar baixo; pregar a tal “ESCUTÓRIA” (termo este que credito a Rubem Alves); manter o respeito... bla, bla, blá...  Isso, na prática, não acontece. E, pior, aumenta com o tempo. Tenho medo que seja contagioso. 


Infelizmente, pude presenciar esse tipo de comportamento em TODOS os lugares em que me relacionei com professores na vida. Em todos os locais e situações, a MINORIA é educada. E a maioria não aprendeu ou não tem paciência para ouvir. Só quer falar (ou gritar...). Não é fácil constatar isso; bem como, não é fácil EXPRESSAR esta situação.  Além disso, estou ciente de que essa minha assunção desagradará muitas pessoas. Porém, tenho certeza, não será ninguém que me conheça de fato. Porque quem me conhece sabe que o que para na garganta me adoece. Então eu digo. Então eu pago o preço.

Contudo, tenho plena tranquilidade no que se refere a minha CONDUTA DOCENTE. Por muitas vezes, meus alunos me viram triste; calada; indignada... E, na maioria das vezes, tratavam-se de coisas que pude dividir com eles... Logo, sabiam que não eram eles os "causadores" do meu  estado. Agora, gritar com alunos; colegas professores e superiores é algo que NUNCA EXPERIMENTEI. E isso é algo que me confere certo crédito para tocar neste assunto...

Sei que o título, a princípio, pode parecer AGRESSIVO. É intencional.  A “agressividade” contida no título não chega a representar legitimamente a sensação de ser agredido (a) no meio educacional. Não que em outros ambientes a falta de educação seja aceitável; mas, no meio educacional, é DESCABIDA e VERGONHOSA!



De agora em diante, esclareço: FALO POR MIM. TÃO SOMENTE POR MIM. Minha fundamentação? Anos a fio frequentando ambientes educacionais (escolas privadas; universidades; escolas estaduais; escolas municipais; reuniões pedagógicas; cursos de formação etc.) Esclareço também que – em nenhum momento – minha intenção é generalizar. Por outro lado, também não serei tão pontual assim. Desnecessário. O teor deste artigo é INQUIETANTE por si só. Cada leitor, com base na sua vivência profissional e com um OLHAR CRÍTICO, poderá autenticar ou não minhas constatações e considerações.


Falo especificamente da EDUCAÇÃO (ou da falta dela) DO EDUCADOR. É necessário, antes, observar a distinção entre TOM DE VOZ e GRITOS. Há professores que possuem, naturalmente, um tom de voz alto. E, justamente por ser natural, não agride. A voz é alta, forte e firme, mas não é agressiva. Apenas este fator não caracteriza um professor mal educado.

Por outro lado, o professor mal educado é aquele que grita. Uma característica marcante deste professor é o fato de ele confundir INDISCIPLINA com LIBERDADE DE EXPRESSÃO ou com a alegria do aluno. Percebo que, nestes casos, o descontentamento (no sentido mais amplo  da palavra) está muito relacionado à falta de educação e, consequentemente, aos gritos. Isso porque distanciar-se da vida pessoal e trabalhar com seres humanos, com diferente shistórias, diferentes perfis... E não “misturar” as coisas, são ações extremamente difíceis. Não esqueçamos aqui que, antes de ser professores, SOMOS HUMANOS: sentimos dores, frio, frustrações, medo, raiva, insegurança...

O ato de “falar alto” em sala de aula se torna uma espécie de circulo vicioso: o professor fala alto porque o aluno fala alto e cada vez mais alto. SE O PROFESSOR GRITA, O ALUNO NÃO PRECISA “SE ESFORÇAR” PARA OUVI-LO. Soma-se a isso uma troca de energia muito ruim. Entre os gritos de todos, que – em determinado ponto – nem “sentem” que gritam, cria-se uma atmosfera DENSA e TENSA.

E as FISIONOMIAS? Observem. Existe um grande número de professores que já possui o rosto moldado pela “BRABEZA” (como diria minha avozinha). Já cheguei a fazer um teste comigo mesma e sugiro que façam. Fiquei em frente a um espelho e fiz de conta que estava dando uma bronca daquelas nos meus alunos. Fiz, inclusive, aquela famosa pose (a propósito viciante, chega a virar TOC!) de tentar, EM VÃO, claro, controlar uma situação de indisciplina apenas com expressões faciais. Meu Deus! Pensei: “QUE PESSOA HORRÍVEL EU SOU! QUANTAS RUGAS!”.


Neste dia, TIVE MEDO DE MIM... Quero “desmanchar” a cara fechada; descontrair lábios e olhos; falar manso. Quero CONVERSAR com meus alunos, com meus pares, com meus superiores... E, claro, isso refletirá na minha vida pessoal e vice-versa.

VISÃO ROMANTIZADA A MINHA SOBRE EDUCAÇÃO? Sim. Eu sou romântica. Não quero me tornar pedra. Não tenho no meu guarda- roupa uma máscara para cada situação. Além disso, penso que ficar "trocando de máscaras" dá muito trabalho. Resta, então, vigiar. Sorrir deve ser um hábito e não uma exceção. Quero cumprimentar e ser cumprimentada. Pense. Não é pedir muito. Basta um ESPELHO e uma boa dose de CORAGEM para ser PROFESSOR sem se deixar contaminar pelo “vírus” do mal humor... Quero um rosto e não uma carranca.

NESTE CASO, ENTENDAMOS A EDUCAÇÃO, NO SENTIDO MAIS AMPLO DA PALAVRA: NAS ESCOLAS; NAS REPARTIÇÕES PÚBLICAS EM GERAL; NO ÔNIBUS; NAS FILAS; NAS RELAÇÕES MÉDICO - PACIENTE... ENFIM, SOMENTE UMA EDUCAÇÃO "GERAL" MUDA AS CIRCUNSTÂNCIAS.



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