Translate

EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

THANKS TO GERMAN PLAYERS AND THE TECHNICAL TEAM.

POR MARI MONTEIRO




The players and the German Technical Staff

I am a Brazilian; educator and love football. But I am critical and never been blind to what is wrong with my country. What I will say may shock them and even shock some Brazilians: I'm not sad about the defeat of the national team. The Score is rather something else: It was shameful for all of us. We must be humble and ready to take it. Plus, we have to learn from this. Learning that Brazil is not a country of Football! And it should be, since it leaves so much to the detriment of the sport. If we do not have good players base, formei here is because we let them go away. We do not do a  better financial offer. They know the life that his fellow players build in Europe... And what will fail here? Examine? Do not! That them is not required, as the NBA, for example.

So, my dear Germans, i can only thank them. I can particularly make a list of what you learned from this match and after it. To summarize, I learned that football is honest; tactically and strategically prepared who wins, most importantly, that YOU GERMANS are infinitely MORE HUMBLE than us Brazilians. At no time during the match, it saw any hint or initiative to take advantage of the situation to make "jokes" (we call "eye candy"). And after the game, more lessons in humility. The statements PLAYERS OF GERMANY basically boiled down to something like: "Everyone is sad, or we thought this would be possible score ... Sorry for the Brazilian people."


So I want to thank them for the beautiful game of football. E; above all, the lessons they left ... If we learn, do not know. But you have literally kickoff. Wring BY GERMANY in the final. Congratulations by your victory! Thank you. (July 10, 2014) 


Segue o texto em Língua Portuguesa:
Aos jogadores e à Equipe técnica alemã


Sou uma brasileira; educadora e amo futebol. Mas sou crítica e nunca estive cega para o que está errado em meu país. O que vou dizer pode chocá-los e até mesmo chocar alguns brasileiros: Não estou triste com a derrota da Seleção. O Placar sim é outra coisa: Foi vergonhoso para todos nós. Temos que ser HUMILDES para assumir isso e pronto. E mais, temos que APRENDER com isso. Aprender que o Brasil não é o País do Futebol!  E deveria ser, já que deixa tantas coisas em detrimento deste esporte. Se não temos bons jogadores de base, formados aqui é porque deixamos que eles se vão. Não fazemos uma oferta financeira melhor. Eles sabem da vida que seus colegas jogadores constroem na Europa... E farão o que se fracassarem aqui? Estudarão? Não! Isso não lhes é exigido, como é na NBA, por exemplo.

Então meus caros alemães. Só tenho a agradecê-los. Eu, particularmente, posso fazer uma lista do que aprendi com vocês nesta partida e depois dela. Para resumir, aprendi que é o futebol honesto; tática e estrategicamente preparado quem ganha e, o mais importante, que VOCÊS ALEMÃES são infinitamente MAIS HUMILDES do que nós brasileiros. Em nenhum momento, durante a partida, se viu qualquer tipo de insinuação ou de iniciativa de se aproveitar da situação para fazer “gracinhas” (aqui chamamos de “firula”). E, depois da partida, mais lições de humildade. As falas dos JOGADORES DA ALEMANHA, basicamente, se resumiam em algo como:  “Todos estão tristes, nem nós achávamos que este placar seria possível... Sentimos muito pelo povo brasileiro.”


Assim, quero AGRADECÊ-LOS pela bela partida de futebol. E; sobretudo, pelas lições que deixaram... Se aprenderemos, não sei (não somos muito bons nisso!). Mas vocês deram, literalmente, o pontapé inicial. TORCEREI PELA ALEMANHA na final.Parabéns pela vitória na semi-final. Muito obrigada! (10/07/2014)




EXCLUSIVE ADDENDUM FOUR  TOURISTS: 

Dear tourist, I don't know. Don't know your country. But I know a little of the history of every nation; mainly of my people. So, before you leave my country, I want you to know a little more about the history of Brazilians. Not about the Brazilians you found in hotels; tours or in the stadiums. These are part of the minority of my people. When the World Cup Brazil finish and you're gone, the majority, in which I include myself, stay here. And, champions or World Cup not, to pay a debt that we didn't do!  This debt will be paid as usual pay: the trains and subways will be late and the crowd; We will continue using public transportation scrapped; the Arena of Manaus (so beautiful on TV) will be used with stocking (perhaps max) once a year, on the feast of Parintins; teachers and students of public schools will continue working and studying in terrible conditions; We will tackle congestion monsters; public health is still ...  Anyway, the MAKEUP WILL BE UNDONE and only we, Brazilians, we are here to see the REAL FACE of BRAZIL. Thank you for visiting Brazil and come back anytime. But, accepted my sugestion, come not just in time WORLD event with FIFA REQUIREMENTS, arrives by surprise, walk the outskirts ... And, truly, you will meet my people and will have stories to tell. (June 23, 2014)





ADENDO EXCLUSIVO PARA OS TURISTAS: 

Caro turista, não o conheço. Não conheço seu país. Mas sei um pouco da história de cada povo; principalmente do meu povo. Então, antes que você deixe meu país, quero que saiba uma pouco mais sobre a história dos brasileiros. Não sobre os brasileiros que você encontrou nos hotéis; passeios ou nos estádios. Estes fazem parte da minoria do meu povo. Quando a Copa do Brasil acabar e você se for, a  maioria, na qual me incluo, ficará  aqui. E, campeões ou não da Copa do Mundo, pagaremos uma dívida que não fizemos!  Esta dívida será paga como sempre pagamos: os trens e metrôs voltarão a atrasar e a lotar; continuaremos usando um transporte público sucateado; a Arena de Manaus (tão linda pela TV) será usada com lotação (talvez máxima) uma vez por ano, na Festa de Parintins; os professores e os estudantes das Escolas públicas continuarão trabalhando e estudando em péssimas condições; voltaremos a enfrentar congestionamentos monstros; a saúde pública ainda estará em processo de degradação... Enfim, a MAQUIAGEM SERÁ DESFEITA e apenas nós, os brasileiros, estaremos aqui para VER A VERDADEIRA FACE DO BRASIL. Muito obrigada por visitar o Brasil e volte sempre que quiser... Mas, aceite minha sugestão, não venha apenas em época de EVENTO MUNDIAL COM EXIGÊNCIAS FIFA, chegue de surpresa, caminhe pelas periferias... E, verdadeiramente, conhecerá meu povo e terá histórias para contar. (23 de Junho de 2014).

(ARTIGO ORIGINAL)


Quem me conhece sabe o quanto sempre gostei de FUTEBOL. Lembro-me que no dia em que acompanhei pela TV a “escolha” do Brasil como país sede da Copa 2014, comemorei muito com minha mãezinha. Não sabíamos o que estava por vir...

Falo de um país onde, inegavelmente, o povo precisa de ALEGRIA e todo aquele blablablá de sempre. Fico feliz quando meu time ganha; quando a seleção brasileira joga bem e quando o BRASIL VAI BEM. Porém, como EDUCADORA e; sobretudo, como CIDADÃ – que utiliza SERVIÇOS PÚBLICOS – não posso fazer vistas grossas para o que está “além” da Copa... Para o “resto”. Para os tantos anos de abandono que antecederam o evento ( e isso é muito estranho...).

A questão não é a Copa ser aqui. Ótimo! Para quem? Não sei! Saberemos depois. Porque, por ora, não sei quem está, de fato, lucrando com isso. Por exemplo, nas construções dos estádios “magníficos”, pelo que sei os operários não ganham acima da média salarial só porque se trata de uma arena para a Copa... A propósito, na inauguração de uma delas, houve UM MINUTO DE SILÊNCIO, mas não foi pelos operários que morreram durante a construção...

Outra coisa que me entristece nisso tudo é a “MAQUIAGEM”. Já que a Copa é aqui, permita que vejam o Brasil como ele é. Talvez as autoridades se envergonhem da NOSSA VERDADEIRA CARA? E daí? Não sentem vergonha pelos doentes deitados no chão frio dos hospitais públicos; da falta de mobilidade urbana; das escolas públicas caindo aos pedaços; da fome que persiste logo ali? E não venha me dizer que isso é exagerar porque EU VEJO isso E VOCÊ TAMBÉM VÊ. Todos, de alguma forma, têm acesso aos dados. Agora, fingir que está tudo bem é um direito que assiste a qualquer “pessoa”...


“(...) O governo brasileiro deu números do investimento feito na Copa do Mundo de 2014, que começa dentro de 30 dias. Segundo o balanço oficial, foram 25,6 bilhões de reais gastos em obras para o torneio, entre obras de estádios e infraestrutura. Deste valor, 83,6% saíram dos cofres públicos, sendo que apenas 4,2 milhões de reais são da iniciativa privada. (...)” (In. http://placar.abril.com.br/materia/governo-divulga-gastos-com-a-copa-do-mundo-25-6-milhoes-de-reais - acesso em 21/05/2014)


As reformas e as construções de estádios eram necessárias? Sim. Mas, de onde, de repente, BROTOU TANTO DINHEIRO? Dinheiro este que, antes do Brasil sediar a Copa, supostamente, NÃO EXISTIA: professores sem salários dignos; crianças sem merenda decente; “Minha casa, minha vida” (pra quem? Há tantos “sem tento”!); construções de hospitais públicos (me mostre um construído no último ano); UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) sem médicos suficientes – isso porque supõe-se que sejamos PRONTAMENTE ATENDIDOS; o baixo nível do Sistema Cantareira... “E agora Josés e Marias”?

A questão é: Por que nada foi feito ANTES? Se “apareceu” dinheiro para a Copa, este dinheiro já existia em algum “lugar” (Em Nárnia? Em Zion? Em Hogwarts School talvez?) 

No Brasil, nada é PREVENTIVO; tudo é PUNITIVO! E, quem são os punidos? Nós, reles mortais. Espera-se um reservatório secar para iniciar um processo de conscientização; tarde demais! Espera-se a inundação levar “tudo” que o caboclo conseguiu juntar a duras penas para tentar amenizar a situação; tarde demais! Espera-se que morram centenas de pacientes em hospitais públicos para prometer novas unidades; tarde demais! MEU PAI MORREU EM UM HOSPITAL PÚBLICO; cedo demais!


Gostaria muito de ver e de falar apenas sobre coisas boas. Não consigo. Desta vez, o sentimento é diferente. Era pra ser melhor, justamente por ser aqui no Brasil. Mas é algo difícil de descrever: uma mescla de ansiedade, medo, desejo que sejamos felizes (ainda que de modo fantasioso) por alguns minutos, durante os jogos...


REAFIRMO, NÃO SOU CONTRA A COPA. Ao contrário. Sou contra um evento mundial maquiado, no qual a Chefe de Estado “decidiu” não se pronunciar por medo de passar vergonha (vergonha? Não falamos disso antes?)... Deve ser a primeira vez na história das Copas... (preciso pesquisar). Lembro-me bem da Copa de 2010, na África do Sul. Onde Mandela, após 27 anos de prisão, foi eleito presidente do país e pode não apenas discursar na abertura; mas dançar junto ao seu povo e junto a todas as nações participantes para o MUNDO VER! Lembro-me também que a um mês da Copa nosso país estava verde e amarelo. Na minha casa e com meus alunos: ânimo total! Agora, faltando exatos DOZE DIAS  para o início, quase não se vê ruas pintadas; bandeirinhas (que, aliás, brasileiro só “usa” na copa!). Sensação estranha esta: deveria estar mais  feliz desta vez, justamente por ser no NOSSO PAÍS!


Sou contra um evento que, além do custo financeiro, tem custos irrecuperáveis: vidas; traumas; “vandalismo” que é qualquer coisa, menos uma forma de protesto... E outras perdas que somente serão contabilizadas depois da Copa. Porque já foi dada a largada para isso. Isso não é pessimismo. É o que está aí para todos verem há dias da abertura.



Como educadora e como pessoa que não é capaz de calar e de deixar de expressar a indignação (não com a Copa em si,  mas com a forma como as “prioridades” são vistas e, em seguida, são ignoradas neste país), decidi saber as EXPECTATIVAS dos meus alunos do Ensino Médio (e suas também) sobre esse tema. As minhas... descrevi aqui. Desta maneira, após a Copa, poderemos “confrontá-las” com o que ouso chamar de “REALIDADE PÓS-COPA”; o que ganhamos e o que perdemos independentemente de o Brasil ser ou não campeão. Oxalá seja! Se o time e as autoridades merecem, não sei... NÓS MERECEMOS!

Enfim, não perderei um jogo. Nos dias em que a seleção brasileira jogar, torcerei muito pelo Brasil. Serão, no mínimo, NOVENTA MINUTOS de puro encantamento de minha parte, confesso. Durante estes minutos, esquecerei as mazelas e serei “apenas” mais uma torcedora. Mas, que fique bem claro, torço, mais e antes, POR NÓS: POVO BRASILEIRO que, sem eira nem beira, PADECE e CARECE há tempos de RESPEITO; de DIGNIDADE e de uma ALEGRIA capaz de durar MAIS DE NOVENTA MINUTOS.







segunda-feira, 28 de abril de 2014

FILME RECOMENDADO: “PRECIOSA – UMA HISTÓRIA DE ESPERANÇA” (título original: Precious: Based on the Novel 'Push' by Sapphire)

POR MARI MONTEIRO


O processo de desumanização e de “coisificação” do homem adquire um ritmo cada vez mais acelerado. Cientes disso, nós, educadores e, supostamente dotados de discernimento e portadores de uma vivência social e cultural considerável, NÃO PODEMOS FICAR ESTÁTICOS. Penso eu...  E, se existe algo em que não sou boa é “fazer cara de paisagem”. Respeito quem consegue e até concordo que seja uma espécie de proteção ou defesa. Mas, lamento. Sentimentos como imparcialidade e indiferença são “aptidões” que não consegui desenvolver. E, como nunca tive grandes problemas quanto a isso (nada que uma hora de choro e uma noite de sono não resolvam...), não tenho o mínimo interesse em aprender a ser indiferente. 

Diante disso, sempre que possível, tento trabalhar com a SENSIBILIZAÇÃO dos meus alunos. Não alimento a utopia de que  eu seja capaz de humanizar aqueles que já estão imersos no casulo da  indiferença. Mas este não é o caso deles... Eles AINDA ESTÃO CONSTRUINDO O PRÓPRIO PERFIL. Daí meu empenho em desenvolver atividades que possam agregar mais valores à Literatura e à Língua Portuguesa. Logo, as interpretações, escritas espontâneas e redações, por exemplo, geralmente são fundamentadas em alguma FORMA DE ARTE como: cinema, música, imagens etc. 

Neste caso, optei pela exibição do filme “PRECIOSA”. Cuja sinopse é a seguinte: 1987, Nova York, bairro do Harlem. Claireece "Preciosa" Jones (Gabourey Sidibe) é uma adolescente de 16 anos que sofre uma série de privações durante sua juventude. Violentada pelo pai (Rodney Jackson) e abusada pela mãe (Mo'Nique), ela cresce irritada e sem qualquer tipo de amor. O fato de ser pobre e gorda também não a ajuda nem um pouco. Além disto, Preciosa tem um filho apelidado de "Mongo", por ser portador de síndrome de Down, que está sob os cuidados da avó. Quando engravida pela segunda vez, Preciosa é suspensa da escola. A Sra. Lichtenstein (Nealla Gordon) consegue para ela uma escola alternativa, que possa ajudá-la a melhor lidar com sua vida. Lá Preciosa encontra um meio de fugir de sua existência traumática, se refugiando em sua imaginação. (in. adorocinema.com/filmes/filme-132242 - acesso em 15/04/2014) 
Na justificativa constante do plano de aula, fica evidente o motivo da minha escolha e a relação entre o filme e a necessidade de HUMANIZAÇÃO. Diante dos crescentes conflitos ocorridos no ambiente escolar, de um modo geral, fruto – na maioria dos casos – de conflitos externos (no meio familiar e social) preexistentes, torna-se interessante e oportuno abordar a temática junto aos alunos do Ensino Médio. A proximidade da faixa etária entre eles e a protagonista, tende a facilitar o entendimento e a interpretação por parte dos alunos. 

Além disso, o enredo impactante consiste num excelente texto-base. A relevância do tema deve-se, ainda, à iminente necessidade, para os profissionais que lidam com a educação e/ou com a psicologia, de conhecer os fatores relacionados à forma como se constitui a dinâmica familiar em um contexto doentio, para o qual a sociedade e as instituições de ensino sempre preferem fechar os olhos. Neste sentido, o enredo do filme ajuda a compreender como a história de vida, o contexto social e familiar são importantes na estruturação da personalidade.

O referido filme foi muito aclamado e recebeu diversos prêmios. Teve seis indicações para o Oscar e a atriz Mo'Nique, que interpretou a mãe de Preciosa ganhou o Oscar de Melhor atriz coadjuvante; o filme ganhou o Oscar de melhor filme e de melhor roteiro  e Lee Daniels ficou com o Oscar de melhor diretor.

Enfim, num mundo no qual há cada vez mais máquinas e cada vez mais pessoas conectadas (e até dependentes delas), é imprescindível BUSCAR O EQUILÍBRIO. Ou seja, as máquinas devem estar a nosso serviço e não o contrário. A geração digital precisa entender que MÁQUINA ALGUMA PREENCHE O VAZIO INTERIOR.  Além disso, máquinas não abraçam; máquinas não trocam olhares; máquinas não choram; não sentem saudades... Um “oi” no chat; um post animador ou romântico... Não passam de paliativos que, a médio ou longo prazo, não basta, porque NADA SUBSTITUI O CONTATO E O AFETO HUMANO.


Nos próximos dias serão postadas as RESENHAS CRÍTICAS elaboradas pelos meus alunos do Ensino Médio sobre o filme. São surpreendentes. A maturidade deles me surpreendeu! Estou muito feliz com o resultado!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

CAPITU E A MULHER ATUAL: UMA ANÁLISE FEITA PELOS ALUNOS DO 2º ANO MÉDIO

POR MARI MONTEIRO


A ideia de estabelecer uma analogia entre a personagem Capitu, uma mulher do século XIX e a mulher do século XXI, se deve a longas conversas travadas durante as aulas de Literatura Brasileira nas quais os alunos do Segundo Ano Médio estudaram a obra Dom Casmurro. 


Durante as conversas, inevitável e felizmente, veio à baila a questão comportamental da mulher do século XIX em relação à mulher atual, contemplando, inclusive o perfil psicológico, físico e a questão da sensualidade em épocas separadas por quase dois séculos. Conforme as discussões se aprofundaram, os alunos tiveram a brilhante ideia de elaborar um texto, estabelecendo uma analogia entre os dois perfis e ilustrando com letras de músicas que fazem algum tipo de alusão depreciativa à mulher. Em meio às aulas, os textos emergiram. Semana de provas e correria. Entre uma atividade e outra, alguém aparecia com uma letra ou trechos de músicas. Chegamos até ver alguns vídeos. O que não é recomendável...




Impressionante perceber o DISCERNIMENTO dos alunos quanto ao papel da mulher no século XXI. Muitos deles entenderam perfeitamente a diferença entre sedução (aquela em que um olhar sutil prende a atenção) e a erotização (situação sem qualquer mistério, pois não há o que ver, está tudo à mostra).  Apenas por esta constatação já teria valido a pena realizar este trabalho. 



Contudo, os alunos foram além. Houve um envolvimento verdadeiro.  Na escrita, muita coisa se perdeu. Mas é preciso registrar que, no dia a dia, os relatos dos alunos demonstraram muito entendimento sobre o tema. Alguns chegaram a estudar mais profundamente (além do conteúdo da apostila) a obra e, mais especificamente, a personagem Capitu. O que fez com que, na oralidade, o trabalho ficasse mais rico do que na escrita.
 


De qualquer forma, embora a mulher tenha – de um modo geral – causado sua própria desvalorização; nem todas as mulheres são iguais. Os alunos são enfáticos em afirmar que não há graça e nem valor em “conquistar” a maioria das mulheres hoje em dia, porque elas estão muito disponíveis e “facinhas”. 



CAPA DO LIVRO IDEALIZADA PELOS ALUNOS DO 2º ANO MÉDIO
Assim sendo, foi elaborada uma coletânea de textos que deu origem a um livro livro. Neste artigo encontram-se apenas alguns fragmentos de textos, seguidos de alguns versos de letras de música; mas que, nem por isso, deixarão de suscitar no leitor uma reflexão necessária sobre o atual papel da mulher na sociedade. Pois trazem consigo uma grande carga de valores atribuídos (ou não) à mulher e que esta, por sua vez, pode escolher entre ser sensual e atraente sem ser vulgar ou deixar se manipular pela mídia e tornar-se um mero objeto de consumo, a propósito tão  “homenageado” e propagado nas letras de funk. (SEGUEM ALGUNS FRAGMENTOS DOS TEXTOS PRODUZIDOS). 

Parabéns a todos!Mari Monteiro (Outono de 2014)  


                         De Capitu mulher Atual


“Capitu é representada, na obra de Machado de Assis, como uma mulher destemida, que sabia o que queria, era ousada, esperta, dissimulada, que persuadia as pessoas. Entretanto, percebe- se ser uma mulher gentil e doce. Diferente das apresentadas nas letras de funk, por exemplo. (...)”

"(...) charmosa, chique, elegante
Com teu colar puro diamante
A pele saudável com Victoria's Secret
Não depende de homem nenhum
Pra querer se mostrar, empinar o bumbum (...) ( Mc Guimê – Mina Sedução)

(Fábio Constantino)


Semelhança entre Capitu e a mulher atual

“As mulheres de hoje estão querendo mostrar mais, sua beleza, seu corpo e suas qualidades. E muitas delas estão mais se desvalorizando pelas roupas vulgares e destruindo sua imagem na sociedade (...)”.

“(...) Bandida,
Menina extrovertida,
De sainha curtinha,
Vem conhecer,
O bonde das casinha,
Baixada ou capital,
Elas tão super produzida, (...) (Mc Lon – Bandida).


(Jéssica Henriques)


Capitu x pirigas

Olhando a personagem de Capitu, ela faz o possível para instigar Bentinho com sua sensualidade, comportamento que para as mulheres daquela época era algo inaceitável, pois ela andava em panos curtos e se fazia de fácil para Bentinho , no fina,l acabou se tornando seu marido, mas fazendo uma comparação básica à personagem Capitu com a mulher atual se Capitu vivesse nos tempos de hoje ela seria a mulher mais recatada possível, pois a vulgaridade é o que está em maior evidencia hoje em dia, pois as mulheres acham que se oferecendo mais elas conquistam os homens mais facilmente, algumas mulheres acham que a palavra sensualidade tem o mesmo sentido da palavra sexualidade (...)”

“Deixa o livro de lado
O dia melhora
Sem namorado pra casa ela desce
Só quando a noite aparece
(...)
Pode deixar que ela vai
Escolher a noitada
Não é interesseira
Mas quer andar bem acompanhada

E quando passar
Chama atenção dos parça
Pega o Black Label
E joga o Chandon na taça (...)” (Mc Pikeno e Menor)


(Marcos Vínicius)


Capitu no século XXI

Existe uma grande diferença entre Capitu e as mulheres de hoje. A Capitu é o estilo de mulher que seduz, seja pelo olhar, jeito ou toque. Ela é do tipo misterioso que faz os homens caírem a seus pés para desvendá-la.

Já as mulheres de hoje, não seduzem. Elas induzem, se jogam em cima dos homens, não dando escolha. Elas são mulheres de uma noite só, não para uma vida. Elas mostram tudo o que tem, não deixando ar de mistério.
Penso que a mulher, nesta caminhada, perdeu muito o seu jeito de seduzir, elas querem status, atenção e acabam passando dos limites, principalmente, por dançar músicas em que os homens se ridicularizam perante a sociedade.


“As mina pira quando a gente chega na balada,
Fazendo rodinha com baldinho de cachaça (...)”
                             (Gusttavo Lima – As Mina Pira)

(Yasmim Jacó Cavalieri)


Capitu vs “Novinha”

Ao compararmos Capitu com algumas mulheres de hoje em dia, conseguimos perceber uma grande diferença, tanto de comportamento, arte de conquista e até mesmo no modo de se vestir.
No que se refere à arte da conquista, Capitu não precisava utilizar roupas curtas, decotes exagerados, ela utilizava o olhar como principal “arma”, como diz o livro, era conhecida pelos seus “olhos de ressaca”. Ela era uma mulher dissimulada, uma falsa inocente, ela queria olhar, mas, ao mesmo tempo, se escondia. Hoje, qual é o artifício que as mulheres usam para conquistar? Bundas e peitos de fora. Nos dias de hoje, as mulheres são vulgares demais, acham que para conquistar um homem precisam excitar o sexo masculino um desejo sexual usando roupas curtas, e muitas vezes o homem se aproveita da situação para passar apenas uma noite de prazer com a tal mulher e no outro dia “jogar fora”. Também vale ressaltar que nem todas as mulheres são assim e que ainda existem mulheres de valor e respeito nesse mundo.
Enfim, a questão é que as mulheres estão sendo desvalorizadas, devido ao comportamento hostil de umas e outras, que podemos chamar de “piriguetes”. Elas usam roupas extremamente curtas em locais públicos, simplesmente para chamar atenção dos homens a sua volta.

“Vai novinhas, vai novinhas, vai novinhas, vai novinhas
Sarrando e vem roçando(...)”
“(...)E vem sarrando e vem roçando... E vem sarrando e vem roçando(...)”
       (Os Havaianos)

(Guilherme Martins Andrade dos Santos)


Capitu e a mulher do séc XXI

Capitu é uma mulher, pobre, ambiciosa, interesseira, e curiosa. Ela era ambiciosa também na questão “amorosa”. Por essa ambição todos os homens a desejavam, e por sua beleza também. Afinal ela era linda.
Em nossa sociedade ocorrem as mesmas coisas com as mulheres. Elas acabam querendo atenção, seja ela por sua beleza ou interesse financeiro.
Os homens só as querem sendo bonitas ou não (pobres ou não). Hoje em dia os homens não respeitam as mulheres e elas também não se valorizam e isso acaba influenciando a decisão dos homens.

“(...) Que te peguei, barulhei, botei, soquei
Só falei a realidade depois que eu gozei
Que te peguei, barulhei, botei, soquei
Só falei a realidade quando tu me satisfez (...) ( Ela é aquela – Mc Guimê)

(Agatha Fernandes)


De Capitu à novinha do baile

“É muito comum vermos hoje em dia garotas que passam a maioria de seu tempo se dedicando a dançar em bailes funk, o que pode trazer benefícios e também fazer um grande mal para a vida dessas meninas, alguns benefícios são, por exemplo, ganhar dinheiro fazendo essas músicas sem se expor de tal maneira, uma cantora que se utiliza desse bem é a cantora Anitta, que consegue ter suas letras de funk sem se expor de maneira que possa ridicularizá-la, e o que possa fazer mal é expor o corpo de maneira completamente frustrante. (...)”

 “Me olha e deseja que eu veja
Mas já digo: "não vai rolar!"
Agora é tarde pra você querer me ganhar
Rebolo e te olho
Mas eu não quero mais ficar
Admito que acho graça em ver você babar
Vem, se deixa render
Vou como sereia naufragar você(...)” (Anitta – Menina Má)

(Henrique Morroni)


Capitu do baile

“Capitu era interesseira e oportunista assim como muitas mulheres de hoje. Para obter o que almejava se utilizava de seu corpo; porém não era vulgar como algumas mulheres da atualidade, ela era sensual e sutil, tinha consciência de seu valor. (...)”

"Olha ela de novo
Dança e rebola
Descendo até o chão
Parou o baile todo
Os meninos choram
É pura sensação (...)" (Mc Guimê – Olha Ela de Novo)

(Laísa Nascimento da Silva)


Capitu: a ousada

“Capitu era uma moça de família, mas que queria conquistar Bentinho. Ela não precisava usar roupas curtas, usava apenas o charme que fazia os homens “pirar”. Era só ela mexer nos cabelos, eles já estavam todos “em cima dela”; assim como eram os seus olhos.(...)”


“Eu vou para ousadia
Eu vou para cachorrada
Hoje eu quero trair
A minha namorada(...)”  (Leo Rodriguez – Hoje Eu Vou Trair )

(Gabriel Silva Mantelato)


De Capitu às “pouca roupa”

“Capitu era uma moça que conquistava os homens, com seu jeito de mulher, uma “jogadinha” de cabelo para os lados, com gestos aparentemente sutis que faziam os homens lhe desejarem.
Já as mulheres de hoje em dia, principalmente no Brasil, mudaram o jeito de seduzir, a mulher anda mostrando tudo o que tem. Desta forma não tem mais o desejo de ver o que a mulher possui sob da roupa, ela já está deixando praticamente à mostra, a famosa “pouca roupa”. (...)”



“(...) Piri,pipiri, pipiri, piri piradinha
Ela ta doidona, fora da casinha(...)”
Gabriel Valim – Piradinha



(Marcelo Tadeu Barbosa Reis)


Capitu Ostentação

“(...) Capitu tinha um modo de agir diferente, pois na sua época não podia fazer praticamente nada, tudo o que significava rude era proibido pelas pessoas que tinham demais poder sobre a sociedade. Capitu pode ser comparada essas garotas, não pelo modo de agir, mas sim pelo modo de pensar, se seus pensamentos pudessem vir a se realizar seriam atitudes parecidas com as das meninas“funkeiras”.(...)”



“(...)Hoje eu tô perigosa, hoje eu tô venenosa
E me bateu uma vontade louca de fazer
Nada de papo torto, eu sei jogar o jogo
Fica ligado que o meu alvo pode ser você (...)
Eu tô querendo um homem, cachorro eu tenho em casa
Vem, eu tô preparada pra te dominar (...)” (Anitta – Cachorro Eu Tenho Em Casa)



(Beatriz Morroni)


Capitu e as mulheres da nossa sociedade

Em tempos passados, as mulheres se preservavam mais do que hoje em dia. Antigamente, as mulheres não tiram seus direitos. E, mesmo assim, elas eram românticas. No caso de Capitu, ela era uma moça pobre, e pretendia se casar algum dia. Capitu era uma mulher simples e muito determinada.
Hoje em dia, as mulheres não se preservam como antigamente, mas ainda existem muitas mulheres e meninas que se preservam. (...)  muitos homens estão desprezando as mulheres. O pior é que muitas mulheres aprovam o que os homens estão fazendo. (...)”

“(...) Cheguei aqui no baile
Escutei um palco maravilhoso
Sabe o que eu descobri?(...)”

(4x) “(...) As magrinhas que faz gostoso
As magrinhas que faz gostoso
Faz gostoso, gostosinho
Faz gostoso, gostosinho.” (Os Havaianos – As Magrinhas Que Faz Gostoso)

(Nicolas M. O. Alves)

As “funkeiras” e as “comportadas”

Há varios tipos de mulheres, hoje irei comparar dois, as “funkeiras” e as “comportadas”, irei falar de suas diferença, dar exemplos de musica que elas provavelmente escutam . Aquelas que podemos intitular como “funkeiras” usam muitas vezes shorts extremamente curtos, as vezes usam mini saias, um tomara que caia, (que por mim pode ficar la mesmo), de muitas cores chamativas segundo elas isso é o que se esta na “moda” ultimamente. Se eu tivesse um tipo de comercio que seria necessário um contato com o meu cliente, certamente não contrataria esse tipo de mulheres para o emprego .
Já as mulheres que como Capitu que é uma personagem do livro Dom Casmurro de Machado de Assis um dos maiores autores brasileiros, tem o seu valor na sociedade podemos definir ela com um trecho do livro que a descreve : "criatura de 14 anos, alta, forte e cheia, apertada em um vestido de chita, meio desbotado. Os cabelos grossos, feitos em duas tranças, com as pontas atadas uma à outra, à moda do tempo,... morena, olhos claros e grandes, nariz reto e comprido, tinha a boca fina e o queixo largo... calçava sapatos de duraque, rasos e velhos, a que ela mesma dera alguns pontos". (...)”

“Essa que o magrinho fez vai pra todas as novinhas
Senta ni mim, xerecão, C.....!
Quica ni quica mim, xerequinha
Senta ni mim, xerecão, quica ni mim, xerequinha
Senta ni mim, xerecão
Quica ni quica mim, xerequinha
REFRÃO (...)”

(Fernando Silveira) 

COMENTE!