Translate

EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

EX - PSEUDOAMORES - VERSÃO DIÁRIO DE SETE DIAS - DIA CINCO

POR MARI MONTEIRO




QUINTO DIA

Tomara

Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...
Vinicius de Moraes
Hoje confesso que o sentimento que predominou em mim foi saudade.  Até mesmo “Saudades de tudo que eu ainda não vi.” (R. Russo). Deve ter sido porque sonhei com meu pai. Foi mais uma lembrança “revivida” do que um sonho.  Pode isso? Sonhei com o dia em que ele, não muito sóbrio como sempre, cismou de andar comigo e com umas colegas pela rua. E acho que eu quis pegar uma flor no muro de uma casa e não alcancei. Foi então que ele, se achando com superpoderes, subiu no muro, pegou a flor e se estatelou no chão... Acho que eu teria achado muita graça nesta cena, se ele não estivesse bêbado. Porque ouvi alguém dizer: “Caiu de bêbado!”



Mas, o que ficou daquele dia e do sonho de hoje foi olhar para flor na minha mão e sorrir. Lembro-me da textura e da cor. Era um hibisco, uma flor comum na vila, numa época em que quase todo mundo tinha um pé de hibisco no quintal, porque ainda havia quintais.



Impressionante como nossa memória guarda coisas tão antigas. É realmente como diz Rubem Alves: “O que a memória ama, fica eterno.” Uma coisa que tenho de muito bom (ao menos, sob meu ponto de vista), é que minha memória se lembra de todas as coisas boas, por mínimas que tenham sido. Quanto às coisas ruins, ela não imprime profundamente... Da maioria já me esqueci. No entanto, algumas delas; poucas, mas profundas, doem... E muito. Algumas lembranças, quando vem à tona, trazem consigo uma intensidade tamanha que sinto o aroma do perfume que usava; a temperatura do meu corpo... Se eu sentia frio ou calor.



Enfim, a palavra que regeu meu dia foi SAUDADE. E saudade nunca é um sentimentos solitário. Ocorre sempre uma espécie de reação em cadeia; uma lembrança vai puxando a outra e, quando a gente se dá conta, já voltou décadas no tempo se lembrando de momentos bons... Únicos. Não canso de dizer: “A VIDA NÃO TEM REPLAY”. Daí minha vontade de fazer  como disse Vinicius de Moraes: " VIVER CADA SEGUNDO COMO NUNCA MAIS." Lembranças são recordações meio desfocadas do ocorrido que, se fica por muito tempo sem ser lembrado, vai desbotando, perdendo a cor, o brilho até que a gente não se lembre de mais nada...



(To be continued)

Mari Monteiro – 17/11/2014





domingo, 16 de novembro de 2014

EX - PSEUDOAMORES - VERSÃO DIÁRIO DE SETE DIAS - DIA QUATRO

POR MARI MONTEIRO

QUARTO DIA


Hoje, de tão atarefada, quase me  esqueci do diário... Como passei à tarde trabalhando no computador e ouvindo Legião Urbana. Pensei muito sobre algumas letras. Uma delas é “A DANÇA!”

“Não sei o que é direito
Só vejo preconceito
E a sua roupa nova
É só uma roupa nova
Você não tem idéias
Pra acompanhar a moda
Tratando as meninas
Como se fossem lixo
Ou então espécie rara
Só a você pertence
Ou então espécie rara
Que você não respeita
Ou então espécie rara
Que é só um objeto
Pra usar e jogar fora
Depois de ter prazer. (...)

Link: http://www.vagalume.com.br/legiao-urbana/a-danca.html#ixzz3JGOFfmFn

Em especial esta primeira parte da letra me fez lembrar a existência de PESSOAS FÚTEIS. Aquelas que superestimam os bens materiais, acreditando que neles reside todo o valor; aquelas que praticam uma  completa INVERSÃO DE VALORES: trocam os bens materiais pelos sentimentos. 
Mas, logo, me acalmo. Porque, sei de muitas histórias em que este tipo de pessoa apostou tudo nos bens materiais, tratando a todos “como se fossem lixo”, e hoje vagam solitárias pela vida.  Aos olhos da sociedade, são abastadas; pois, vagam pelas ruas com seus carros do ano e com suas sacolas de lojas de grifes e, nas baladas, estão sempre acompanhadas; afinal, quem não quer beber e comer de graça, se divertir “na faixa”. Contudo, o final de todo mundo que age de forma interesseira (não confundir com interessada ou interessante srsrsrs) é a solidão, Pois, quando fecha a porta de seu luxuoso quarto, está só! Literalmente só, (mesmo que tenha alguém ali, será só de corpo presente)...  Enfim, não existem conversas demoradas; outros braços para aconchegar-se... 


Ter dinheiro é bom? Sim! Bens materiais luxuosos? Também! Mas é preciso ser muito GENTE BOA para que tais coisas não se tornem uma espécie de cabresto. E, de mais a mais, as pessoas que conheço e que tem mesmo muito dinheiro, são SIMPLES. E; justamente por serem simples, aprenderam que o que vale é o AFETO; a SAÚDE; o COMPANHEIRISMO... 
Sabe o que é mesmo muito bom? De verdade? Você não ter nada de valioso em termos materiais e, ainda assim, ENCONTRAR AMORES PELA VIDA; amores verdadeiros sejam passionais, fraternais... Sem moeda de troca; mesmo porque eu NÃO TENHO NADA ALÉM DE MIM para oferecer. E é uma sensação sublime saber que, para AQUELES QUE TE MERECEM, isso basta!  E, pra finalizar, se dinheiro fosse realmente TUDO: nenhum rico padeceria de doença alguma ou sofreria por amor!



 (To be continued)

 Mari Monteiro – 16/11/14

sábado, 15 de novembro de 2014

EX - PSEUDOAMORES - VERSÃO DIÁRIO DE SETE DIAS - DIA TRÊS

POR MARI MONTEIRO

TERCEIRO DIA

Tenho falado muito sobre abraços nos últimos dias... Coincidência? Carência? Não sei. O que sei é que boa parte das pessoas, segundo um post colocado por mim no Facebook, também concordam que o abraço é mais que um gesto: É NECESSÁRIO! Sei lá, a correria tem nos afastado uns dos outros... Não sobra tempo pra “oi”, quanto mais para um abraço?”

Muitas ilustrações me lembram abraços. Mas, em especial, a letra da música “POR ONDE ANDEI”, de Nando Reis... Sobretudo, porque fala de uma AUSÊNCIA e de uma DÚVIDA, que somente “poderiam” ser solucionadas a partir da PRESENÇA, do ABRAÇO... “POIS A VIDA É MESMO MUITO FRÁGIL DIANTE DA ETERNIDADE DO AMOR DE QUEM SE AMA!”



Mais que um beijo, mais que muitas palavras; muitas vezes, um abraço  - literalmente – já me SALVOU de um surto;  já me acalmou; já aquietou a minha alma e já me fez amar alguém.
Mas, não falo de qualquer abraço. Nem do abraço de qualquer pessoa. Há pessoas que, simplesmente, NÃO SABEM ABRAÇAR. Sério. Abraçar certas pessoas é como abraçar um pedaço de madeira. Não há reações. Não há RETORNO.

Certa vez, fiz um workshop com o ator João Acaiabe (que foi por muitos anos o Tio Barnabé) do Sítio do Pica - Pau Amarelo sobre “ABRAÇOS”. No final, quando ele abraçou cada participante, me disse: “Você entendeu direitinho oi curso moça!”. Eu respondi: “Este abraço que lhe dei, já nasci sabendo.” Sorrimos um pro outro e voltei pro meu lugar.



Fato é que abraço, pra mim, é SINÔNIMO DE ENTREGA. Eu me permito abarcar. Envolvo-me. Demoro-me... Deixo que me soltem e não me desvencilho antes da hora, revelando pressa. Isso em todos os tipos de abraços fraternais. Quando se trata do abraço relacionado ao ”amor passional”, aí sim, a entrega é mais profunda e mais INTENSA. Acredito até que este gesto seja um termômetro da relação a dois. Um sente o outro...


Enfim, independentemente da situação, acredito mesmo que o abraço é algo TERAPÊUTICO. Isso porque, durante os poucos segundos que duram um abraço de entrega, as dores passam, nenhum problema nos vem à cabeça; nada de mal fica entre duas pessoas que se abraçam. Portanto, se me perguntarem hoje do que tenho sentido mais falta, direi: DE ABRAÇOS. Muito embora, nos últimos dias, tenha recebido abraços sinceros e muito bons de meus alunos e colegas de trabalho e, em especial hoje, de algumas pessoas que não via há tempos. E isso amenizou um pouco esta falta... Mas, sempre estarei querendo MAIS!


Abraços fraternos, sinceros e demorados a todos.

(To be continued)


Mari Monteiro 15/11/14

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

EX - PSEUDOAMORES - VERSÃO DIÁRIO DE SETE DIAS - DIA DOIS

POR MARI MONTEIRO

SEGUNDO DIA:

INTERESSANTE: MÚSICA E LITERATURA - “Amor I Love You” é um single da cantora brasileira Marisa Monte, que faz parte do terceiro álbum de estúdio, Memórias, Crônicas e Declarações de Amor. A canção foi lançada como primeiro e único single do álbum, no início de 2000, e sendo, em geral, bem recebida pela crítica, chegando à primeira posição no Brasil, após nove anos sem chegar ao topo da parada é foi a música mais tocada de 2000. “Amor I Love You” foi composta em parceria com Carlinhos Brown, a parte recitada por Arnaldo Antunes é um trecho do livro O Primo Basílio de Eça de Queirós. (In. http://www.lastfm.com.br/music/Marisa+Monte/_/Amor+I+Love+You – acesso em 14/11/14)




“Deixa eu dizer que te amo
Deixa eu pensar em você.

Isso me acalma
Me acolhe a alma
Isso me ajuda a viver. (...)” (Marisa monte e Carlinhos Brown)

- Toques.- Árvores.- Retratos antigos.- Olhares.- Poesia.- A voz inigualável de Arnaldo Antunes... 


Todos estes elementos juntos, criam o ambiente propício para acolher meus pensamentos sobre o amor. Hoje, já vou dizendo, não estou boa para comentários otimistas. Em nada me agrada a solidão. Enfim...


Ainda  pensando sobre o AMOR GENUÍNO, me lembrei do quanto ele faz bem... Por outro lado, me lembrei também que conheço pessoas que NÃO SE PERMITEM ser amadas. Pessoas que, por mais que a gente queira amá-las, uma barreira já foi construída – consciente ou inconscientemente – feito uma redoma, impedindo que os sentimentos fluam.



Em situações como esta, as demonstrações de afeto são mais superficiais, raras e frias. Particularmente, acredito na força das palavras. O chavão: “Eu não digo que amo, eu o demonstro através de atitudes!” não me convence. Por que não podem ser as duas coisas? PALAVRA – AÇÃO! Se uma contradisser a outra, não é amor. Ponto! Mas, eu, Mari, preciso OUVIR e SENTIR. E preciso também dizer; pensar na pessoa e; sobretudo, acreditar na RECIPROCIDADE e, parafraseando o poema, “SENTIR UM ACRÉSCIMO DE ESTIMA POR MIM MESMA.”

(to be contihued)

Mari Monteiro - 14/11/14



quinta-feira, 13 de novembro de 2014

EX - PSEUDOAMORES - VERSÃO DIÁRIO DE SETE DIAS - DIA UM

Amor romântico e amor genuíno | Jetsunma Tenzin Palmo on romantic love

D

PRIMEIRO DIA:

E, por falar em AMOR VERDADEIRO...aprendi muito assistindo a este vídeo. Sei que não é nada fácil seguir as orientações. Somos seres materialistas e o DESAPEGO é um aprendizado que exige muita elevação espiritual; muita segurança e confiança. Mas, me pergunto: "QUE RELACIONAMENTO SAUDÁVEL NÃO EXIGIRIA ISSO TUDO?"





(To be continued...)

Mari Monteiro / 13/11/201

domingo, 19 de outubro de 2014

“EX - PSEUDOAMORES” ( "EX LIES LOVE")

POR MARI MONTEIRO



ALGUMAS CONSIDERAÇÕES: Este artigo, além de ter sido um dos mais difíceis de concluir, considero o trabalho de REDAÇÃO MAIS SIGNIFICATIVO que realizei, pois o mesmo faz parte de um trabalho sobre DISSERTAÇÃO ARGUMENTATIVA realizado com os alunos do Ensino Médio, cujos textos base giram em torno da temática da existência do amor verdadeiro. Ao revisá-lo foi inevitável não me lembrar do livro: "AS CINCO PESSOAS QUE VOCÊ ENCONTRA NO CÉU" (que virou um filme, recomendo.) Além disso, dedico este artigo AS QUATRO PESSOAS QUE ENCONTREI NA TERRA: Maurílio da Cunha Monteiro (meu pai, in memoriam); Edson Kemmer (meu namorado); Michele Robbles Zanini (minha amiga) e Victor Eduardo Marques (meu aluno). Muito obrigada; não precisamos esperar para nos encontrar no céu... (rs) 

Optei por iniciar este artigo com genuínas expressões de AMOR.  Sobretudo, porque – depois de tudo – ficará muito evidente que NÃO deixei de amar, apenas mudei meu JEITO DE AMAR.


Jobim, com sua licença: “EU SEI QUE VOU TE AMAR...”

"Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar.
E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida"


Assim como esta DECLARAÇÃO DE AMOR de Jobim, há outra de Fernando Anitelli que considero igualmente profunda: “SÓ ENQUANTO EU RESPIRAR, VOU ME LEMBRAR DE VOCÊ.”

Sempre soube que o AMOR existia.  Mas, agora, sei que ele existe e que não é exatamente como pensava que fosse. Há coisas que nos acontecem e tem o poder de revirar tudo que sentimos de forma intensa e radical. No meu caso, foram quatro pessoas e uma “situação indireta”. Isso tudo constituiu ma experiência tão intensa ao ponto de eu querer passar a fazer algo que NUNCA fiz ou deixar de fazer algo que SEMPRE fiz. Se bem que, de algum modo, sabia que faltava pouco... Muito pouco para eu mudar um hábito. Aos acontecimentos que me conduziram à mudança de PENSAMENTO e de ATITUDE, não chamarei de “lições” (não simpatizo com esta palavra). Chamarei de “SINAIS”, no sentido de alerta, de orientação, de ensinamento... Também não farei rodeios, os sinais, apesar de obedecer a uma ordem cronológica quanto à narrativa, cada um deles é carregado de uma IMPORTÂNCIA ÚNICA no meu aprendizado.

Comecemos...


   ►PRIMEIRO SINAL (minha vida inteira...):

Este fato foi um “divisor de águas”. Dizer “eu te amo” nunca foi algo que me incomodasse. Ao contrário, bastava gostar um pouco mais de alguém e lá estava o “eu te amo”. Quando senti a NECESSIDADE DE DIZER “eu te amo” para alguém que era REALMENTE IMPORTANTE PARA MIM e - ao mesmo tempo – muito frio e DISTANTE, percebi o quanto isso seria difícil. Eu já tinha mais ou menos uns 30 anos e NUNCA havia dito “eu te amo” ao meu próprio pai.  A certeza desse amor e a distância que sempre nos foi imposta, por CIRCUNSTÂNCIAS NADA AGRADÁVEIS, consistia em barreiras que, por mais que tentasse, não conseguia transpor. As tentativas eram sempre frustrantes. No momento do encontro ou da despedida: um abraço “frouxo” e um “tchau” sempre seco viraram hábito. UM HÁBITO DETESTÁVEL. Isso me incomodava cada vez mais. Numa noite, aproveitei que estava sozinha e liguei pra ele.  Ao final da conversa trivial, num ímpeto de alguém que não poderia mais esperar, eu disse: “PAI, EU TE AMO VIU?” 

(...) Do outro lado da linha: SILÊNCIO ABSOLUTO. 

(...) “Pai?” - perguntei.  Ouvi apenas: “Oi fia. Fica com Deus.” (SIC) Foi um dos momentos MAIS DIFÍCEIS DA MINHA VIDA. Meu estômago doía. E doía porque era como se alguém tivesse ENFIADO O BRAÇO INTEIRO PELA MINHA GARGANTA PARA ARRANCAR O “EU TE AMO”. Chorei muito. Chorei pela dor. Chorei pelo silêncio e; depois, chorei de alívio: consegui dizer. 


TENSÃO: como seria quando nos encontrássemos pessoalmente? Árduo percurso. Nos primeiros encontros, ao dizer ao meu “eu te amo”, ele respondia “OBRIGADO”. Não sei o que passava pela sua cabeça. Eu não estava lhe fazendo nenhum favor. Passei anos repetindo os mesmos gestos e ouvindo a mesma palavra: “Obrigado.”. Anos depois, do “obrigado”, avançamos para o “EU TAMBÉM!”. O que me soava como “saúde” diante de um espirro! Devo dizer que aprendi a me contentar com o “EU TAMBÉM” como resposta. E, mais, tinha muito medo de não ouvir mais isso. E assim foi até a data do nosso ÚLTIMO ENCONTRO em sua casa; quando, na hora de me despedir, o abracei e disse: “EU TE AMO PAI.” E ele, finalmente, com uma voz calma disse: “EU TAMBÉM TE AMO FILHA!”. Foi o abraço mais demorado de nossas vidas. Chorei.  Desta vez, de CONTENTAMENTO. Uma semana depois, ELE SE FOI. 


 ► SEGUNDO SINAL (meados de 2012):

Já havia começado a pensar mais profundamente no significado da expressão "eu te amo" no dia em que senti que amava meu namorado EDSON KEMMER. Ao tomar coragem para me declarar, alguns meses depois de estarmos juntos... Li a seguinte e INESQUECÍVEL resposta (por sms): “Que coisa boa de saber. Espero em breve poder retribuir...”. MEU DEUS! COMO ASSIM?! (rsrrsrs). Claro que esperava um: “também te amo!”. Afinal, este era, até então, meu melhor parâmetro... Herdado do meu paizinho.  Pensei dias sobre isso e entendi perfeitamente o quanto aquela resposta havia sido HONESTA e; por isso, SUBLIME. Não me frustrei ou me aborreci. Aprendi. Entendi que o amor não “chega” de repente. Ele é “construído” conforme o ritmo de cada um. Entendi que NÃO SE AMA DE UM DIA PARA O OUTRO; DE UMA SEMANA PARA O OUTRA... DE UM MÊS PARA O OUTRO... O amor para ser dito e “redito” precisa de tempo, o tempo dele...   


Edson me ensinou algo ainda mais importante: O AMOR NÃO É UM SENTIMENTO ABSTRATO como me ensinaram na escola.  O amor é VISTO e SENTIDO. Edson não me diz muito do seu amor por mim; mas, ELE O DECLARA COM ATITUDES; com RESPOSTAS a necessidades sobre as quais nem lhe falei; com GENTILEZAS que talvez ele nem tenha se dado conta do quanto são inéditas para mim; COM SILÊNCIO, às vezes, é só disso que precisamos... Ouvir a respiração um do outro. “E o que houve com o amor à primeira vista?”... Neste, NUNCA acreditei.


 ► TERCEIRO SINAL (agosto, 2014):

Adoro conversar. Existem pessoas com as quais eu conversaria a noite toda... Outras, o trivial “Bom dia!” já é muito...  Dia destes, tive uma conversa com uma destas pessoas: minha amiga MICHELLE ROBLES ZANINI, cujo diálogo flui em consonância com os gestos e com os olhares; pessoas com um timbre de voz que não cansa, ao contrário, ele NOS ALCANÇA e prende a  atenção dos sentidos. Durante a conversa, surgiu a questão de chamar alguém de “AMOR”. Sob o ponto de vista de Michelle, chamar alguém de “amor’ é por demais ‘genérico”, qualquer um pode ser chamado de amor. A ex-namorada era “amor”; a anterior à ex também... E a próxima também será... De certa forma, é um prejuízo de IDENTIDADE. 
 

Desde o dia em que eu e Michelle conversamos – certamente, por se tratar de uma pessoa sensível e especial (o que pode parecer um paradoxo, mas não é rsrs) – a palavra “amor” já não flui mais tão facilmente como antes no meu dia a dia. Chamar alguém de “amor” passou a ser algo FORTE e PESADO DEMAIS pra mim. E,  caso escapasse, era como se cometesse uma blasfêmia e, dependendo da situação, deixava um gosto ruim n boca... E muitos “ruídos” a me perturbar: “QUEM É MEU AMOR?”; “QUEM SÃO MEUS AMORES?”; “AMO COISAS OU PESSOAS?”... Inclusive, pensei no famoso slogan “AMO MUITO TUDO ISSO.”... Quem é ou o que é “TUDO”? Quem ou o que é “ISSO”... NINGUÉM AMA TUDO E MUITO MENOS ALGO QUE POSSA SER CHAMADO DE “ISSO”. Como professora de Língua Portuguesa, percebo, agora, que  em muitos casos a palavra (ou o "chamamento") "amor" se transformou num vício de linguagem.



 
► QUARTO SINAL (início de Setembro, 2014):


 VICTOR EDUARDO MARQUES. Conheço Victor há três anos. É impressionante como a autêntica EXPRESSÃO de seus sentimentos me causa ADMIRAÇÃO. Ele é uma das pessoas que falou comigo e que me ensinou como se fosse meu pai. Ele me ensinou que amar é muito difícil e que AMOR NÃO É OBRIGAÇÃO, nem mesmo quando se trata de alguém muito próximo. 

Com uma propriedade de quem “viveu séculos”, me disse que para era amado é preciso MERECER; logo, só ama a quem mereça seu amor.  Seus argumentos sólidos; sua voz firme e seu olhar confiante me CONVENCERAM e COMOVERAM, me tornei sua cúmplice no que se refere às suas ideias e  ideais sobre  as relações entre “AMOR E MERECIMENTO.”



 ► QUINTO SINAL (meados de setembro, 2014):


(Perceberam como os fatos começaram a surgir amiúde?)

Apesar de saber que aquelas páginas “printadas” que chegaram às minhas mãos me causarão ASCO todas as vezes que delas me lembrar, devo agradecer de algum modo; pois elas me alertaram para outro aspecto relacionado ao amor:  O USO INDISCRIMINADO E MAL INTENCIONADO DA PALAVRA. O trecho da “conversa” que segue foi “printado” de uma página do WhatsApp . Não postei o “print” da página porque se trata de uma conversa entre um “ADULTO” (por falta de adjetivo censurável) e de uma menina de 10 anos de idade. Além disso, o plano de fundo da página identificaria a mãe da criança. A propósito, o trecho é mais um monólogo que um diálogo; pois, assim que a criança lê o primeiro palavrão, ela entrega o celular à mãe...


 “(...) – AMOR, vc tá sozinha?

- Meu AMOR, preciso tocar em você.

- Sabia que vc já é uma mulher meu AMOR? E que é muito Gostosa?

- Fico imaginando vc nua AMOR. Vc está gostando AMOR?

- Vou (.......) logo meu AMOR. E vc?

- Prometo que vc vai gostar AMOR.- Pode ser agora AMOR?”(sic)


 Recuso-me a transcrever mais que isso. Porém, posso garantir que as falas do adulto adquirem proporções BIZARRAS, NAUSEANTES... Os palavrões não têm limites. A certa altura, o adulto desconfiado do silêncio da menina pergunta: “Porque vc está tão quieta meu AMOR?” (sic). E a mãe da criança que, neste momento, já estava com o celular, responde apenas “Nossa!”, com o objetivo de “coletar” o máximo de “provas” possível. Não entrarei no mérito de um acriança de DEZ ANOS possuir um aparelho com tal recurso. Esta é outra discussão... Além disso, informo que a DENÚNCIA foi feita e os PROCEDIMENTOS LEGAIS já foram tomados.


 Obviamente, a questão da pedofilia caracterizada pelo “sexo virtual” (assédio moral) me impactou profundamente. Mesmo agora, dias depois, ao escrever sobre este assunto, sinto NOJO e REPULSA. Lembro-me exatamente do rosto do adulto (fake, claro, mas me lembro). Contudo, o emprego da palavra “AMOR” em TODAS AS FRASES (exatamente todas!), provocou em mim um “Tsunami de sensações”: Amor? Que Amor? Quem é o “amor” dele? O que é “amor” para ele? O que ele sabe sobre ela para chamá-la de “AMOR”? Que amor doentio é esse? Amor que VIOLENTA moral, emocional e sexualmente? AMOR QUE MANIPULA? Depois disso tudo; depois desse “embrulho providencial” que, literalmente, me fez vomitar ( no caso da situação descrita), raramente, escapa um “meu amor” indevido (agora sei!); mas, logo sei que terá sido a ultima vez. Porque, em menos de um segundo, arrependo-me de ter dito, engulo e vomito. 

Nunca mais direi, em vão, sobre o amor...  Creio que, caso eu tivesse procurado intencionalmente um exemplo para a BANALIZAÇÃO e para “O USO INDEVIDO” da palavra amor, não teria encontrado “exemplo” mais FORTE, REAL e IMPACTANTE. Estas “facetas do amor”, se é que posso chamá-las assim, para mim, INEXISTEM. Simplesmente não as considero “variações” do sentimento mais nobre do mundo... Não são fraternais e nem passionais. São IMUNDAS e INCONCEBÍVEIS.   

ADOECI POR ALGUNS DIAS (...). Foram dias nauseantes em que não conseguia comer... 


Posso assegurar que, se algum dia, lhe chamei de “amor”, não agi com má intenção; mas, provavelmente, depois de ler este artigo, você saberá se fui VERDADEIRA ou NÃO. Além disso, se eu não sou sua namorada; senão consto na lista de seus melhores amigos; não sou sua parenta (em certos casos, isso pode até ser vantajoso; pois tenho alguns parentes pelos quais NÃO TENHO O MENOR AFETO! Ao contrário, sinto por alguns deles o que Paulo Freire chamou de JUSTA IRA; ou seja, motivos não faltam...), muito provavelmente, o “eu te amo” que você ouviu não SIGNIFICA MAIS NADA PARA MIM. Na ocasião, pode ter sido, no máximo, um gesto de carinho. Pois, meiga sei que ainda sou. (rsrs). E isso não tem nada a ver com amor. 



Não sou capaz de definir “amor”; mas sei que é um sentimento que não pertence ao LUGAR COMUM.   Confesso, inclusive, que trabalhar a “DESBANALIZAÇÃO” do amor foi como ter de “cortar na carne” muitos hábitos. Conheço-me. Ou faço assim ou protelo... Então, mudei muito (ao ponto de sentir a falta do que fui, mas não tanto ao ponto de voltar a ser o que fui); mudei nas minhas atitudes; nos meus escritos; nas minhas falas... A palavra “AMOR” e a expressão “EU TE AMO” agora são ditas para POUCAS PESSOAS e em RARAS CIRCUNSTÂNCIAS.


Agora, sim, sei que amei menos do que achei que fosse e mais do que deveria. Amei poucos e agora amo menos pessoas ainda. Não amo “coisas”! Continuo romântica; mas uma romântica menos impulsiva; porque descobri que meu amor é por demais valioso... AS PESSOAS AMADAS POR MIM SABEM DISSO E, DEPOIS DESTE “ARTIGO-CONFISSÃO”, terão ainda mais CERTEZA disso; porque elas perceberão o quanto as palavras fluirão levemente... SERÃO PALAVRAS SEM EFEITOS ESPECIAIS; desacompanhadas da afetação que a falsidade e que a superficialidade exigem... Não tenho mais "ex - pseudoamores", apenas AMORES VERDADEIROS. 

Meu sentimento em relação ao amor não foi abalado. Modificado, sim.  Já não o  confundo mais com o afeto e com o ato de gostar. Gostar é fácil... Assim como, desgostar...  Amar é difícil; assim como é difícil “desamar”. Amor é SÓLIDO, mas não é passivo. Amor é SELETIVO, porque se torna raro e escasso a cada dia... Acredito até que chegará um tempo em que AMAR E SER AMADO será considerado um verdadeiro LUXO!


Portanto, se eu lhe chamar de “MEU AMOR” ou se lhe disser “EU TE AMO” – C – O – M – T – O – D – A – A – A – S – L – E – T – R – A – S, tenha certeza de que  estará recebendo o que  de mais valioso trago comigo.




RECOMENDO (para reforçar nossa crença no amor) um artigo baseado numa HISTÓRIA DE AMOR REAL:  

http://educandoquem.blogspot.com.br/2013/06/o-amor-nao-cura-e-nem-tem-cura.html



  

COMENTE!