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EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.

domingo, 24 de abril de 2016

O PAPEL DA ESCOLA NO QUE SE REFERERE À OBESIDADE INFANTIL COMO RESULTADO DE SEDENTARISMO “HEREDITÁRIO” (“SCHOOL PAPER WITH REGARD TO OBESITY CHILD AS A RESULT OF SEDENTARY ‘HEREDITARY’.”)

POR MARI MONTEIRO





São tantos temas e tantos dramas tão importantes e fugazes, que mal assimilamos uma informação, chegam outras e mais outras... E a intenção é esta mesmo: NÃO SOBRAR TEMPO PARA QUE NOS DEBRUCEMOS SOBRE NENHUM ASSUNTO AO PONTO DE ENTENDÊ-LO. Assim tem sido em todos os âmbitos: político, social, econômico e afetivo. E, como ouço desde criança, “vamos empurrando com a barriga”. E algumas pessoas fazem isso literalmente. É o caso dos adultos cuja obesidade tomou uma proporção imensa e a pessoa acha que está “tudo bem”. Lamentavelmente, se isola e fica numa ZONA DE CONFORTO IMAGINÁRIA. Sem generalizar, obviamente, mas não sabemos lidar com nossos dramas pessoais e a obesidade é uma deles. E se, nós, adultos, não sabemos, imaginem as crianças.



No caso das crianças, a cada ano que passa é possível observar o aumento da obesidade e suas consequências.  Na maioria dos casos, a origem – além dos péssimos hábitos alimentares – está no sedentarismo “hereditário”. O termo “hereditário”, empregado no título, carece de uma breve justificativa. Ocorre que, baseada em observações de grupos de famílias em locais de lazer como praças de alimentação, restaurantes, praias e piscinas e também nas crianças em ambientes escolares (especificamente no Ensino Fundamental I, cuja faixa etária está entre 6 e 9 ou 10 anos de idade), é possível concluir, sem muito esforço, que quando as crianças são obesas, os pais também o são ou, em alguns casos, pelo menos um dos dois (pai ou mãe) o é.



A partir desta observação, é possível supor que, muito provavelmente, os pais não praticam atividades físicas, nem de forma individual e nem em grupo; ou seja, raramente, vemos os membros de uma família pedalando, jogando bola ou caminhando juntos. Soma – se a esta constatação o fato de que as crianças já nascem tendo tudo à mão. É a “Lei do Mínimo Esforço”.  



Para fins de “justificativa”, tanto para o sedentarismo, como para a obesidade, não faltam argumentos. Porém, o principal deles é a famosa FALTA DE TEMPO: “não sobra tempo para o lazer”; “chegamos muito tarde em casa”; “tenho dupla (ou tripla) jornada de trabalho e, quando chego em casa, quero mais é me deitar”. Isso tudo procede na maioria dos lares? Sim! É muito difícil conciliar trabalho, família, estudos e atividades físicas? Sim! Muito! A questão é que precisamos pensar a médio e  a longo prazo. Ou seja, o que consideramos “saudável” e necessário à nossa saúde e bem estar no momento, que é, PRIORITARIAMENTE DESCANSAR, COMER E DORMIR, mais adiante nos trará vários problemas de saúde. Há uma parcela da população apresentando problemas de saúde como diabetes e de pressão alta, por exemplo, com idade cada vez menor.



Sobre nossos péssimos hábitos alimentares, as justificativas são muito parecidas: “comenos muito fora, porque não tenho tempo pra fazer almoço e jantar todos os dias”; “fazemos lanche no jantar, porque estamos cansados e é mais prático.” Contudo, no caso da alimentação, há um agravante: o ato de comer “por impulso”. Às vezes, comemos tão rapidamente que nem saboreamos a alimentação ou prestamos atenção às suas cores e às texturas. E tudo isso junto contribui para o aumento de peso, o que funciona mais ou menos como um “efeito dominó”: os maus hábitos de alimentação mais o sedentarismo levam à obesidade infantil, que leva à baixa autoestima, que leva ao isolamento, que, eventualmente, leva à depressão e outros problemas que se agravam com a adolescência como bulimia ou anorexia.


Nas fases da infância e da adolescência surge, ainda, outra questão que carece de cuidados e de soluções: o bullying. Neste caso, o bullying relacionado especificamente à obesidade. Não é raro andarmos pelos corredores das escolas e salas de aula e nos depararmos com alunos com blusões largos de moletom e com capuz. Às vezes, nem está frio, mas está lá a pessoa tentando se esconder. Isso é triste. Ainda mais quando um adulto (adultos são bons em questão de insensibilidade) diz na frente de todo mundo algo assim: “ESTÁ DOENTE GAROTO (A)? TIRE ESTA BLUSA AGORA!”. É preciso ter um mínimo de TATO, quando lidamos com GENTE, e isso deveria ser “OBRIGATÓRIO” nas escolas, já que supostamente é um local onde (também supostamente) reina a educação (só que não!).

“(...) A criança obesa é muito afetada pelo bullying, já que a forma de seu corpo gera insultos e apelidos, causando isolamento e depressão. É preciso ajuda mútua entre pais e professores para combater as agressões. Os pais devem ficar atentos aos sinais dos filhos, como falta de interesse pela escola, choros frequentes, sentimento de raiva. A escola tem o papel de orientar o fim dessa prática e punir, visando à aprendizagem, os alunos que realizarem o bullying.(...)” Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO 



É aí que entra o papel da escola que, é claro, não pode dar conta de todos os “problemas extraclasses” inerentes aos alunos. Por isso, acredito que o CURRÍCULO ESCOLAR CARECE DE UMA REVISÃO URGENTE no que se refere aos conteúdos de ensino: o que é realmente importante ensinar e aprender? Neste impasse, chegamos a trabalhar “no automático”; na correria dos dias e das informações; porém com menos profundidade, com menos compreensão e com menos DISCERNIMENTO. Deveríamos pensar numa maneira de incorporar questões relacionadas à saúde (física e emocional) desde cedo nos conteúdos de ensino. Muitos dirão (principalmente os profissionais mais conteudistas que conhecemos): “pra isso existem as aulas de ciências e de Educação Física!”. Não. Não é disso que estou falando. Isso é muito pouco, principalmente nas cargas horárias destinadas a estas disciplinas. Falo de “ESPAÇO” no currículo para que os professores (desde a Educação Infantil) possam trabalhar tais aspectos. O que demanda menor número de alunos por sala; infraestrutura; formação etc.



Porém, enquanto isso não acontece, nós, enquanto docentes ficamos duplamente frustrados. Isso porque, por um lado, os alunos não aprendem de fato (DE FATO! com fluência na leitura e na interpretação e com habilidades indiscutíveis em raciocínio lógico) e, por outro, porque não temos alunos FELIZES CONSIGO MESMOS (muito menos nós ficamos felizes conosco mesmos), críticos, corajosos, ousados, curiosos e POLIDOS...


Há, ainda, a questão do desperdício. É impressionante como vemos nas escolas, em casa, em restaurantes o tanto de alimentos que são deixados no prato e/ou jogados no lixo. Parte desta atitude abominável é fruto de uma educação que não ensina à criança sobre a origem dos alimentos. Existem crianças (com as quais já conversei) que acreditam cegamente que o leite “dá” em caixinhas longa vida. Não conhecem nada (na prática ou “in loco”) sobre agricultura, pecuária e similar.  Esta falta de conhecimento contribui para o desperdício; sobretudo, porque, parece fácil demais conseguir alimentos. Estão nas prateleiras, nos “fast foods”. Eis outra atividade que deveria ser contemplada no currículo escolar: o reconhecimento e a valorização dos alimentos a partir do entendimento do processo integral de produção.



A seguir, um vídeo onde Michelle Obama dança com os alunos de um aescola que faz uma campanha contra o sedentarismo!!! Demais"Uptown Funk" 


Para finalizar, entendo que o ato de se alimentar constitui um evento cultural que, se assim fosse visto e entendido, tornaria educação (ou a reeducação alimentar) menos complexa. Tal evento passa pelo fato de unir as pessoas; de observar cores e formas dos alimentos (o comer com os olhos); saborear todos os alimentos, sentindo sua textura SEM PRESSA.  Tais comportamentos seriam de grande valia no combate, por exemplo, à gula. Desde pequena, a criança deve aprender a comer pequenas porções e saboreá-las, mastigá-las devagar. O que, comprovadamente, acelera o processo de saciedade, fazendo com que seja ingerida uma quantidade menor de alimentos. E, dada a realidade em que as crianças são criadas, em sua maioria em creches e escolas, cabe à escola o fundamental (e até urgente) papel de contribuir significativamente para sanar tais questões; ao invés de ficar tentando solucionar problemas, focar mais na REEDUCAÇÃO ALIMENTAR; NAS ATIVIDADES FÍSICAS e , consequentemente, no combate à obesidade infantil.






terça-feira, 19 de abril de 2016

OLÍMPIADAS DO BRASIL 2016: QUEM VAI PAGAR A CONTA? (“OLYMPICS IN BRAZIL 2016: WHO WILL PAY THE ACCOUNT?”)


POR MARI MONTEIRO





Nada contra o esporte. Muito pelo contrário. Tenho plena e total admiração pelas mais diversas modalidades esportivas. E, como cidadã brasileira que sou, obviamente, fiquei feliz quando o Brasil foi escolhido para sediar as Olimpíadas 2016. Porém, e quem saberia que, agora, faltando poucos meses para as Olimpíadas, estaríamos vivenciando um CAOS GERAL? Muito além da questão do IMPEACHMENT DA PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF, há questões que carecem de atenção por todo país. Contudo, neste artigo, me deterei às carências e aos perigos aos quais está submetida toda a população do Rio de Janeiro. Não que nos outros estados não aconteça o mesmo, por vezes é até pior. Mas quem sediará as olimpíadas 2016? O Rio de Janeiro.




Ocorre que neste estado (em outros também...) existem milhares de servidores públicos ativos e inativos com pagamentos atrasados. E, em plena crise política e econômica, este fato adquire um “peso’” e um efeito ainda maior. Imagine você atrasando todas as suas despesas domésticas? Todas elas serão acrescidas de juros; mas seu salário, não. Então, além da perda do poder aquisitivo que temos tido ao longo dos anos por falta de aumento justo de salários, a pessoa pagará juros... Ou não. Há chefes de família que não estão conseguindo pagar nem mesmo os serviços básicos como? Energia, água, telefone etc.



Ainda há o desemprego, cujo índice cresce vertiginosamente. Neste caso, imagine-se procurando emprego, sem dinheiro sequer para a condução, passando em frente às obras para as Olimpíadas: belos ginásios, Vila Olímpica etc. Certamente, que sabemos que se trata de um investimento que atrairá o turismo por um tempo; que as imagens transmitidas para o Mundo no decorrer dos Jogos Olímpicos serão “DESCARADAMENTE MAQUIADAS”... E depois? E quando os Jogos acabarem e os turistas e os atletas forem embora? Quem pagará a conta? Até hoje existem estádios feitos para a Copa que nunca mais sequer se aproximaram da lotação. O retorno através das vendas e do turismo em geral pode até solucionar alguns problemas.  Mas serão soluções paliativas. Herdaremos todos um prejuízo enorme após as Olimpíadas.  Os gastos com as Olimpíadas já passam de 36 bilhões de reais. UM ABSURDO! (Mais detalhes em http//www.brasilpost.com.br/2015/08/21/custo-rio-2016_n_8020688.html  acesso 19 de abril de 2016)




E quanto à crise na saúde pública? Os turistas terão postos de atendimento preferencial; pagarão – eventualmente – serviços de saúde privados? E a estrutura montada para o atendimento dos atletas? Enquanto isso, nos “BASTIDORES E NOS CORREDORES” dos hospitais públicos, as pessoas continuarão como agora SEM O MÍNIMO DE DECÊNCIA NO ATENDIMENTO e as doenças se PROLIFERANDO. Para o Mundo que assistirá as olimpíadas pela TV, será passada (VENDIDA) outra imagem: a cidade maravilhosa, lindas praias, lindas mulheres, boa comida, ótima infraestrutura (até dói escrever isso!). Para os turistas que vierem para o Brasil, tapete vermelho para eles: bons hotéis; boa comida; transporte etc. Enquanto isso, nas ruas dos guetos, nas vielas e nas favelas...


Mais uma coisinha, Coréia do Norte, lança  UNIFORME OLÍMPICO REPELENTE... veja mais no link abaixo:


http://www.msn.com/pt-br/esportes/olimpiadas/com-medo-do-zika-coreia-do-sul-lan%C3%A7a-uniformes-ol%C3%ADmpicos-com-repelente/ar-BBsl3c0?li=AAb78Ju&ocid=mailsignoutmd




Enfim, não poderia deixar de escrever sobre esse evento num blog sobre Educação. Apesar de me sentir “pequenininha”, me posiciono. E, neste exato momento, posso lhes garantir que meu sentimento é de TRISTEZA por saber de uma realidade que vem se arrastando e que não mudará após as Olimpíadas... Quiçá não piorar e de VERGONHA ALHEIA, porque acompanho esportes do Mundo todo e admiro a organização e o respeito com que são tratados atletas e públicos, e a vergonha é exatamente por saber que, no caso da maioria dos países, esse tratamento e este respeito CONSTITUEM PARTE DA CULTURA DE DETERMINADOS PAÍSES; ou seja, eles existem independentemente de da realização de eventos e da presença de turistas e da cobertura da mídia. Um exemplo disso é segurança no Rio de janeiro. Durante as Olimpíadas, segurança máxima para turistas, público e atletas... Depois, tudo voltará ao normal. E o normal, no caso, é bala perdida matando inocentes; tráfico pesado de armas e drogas e chacinas.







sexta-feira, 15 de abril de 2016

POR DETRÁS DOS ÓCULOS ESCUROS (“BEHIND THE DARK GLASSES”)

POR MARI MONTEIRO



Nem é de bom tom andar pelas ruas encarando as pessoas, prestando atenção nos semblantes, nos comportamentos e; sobretudo, na maneira com as pessoas nos olham. Isso não nos parece nada educado não é? Porém, dentro do que chamamos de educação informal, a boa educação recomenda que nos cumprimentemos, que olhemos nos olhos das pessoas que falam conosco... Comportamentos cada vez mais raros. Dependendo da situação ou lugar, pode até se considerar como um comportamento suspeito. Porém, se estivermos usando óculos escuros e, preferencialmente, a maioria dos outros não estiver, é possível observar comportamentos e atitudes muitíssimo interessantes ou bizarros, dependendo do ponto de vista (ou de visão, literalmente.).


Numa destas tardes super claras de outono me flagrei fazendo tais observações. Foi uma experiência “diferente”, pra dizer o mínimo. Passava das 17h, mas ainda havia sol. E eu, por conta da minha fotofobia, saí do trabalho rumo ao centro da cidade usando meus óculos escuros. É uma boa caminhada! Imagine se não aproveitei para prestar atenção em cada pessoa que passava por mim: homens, crianças, idosos, jovens, mulheres... Enfim todo mundo.


Havia mais um aspecto, além dos óculos escuros, a meu favor. Neste horário, as pessoas estavam vindo e eu indo (confuso? RS); ou seja, eu estava caminhando no contra fluxo, parecia que apenas eu caminhava naquela direção e o restante da ‘humanidade’ vinha na minha direção. No começo, parecia mais uma sandice (adoro esta palavra) de minha parte; mas, depois de sistematizar mentalmente meus procedimentos, meus planos fizeram algum sentido.



Então, fiz algo que nunca havia feito antes: caminhei olhando atentamente para todos; nos olhos de todos (para ver para onde olhavam); para suas roupas; para suas fisionomias... Dei-me conta de que as lentes escuras nos conferem uma espécie de anonimato, porque ninguém sabe exatamente pra onde estamos olhando. Imagine eu fazendo isso SEM óculos escuros, apanharia da primeira pessoa que eu observasse; melhor dizendo, encarasse.  Já que me propus a analisar as pessoas, diminuí os passos e fiz tudo com “todo tempo do mundo”. Vi coisas incríveis; inusitadas; bizarras; engraçadas; gentis e muita gente apressada. Para que eu não me perca na narrativa (o que é bem fácil rs), farei as  descrições seguindo a ordem dos adjetivos dados às(?)  minhas observações.


- INCRÍVEIS: um casal com três crianças pequenas e sem dar as mãos pra nenhuma... Todos em filha indiana. Como pode não ser atropelados?

- INUSITADAS: pessoas (acho que vi pelo menos três) falando sozinhas e muito alto. Uma delas, nitidamente, com problemas mentais; mas as outras estavam muito bem vestidas com bolsas e sacolas... Vai saber. Uma destas duas bem arrumadas falava palavrões para todos que olhassem  na sua direção, inclusive, ouvi o meu. “Tome!” – diria meu paizinho. Também percebi que as mulheres nos olhos mais do que os homens.

- BIZARRAS: Moleques com garrafas de água para jogar nas pessoas que passavam por baixo da passarela. O casal de bêbados que moram sob a passarela trocando socos por conta de um cigarro. Casais que passam de mãos dadas e o homem te olha da cabeça aos pés.

- ENGRAÇADAS: Uma senhora arrastando o filho e falando: “Venha ovelha desgarrada do pastor!”. No que a criança respondia chorando: “Eu não sou uma ovelha e você não é meu pastor!”.

- GENTIS: um gari ao ouvir que uma senhora estava a caminho da UPA da Vila Magini, se dirigiu a ela para avisá-la que estava fechado pra reforma. Outro rapaz pegou a fralda de um bebê de colo que caiu. E foi só!

- APRESSADOS: o que mais vi foi a PRESSA DOS CORPOS e o CANSAÇO NOS ROSTOS. Enquanto registrava estas observações, atinei: “pressa de fazer o que?”; “Pressa pra chegar aonde? Trabalho? Casa? Escola?” Era com se a pressa, de certa forma, os deixasse invisíveis e os fizesse pensar: “não olho pra ninguém, vou reto e quem quiser que se desvie de mim.” Penso assim porque para olhar minimamente para alguém, é necessário um tantinho de paciência a calma. Incluo na questão da pressa os headphones (?) e os celulares... Os “serviços” a que prestam estes objetos também se assemelham aos poderes do “manto da invisibilidade”: eximem da obrigação de cumprimentar, de responder, de olhar para as pessoas etc.



Esses comportamentos observados parecem pouco demais. Porém, se pensarmos que nem nos olhamos quando caminhamos na rua, eles adquirem uma proporção de cenário... Um cenário com personagens anônimos, cada um com seus dramas pessoais e sociais e que a gente não quer nem saber... Somos condicionados e ”empurrados” pelas circunstâncias para agir assim: cada vez mais autômatos. Isso é assustador! Quanto mais isolados, menos conversamos; quanto menos conversamos, menos nos HUMANIZAMOS. Haverá cada vez menos afetividade entre as pessoas...


Sobre o cansaço, alternado com semblantes embrutecido, observado nos rostos da maioria, não encontrei muitas conjecturas. Era cansaço ou raiva ou AS DUAS COISAS JUNTAS. Todos nós andamos visivelmente cansados. Mas a pressa me intrigou. Por conta dela, deixamos de VER; de OUVIR, de SENTIR; de DESCOBRIR tantas coisas. Momentos não voltam... Oportunidades perdidas não voltam... Palavras não ditas se calam pra sempre... Estamos perdendo o gosto de ser humanos e, por tabela, perdendo o gosto pela humanidade. Fiquei imaginando até onde iriam aqueles tantos passos apressados; onde cada um pararia para descansar o cansaço dos rostos, talvez...





quinta-feira, 24 de março de 2016

CRISE BRASILEIRA: ONDE CARA PÁLIDA? (BRAZILIAN CRISIS: WHERE PALE FACE?)

POR MARI MONTEIRO





Gostaria de não estar escrevendo este artigo. Mas, há tempos, aprendi que o que não se diz ou faz, SUFOCA! Um dos motivos pelos quais esse assunto me desagrada é a FALTA DE COMPREENSÃO DA MAIORIA DO POVO BRASILEIRO. Não sei exatamente como funciona a Educação Política (aliás, acabei de criar este termo e me ocorreu que deveria existir uma DISCIPLINA CURRICULAR com este nome) em outros países; mas aqui somos criados ouvindo dos adultos em geral que temas como “religião e política não se discutem”.  Logo, quando predominam a incerteza econômica e caos político, nos dividimos basicamente em três grupos: os indiferentes; os que atiram pra todo lado; e, o menor deles, aqueles que se informam, conversam, refletem, planejam e FAZEM ALGO. 



Então, temos a seguinte situação neste momento (às 23h00 de 24 de março de 2016- hora da revisão), friso “momento”, porque no minuto seguinte tudo que escrevi até então poderá perder a validade ou, no mínimo, a intensidade. Isso porque a quantidade de notícias e de informações veiculadas pela mídia e pelas redes sociais nunca foi tão grande e rápida. O que dificulta ainda mais a compreensão dos fatos. E, uma vez que não se compreende os fatos, não os interpretamos (lembrando que o Brasil é um dos ÚLTIMOS COLOCADOS NO RANKING MUNDIAL SOBRE INTERPRETAÇÃO TEXTUAL). A situação a que me refiro é a seguinte: SOMOS INSETOS ORBITANDO EM VOLTA DA LÂMPADA, TONTOS, INDO PRA LUGAR ALGUM E DESCRENTES DA LUZ QUE EMANA DESSA LÂMPADA (PONTO!). 

Pensando nisso e acompanhando, na medida do possível, a sequencia dos fatos no noticiário, o que vejo é uma INDIFERENÇA PREDOMINANTE E ASQUEROSA por parte da maioria dos brasileiros.  Certamente, cem por cento de entendimento e de atitude por parte da população é utopia demais de minha parte, mas a FALTA DE INDIGNAÇÃO me enoja; assim como me enoja também a dificuldade que temos para articular movimentos e manifestos de repúdio ORGANIZADOS e EFICIENTES. Não basta que milhões de pessoas lotem a Av. Paulista num domingo. É preciso dar PREJUÍZO para todas as esferas sociais (o que seria, ainda, muito pouco diante do prejuízo que nós, trabalhadores, temos diariamente).  E como seria isso? PARAR GERAL.  O que me lembra de uma música de Raul Seixas: “O DIA EM QUE A TERRA PAROU”  Se acontecesse tal como nesta canção, teria minha alma lavada.. Quem sabe um dia...






Outro aspecto que me entristece muito é a falta de civilidade e de patriotismo no nosso país. Com exceção da Copa do Mundo e das Olimpíadas (que, a propósito, deveriam ser canceladas ou boicotadas pelos outros países em solidariedade ao sofrimento do povo brasileiro e à vergonha que as “autoridades” nos tem feito passar), não vemos nossa bandeira em quase lugar nenhum. Na sua casa tem uma bandeira brasileira hasteada neste momento? Pois é, na maioria das casas dos norte-americanos tem. Independente de datas e afins. É uma questão de sentir orgulho, uma questão de “PERTENCIMENTO À NAÇÃO”. Podem falar que estou sendo tendenciosa. Sou sim. Admiro cada vez mais o Sr. Barack Obama. Ele pode tomar metrô; ir a cafés; conversar nas ruas; dançar e cantar em público, porque sua postura e índole lhes permitem isso. Imaginem Nossa Presidente e seus ministros num metrô em São Paulo na hora do rush. A propósito, mais uma coisa que “invejo” neles (norte-americanos) é o fato de o voto não ser obrigatório.  No dia da eleição, a pessoa sai de sua residência, de livre e espontânea vontade e, o melhor, consciente da importância do seu voto.


Lamentavelmente, No Brasil há mais fatores contribuindo para a confusão de pensamentos do que para o discernimento  e para a organização destes. Um exemplo disso são os partidos políticos com "líderes" desarticulados e perdidos, meros reprodutores de discursos que já virara clichê há tempos. E o tanto de legenda de partido? Pra que tanta sigla minha gente?





Sei que não alcançamos ainda um patamar, já alcançados em tantos outros países, acerca do conceito de EMPODERAMENTO, ou empowerment, em inglês, que significa uma ação coletiva desenvolvida pelos indivíduos quando participam de espaços privilegiados de decisões, de consciência social dos direitos sociais. Imaginem se metade da população tivesse essa consciência. Ocorre que muitos fatores contribuem para a falta de “educação política”: somos um povo que não lê; que não se orgulha de si mesmo, caso contrário viveríamos mais de nossas “marcas” e grifes e não de outros países (já cansei de ter alunos DE ENSINO MÉDIO vestindo camisetas com frases e/ou palavras em Língua Inglesa que, quando perguntado o significado daquilo, eles simplesmente não sabem); que não se organiza para que haja uma sincronia nos atos e manifestos; não é só ir pra rua fazer selfies e colocar carros de som, cada um falando ou tocando uma música diferente... Ou palcos com shows!!!
  


O grau de incerteza e de impunidade no país nos tira a crença de que algo
CONCRETO possa, literalmente, nos salvar. Em outros países, por muito menos, a maioria da população já teria tomado as ruas, “parado tudo” e, de certa forma, forçado uma resolução. O que vejo são pessoas andando em círculos: autoridades; juízes; Policia Federal; políticos e, claro, o povo brasileiro. É um empurra-empurra; um disse que disse que parece até aquelas crianças, nos primeiros anos de escola, que são chamadas na diretoria por alguma arte e um aponta pro outro dizendo simultaneamente: “FOI ELE!”. E o “diretor” passa a mão na cabeça dos dois, diz pra um pedirem  desculpas um pro outro, que agora são amigos novamente e que voltem para suas salas... Como se nada tivesse acontecido.  Outra imagem que me vem à mente, agora mais forte, é de um bando de hienas e urubus rondando a carniça; sendo que a carniça, neste caso seria qualquer cargo político que dê alguma “proteção” e as hienas e urubus são os políticos corruptos que estão com o cú na mão. Enquanto isso, nós, o povo, telespectadores do GRANDE CIRCO (“Terceiro Mundo se for, piada no exterior...” disse Renato Russo há mais de 25 anos), ficamos aguardando o “Grand Finale”... O desfecho que para mim, seja qual for, sinceramente, já é tarde! O estrago foi grande demais! Quem vai nos devolver os empregos perdidos; a moral perdida; a credibilidade interna e externa; a nossa confiança e a nossa autoconfiança?
 


Mas tudo bem, vamos consumir. Vamos comprar ovos de Páscoa caríssimos e ostentar mais uma data comemorativa, insuflando a massa e, pior, as crianças, para acreditarem que está tudo bem... Logo tem as Olimpíadas 2016. Vamos nadar nas águas poluídas do Rio de Janeiro; “vamos passear depois do tiroteio”; vamos ganhar medalhas, muitas medalhas de ouro. Será??? Em quais modalidades? Em “bom comportamento” que não será!
 


segunda-feira, 14 de março de 2016

O QUE REALMENTE IMPORTA? (WHAT REALLY MATTERS?)

POR MARI MONTEIRO




Escrevo por vários motivos: porque gosto; por prazer; para conversar; mas o que gosto mesmo é de escrever par inquietar, para atazanar quem lê. Sinto certo prazer em imaginar alguém pensando: “Lá vem ela com essas idéias de gente doida!”.


Agora, por exemplo, quero escrever sobre o que e sobre quem realmente importa na minha vida. Porque a vida é muito curta e, sendo ela muito curta, não quero perder tempo com coisas e com pessoas que não me importam.


Caos, correria, estresse, competitividade; “obrigação” de seguir os padrões ditados pela mídia... Todos estes aspectos corroboram pra que não pensemos nas prioridades ou, pior, para acharmos que tudo é prioridade e; por, isso, temos de fazer tudo ao mesmo tempo agora. E, dessa forma, fazemos tudo cada vez mais SUPERFICIALMENTE. E o que é superficial pra mim, de verdade, não me interessa; logo não me importa. Não dá pra amar superficialmente; se curar de uma doença superficialmente; morrer superficialmente; viver superficialmente.


Então, o que vejo somos nós, humanoides perdidos no espaço, orbitando em torno de TUDO e fazendo NADA. Não temos raízes, se temos estamos deixando-as fracas, até não suportarem mais o “peso” dos galhos (nossos corpos). Falta “ADUBAGEM”. E, como é que ser aduba uma alma pra sentir mais, para estar mais alerta aos sinais e às sutis belezas e alegrias dessa vida? Com ingredientes que estão cada vez mais difíceis de encontrar: CONTEMPLAÇÃO; EMPATIA; REFLEXÃO; AUTOCONHECIMENTO; PAZ DE ESPÍRITO .



Neste mundo caótico em que vivemos, onde, raramente paramos para fazer coisas ESPECIFICAMENTE HUMANAS (ou que deveriam ser inerentes ao ser humano), me flagrei querendo saber o que realmente importa na minha vida. E jamais imaginei que a resposta chegasse tão rápida e nítida na minha mente: O QUE REALMENTE IMPORTA É QUEM SE IMPORTA COMIGO. Egoísmo? Não. Seletividade e otimização do meu tempo.


O que me importa, falando especificamente no sentido material, responderia: “O SUFICIENTE”. Porém, quando se trata de relacionamento, não tenho dúvidas: são as pessoas que realmente se importam comigo. O que independente de fatores como distancia; grau de parentesco; classe social; religião. Se parar pra pensar não é uma quantidade tão grande de pessoas assim.


Uma das principais justificativas usadas para a falta de contato e de comunicação social é: “não sobra tempo pra nada!”. Eu sinto medo disso. É preciso ter coragem para sentir medo. E medo é uma sentimento que  a gente só confessa ou demonstra pra pessoas em que a gente realmente confia. E eu temo, inclusive, não dar a devida importância às pessoas e  às coisas que merecem.



E o que significa se importar com o outro? Podemos explorar isso juntos nos questionando sobre alguns aspectos como, por exemplo de quantas pessoas, normalmente, ouvimos, dentro ou fora de casa, indagações como: “Como você está?”; “Vamos conversar?”; “Se eu fosse um ‘gênio da lâmpada’’, quais seriam seus desejos pra hoje?”... Perguntas não faltam; falta quem queira saber e esteja disposto a deixar de lado a TV, o celular e  afins para conversar, para ouvir... Defendo a tese de que quanto mais perdemos a capacidade de ouvir, mais perdemos a capacidade de falar, de argumentar... E vamos nos emudecendo, diminuindo o vocabulário até chegarmos, como já disse José Saramago,  a grunhirmos uns para os outros. E, paralelo a isso, outra coisa grave acontece: estamos deixando de sorrir, ficamos mais sisudos, caras amarradas... FEIOS DE ALMA.



Gradativamente, estamos nos tornamos “SERES INSTANTÂNEOS E MONOSSILÁBICOS”. Basta pensar um pouco sobre a seguinte questão: A CONVERSA, SEJA EM CASA OU NO TRABALHO – e mesmo nas baladas _ TEM QUALIDADE? OU SEJA, A CONVERSA FLUI? Na maioria dos casos não. Ou então nos limitamos a falar dos outros, de piadas, dos fatos que todos já viram na internet... E, nesse ritmo, perdemos a oportunidade de CONHECER MELHOR O OUTRO e de NOS CONHECERMOS. Porque não falamos de nós mesmos. Não debatemos nossos dilemas pessoais e, muito menos, os dilemas dos outros. Ainda assim, nos  sentimos no direito de falar de fulano e de beltrano e de julgá-los.




Estamos chegando a um ponto em que ficamos “sem jeito” para conversar com os outros. Olhamos para os lados, falamos coisas triviais do tipo: “será que chover?” e não sabemos onde colocar as mãos. Na verdade, sabemos sim, estamos sempre com as mãos ocupadas com o celular (rsrsrs); o que, aliás, “resolve” o problema de quem não quer conversar; principalmente, quando temos um head phone em mãos... Pronto. Isso é como colocar uma placa na testa com o aviso: NÃO QUERO CONVERSAR!


E nisso, vamos deixando de dar e de receber afeto. Precisamos dizer coisas boas às pessoas importantes da nossa vida. Mas dizemos? Não ou muito raramente. Tentem pensar no seguinte: "O que você diria para a pessoa mais importante da sua vida se você soubesse que esse seria o último encontro?" Respondida pra si mesmo a questão. Faça isso agora ou amanhã ao acordar. De preferência, marque um encontro ou telefone... Porque até mesmo um telefonema virou luxo no mundo do WhatsApp. Sinta-se importante quando alguém te telefonar (claro, que não seja secretária do seu médico, dentista, cobrador, telemarketing e afins), porque você poderá ouvir a voz da pessoa. Mas... Nada, absolutamente nada substitui o olho no olho.



Justamente porque a vida é um sopro, tudo deve ser FEITO EM VIDA, EM TEMPO...

- Fale o que sente.
- Olhe nos seus próprios olhos e pergunte o que você realmente deseja?
- Contemple pessoas, paisagens, animais...
- Abrace sem medo e sem pressa. (já viram aquelas pessoas que NÃO sabem abraçar? Não é culpa delas. Você as abraça e elas ficam paradas como uma coluna do templo; ficam meio de lado, querendo se desvencilhar, abraçam de modo frouxo... sem entrega. Este tipo de abraço nem conta.)
- Ouça as batidas do seu próprio coração antes de dormir, quando tudo for silêncio.
- Importe-se com o que é importante. (outro dia fiz uma lista de coisas que supunha importantes, guardei numa gaveta. Depois de dois dias, reli e a reduzi pela metade. Logo, terei mais tempo para cada “coisa” que me importa... acho até que, periodicamente, refarei esta lista.).


Se já fiz ou se faço isso? Faço um pouquinho de cada vez. E não é nada fácil, principalmente olhar pra nós mesmos na frente do espelho. É assustador; sobretudo, porque a imagem mental que temos de nós mesmos não corresponde à imagem real que os outros fazem de nós e a que o espelho mostra, quando resolvemos olhar pra ele demoradamente e de cara limpa. Mas, garanto que nada é pior que a sensação de tempo perdido como dizia Renato Russo: “Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou.” E, irônica e sabiamente ele continuava: “Mas tenho muito tempo. Temos todo tempo do Mundo.”.



Enfim, pra facilitar as coisas (ou complicá-las...): SOMENTE É IMPORTANTE QUEM SE IMPORTA E SOMENTE SE IMPORTA QUEM É IMPORTANTE. E, se assim é, no final, tudo se resume a uma única palavra: RECIPROCIDADE.  Mesmo porque, só nos ouvirá  quem se importa conosco e só vamos querer falar para que for importante pra nós. Pra que sair falando pelos cotovelos pra quem não nos conhece; não dá a mínima; não sabe e nem quer saber da nossa história. Na maioria das vezes, quando contamos algo para alguém, a gente não quer ser julgado e jogado na fogueira. De repente, a gente só quer ser ouvido ou escutar: “Estou aqui.”.



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

HOMOFOBIA NA ESCOLA? É. NA ESCOLA! (HOMOPHOBIA AT SCHOOL? IT IS. IN SCHOOL!)

POR MARI MONTEIRO




Com que direito uma pessoa olha pra outra, condena sua opção sexual, julga e pune? Nunca consegui entender isso! Cada pessoa é livre para ser o que é. Não é esse o discurso politicamente correto? SÓ DISCURSO! Porque a maioria de nós carrega uma ou mais formas de preconceito.  O que não dá a ninguém o direito de agredir o outro pela sua identidade. Antes, de acrescentar outros comentários, segue a notícia publicada pela mídia ontem (24/02/2016):


"Desde o primeiro dia de aula, eu sabia que ia apanhar. Fui xingado e ofendido. No dia que apanhei, estava com o coração apertado. Quando vi, já levei uma, duas pauladas. Depois, socos, chutes e eu apaguei. E tudo isso por ser homossexual." O autor da frase é um jovem de 18 anos, estudante no segundo ano do ensino médio na escola estadual Lourdes Maria de Camargo, em São José dos Campos, e a descrição se refere ao ataque sofrido por ele, por volta das 23h de segunda-feira (22), na saída das aulas.
Na ocasião, um colega de classe dele, de 16 anos, comandou a pancadaria. Outros quatro adolescentes, todos menores, participaram da agressão. Apesar de identificados, eles foram liberados pela Polícia Civil após prestarem depoimento.
Segundo relato da vítima, ele já havia denunciado o caso para a direção da escola anteriormente. "Desde o primeiro dia de aula, ele me xinga. Nunca teve motivo. É uma coisa inexplicável", disse. "Ele disse claramente que ia me matar, que ia me pagar na saída, que ia acabar comigo", contou.
Como ameaças se intensificaram, no dia da agressão ele havia sido mudado de classe. "A direção achou melhor e me disse para ficar tranquilo que nada ocorreria. Mas, na saída, depois da aula, eu estava conversando com uma amiga na porta da escola quando ele veio com o pau. Não deu tempo de dizer nada", contou.
Durante o espancamento, a vítima afirma ter ouvido os agressores gritarem frases homofóbicas. Depois do primeiro golpe, ele afirma ainda ter visto outros quatro jovens se aproximando, também armados com pedaços de madeira. "Eu tentei correr pra dentro da escola, mas não deu tempo. Senti outras pauladas e apaguei. Só acordei dentro do carro, quando estava sendo socorrido", disse.
Ele teve ferimentos em várias partes do corpo, em especial na cabeça e abdômen. Abandonado na rua foi socorrido por populares e levado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Campo dos Alemães. Ele foi medicado, recebeu sete pontos na cabeça e foi liberado.”  (http://educacao.uol.com.br/noticias/2016/02/24/aluno-gay-e-espancado-a-pauladas-por-cinco-jovens-em-frente-a-escola-em-sp.htm - acesso em 25/02/2016)



Agressões contra gays já me emputecem quando acontecem com adultos em vias publicas ou em outros locais. Agora, na porta da escola, é algo aterrador sob meu ponto de vista. Por quê? Porque é na escola que se combate, de maneira mais incisiva e didática (ao menos deveria ser assim) o preconceito. E, mais, para a “coisa” acontecer fora da escola (na saída) como é o caso, é porque começou no interior da escola, na sala de aula, nos intervalos, corredores, conversas de banheiro etc.


Aí eu pergunto: “Nenhum professor notou ou supôs que algo estaria acontecendo? Alguma piadinha? Mudanças no comportamento dos envolvidos?” Claro que sim. Sou professora. A gente percebe quando alguma espécie de bullying está acontecendo, por mais sutil que seja. Já passei por várias situações em sala de aula em que, uma vez percebido isso, sempre dei um jeito de trazer a temática “da discórdia” à tona: sejam através de redações, debates, fóruns etc. O professor tem este feeling e tem esse “poder” em sala de aula.



Enquanto a escola, na qualidade de educação formal e os professores, na condição de formadores de opinião, não tomarem pra si uma parcela maior de comprometimento com relação ao combate ao preconceito e até outros assuntos, que  extrapolem os conteúdos de ensino, o comportamento predominante na sociedade continuará refletindo preconceitos; agressividade, falta de ética etc. Não estou, com isso, apontando culpados ou responsáveis diretos para o que houve. Quero dizer que é OBRIGAÇÃO DA EDUCAÇÃO FORMAL pensar em meios de implementar disciplinas novas que possam dar conta de abordar as temáticas que causem polêmicas e que, por isso mesmo, devem ser debatidas e trabalhadas.


Há quem diga: “mas isso me uma questão cultural!” ou “isso é a sociedade quem deve resolver” ou, ainda, “quem deve resolver isso são as autoridades competentes!” Pois, todas estas questões são parte da formação e da construção do conhecimento e; portanto, passam sim pela educação formal. Além disso, considero o ambiente escolar o mais propício e oportuno para que questões polêmicas sejam tratadas, debatidas etc. Mas, ao contrário disso, ouço muito: “ah! Não ganho pra isso”; Não quero problemas pro meu lado!”; Isso é problema do aluno e da família dele!’... E nisso a escola se omite e “permite” que as questões mal resolvidas ( algumas  sequer conversadas) como: respeito; individualidade; aceitação etc evoluam para rivalidades e agressões sejam verbais ou físicas. O que é lamentável de se ver... Mas, vemos.


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