Translate

EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.

quinta-feira, 24 de março de 2016

CRISE BRASILEIRA: ONDE CARA PÁLIDA? (BRAZILIAN CRISIS: WHERE PALE FACE?)

POR MARI MONTEIRO





Gostaria de não estar escrevendo este artigo. Mas, há tempos, aprendi que o que não se diz ou faz, SUFOCA! Um dos motivos pelos quais esse assunto me desagrada é a FALTA DE COMPREENSÃO DA MAIORIA DO POVO BRASILEIRO. Não sei exatamente como funciona a Educação Política (aliás, acabei de criar este termo e me ocorreu que deveria existir uma DISCIPLINA CURRICULAR com este nome) em outros países; mas aqui somos criados ouvindo dos adultos em geral que temas como “religião e política não se discutem”.  Logo, quando predominam a incerteza econômica e caos político, nos dividimos basicamente em três grupos: os indiferentes; os que atiram pra todo lado; e, o menor deles, aqueles que se informam, conversam, refletem, planejam e FAZEM ALGO. 



Então, temos a seguinte situação neste momento (às 23h00 de 24 de março de 2016- hora da revisão), friso “momento”, porque no minuto seguinte tudo que escrevi até então poderá perder a validade ou, no mínimo, a intensidade. Isso porque a quantidade de notícias e de informações veiculadas pela mídia e pelas redes sociais nunca foi tão grande e rápida. O que dificulta ainda mais a compreensão dos fatos. E, uma vez que não se compreende os fatos, não os interpretamos (lembrando que o Brasil é um dos ÚLTIMOS COLOCADOS NO RANKING MUNDIAL SOBRE INTERPRETAÇÃO TEXTUAL). A situação a que me refiro é a seguinte: SOMOS INSETOS ORBITANDO EM VOLTA DA LÂMPADA, TONTOS, INDO PRA LUGAR ALGUM E DESCRENTES DA LUZ QUE EMANA DESSA LÂMPADA (PONTO!). 

Pensando nisso e acompanhando, na medida do possível, a sequencia dos fatos no noticiário, o que vejo é uma INDIFERENÇA PREDOMINANTE E ASQUEROSA por parte da maioria dos brasileiros.  Certamente, cem por cento de entendimento e de atitude por parte da população é utopia demais de minha parte, mas a FALTA DE INDIGNAÇÃO me enoja; assim como me enoja também a dificuldade que temos para articular movimentos e manifestos de repúdio ORGANIZADOS e EFICIENTES. Não basta que milhões de pessoas lotem a Av. Paulista num domingo. É preciso dar PREJUÍZO para todas as esferas sociais (o que seria, ainda, muito pouco diante do prejuízo que nós, trabalhadores, temos diariamente).  E como seria isso? PARAR GERAL.  O que me lembra de uma música de Raul Seixas: “O DIA EM QUE A TERRA PAROU”  Se acontecesse tal como nesta canção, teria minha alma lavada.. Quem sabe um dia...






Outro aspecto que me entristece muito é a falta de civilidade e de patriotismo no nosso país. Com exceção da Copa do Mundo e das Olimpíadas (que, a propósito, deveriam ser canceladas ou boicotadas pelos outros países em solidariedade ao sofrimento do povo brasileiro e à vergonha que as “autoridades” nos tem feito passar), não vemos nossa bandeira em quase lugar nenhum. Na sua casa tem uma bandeira brasileira hasteada neste momento? Pois é, na maioria das casas dos norte-americanos tem. Independente de datas e afins. É uma questão de sentir orgulho, uma questão de “PERTENCIMENTO À NAÇÃO”. Podem falar que estou sendo tendenciosa. Sou sim. Admiro cada vez mais o Sr. Barack Obama. Ele pode tomar metrô; ir a cafés; conversar nas ruas; dançar e cantar em público, porque sua postura e índole lhes permitem isso. Imaginem Nossa Presidente e seus ministros num metrô em São Paulo na hora do rush. A propósito, mais uma coisa que “invejo” neles (norte-americanos) é o fato de o voto não ser obrigatório.  No dia da eleição, a pessoa sai de sua residência, de livre e espontânea vontade e, o melhor, consciente da importância do seu voto.


Lamentavelmente, No Brasil há mais fatores contribuindo para a confusão de pensamentos do que para o discernimento  e para a organização destes. Um exemplo disso são os partidos políticos com "líderes" desarticulados e perdidos, meros reprodutores de discursos que já virara clichê há tempos. E o tanto de legenda de partido? Pra que tanta sigla minha gente?





Sei que não alcançamos ainda um patamar, já alcançados em tantos outros países, acerca do conceito de EMPODERAMENTO, ou empowerment, em inglês, que significa uma ação coletiva desenvolvida pelos indivíduos quando participam de espaços privilegiados de decisões, de consciência social dos direitos sociais. Imaginem se metade da população tivesse essa consciência. Ocorre que muitos fatores contribuem para a falta de “educação política”: somos um povo que não lê; que não se orgulha de si mesmo, caso contrário viveríamos mais de nossas “marcas” e grifes e não de outros países (já cansei de ter alunos DE ENSINO MÉDIO vestindo camisetas com frases e/ou palavras em Língua Inglesa que, quando perguntado o significado daquilo, eles simplesmente não sabem); que não se organiza para que haja uma sincronia nos atos e manifestos; não é só ir pra rua fazer selfies e colocar carros de som, cada um falando ou tocando uma música diferente... Ou palcos com shows!!!
  


O grau de incerteza e de impunidade no país nos tira a crença de que algo
CONCRETO possa, literalmente, nos salvar. Em outros países, por muito menos, a maioria da população já teria tomado as ruas, “parado tudo” e, de certa forma, forçado uma resolução. O que vejo são pessoas andando em círculos: autoridades; juízes; Policia Federal; políticos e, claro, o povo brasileiro. É um empurra-empurra; um disse que disse que parece até aquelas crianças, nos primeiros anos de escola, que são chamadas na diretoria por alguma arte e um aponta pro outro dizendo simultaneamente: “FOI ELE!”. E o “diretor” passa a mão na cabeça dos dois, diz pra um pedirem  desculpas um pro outro, que agora são amigos novamente e que voltem para suas salas... Como se nada tivesse acontecido.  Outra imagem que me vem à mente, agora mais forte, é de um bando de hienas e urubus rondando a carniça; sendo que a carniça, neste caso seria qualquer cargo político que dê alguma “proteção” e as hienas e urubus são os políticos corruptos que estão com o cú na mão. Enquanto isso, nós, o povo, telespectadores do GRANDE CIRCO (“Terceiro Mundo se for, piada no exterior...” disse Renato Russo há mais de 25 anos), ficamos aguardando o “Grand Finale”... O desfecho que para mim, seja qual for, sinceramente, já é tarde! O estrago foi grande demais! Quem vai nos devolver os empregos perdidos; a moral perdida; a credibilidade interna e externa; a nossa confiança e a nossa autoconfiança?
 


Mas tudo bem, vamos consumir. Vamos comprar ovos de Páscoa caríssimos e ostentar mais uma data comemorativa, insuflando a massa e, pior, as crianças, para acreditarem que está tudo bem... Logo tem as Olimpíadas 2016. Vamos nadar nas águas poluídas do Rio de Janeiro; “vamos passear depois do tiroteio”; vamos ganhar medalhas, muitas medalhas de ouro. Será??? Em quais modalidades? Em “bom comportamento” que não será!
 


segunda-feira, 14 de março de 2016

O QUE REALMENTE IMPORTA? (WHAT REALLY MATTERS?)

POR MARI MONTEIRO




Escrevo por vários motivos: porque gosto; por prazer; para conversar; mas o que gosto mesmo é de escrever par inquietar, para atazanar quem lê. Sinto certo prazer em imaginar alguém pensando: “Lá vem ela com essas idéias de gente doida!”.


Agora, por exemplo, quero escrever sobre o que e sobre quem realmente importa na minha vida. Porque a vida é muito curta e, sendo ela muito curta, não quero perder tempo com coisas e com pessoas que não me importam.


Caos, correria, estresse, competitividade; “obrigação” de seguir os padrões ditados pela mídia... Todos estes aspectos corroboram pra que não pensemos nas prioridades ou, pior, para acharmos que tudo é prioridade e; por, isso, temos de fazer tudo ao mesmo tempo agora. E, dessa forma, fazemos tudo cada vez mais SUPERFICIALMENTE. E o que é superficial pra mim, de verdade, não me interessa; logo não me importa. Não dá pra amar superficialmente; se curar de uma doença superficialmente; morrer superficialmente; viver superficialmente.


Então, o que vejo somos nós, humanoides perdidos no espaço, orbitando em torno de TUDO e fazendo NADA. Não temos raízes, se temos estamos deixando-as fracas, até não suportarem mais o “peso” dos galhos (nossos corpos). Falta “ADUBAGEM”. E, como é que ser aduba uma alma pra sentir mais, para estar mais alerta aos sinais e às sutis belezas e alegrias dessa vida? Com ingredientes que estão cada vez mais difíceis de encontrar: CONTEMPLAÇÃO; EMPATIA; REFLEXÃO; AUTOCONHECIMENTO; PAZ DE ESPÍRITO .



Neste mundo caótico em que vivemos, onde, raramente paramos para fazer coisas ESPECIFICAMENTE HUMANAS (ou que deveriam ser inerentes ao ser humano), me flagrei querendo saber o que realmente importa na minha vida. E jamais imaginei que a resposta chegasse tão rápida e nítida na minha mente: O QUE REALMENTE IMPORTA É QUEM SE IMPORTA COMIGO. Egoísmo? Não. Seletividade e otimização do meu tempo.


O que me importa, falando especificamente no sentido material, responderia: “O SUFICIENTE”. Porém, quando se trata de relacionamento, não tenho dúvidas: são as pessoas que realmente se importam comigo. O que independente de fatores como distancia; grau de parentesco; classe social; religião. Se parar pra pensar não é uma quantidade tão grande de pessoas assim.


Uma das principais justificativas usadas para a falta de contato e de comunicação social é: “não sobra tempo pra nada!”. Eu sinto medo disso. É preciso ter coragem para sentir medo. E medo é uma sentimento que  a gente só confessa ou demonstra pra pessoas em que a gente realmente confia. E eu temo, inclusive, não dar a devida importância às pessoas e  às coisas que merecem.



E o que significa se importar com o outro? Podemos explorar isso juntos nos questionando sobre alguns aspectos como, por exemplo de quantas pessoas, normalmente, ouvimos, dentro ou fora de casa, indagações como: “Como você está?”; “Vamos conversar?”; “Se eu fosse um ‘gênio da lâmpada’’, quais seriam seus desejos pra hoje?”... Perguntas não faltam; falta quem queira saber e esteja disposto a deixar de lado a TV, o celular e  afins para conversar, para ouvir... Defendo a tese de que quanto mais perdemos a capacidade de ouvir, mais perdemos a capacidade de falar, de argumentar... E vamos nos emudecendo, diminuindo o vocabulário até chegarmos, como já disse José Saramago,  a grunhirmos uns para os outros. E, paralelo a isso, outra coisa grave acontece: estamos deixando de sorrir, ficamos mais sisudos, caras amarradas... FEIOS DE ALMA.



Gradativamente, estamos nos tornamos “SERES INSTANTÂNEOS E MONOSSILÁBICOS”. Basta pensar um pouco sobre a seguinte questão: A CONVERSA, SEJA EM CASA OU NO TRABALHO – e mesmo nas baladas _ TEM QUALIDADE? OU SEJA, A CONVERSA FLUI? Na maioria dos casos não. Ou então nos limitamos a falar dos outros, de piadas, dos fatos que todos já viram na internet... E, nesse ritmo, perdemos a oportunidade de CONHECER MELHOR O OUTRO e de NOS CONHECERMOS. Porque não falamos de nós mesmos. Não debatemos nossos dilemas pessoais e, muito menos, os dilemas dos outros. Ainda assim, nos  sentimos no direito de falar de fulano e de beltrano e de julgá-los.




Estamos chegando a um ponto em que ficamos “sem jeito” para conversar com os outros. Olhamos para os lados, falamos coisas triviais do tipo: “será que chover?” e não sabemos onde colocar as mãos. Na verdade, sabemos sim, estamos sempre com as mãos ocupadas com o celular (rsrsrs); o que, aliás, “resolve” o problema de quem não quer conversar; principalmente, quando temos um head phone em mãos... Pronto. Isso é como colocar uma placa na testa com o aviso: NÃO QUERO CONVERSAR!


E nisso, vamos deixando de dar e de receber afeto. Precisamos dizer coisas boas às pessoas importantes da nossa vida. Mas dizemos? Não ou muito raramente. Tentem pensar no seguinte: "O que você diria para a pessoa mais importante da sua vida se você soubesse que esse seria o último encontro?" Respondida pra si mesmo a questão. Faça isso agora ou amanhã ao acordar. De preferência, marque um encontro ou telefone... Porque até mesmo um telefonema virou luxo no mundo do WhatsApp. Sinta-se importante quando alguém te telefonar (claro, que não seja secretária do seu médico, dentista, cobrador, telemarketing e afins), porque você poderá ouvir a voz da pessoa. Mas... Nada, absolutamente nada substitui o olho no olho.



Justamente porque a vida é um sopro, tudo deve ser FEITO EM VIDA, EM TEMPO...

- Fale o que sente.
- Olhe nos seus próprios olhos e pergunte o que você realmente deseja?
- Contemple pessoas, paisagens, animais...
- Abrace sem medo e sem pressa. (já viram aquelas pessoas que NÃO sabem abraçar? Não é culpa delas. Você as abraça e elas ficam paradas como uma coluna do templo; ficam meio de lado, querendo se desvencilhar, abraçam de modo frouxo... sem entrega. Este tipo de abraço nem conta.)
- Ouça as batidas do seu próprio coração antes de dormir, quando tudo for silêncio.
- Importe-se com o que é importante. (outro dia fiz uma lista de coisas que supunha importantes, guardei numa gaveta. Depois de dois dias, reli e a reduzi pela metade. Logo, terei mais tempo para cada “coisa” que me importa... acho até que, periodicamente, refarei esta lista.).


Se já fiz ou se faço isso? Faço um pouquinho de cada vez. E não é nada fácil, principalmente olhar pra nós mesmos na frente do espelho. É assustador; sobretudo, porque a imagem mental que temos de nós mesmos não corresponde à imagem real que os outros fazem de nós e a que o espelho mostra, quando resolvemos olhar pra ele demoradamente e de cara limpa. Mas, garanto que nada é pior que a sensação de tempo perdido como dizia Renato Russo: “Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou.” E, irônica e sabiamente ele continuava: “Mas tenho muito tempo. Temos todo tempo do Mundo.”.



Enfim, pra facilitar as coisas (ou complicá-las...): SOMENTE É IMPORTANTE QUEM SE IMPORTA E SOMENTE SE IMPORTA QUEM É IMPORTANTE. E, se assim é, no final, tudo se resume a uma única palavra: RECIPROCIDADE.  Mesmo porque, só nos ouvirá  quem se importa conosco e só vamos querer falar para que for importante pra nós. Pra que sair falando pelos cotovelos pra quem não nos conhece; não dá a mínima; não sabe e nem quer saber da nossa história. Na maioria das vezes, quando contamos algo para alguém, a gente não quer ser julgado e jogado na fogueira. De repente, a gente só quer ser ouvido ou escutar: “Estou aqui.”.



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

HOMOFOBIA NA ESCOLA? É. NA ESCOLA! (HOMOPHOBIA AT SCHOOL? IT IS. IN SCHOOL!)

POR MARI MONTEIRO




Com que direito uma pessoa olha pra outra, condena sua opção sexual, julga e pune? Nunca consegui entender isso! Cada pessoa é livre para ser o que é. Não é esse o discurso politicamente correto? SÓ DISCURSO! Porque a maioria de nós carrega uma ou mais formas de preconceito.  O que não dá a ninguém o direito de agredir o outro pela sua identidade. Antes, de acrescentar outros comentários, segue a notícia publicada pela mídia ontem (24/02/2016):


"Desde o primeiro dia de aula, eu sabia que ia apanhar. Fui xingado e ofendido. No dia que apanhei, estava com o coração apertado. Quando vi, já levei uma, duas pauladas. Depois, socos, chutes e eu apaguei. E tudo isso por ser homossexual." O autor da frase é um jovem de 18 anos, estudante no segundo ano do ensino médio na escola estadual Lourdes Maria de Camargo, em São José dos Campos, e a descrição se refere ao ataque sofrido por ele, por volta das 23h de segunda-feira (22), na saída das aulas.
Na ocasião, um colega de classe dele, de 16 anos, comandou a pancadaria. Outros quatro adolescentes, todos menores, participaram da agressão. Apesar de identificados, eles foram liberados pela Polícia Civil após prestarem depoimento.
Segundo relato da vítima, ele já havia denunciado o caso para a direção da escola anteriormente. "Desde o primeiro dia de aula, ele me xinga. Nunca teve motivo. É uma coisa inexplicável", disse. "Ele disse claramente que ia me matar, que ia me pagar na saída, que ia acabar comigo", contou.
Como ameaças se intensificaram, no dia da agressão ele havia sido mudado de classe. "A direção achou melhor e me disse para ficar tranquilo que nada ocorreria. Mas, na saída, depois da aula, eu estava conversando com uma amiga na porta da escola quando ele veio com o pau. Não deu tempo de dizer nada", contou.
Durante o espancamento, a vítima afirma ter ouvido os agressores gritarem frases homofóbicas. Depois do primeiro golpe, ele afirma ainda ter visto outros quatro jovens se aproximando, também armados com pedaços de madeira. "Eu tentei correr pra dentro da escola, mas não deu tempo. Senti outras pauladas e apaguei. Só acordei dentro do carro, quando estava sendo socorrido", disse.
Ele teve ferimentos em várias partes do corpo, em especial na cabeça e abdômen. Abandonado na rua foi socorrido por populares e levado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Campo dos Alemães. Ele foi medicado, recebeu sete pontos na cabeça e foi liberado.”  (http://educacao.uol.com.br/noticias/2016/02/24/aluno-gay-e-espancado-a-pauladas-por-cinco-jovens-em-frente-a-escola-em-sp.htm - acesso em 25/02/2016)



Agressões contra gays já me emputecem quando acontecem com adultos em vias publicas ou em outros locais. Agora, na porta da escola, é algo aterrador sob meu ponto de vista. Por quê? Porque é na escola que se combate, de maneira mais incisiva e didática (ao menos deveria ser assim) o preconceito. E, mais, para a “coisa” acontecer fora da escola (na saída) como é o caso, é porque começou no interior da escola, na sala de aula, nos intervalos, corredores, conversas de banheiro etc.


Aí eu pergunto: “Nenhum professor notou ou supôs que algo estaria acontecendo? Alguma piadinha? Mudanças no comportamento dos envolvidos?” Claro que sim. Sou professora. A gente percebe quando alguma espécie de bullying está acontecendo, por mais sutil que seja. Já passei por várias situações em sala de aula em que, uma vez percebido isso, sempre dei um jeito de trazer a temática “da discórdia” à tona: sejam através de redações, debates, fóruns etc. O professor tem este feeling e tem esse “poder” em sala de aula.



Enquanto a escola, na qualidade de educação formal e os professores, na condição de formadores de opinião, não tomarem pra si uma parcela maior de comprometimento com relação ao combate ao preconceito e até outros assuntos, que  extrapolem os conteúdos de ensino, o comportamento predominante na sociedade continuará refletindo preconceitos; agressividade, falta de ética etc. Não estou, com isso, apontando culpados ou responsáveis diretos para o que houve. Quero dizer que é OBRIGAÇÃO DA EDUCAÇÃO FORMAL pensar em meios de implementar disciplinas novas que possam dar conta de abordar as temáticas que causem polêmicas e que, por isso mesmo, devem ser debatidas e trabalhadas.


Há quem diga: “mas isso me uma questão cultural!” ou “isso é a sociedade quem deve resolver” ou, ainda, “quem deve resolver isso são as autoridades competentes!” Pois, todas estas questões são parte da formação e da construção do conhecimento e; portanto, passam sim pela educação formal. Além disso, considero o ambiente escolar o mais propício e oportuno para que questões polêmicas sejam tratadas, debatidas etc. Mas, ao contrário disso, ouço muito: “ah! Não ganho pra isso”; Não quero problemas pro meu lado!”; Isso é problema do aluno e da família dele!’... E nisso a escola se omite e “permite” que as questões mal resolvidas ( algumas  sequer conversadas) como: respeito; individualidade; aceitação etc evoluam para rivalidades e agressões sejam verbais ou físicas. O que é lamentável de se ver... Mas, vemos.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

FILME RECOMENDADO: “O MENINO E O MUNDO” (RECOMMENDED FILM: “THE BOY AND THE WORLD")

POR MARI MONTEIRO



Quando a animação “O menino e o Mundo” da autoria de Alê Abreu, lançada no Brasil em 17 de Janeiro de 2014, foi indicada ao Oscar 2016, confesso que ainda não havia “separado um tempo” para assisti-la. O que lamentei muito; sobretudo, quando soube que já havia passado um tempo considerável de seu lançamento. Ocorre que a espera para apreciar o filme só fez com que minha expectativa aumentasse ainda mais. 


No final da semana passada consegui assisti-la. Pensem em uma pessoa que começou a assistir ao filme achando que iria relaxar e, de repente, começou a ficar inquieta e apreensiva. Já adianto que foi uma das sensações mais estranha e ao mesmo tempo, mágica que senti. Isso ficará entendido no decorrer deste artigo. Prometo que não ocorrerá nenhum spoiler, além das informações que já foram amplamente divulgadas pela mídia. 


A primeira coisa que me chamou a atenção foi o fato de não haver diálogos ( não da forma como conhecemos, num ou noutro idioma específico) no enredo; o que leva a animação ao que chamo de uma COMUNICAÇÃO SEM FRONTEIRA. O que há são linguagens universais como: MÚSICAS; CORES; SONS DA NATUREZA (VENTO, CHUVA); RESPIRAÇÃO; TONALIDADES. 



Outro aspecto magnífico, sob meu ponto de vista, é a mudança de cenários e de circunstâncias. O protagonista transita desde um tempo que parece distante e “antigo” (como o sertão e as colheitas, por exemplo) até um tempo futurista (como fábricas abandonadas, carros modernos com homens vestidos de preto, cujas aparências e intenções são nitidamente duvidosas) que lembra um cenário “pós-apocalipse”. 



A sintonia entre música e cores é algo que salta aos olhos e aguça os sentidos.  Há cenas em que é possível VER OS SONS saindo dos instrumentos e, através de suas cores, distinguir se fazem alusão a uma temática alegre ou triste. A propósito, a trilha sonora é algo magnífico. Chega um ponto do filme em  que somos conduzidos (e seduzidos) pelas músicas e pelas imagens. E isso inquieta, porque o “normal” é ficarmos presos a enredos por conta de grandes explosões, discussões, brigas, discórdias, tramas e armações entre os personagens. E foi nesse momento que percebi o quanto esta animação é capaz de nos tirar da nossa zona de conforto, o que é excelente e até necessário, ouso afirmar.
 


O desconhecido assusta. E ele nos espreita (a nós telespectadores e ao menino Cuca) a cada cena. É uma dinâmica atraente sobre a rotina do mundo do trabalho, envolvendo desde a matéria – prima (algodão) à venda dos produtos (tecidos); que nos prende e nos faz “revirar” os pensamentos, desdobrando-os em verbos que, dificilmente, SEM A PROVOCAÇÃO SAUDÁVEL DA ANIMAÇÃO, pensamos no dia  a dia: plantar – colher – transportar – manufaturar – vender – consumir – substituir – ostentar – descartar (coisas e pessoas). 



Fato é que, além de ser uma excelente animação, é provocante. E NECESSITAMOS DESTA PROVOCAÇÃO. Estamos muito confortáveis, as crianças recebem tudo “pronto”. É tudo instantâneo... Fiquei muito curiosa em saber se elas teriam paciência para assistir a animação inteira, justamente por falta do diálogo que é, diante da sensibilidade com que foi representado o enredo, completamente desnecessário... Mas, elas entenderiam este contexto? Conheço muitos adultos que não entenderiam... E, por um “simples motivo”: ESTAMOS NOS TORNANDO CADA VEZ MAIS INTOLERANTES, IMPACIENTES E TEMOS PREGUIÇA DE PENSAR E, O MAIS GRAVE, TEMOS MEDO DE CERTAS DESCOBERTAS. Alguns de nós, simplesmente, não queremos nem saber. 



Acrescento que o filme possui um inestimável VALOR PEDAGÓGICO, não no sentido restrito da palavra; mas, no sentido de extrapolar, através de algumas disciplinas, o conhecimento sobre algumas temáticas. Enquanto Professora de Língua Portuguesa e de Literatura, criei o Projeto Cinema em Cena, cujos registros de algumas atividades realizadas, inclusive, constam em artigos publicados neste blog. Nesse sentido, elaborei Planos Completos de Trabalho por áreas/disciplinas e as respectivas temáticas contempladas no filme. Diante disso, caso exista interesse por parte de Coordenadores pedagógicos e/ou Colégios (Fundamental I ao Ensino Médio) em adquirir os Planos e as Orientações Pedagógicas acerca do Projeto “CINEMA EM CENA”; por gentileza, entrem em contato através do e mail: marimonteiro10@hotmail.com


Enfim, é possível e encantador realizar este passeio pelo Mundo na companhia de Cuca, um menino que tem muito a ensinar a nós adultos, já viciados e  adestrados pelas linhas invisíveis que nos prendem aos padrões  e aos estereótipos que nos cegam, que nos emudecem...  Lembro-me que, após ver o filme, fiquei algum tempo em silêncio e  a primeira coisa que me veio à mente foi: “SÓ É POSSÍVEL ENXERGAR O QUÃO GRANDE  SE É QUANDO TOMAMOS DISTÂNCIA DE NÓS MESMOS.”

  


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

100 HORAS OFF (HUNDRED HOURS DISCONNECTED)

POR MARI MONTEIRO





Ficar cem horas off pode parece pouco. Tem gente que fica mais, seja por opção ou por necessidade. Mas já vi (e você também rs) pessoas  surtarem por conta de minutos  sem internet ou por conta de internet lenta). No meu caso foi tudo junto: uma viagem necessária para uma região serrana, precisamente num sítio, sem sinais para qualquer operadora de celular e muito menos para internet, para visitar minha Tia- Mãe Guinha. Além disso, confesso que experimentar algo “diferente” me atrai. Digo diferente, porque da última vez que fui pra lá, fiquei apenas dois dias...


O fato de olhar em volta e só ver e ouvir a natureza é algo que não faz parte da nossa rotina, corremos até mesmo o risco de esquecer como é. Já no caminho, a paisagem começa a mudar, gradativamente, a cor cinza vai sendo substituída pelo verde. Sempre achei aconchegante olhar em volta e ver montanhas e mais montanhas.




À noite, nos entretemos com um único canal de TV. Mas, eu e minha sobrinha achávamos mais interessante ficar lá fora, onde não se enxergava um palmo diante dos olhos. Daí a impressão da magia: mais e maiores estrelas que em qualquer outro pedaço de céu. Além dos vaga-lumes... Nem me lembro de quando vi um na cidade.


Certamente quem é daqui como minha tia, tios, primos não vêem a diferença no cheiro e na densidade do ar. Por exemplo, o cheiro das folhas dos eucaliptos pra mim é algo inebriante. Remete-me à infância. As pessoas daqui CONVERSAM gente! E elas conversam sobre os mais variados assuntos e, com seus diálogos simples, se fazem entender de um jeito simples  e coerente pertencentes apenas aqueles cujo conhecimento não advêm apena das teoria, mas da lida diária.


Aqui a prosa corre fácil. As pessoas não são monossilábicas. Basta puxar um fio da meada de um causo antigo a e pronto. Tem conversa pra noite toda. Tente fazer isso no nosso dia a dia atropelado pela correria, ou no meio de um programa de TV, ou quando alguém estiver mexendo no celular... A pessoa, no mínimo, vai olhar pra sua cara ( com sangue no olho, claro rsrsrs) e, puta porque foi interrompida, vai se limitar a acenar negativamente com a cabeça.



Numa destas manhãs, acordei com meu primo, que tem mais de cinqüenta anos dizendo: “Bênção Tia, Bênção Tio!” E logo já foram convidados pra um café na cozinha que, segundo Rubem Alves, é o coração da casa. Não demorou e minha mãe veio chamar: “Vamos meninas! Sua Tia Rosinha e o Primo Juza vieram buscar vocês pra almoçar!” Não que estas palavras não existam no nosso cotidiano; mas, assim, com este carinho e com esta gentileza, não existem não. Pense em um vizinho que mora em outro bairro, vindo a pé até sua casa pra te levar pra casa dele pra almoçar...


Todo final de tarde saíamos para caminhar, pés no chão, vento nos cabelos, uma tarde destas vimos muitos tucanos bem de pertinho. E foi então que pensei: “Como suportamos tanta pressão, tanta poluição sonora e não surtamos amiúde???”. Outra coisa que me ocorreu é que, muito provavelmente, eu estivesse gostando tanto do silêncio e dos diferentes sons, porque tinha certeza de que meus dias ali estavam contados. O meu reencontro com a URBANIDADE estava marcado. Talvez não ficasse tão tranquila, por exemplo, se não tivesse certeza de quanto tempo ficar ali.



Por ora, o que sabia era que a QUIETUDE havia tomado conta de mim. Embora eu deva ter demorado aproximadamente umas oito horas para desacelerar, o que não foi muito. Na cidade, devido aos fatores externos, dificilmente conseguiria este feito. À noite, depois que todos se acomodavam em suas camas, só se ouvia o som do vento, grilos... Nenhuma moto zuando com o escapamento aberto; buzinas; sirenes; gritos de pessoas na rua, vozes na vizinhança, carro com som alto (aliás, carro nenhum rsrs). E aí amigo era só EU COMIGO MESMA, do tipo: “Vem cá minha nega, vamos conversar!”. A principio, foi assustador. Eu não queria conversar comigo mesma... Sou complicada, tenho muitas coisas pra resolver, de outras quero fugir... Mas, o inevitável encontro aconteceu. Doeu? Sim. É agradável ouvir a própria voz dizendo verdades? Não! Ter a certeza de que é só você que pode enfrentar todos os seus medos, que mais ninguém fará isso por você é assustador, mas determinante.


Fato é que passei por um enfrentamento bom, necessário, lúcido e inesquecível. Um enfrentamento que só foi possível aqui: entre os meus, pisando no chão, no silêncio absoluto da noite. O que nunca teria acontecido na minha zona de conforto. Aqui o silêncio é tão grande que “grita” e, de algum modo, ele sussurra: “Também sinto medo de mim”.


Na minha última noite lá, em pé, numa clareira, tratei de firmar alguns compromissos comigo mesma: apertar o “reset” de vez em quando, me isolar da enxurrada de imagens, de sons, de gritos, da competitividade desleal; da vaidade excessiva; dos padrões... Do famoso “vender o almoço pra comprar o jantar”.



O que percebo – e isso é muito pessoal – é que CAMINHO RUMO AO NADA FAZENDO DE UM TUDO. Corremos muito pra chegar a lugar nenhum; discutimos tudo que já foi dito e que já foi feito, literalmente, andamos em círculos e sem “pausas”, acreditando que estamos indo sempre para frente. ENGODO! Não estamos. O máximo que estamos conseguindo é adoecer nossa alma. E o que fazer? Retroagir? NÃO! Estagnar? NÃO! É mais complexo que isso: encontrar e manter o EQUILÍBRIO entre afazeres diários tão antagônicos: cumprir regras X relaxar; “bater metas” X lazer; usar as ferramentas tecnológicas sem se deixar escravizar por elas...  E por aí vai.

O que torna a busca de equilíbrio tão difícil é o fato de que vivemos num mundo, onde somos peças de catálogos. Procuram-se amizades e casos  de amor de acordo com as poses e com as descrições feitas no catálogo. Sinto-me privilegiada por ter aproveitado cada momento em que estive “off”para determinadas coisas e “on”para outras. Foram 100 horas incríveis:


►100 horas off de celular e on de conversa.
►100 horas off de touch e on de abraços.
►100 horas off de youTube e on de paisagens reais.
►100 horas off de fone de ouvido e on de sons da natureza.
►100 horas off de vista cansada e on de descanso para os olhos.
►100 horas off de Google e on de descobertas maravilhosas.
►100 horas off de áudio de whats e on de vozes reais.


Destas horas, guardarei muito aprendizados... Um deles é que não demonizo de modo algum a tecnologia e a aglomeração da cidade grande; simplesmente, porque não são estes aspectos que determinam quem devo ser ou poderei vir a ser. Outro aprendizado e o mais raro deles é que podemos estar cercados de dezenas de pessoas, mas  estarmos sós; podemos estar cercados de toda tecnologia existente e ela não nos livrará de um mal súbito nem da perda de quem amamos; podemos estar cercados de amigos e, ainda assim, sermos traídos. 

Enfim, a verdade é que, pobres de nós, que achamos que poderemos passar a vida fugindo de um encontro fatal conosco mesmos, ele nos espreita logo ali... No silêncio com que, cedo ou tarde, nos esbarraremos.

 


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A MORTE DO DIÁLOGO (DEATH OF DIALOGUE)

POR MARI MONTEIRO



O diálogo a que me refiro no título é o diálogo em forma de conversa, no sentido mais simples de sua concepção que, de acordo com o dicionário Priberam de Língua Portuguesa, significa: conversa entre duas ou mais pessoas. Logo, vamos conversar sobre a morte da conversa. Redundante? Sim. Irreal? Não.



Pensemos. Estamos vivendo numa Era em que a informação e nunca foi tão acessível. Sabemos de tudo ou de quase tudo na hora em que temos CURIOSIDADE, desde como fazer um drink até a leitura de uma tese se doutorado. Mas, passado este momento, esquecemos ou nos entretemos imediatamente com outra coisa, que também está à disposição na rede. Isso não é ruim. O ruim é que sabemos superficialmente de milhões de coisas que não nos  servirão para nada se não forem internalizadas. E, certamente, não daríamos conta (e nem precisamos disso!) de internalizar o que não é CONVERSADO e, conseqüentemente, não é entendido.


Então, estou dizendo que para compreender determinado assunto, é necessário conversar sobre o mesmo? Sim! Do contrário, ele é apenas uma informação. E o que nos tornamos quando acessamos informações? MEROS REPRODUTORES DO QUE JÁ FOI DITO POR OUTRA PESSOA. E, nesse hábito de nos informar cada vez mais e conversar cada vez menos, perdemos nossa capacidade de argumentar, de entender, de ser capaz de enxergar a partir de diferentes pontos de vista... O que já é uma das tantas implicações da morte do diálogo.



Ao invés de usarmos todas as ferramentas tecnológicas disponíveis, incluindo as Redes Sociais, para nos tornarmos mais pensantes e articulados, nós fazemos o contrário: sintetizamos cada vez mais nossa comunicação; reduzimos nosso vocabulário (escrito ou falado), repetimos idéias alheias (o que é diferente de compartilhar... isso é bom!) como sendo nossas, e reproduzimos isso em nossa casa, no trabalho e em nossos relacionamentos afetivos. ESTAMOS NOS TORNANDO SERES MONOSSILÁBICOS!


Estou culpando a tecnologia por isso? ABSOLUTAMENTE NÃO! Antes eram os periódicos, depois  a TV e assim por diante... Ao contrário, entendo a tecnologia uma facilitadora para a ampliação do diálogo. Pois assunto é o que não falta nas reses. A questão é saber filtrá-los e, caso sejam relevantes, CONVERSAR SOBRE ELES. Mas, reparem nas postagens (especificamente falando das redes), quando elas são um pouco maiores (tipo cinco ou mais frases, poucos leem rsrrs e raros comentam). Estamos ficando preguiçosos ou, pior, NÃO QUEREMOS NEM SABER O QUE O OUTRO PENSA!




Em que eu acredito? Na conciliação da tecnologia e do diálogo. Mais que isso. Acredito que a tecnologia deve nos servir e nos humanizar e humanizar implica em dialogar. Telefonema virou luxo. Olhar nos olhos então, já tem pessoas que se sentem constrangidas se começamos a fitá-las. Basta pensarmos em qual foi a última vez que conseguimos conversar longamente com alguém olhando nos olhos da pessoa, sem que um toque de celular atrapalhasse. Entendo que o celular é essencial; mas, chego a ser radical quando; por exemplo, preciso de dez minutos com alguém (MÍSEROS DEZ MINUTOS!!!) e a pessoa n;ao desliga ou silencia o celular. Eu faço isso! Sempre que alguém diz: “Mari, preciso falar com você!”, a primeira coisa – depois do susto! Rsrs – que faço é silenciar o celular. É grosseiro, estarmos conversando com a pessoa e a criatura visualizando whatsApp... Com raras exceções, isso pode esperar um pouco né?




E, de tanto ver muito e de conversar pouco, estamos desaprendendo a ouvir. E, quem não ouve, não conversa. A nossa impaciência aliada à pressa e à fluidez das coisas está fazendo com que acreditemos que conversar é perder tempo. Se repararem bem, falta assunto, quando não há programas de TV, posts, piadinhas, fofocas de artistas... E falar sobre nós mesmos? Pra quê? Com quem? A quem interessa? Pensar sobre isso e concluir que conversamos cada vez mais é sinal de que ao estamos apenas nos calando; mas, também, nos anulando.




É preciso se sentir à vontade com ö outro”, falar de nós mesmos e ouvir o que ele tem a dizer. Se nós, adultos, estamos conversando cada vez menos entre nós,com que direito reclamamos dos adolescentes que passam a maior parte do dia trancada em seus quartos on line? E, nem precisa ser adolescente (meã culpa). Neste exato momento, estou no meu quarto trabalhando enquanto minha mãe está on line no Facebook e  acabou de me mandar um vídeo pelo Whats. Moramos na mesma casa e nos encontramos pela manhã, depois na cozinha para almoçar e..., por vezes, uma “visita o quarto da outra”. Isso é muito louco! Rsrsrs Rio agora, mas, sei que lamentaremos isso um dia: Ah, porque não conversamos mais enquanto podíamos!” E é assim que ocorre na maioria dos lares...



Enfim, não se trata aqui de levantar bandeira contra ou a favor de determinada postura, mas de repensar até que ponto isso nos faz melhores ou piores em termos de civilidade, de cultura, de educação e de afetividade. Mais um tempo assim, e não sentiremos mais a falta de ouvir as vozes de quem amamos... Isso não entra na minha cabeça. Nós ainda escrevemos. Sim, escrevemos. Mas, muita coisa se perde na escrita: o olhar, a entonação, o timbre da voz... Tudo pode COEXISTIR: celulares, abraços, whatsApps; conversar ao vivo; posts no Face; encontros reais; amizades virtuais; fotografias; viagens... Uma atitude não anula a outra. Posto fotos e selfies, porque vivenciei algo bom e quero compartilhar, posto um encontro com amigos, porque estive com ele e CONVERSEI COM ELES... Importa estar junto, DIALOGAR, tocar o outro com palavras e com afagos... Em tempo. Ou seja, feliz daqueles que ousarem olhar para "cima" e procurar outros olhares que não estejam fixados numa tela. ‘’E no meio de tanta gente eu encontrei você. No meio de tanta gente chata sem nenhuma graça.” (Marisa Monte)



COMENTE!