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EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

EDUCAÇÃO E RESPONSABILIDADE SOCIAL: QUARTA CAMPANHA DE DOAÇÃO DE SANGUE DO COLÉGIO EM BUSCA DO SABER (EDUCATION AND SOCIAL RESPONSIBILITY: FOURTH CAMPAIGN COLLEGE OF BLOOD DONATION IN SEARCH OF THE KNOW)

POR MARI MONTEIRO



No último dia 02 de outubro, o Colégio Em Busca do Saber, localizado à Rua Vitório Veneto n° 952, Vila Vitória, Mauá e dirigido pela Sra. Marina Mastrangi  e coordenado pelas Professoras Ligia Procópio e Tania Castilho, realizou  a QUARTA CAMPANHA DE DOAÇÃO DE SANGUE.


Como moradora do bairro e; sobretudo, como educadora tive uma grata surpresa ao chegar ao Colégio para participar da Campanha. Literalmente, a escola – mais, a rua – BRILHAVA. Eram muitas, cores, pessoas, sorrisos, olhares e abraços que ACOLHIAM.



E foi exatamente assim que fui recebida: com muito carinho por toda a Equipe Pedagógica do Colégio; bem como, pela Equipe do Centro de Hemoterapia São Lucas. Enquanto aguardava os protocolos para a doação, olhava em volta como uma criança em um parque de diversões (coisas bem “Mari” mesmo, quem me conhece, sabe disso rsrsrs). Encantada! Isso porque imaginava que era primeira vez que o Colégio realizava este evento, imaginem agora que sei que foi a QUARTA!




Minha surpresa era tamanha que cheguei a comentar com várias pessoas na fila, o quanto eu considerava louvável tal ação. Isso porque sou professora há 20 anos, atuando tanto nas instâncias  privadas, municipais e  estadual  e  nunca havia me deparado com uma  AÇÃO SOCIAL TÃO SIGNIFICATIVA. Pensava comigo mesma: ”isso é um gesto de amor ao próximo, que educa mais que qualquer conteúdo! É ATITUDE. É EXEMPLO para os alunos e para a comunidade. Preciso divulgar de alguma forma.” E foi assim que tive a honra de publicar este artigo no meu blog.




Todo o processo de doação foi memorável, mas há um, em particular, que gostaria de compartilhar com todos. Dr. Valdir Camillo, sem dúvida, um dos profissionais da medicina mais humano que conheço, foi o médico responsável pela triagem dos doadores. Durante a entrevista para a aprovação do candidato à doação, sem a menor pressa, falava a cada um de nós, inclusive para mim, palavras dignas de serem compartilhadas. Tentarei aqui, humildemente, reproduzir o que ouvi:

- Bom dia!

- Bom dia doutor?

- Como vai? Está bem? (e fez as devidas perguntas de praxe constantes da ficha).

- Sou doadora há tempo pelo Centro de Hemoterapia São Lucas. Tanto que quando digitaram meu nome no computador, já apareceram todos os dados.
Ele segurou minha mão e, olhando fixamente nos meus olhos, disse:

- A senhora faz a diferença. A senhora tem filhos?

- Sim tenho.

- Qual a idade dele?

- 32 anos.

- Então a senhora vai fazer o seguinte; hoje, a senhora vai segurar a mão dele, olhar bem nos olhos deles, assim como estou fazendo agora, e vai lhe dizer: “Filho, hoje sua mãe contribui para que uma vida seja salva. Neste momento, é bem provável que um jovem da sua idade esteja podendo olhar a mãe dele, assim, nos olhos, graças à ação que pratiquei hoje.”


Jamais me esquecerei desta conversa. Também não esquecerei que Dr. Valdir Camillo diz isso, de maneiras diferentes e VERDADEIRAS a cada um dos doadores que passam pela sua sala.  É bem como dizem mesmo: “a boca fala sobre aquilo que o coração está cheio.”





Desejo que, através da publicação deste artigo, além de poder ter demonstrado minha imensa gratidão a todos os envolvidos neste evento realizado pelo Colégio Em Busca Do Saber, que esta INICIATIVA LOUVÁVEL seja amplamente valorizada e – por que não – realizada por outras Instituições de Ensino do Município, do Brasil e do Mundo.  Tenho certeza de que este evento aconteceu (pela quarta vez, diga-se), principalmente, porque pessoas SENSATAS E SENSÍVEIS que trabalham com educação (virtudes raras de ser encontradas juntas) dialogaram e decidiram que os eventuais obstáculos para a realização de um evento destes podem e devem ser superados em nome da SOLIDARIEDADE e da RESPONSABILIDADE SOCIAL!


Enfim, que este evento seja muito divulgado e lembrado até a QUINTA CAMPANHA que, certamente não tardará acontecer.  Apreciem alguns registros fotográficos.   Vejam as cores; a alegria e a DEVOÇÃO de TODOS!!!


► Mais uma vez, GRATIDÃO a TODOS e meu mais sincero RECONHECIMENTO!

































segunda-feira, 28 de setembro de 2015

REDAÇÃO ENEM 2015: O ATO DE ESCREVER: QUE MEDO É ESSE? (THE ACT OF WRITING: THAT FEAR IS THAT?)


POR MARI MONTEIRO 



Nós, docentes, sabemos o quanto está cada vez mais difícil conseguir fazer com que os alunos escrevam de modo espontâneo e de acordo com a NORMA CULTA DA ESCRITA.  A propósito, não se trata apenas de uma dificuldade inerente aos estudantes, muitos de nós, adultos, perdemos a HABILIDADE DE REDIGIR textos e de LER textos e livros que demandem um pouco mais de tempo e de atenção. Certamente, compreendo que isso é parte de um contexto imediatista, no qual prevalecem os TEXTOS IMAGÉTICOS e as frases com, no máximo, 140 caracteres do Twitter.

Outra evidência de que estamos perdendo o contato com a escrita e com a leitura são os números correspondentes aos likes que se obtém no facebook, por exemplo. Quando o post se limita a uma frase ou a uma imagem, perfeito e rápido; mas, quando se trata de um link que propõe a leitura de um artigo, perceba como poucos se interessam pela leitura.



Por trás dessa RESISTÊNCIA À LEITURA existem aspectos muito graves que nos conduzirão como disse José Saramago: a  um tempo em que grunhir bastará”. Perderemos nossa capacidade de expressão; teremos um vocabulário pífio. Em suma, ficaremos “sem assunto”. E nada mais desagradável do que duas ou mais pessoas se olhando sem saber o que dizer ou quando a conversa não flui. Faltará entendimento pelo menos de uma das partes.



A propósito, ao clicar no link abaixo, é possível perceber o quanto estamos aquém do alcance de um rendimento satisfatório no que tange aos resultados das correções das redações do ENEM:



http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estudante/especial_enem/2015/01/13/especial-enem-interna,466144/inep-revela-media-de-notas-dos-alunos-no-enem-2014.shtml




► Diante disso, é possível apontar uma série de outros fatores que contribuem para as dificuldades relacionadas à escrita:
- Escassez de leitura;
- Empobrecimento do vocabulário;
- Pressa: escrever exige reflexão e concentração;
- Preguiça;
- Falta do hábito de escrever empregando a norma culta (muitas abreviações);




► Por outro lado, há uma série de “procedimentos” que podemos adotar para escrever bem:

- Ler muitos bons livros;
- Participar de debates e argumentar sobre os mais diversos assuntos;*
- Assistam a bons documentários e telejornais;


- Manter o foco no tema da redação, lembrando que, geralmente, são usados dois ou mais “textos-base” para a elaboração do texto;

- Sempre utilize o rascunho;
- Escreva PRIMEIRO com o CORAÇÃO; ou seja, não se preocupe, a princípio, com a letra, ortografia e nem com a quantidade de linhas (a preocupação excessiva com estes aspectos neste momento poderá fazer com se perca o foco no tema e nas argumentações. Ao passar o texto a limpo, aí sim, USE A RAZÃO; ou seja, revise seu texto, corrija-o e aproveite para fazer as adequações necessárias como, por exemplo, troca de expressões por uma única palavra ou vice – versa, para que seja RESPEITADO O NÚMERO DE LINHAS EXIGIDO.
- Ao passar o texto para a FOLHA OFICIAL DE REDAÇÃO, atente para que sua caligrafia esteja LEGÍVEL: outras pessoas lerão seu texto e o não entendimento de alguma(s) palavra(s) pode prejudicar o entendimento do texto todo.


*Lembre-se, o gênero textual mais solicitado nas redações do ENEM é o TEXTO ARGUMENTATIVO, no qual é necessário demonstrar um conhecimento consistente sobre o tema; POSICIONAR-SE sobre o mesmo e defender, com propriedade o seu ponto de vista e, por fim, no parágrafo conclusivo propor uma "solução" plausível para a temática colocada.




Outro aspecto muito importante é o conhecimento dos CRITÉRIOS DE CORREÇÃO DAS REDAÇÕES DO ENEM.  Assim, seguem alguns dos critérios que s e deve ter em mente ao revisar o seu texto:

►Serão avaliadas somente as redações transcritas para a Folha de Redação (cuidado para não confundir com o rascunho!) com caneta esferográfica de tinta preta;
      
►Linhas com cópia dos textos motivadores                         apresentados no Caderno de Questões serão                 desconsideradas para efeito de correção e de                  contagem do mínimo de linhas;

► A nota da redação pode variar de 0 e 1000 pontos, sendo que o candidato receberá cinco notas isoladas de 0 a 200 pontos para cada umas competências compreendidas pela produção textual;

► Cada prova será avaliada, em princípio, por 2               corretores;

► Nos textos em que as notas dadas por cada corretor tiverem diferença igual ou superior a 100 pontos, um terceiro corretor entrará em ação;
       
► As redações que tiverem discrepância igual ou maior que 80 pontos para uma única                           competência também passarão por um terceiro            corretor;
       
► Nos casos em que a diferença permanecer,                     mesmo passando por um terceiro avaliador, o texto será encaminhado para uma banca                         avaliadora, composta por mais três corretores,         que atribuirão uma nova nota final e decisiva.
       
► O Título não é obrigatório, fica a critério de o                 candidato incluí-lo ou não;
       
► Quanto à letra, pode ser de fôrma ou de mão, o             importante é que seja legível.
(In. InfoEnem – acesso em 26/08/2014)


Desejo a todos uma excelente prova de redação, com conteúdo e argumentos consistentes; ou seja, bem diferente da redação abaixo! (rsrsrs)





terça-feira, 22 de setembro de 2015

FIME RECOMENDADO: HUMANO (HUMAN DOCUMENTARY - Yann Arthus-Bertrand )

POR MARI MONTEIRO


O documentário: “HUMANO” consiste, sobretudo, numa oportunidade ímpar de nos tirar da zona de conforto; de nos fazer enxergar, através de diferentes olhares, os mais profundos e complexos pontos de vista. É, em minha opinião, um “soco na boca do estômago” de todos aqueles que se acomodaram com as condições humanas e que nada veem além do próprio umbigo.


O referido documentário pode, inclusive, ser amplamente divulgado nas escolas de todo o mundo. Primeiro, porque sua riqueza de abordagens histórica, geográfica e étnica oferece excelentes subsídios para debates e reflexões. Segundo, porque pode ser assistido por partes, de acordo com os interesses e metas de determinado grupo (vídeos disponíveis no youtube). E, por fim, porque, inevitavelmente, ao realizar qualquer tipo de trabalho/atividade em torno das imagens e dos depoimentos, estaremos aguçando o que temos de mais humano em nós: A NOSSA CAPACIDADE DE EMPATIA, DE NOS COLOCAR NO LUGAR DO OUTRO E VISLUMBRAR, AO MENOS OS LAMPEJOS, DE SUAS DORES E DE SEUS SONHOS.





SINOPSE: Humano é uma coletânea de  histórias e de imagens de nosso mundo para criar uma imersão nas profundezas do ser humano. Através dos testemunhos cheios de amor, felicidade, mas também de ódio e de violência. HUMANO nos confronta com o “Outro” e remete-nos para as nossas próprias vidas. Desde o menor detalhe da vida cotidiana até  as histórias de vida mais surpreendentes, esses encontros comoventes, de uma sinceridade rara, destacam o que somos e a nossa parte mais escura, mas também o que há de mais bonito e mais universal em cada um de nós. A Terra é sublimada através de imagens aéreas inéditas acompanhadas por música, que refletem a beleza do mundo e oferecem-nos momentos de respiração e introspecção. Humano é um trabalho empenhado que nos permite abraçar a condição humana e refletir sobre o sentido da nossa existência.





Este documentário reúne uma coleção de testemunhos de pessoas em todo o planeta Terra em diversas situações da vida. O diretor entrevistou mais de 2000 pessoas em 65 países, para selecionar 110 delas. Os tópicos abordados incluem entre outros: o amor; a sobrevivência; a imigração; a homossexualidade; a coragem...


O diretor do documentário Yan Arthus-Bertrand (nascido em Paris, em 13 de março de 1946) é  fotógrafo,  jornalista, repórter e ambientalista francês. Ele pertence a uma família de renomados joalheiros, fundada por Claude Arthus-Bertrand e Michel-Ange Marion. Sua irmã Catherine é um de seus colaboradores mais próximos. Ele se interessou pela natureza e pela vida selvagem ainda na infância. Originalmente, sua especialidade era a fotografia de animais, mas logo a fotografia aérea mudou seu rumo; fez fotografias ao redor de todo o mundo.


Ele publicou mais de 60 livros com suas fotografias feitas em helicópteros e balões. Seu trabalho foi publicado várias vezes na Revista National Geographic e exibido em diversos países.


          

Arthus-Bertrand é um membro da "Académie des Beaux-Arts de l'Institut de France". Uma de suas fotos mais conhecidas é a de um manguezal com forma de coração na Nova Caledônia, que foi utilizada como capa para seus livros The Earth from the air e The Earth from above. (Wikipédia).


 Um dos depoimentos, selecionados por mim dentre todos que são igualmente relevantes, está o relato de Maria, uma " sem-terra " . Quando ela chegou ao acampamento Umberto Frei, no Brasil, ela não tinha nada , ela estava com fome . Mas ela teve ajuda . Ela começou a trabalhar nas colheitas de feijão,  milho ... Agora ela tem o seu campo, seu burro. Ela também freqüenta as aulas para aprender a ler e escrever. Ela é simplesmente feliz.




“Dormi no chão, dormi no mundo...”.

“Toda noite eu vou pra escola... Aí eu boto M, A, N... Eu trago dever pra fazer. Aí é nome de pessoa, de aves... Eu já com 55 anos e to aprendendo ler!” (SIC). 


As falas de Maria nos remetem à reflexão acerca da quantidade de brasileiros que se encontram na mesma situação que ela. E não é preciso se embrenhar pelos sertões do Brasil para encontrar outras “Marias”. Eu mesma, aqui no ABC Paulista, conheço duas Marias, pessoas relativamente próximas a mim.  Mulheres, com mais de 50 anos, que não tiveram oportunidade de aprender a ler e a escrever, que nunca foram ao cinema e que não conhecem nada além do trabalho pesado e do sofrimento cotidiano.


Portanto, sugiro que assistam o documentário na íntegra. Nada se perderá em sua mente. Cada depoimento, questionamento e imagem ocuparão um lugar em sua memória, seja pela INQUIETAÇÃO; pela SENSIBILIDADE, pela “JUSTA IRA” (expressão creditada a Paulo Freire) ou simplesmente, porque, de algum modo, ao assistir o filme nos sentimos parte dele. E, caso isso não aconteça com você, ouso dizer que ocorreu algo muito estranho na sua existência ao ponto de anular sua sensibilidade.  E, caso se emocione se indigne, se enfureça, esteja tranquilo, SOMOS HUMANOS!




segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O QUE VOCÊ ME CONTA DE NOVO OUTRA VEZ? (WHAT YOU NEW ACCOUNT AGAIN?)

POR MARI MONTEIRO



Imagine que daqui alguns minutos todos os aparelhos eletrônicos de comunicação desaparecerão por completo da face da Terra. Qual seria sua primeira reação? Considerando que temos inúmeros trabalhos iniciados; que nossos contatos estão todos gravados em aparelhos; nossos registros fotográficos estão todos em arquivos; nossas pastas com nossos textos e artigos preferidos desapareceriam; assim como nossos perfis... Nossa identidade sofreria algum tipo de “dano”?


Afirmar que o ISOLAMENTO SOCIAL DECORRE do uso exagerados DAS MÍDIAS SOCIAIS pode parecer um paradoxo; pois, a princípio estas se prestariam a aproximar as pessoas, principalmente as que estão mais distantes. Mas, o isolamento e o distanciamento são cada vez mais nítidos. E não me refiro apenas aos nascidos na Era Digital, refiro-me a nós todos, adultos, supostamente maduros e munidos de discernimento. Estamos todos fascinados por esse mundo de imagens e de poucas palavras. Estamos, inclusive, amedrontados no sentido de ficarmos para trás caso não possamos acompanhar tudo o que acontece no mundo e em tempo real.




Mesmo quando se trata do ambiente doméstico, os comportamentos mudaram muito. Na mesa de jantar, quando conseguimos reunir a família, os celulares já fazem parte da mesa. Vejo pessoas que comem com uma mão e digitam com a outra.  É como se os demais não estivessem ali. ISSO É SINTOMA DA TOTAL FALTA DE EQUILÍBRIO; BOM SENSO E DE EDUCAÇÃO.  Não se tratando de doença ou morte, toda ligação ou chamada de whats pode esperar para ser retornada.


Temo que o próximo passo seja (já percebo isso em algumas pessoas) o medo do toque, do abraço, do afago... E, neste quesito, PERDEMOS PARA OS ANIMAIS. Alguma s espécies se socializam melhor que nós: andam em bando; cuidam de seus filhotes; brincam; trocam afagos etc.




E quanto ao ato de escrever então? Quanto sacrifício! Independentemente do tema, a pessoa não quer saber. Simplesmente quer acabar logo com o que passou a ser considerada uma forma de tortura. E a maioria só o faz quando se trata de algum concurso, vestibular, avaliações etc... Caso contrário, solicitar um comentário com o mínimo de dez linhas configura uma afronta.   Deixar bilhete, de próprio punho, pra alguém é luxo! Ah! E mesmo no Whats, há como fugir da escrita, basta o interlocutor “ditar” a mensagem e o App escreve sozinho! Isso me fez lembrar uma palestra de Rubem Alves em que ele falava da carta de amor.

“Cartas de amor são escritas não para dar notícias, não para contar nada, mas para que mãos separadas se toquem ao tocarem a mesma folha de papel.” (Rubem Alves)

Relendo isso, penso nos emoticons enviados pelo Whats (também os envio); e, na maioria das vezes, querem dizer: “Li sua mensagem, mas se contente com isso porque não quero escrever agora...”. Se não vai se dignar a responder à altura, não leia, não adicione ninguém, não tenha whatsApp criatura! Retomando a questão da carta a que se refere Rubem, se para o amante o que importa é tocar o papel que outrora foi tocado pela pessoa amada, o que fazemos com o celular quando recebemos um whats já que o aparelho é nosso mesmo e somente nós mesmos o estamos tocando?






Não me conformo com esse distanciamento da LEITURA; DA ESCRITA; DO DIÁLOGO; DA AFETIVIDADE. Isso tira toda a essência de sermos humanos no sentido mais amplo da palavra, já que os aspectos que nos diferem dos animais (ao menos, por enquanto) são a escrita e a fala. Quanto à fala, ainda falamos, mas nem sempre somos ouvidos. AS PESSOAS SIMPLESMENTE NÃO QUEREM OUVIR. Perderam o interesse pela história do outro, pela voz do outro e, dessa maneira, até mesmo aqueles que gostam muito de conversar por horas (como eu rsrrs), vai se calando, dizendo cada vez menos... Às vezes, sentindo até medo de iniciar uma conversa. A pressa das pessoas é nítida: elas mordem os lábios, olham mil vezes para o celular enquanto falamos (isso quando não parma de nos ouvir para atender uma chamada que poderia ser retornada depois); balançam as pernas; enfim, dão uma série de demonstrações do desinteresse total pela conversa. É A MORTE DO DIÁLOGO. E A MORTE DO DIÁLOGO É A MORTE DA QUALIDADE DAS RELAÇÕES HUMANAS.




Estamos todos desenvolvendo hábitos PERNICIOSOS relacionados às novas tecnologias. Acho até que assim que terminei de digitar a última letra da palavra “tecnologias”, esse termo já ficou obsoleto. Assim como a corrida para possuir celulares (ops, as pessoas gostam de dizer “IPhones”, Smartphones...rsrs) é algo extremamente ridículo. A criatura tem que entender que assim que ela compra o último modelo do Iphone “mais top” lançado no Brasil, já existe outro sendo lançado, muito mais caro e com muito mais recursos. O que faz disso um a “corrida” em círculos, como burros que correm para tentar abocanhar uma cenoura presa à sua frente.




Mas, otimista que sou, reconheço os benefícios da tecnologia que, a propósito, são muitos. Sou muito ativa nas Redes Sociais. E sempre gostei disso e já conquistei muitas coisas boas através delas, inclusive amizades duradouras e muito aprendizado... Tudo é uma questão de escolhas. Não é à toa que temos “PERFIS” nas redes, eles dizem muito sobre quem somos e como somos como pessoas... Obviamente, há exceções... Ou seja, perfis que não correspondem à realidade da pessoa, aí – me desculpem – mas é uma questão de falta de identidade (ou de caráter mesmo!). A este respeito tem uma banda que gravou um clipe em forma de animação que ilustra bem o que acredito... Sobretudo, quando as pessoas são sinceras em suas redes.






Retomando a questão do diálogo, sobre o que falamos ao final do dia? Falamos sobre o que vivenciamos de fato ou sobre o que lemos ou vimos na internet? E esse “lemos”, quase via de regra é algo muito conciso, caso contrário, NÃO LEMOS. Observem as conversas entre seus familiares e amigos. Quando conversam, ou o fazem pelas redes e isso inclui o whatsApp ou eles conversam sobre os “conteúdos” destas redes. Não há mais espaço para histórias PRÓPRIAS; pensamentos PRÓPRIOS.  Estamos nos limitando a compartilhar o que já foi compartilhado.  É preciso nos distanciar de tudo, nos desconectar, “IR PRO MUNDO” para RETORNAR com histórias novas para contar.  Paulo Miklos, integrante da Banda Titãs, em uma de suas excelentes composições cantou algo que faço questão de compartilhar, mesmo porque não toca no rádio...


No dia 24/08 assisti ao programa “Papo de Segunda” (na Rede GNT – RECOMENDO –todas as segundas às 22h) e usou a expressão: "trabalhar 24/7"; ou seja, estar disponível em tempo integral. Isso me fez pensar que nunca saberemos quando será o último abraço; como será o último retrato em família; o último beijo... Somos reféns de uma vida "fast"... A questão é: "Estou disponível para o quê e para quem?” Minha resposta é: "Estou disponível apenas para o que vale a pena; para quem merece meu tempo.”. Gostei muito de pensar sobre isso. Concluí que quero a ESSÊNCIA de tudo e não as “carcaças”, sejam dos celulares à prova d’água, sejam das pessoas que enrijecem cada vez mais nervos e pele... Que já não arrepia mais, não sente mais... Tal como Rubem Alves, eu quero a ESSÊNCIA.



“... Sem tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em lugares onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte... Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a ESSÊNCIA, minha alma tem pressa.” (Rubem Alves)



De qualquer modo, não estou escolhendo entre tecnologia e isolamento ou diálogo e relacionamentos. Estou e SOU a favor do EQUILÍBRIO. Acredito que seja possível tirar o máximo de proveito possível das ferramentas tecnológicas. A gente pode se divertir; aprender; encontrar e reencontrar amigos; até encontrar amores. (conheço casais que se conheceram pela internet, se casaram  e vivem bem  há muito tempo).  Sou contra a ALIENAÇÃO e o AFASTAMENTO DOS SER HUMANO NO MUNDO REAL; contra ao “ATROFIAMENTO DA FALA”; contra o vocabulário cada vez mais minimalista... No mais, escolho e fico com o que é bom. Exemplo disso é esse clipe que diz muito sobre avançar no tempo sem perder a essência; ser high- tech e, ao mesmo tempo romântico... Despeço-me com esta canção... Afinal, compartilhar é o verbo da vez... 







quinta-feira, 20 de agosto de 2015

PROFESSOR AGRIDE ALUNO! E O CIRCO ESTÁ ARMADO! (MUGS STUDENT TEACHER! AND THE CIRCUS IS ARMED!)

POR MARI MONTEIRO





NADA JUSTIFICA A VIOLÊNCIA. Sobretudo, no caso a ser discutido, em que o Professor é o adulto da relação e, supostamente, a pessoa com DISCERNIMENTO suficiente para não ceder às “tentações” (PONTO!). A partir daqui, sejamos honestos: como somos TENTADOS e TESTADOS diariamente em nosso ofício! Outro fato: EXISTEM CRIANÇAS E ADOLESCENTES MAUS. Tão maus, que chegam a ser diabólicos. Conheço casos seriíssimos e, acreditem, não estou exagerando. (Qualquer dia eu postarei um relato de experiência de arrepiar os cabelos, protagonizado por uma “DOCE CRIANÇA” de NOVE ANINHOS!).

Sobre a notícia veiculada em 20 de agosto sobre a Professora que agrediu o aluno que se recusou a entregar o celular, certamente, não tomarei o partido dela. Contudo, dando uma passada rápida pela coletânea de vídeos que existem na internet sobre situações de violência em sala de aula, notei algo relevante e INTRIGANTE: os vídeos que mostram alunos sendo agredidos são amplamente vistos e divulgados; enquanto que os vídeos que mostram professores sendo agredidos possuem um número bem restrito de acessos. Considero relevante, porque em minha opinião, no mínimo, os dois lados deveriam ser igualmente dignos de análise e de reflexões.

“Uma professora foi flagrada dando uma "gravata" em um aluno dentro da sala de aula, porque ele se recusou a entregar o celular para ela. A pedagoga foi afastada das funções pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo até que o caso seja investigado.” (In.  http://videos.r7.com/professora-agride-aluno-que-se-recusou-a-entregar-o-celular-em-sala-de-aula/idmedia/55d5c23b0cf2232331d71615-1.html  - Neste mesmo link, é possível ver o vídeo gravado por outro aluno da classe (é necessário copiar e colar o link). O que comprova que, na maioria dos casos, os alunos usam E ABUSAM DO USO DE CELULAR em sala de aula.



Mais uma vez, reforço: NÃO CONCORDO COM A ATITUDE DA PROFESSORA EM QUESTÃO. Contudo, vamos ponderar; tentar imaginar as cenas e as circunstâncias que antecederam a gravação veiculada pela mídia. Há quanto tempo esta professora vinha solicitando ao aluno que guardasse o celular? E quanto aos outros alunos? Praticamente todos os alunos levam celular pra sala de aula e ficam usando durante a aula sim! Existe a Lei Nº 4.131/2008 que é pra ser cumprida. Ou não??? Fato é que TODOS NÓS FAZEMOS VISTAS GROSSAS HÁ ANOS  sobre uma série de conflitos em sala de aula e, na hora do chamado “surto”, qualquer coisa serve de estopim. Dessa vez foi um celular; pode ser uma palavra mais áspera; pode ser até mesmo um determinado jeito de olhar. Quem saberá? 


Ainda há pouco, conversei com uma colega de profissão e comentamos sobre o quanto os colegas estão sonhando com a aposentadoria... E, pior, o quanto estão CANSADOS!!! Não que antes os professores não quisessem se aposentar, claro que sim. Todos querem e com muita “pra gozar no final”, como diz Rita Lee. Ocorre que agora isso virou “O” FOCO! Conheço professores e diretores que se aposentaram há dez anos e estão muito bem (mental e fisicamente!). Em contrapartida, os que estão se aposentando agora se encontram cansados, esgotados mental e fisicamente; contam nos dedos os anos que faltam. Se isso não é um sintoma de algo está muito mal na nossa profissão, não sei o que é!



Enfim, este é assunto que precisa ser amplamente tratado e discutido nas escolas, contando com o envolvimento de TODOS (pais; alunos; professores; funcionários; especialistas etc.). A propósito, o que fazemos com o slogan: “TODOS PELA EDUCAÇÃO”?  Todos quem? Que educação? A verdade é que FALTA EDUCAÇÃO NA EDUCAÇÃO! 

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