POR MARI MONTEIRO
EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.
quarta-feira, 25 de maio de 2016
quarta-feira, 11 de maio de 2016
BRASIL: TERCEIRO PAÍS MAIS IGNORANTE DO MUNDO (BRAZIL : THIRD COUNTRY WORLD'S MOST IGNORANT)
POR MARI MONTEIRO
Descobri que sou mais patriota do que pensava. Ao ler esta
reportagem (mais detalhes no link a seguir) que diz somos o 3º país mais
ignorante no Mundo, me entristeci. Tudo bem que as perguntas feitas estão um
tanto distantes de nossa atual realidade; ou seja, uma realidade que nos assola
com graves preocupações e com temores relacionados ao futuro. http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/pesquisa-elege-brasil-como-terceiro-pais-mais-ignorante-do-mundo-6j7cjk2y5h19r8klog1hqko2e
Detalhes à parte, este é “apenas” mais um tema em que o
Brasil ocupa um péssimo lugar no ranking mundial. Ocupamos péssimos lugares também
em saúde pública; educação e segurança. Por outro lado, somos muito bons em
corrupção; em penas injustas; em impunidades; em perder para a Seleção Alemã... (rs).Enfim.
Fato é que o que menos precisamos agora é de notícias como
esta: SOMOS IGNORANTES. SOMOS? Em minha opinião, lamentavelmente, somos. Há
vários fatos e circunstâncias que comprovam isso. Reivindicamos as “coisas”
erradas nos momentos certos, mas da forma errada. Exemplifico. Na questão
política; por exemplo, ao invés de lutarmos pela NÃO OBRIGATORIEDADE DO VOTO;
de pesquisarmos sobre os candidatos antes de votar, a gente os elege, reelege
e, depois, queremos bons resultados. A gente espera até tudo transbordar pra,
depois, se dar conta de que estamos na merda. É como colocar uma tranca nova
numa porta arrombada.
Mais um aspecto que contribui para essa nossa “fama”: a descarada desigualdade social. Habitamos um país imenso, com muitos recursos (pelo menos, eram muitos...), no
qual a minoria (geralmente através de engôdos políticos) detém muito dinheiro.
E sabemos que é dinheiro sujo. DINHEIRO ROUBADO. Enriquecimento ilícito é coisa
antiga neste país.
Retomando a pesquisa que diz sobre nossa ignorância;
assim como alguns leitores comentaram, eu também pensaria em outras questões
para apurar o “tamanho da nossa ignorância”.
Como, por exemplo:
- Você conhece os governantes de seu país?
- Qual é o regime político adotado no Brasil?
- Você realiza algum tipo de pesquisa sobre os candidatos
nos quais vota?
- Quantas pessoas sem emprego você conhece?
Contudo, a partir das perguntas acima, talvez o resultado fosse ainda pior; pois, apesar do amplo acesso às informações, nos falta o mais importante: INTERPRETÁ-LAS. Neste caso, talvez fôssemos os primeiros colocados...
Contudo, a partir das perguntas acima, talvez o resultado fosse ainda pior; pois, apesar do amplo acesso às informações, nos falta o mais importante: INTERPRETÁ-LAS. Neste caso, talvez fôssemos os primeiros colocados...
Na verdade, esta reportagem é só um gancho para falar um
pouco do que estamos passando. Exatamente hoje, vivemos um capítulo que se, por
um lado mostra a força do povo brasileiro; por outro, nos envergonha histórica e
socialmente. Viramos, literalmente, PIADA no EXTERIOR e há mais de décadas
Renato cantava: “TERCEIRO MUNDO SE FOR. PIADA NO EXTERIOR.” Mal sabia ele que
seríamos mais que isso... Que nosso país cairia em DESCRÉDITO MUNDIAL.
No impeachment de Fernando Collor, provavelmente por conta
da tecnologia de que dispomos agora, tudo pareceu mais lento e “distante”. Mas,
desta vez, ás coisas acontecem dentro da nossa casa. Sabemos de tudo em tempo
real. E, desta forma, tudo parece mais aflitivo. Pode ser que existam pessoas
alheias a tudo isso... Não sei. Mas, a grande maioria de nós está acompanhando
tudo de muito perto. O que, particularmente, faz com que o brasileiro se sinta
mais angustiado para ver a resolução (ou indícios de uma possível resolução) de
tantos problemas. A impressão que tenho é que dormimos num país e acordamos num
lugar pior, ética e politicamente falando.
Isso sem contar a instantaneidade com que os fatos viram "memes" na internet. Quase simultaneamente, os políticos e os respectivos escândalos
são postados nas redes sociais e ganham espaço, virando polêmica ou piada
dependendo do leitor. O aspecto positivo disso é que, querendo ou não;
brincando ou levando a sério; muito mais pessoas “discutem política” hoje do
que alguns anos atrás.
E, mesmo depois de hoje (dia da votação no Senado Federal), ainda teremos muito que fazer. Há
muito a percorrer até que possamos retomar certa estabilidade econômica e isso,
não sei quanto a vocês, mas me atinge de forma muito pesada e incisiva. Minha
preocupação com o “PLANETA DO NETO DO MEU FILHO”, agora, cedeu lugar para o “BRASIL
DO MEU FILHO” tamanha incerteza sobre o futuro. Por exemplo, digamos que pudéssemos realizar uma eleição direta
daqui a três meses, qual seria seu candidato? Porque eu não tenho ninguém em mente.
Por onde olho só vejo sujeira. Não consigo pensar em ninguém capaz de minimizar
impactos; de estancar este efeito dominó que envolve desemprego; alta da
inflação etc. A propósito, sei de casos de suicídio por dívidas, pessoas que
trabalhavam e honravam seus compromissos e não conseguiram mais pagar suas
casas, prestações, alimentos etc.
Conheço pessoas que estão
deprimidas por conta da falta de emprego e, pior, pela falta de esperança.
Enfim, o país está um puteiro no que se refere à governabilidade;
à ética e à credibilidade. Usei o verbo “estar” e não verbo “ser” de esperançosa
que sou. Fico imaginando vivos: Ariano Suassuna; Darcy Ribeiro; Rubem Alves; Paulo
Freire... E tantos outros. Que tristeza! De minha parte, assumo que sinto nojo
de tudo isso. Amo meu país; mas, se pudesse, iria embora daqui por uns dez anos...
Isolaria-me intencionalmente, pra ficar sem noticias e voltaria dez anos depois
pra ver no que tudo se transformou... Minha
esperança é que, parafraseando meu avô, “nada fique como antes no quartel de Abrantes”.
domingo, 24 de abril de 2016
O PAPEL DA ESCOLA NO QUE SE REFERERE À OBESIDADE INFANTIL COMO RESULTADO DE SEDENTARISMO “HEREDITÁRIO” (“SCHOOL PAPER WITH REGARD TO OBESITY CHILD AS A RESULT OF SEDENTARY ‘HEREDITARY’.”)
POR MARI MONTEIRO
São tantos temas e tantos dramas tão importantes e fugazes,
que mal assimilamos uma informação, chegam outras e mais outras... E a intenção
é esta mesmo: NÃO SOBRAR TEMPO PARA QUE NOS DEBRUCEMOS SOBRE NENHUM ASSUNTO AO
PONTO DE ENTENDÊ-LO. Assim tem sido em todos os âmbitos: político, social,
econômico e afetivo. E, como ouço desde criança, “vamos empurrando com a
barriga”. E algumas pessoas fazem isso literalmente. É o caso dos adultos cuja
obesidade tomou uma proporção imensa e a pessoa acha que está “tudo bem”.
Lamentavelmente, se isola e fica numa ZONA DE CONFORTO IMAGINÁRIA. Sem
generalizar, obviamente, mas não sabemos lidar com nossos dramas pessoais e a
obesidade é uma deles. E se, nós, adultos, não sabemos, imaginem as crianças.
No caso das crianças, a cada ano que passa é possível
observar o aumento da obesidade e suas consequências. Na maioria dos casos, a origem – além dos
péssimos hábitos alimentares – está no sedentarismo “hereditário”. O termo
“hereditário”, empregado no título, carece de uma breve justificativa. Ocorre
que, baseada em observações de grupos de famílias em locais de lazer como
praças de alimentação, restaurantes, praias e piscinas e também nas crianças em
ambientes escolares (especificamente no Ensino Fundamental I, cuja faixa etária
está entre 6 e 9 ou 10 anos de idade), é possível concluir, sem muito esforço,
que quando as crianças são obesas, os pais também o são ou, em alguns casos,
pelo menos um dos dois (pai ou mãe) o é.
A partir desta observação, é possível supor que, muito
provavelmente, os pais não praticam atividades físicas, nem de forma individual
e nem em grupo; ou seja, raramente, vemos os membros de uma família pedalando,
jogando bola ou caminhando juntos. Soma – se a esta constatação o fato de que
as crianças já nascem tendo tudo à mão. É a “Lei do Mínimo Esforço”.
Para fins de “justificativa”, tanto para o sedentarismo,
como para a obesidade, não faltam argumentos. Porém, o principal deles é a
famosa FALTA DE TEMPO: “não sobra tempo para o lazer”; “chegamos muito tarde em
casa”; “tenho dupla (ou tripla) jornada de trabalho e, quando chego em casa,
quero mais é me deitar”. Isso tudo procede na maioria dos lares? Sim! É muito
difícil conciliar trabalho, família, estudos e atividades físicas? Sim! Muito!
A questão é que precisamos pensar a médio e
a longo prazo. Ou seja, o que consideramos “saudável” e necessário à
nossa saúde e bem estar no momento, que é, PRIORITARIAMENTE DESCANSAR, COMER E
DORMIR, mais adiante nos trará vários problemas de saúde. Há uma parcela da população
apresentando problemas de saúde como diabetes e de pressão alta, por exemplo,
com idade cada vez menor.
Sobre nossos péssimos hábitos alimentares, as justificativas
são muito parecidas: “comenos muito fora, porque não tenho tempo pra fazer
almoço e jantar todos os dias”; “fazemos lanche no jantar, porque estamos
cansados e é mais prático.” Contudo, no caso da alimentação, há um agravante: o
ato de comer “por impulso”. Às vezes, comemos tão rapidamente que nem
saboreamos a alimentação ou prestamos atenção às suas cores e às texturas. E
tudo isso junto contribui para o aumento de peso, o que funciona mais ou menos
como um “efeito dominó”: os maus hábitos de alimentação mais o sedentarismo
levam à obesidade infantil, que leva à baixa autoestima, que leva ao isolamento,
que, eventualmente, leva à depressão e outros problemas que se agravam com a adolescência
como bulimia ou anorexia.
Nas fases da infância e da adolescência surge, ainda, outra
questão que carece de cuidados e de soluções: o bullying. Neste caso, o
bullying relacionado especificamente à obesidade. Não é raro andarmos pelos
corredores das escolas e salas de aula e nos depararmos com alunos com blusões
largos de moletom e com capuz. Às vezes, nem está frio, mas está lá a pessoa
tentando se esconder. Isso é triste. Ainda mais quando um adulto (adultos são
bons em questão de insensibilidade) diz na frente de todo mundo algo assim:
“ESTÁ DOENTE GAROTO (A)? TIRE ESTA BLUSA AGORA!”. É preciso ter um mínimo de
TATO, quando lidamos com GENTE, e isso deveria ser “OBRIGATÓRIO” nas escolas,
já que supostamente é um local onde (também supostamente) reina a educação (só
que não!).
“(...) A criança obesa é muito afetada pelo bullying, já que
a forma de seu corpo gera insultos e apelidos, causando isolamento e depressão.
É preciso ajuda mútua entre pais e professores para combater as agressões. Os
pais devem ficar atentos aos sinais dos filhos, como falta de interesse pela
escola, choros frequentes, sentimento de raiva. A escola tem o papel de
orientar o fim dessa prática e punir, visando à aprendizagem, os alunos que
realizarem o bullying.(...)” Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO
É aí que entra o papel da escola que, é claro, não pode dar
conta de todos os “problemas extraclasses” inerentes aos alunos. Por isso,
acredito que o CURRÍCULO ESCOLAR CARECE DE UMA REVISÃO URGENTE no que se refere
aos conteúdos de ensino: o que é realmente importante ensinar e aprender? Neste
impasse, chegamos a trabalhar “no automático”; na correria dos dias e das
informações; porém com menos profundidade, com menos compreensão e com menos
DISCERNIMENTO. Deveríamos pensar numa maneira de incorporar questões
relacionadas à saúde (física e emocional) desde cedo nos conteúdos de ensino.
Muitos dirão (principalmente os profissionais mais conteudistas que
conhecemos): “pra isso existem as aulas de ciências e de Educação Física!”.
Não. Não é disso que estou falando. Isso é muito pouco, principalmente nas cargas
horárias destinadas a estas disciplinas. Falo de “ESPAÇO” no currículo para que
os professores (desde a Educação Infantil) possam trabalhar tais aspectos. O
que demanda menor número de alunos por sala; infraestrutura; formação etc.
Porém, enquanto isso não acontece, nós, enquanto docentes
ficamos duplamente frustrados. Isso porque, por um lado, os alunos não aprendem
de fato (DE FATO! com fluência na leitura e na interpretação e com habilidades
indiscutíveis em raciocínio lógico) e, por outro, porque não temos alunos
FELIZES CONSIGO MESMOS (muito menos nós ficamos felizes conosco mesmos),
críticos, corajosos, ousados, curiosos e POLIDOS...
Há, ainda, a questão do desperdício. É impressionante como
vemos nas escolas, em casa, em restaurantes o tanto de alimentos que são
deixados no prato e/ou jogados no lixo. Parte desta atitude abominável é fruto
de uma educação que não ensina à criança sobre a origem dos alimentos. Existem
crianças (com as quais já conversei) que acreditam cegamente que o leite “dá” em
caixinhas longa vida. Não conhecem nada (na prática ou “in loco”) sobre
agricultura, pecuária e similar. Esta
falta de conhecimento contribui para o desperdício; sobretudo, porque, parece
fácil demais conseguir alimentos. Estão nas prateleiras, nos “fast foods”. Eis
outra atividade que deveria ser contemplada no currículo escolar: o
reconhecimento e a valorização dos alimentos a partir do entendimento do
processo integral de produção.
A seguir, um vídeo onde Michelle Obama dança com os alunos de um aescola que faz uma campanha contra o sedentarismo!!! Demais"Uptown Funk"
Para finalizar, entendo que o ato de se alimentar constitui
um evento cultural que, se assim fosse visto e entendido, tornaria educação (ou
a reeducação alimentar) menos complexa. Tal evento passa pelo fato de unir as
pessoas; de observar cores e formas dos alimentos (o comer com os olhos);
saborear todos os alimentos, sentindo sua textura SEM PRESSA. Tais comportamentos seriam de grande valia no
combate, por exemplo, à gula. Desde pequena, a criança deve aprender a comer
pequenas porções e saboreá-las, mastigá-las devagar. O que, comprovadamente,
acelera o processo de saciedade, fazendo com que seja ingerida uma quantidade
menor de alimentos. E, dada a realidade em que as crianças são criadas, em sua
maioria em creches e escolas, cabe à escola o fundamental (e até urgente) papel
de contribuir significativamente para sanar tais questões; ao invés de ficar
tentando solucionar problemas, focar mais na REEDUCAÇÃO ALIMENTAR; NAS
ATIVIDADES FÍSICAS e , consequentemente, no combate à obesidade infantil.terça-feira, 19 de abril de 2016
OLÍMPIADAS DO BRASIL 2016: QUEM VAI PAGAR A CONTA? (“OLYMPICS IN BRAZIL 2016: WHO WILL PAY THE ACCOUNT?”)
POR MARI MONTEIRO
Nada contra o esporte. Muito pelo contrário. Tenho plena e total admiração pelas mais diversas modalidades esportivas. E, como cidadã brasileira que sou, obviamente, fiquei feliz quando o Brasil foi escolhido para sediar as Olimpíadas 2016. Porém, e quem saberia que, agora, faltando poucos meses para as Olimpíadas, estaríamos vivenciando um CAOS GERAL? Muito além da questão do IMPEACHMENT DA PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF, há questões que carecem de atenção por todo país. Contudo, neste artigo, me deterei às carências e aos perigos aos quais está submetida toda a população do Rio de Janeiro. Não que nos outros estados não aconteça o mesmo, por vezes é até pior. Mas quem sediará as olimpíadas 2016? O Rio de Janeiro.
Ocorre que neste estado (em outros também...) existem milhares de servidores públicos ativos e inativos com pagamentos atrasados. E, em plena crise política e econômica, este fato adquire um “peso’” e um efeito ainda maior. Imagine você atrasando todas as suas despesas domésticas? Todas elas serão acrescidas de juros; mas seu salário, não. Então, além da perda do poder aquisitivo que temos tido ao longo dos anos por falta de aumento justo de salários, a pessoa pagará juros... Ou não. Há chefes de família que não estão conseguindo pagar nem mesmo os serviços básicos como? Energia, água, telefone etc.
Ainda há o desemprego, cujo índice cresce vertiginosamente. Neste caso, imagine-se procurando emprego, sem dinheiro sequer para a condução, passando em frente às obras para as Olimpíadas: belos ginásios, Vila Olímpica etc. Certamente, que sabemos que se trata de um investimento que atrairá o turismo por um tempo; que as imagens transmitidas para o Mundo no decorrer dos Jogos Olímpicos serão “DESCARADAMENTE MAQUIADAS”... E depois? E quando os Jogos acabarem e os turistas e os atletas forem embora? Quem pagará a conta? Até hoje existem estádios feitos para a Copa que nunca mais sequer se aproximaram da lotação. O retorno através das vendas e do turismo em geral pode até solucionar alguns problemas. Mas serão soluções paliativas. Herdaremos todos um prejuízo enorme após as Olimpíadas. Os gastos com as Olimpíadas já passam de 36 bilhões de reais. UM ABSURDO! (Mais detalhes em http//www.brasilpost.com.br/2015/08/21/custo-rio-2016_n_8020688.html acesso 19 de abril de 2016)
E quanto à crise na saúde pública? Os turistas terão postos de atendimento preferencial; pagarão – eventualmente – serviços de saúde privados? E a estrutura montada para o atendimento dos atletas? Enquanto isso, nos “BASTIDORES E NOS CORREDORES” dos hospitais públicos, as pessoas continuarão como agora SEM O MÍNIMO DE DECÊNCIA NO ATENDIMENTO e as doenças se PROLIFERANDO. Para o Mundo que assistirá as olimpíadas pela TV, será passada (VENDIDA) outra imagem: a cidade maravilhosa, lindas praias, lindas mulheres, boa comida, ótima infraestrutura (até dói escrever isso!). Para os turistas que vierem para o Brasil, tapete vermelho para eles: bons hotéis; boa comida; transporte etc. Enquanto isso, nas ruas dos guetos, nas vielas e nas favelas...
Mais uma coisinha, Coréia do Norte, lança UNIFORME OLÍMPICO REPELENTE... veja mais no link abaixo:
Mais uma coisinha, Coréia do Norte, lança UNIFORME OLÍMPICO REPELENTE... veja mais no link abaixo:
http://www.msn.com/pt-br/esportes/olimpiadas/com-medo-do-zika-coreia-do-sul-lan%C3%A7a-uniformes-ol%C3%ADmpicos-com-repelente/ar-BBsl3c0?li=AAb78Ju&ocid=mailsignoutmd
Enfim, não poderia deixar de escrever sobre esse evento num blog sobre Educação. Apesar de me sentir “pequenininha”, me posiciono. E, neste exato momento, posso lhes garantir que meu sentimento é de TRISTEZA por saber de uma realidade que vem se arrastando e que não mudará após as Olimpíadas... Quiçá não piorar e de VERGONHA ALHEIA, porque acompanho esportes do Mundo todo e admiro a organização e o respeito com que são tratados atletas e públicos, e a vergonha é exatamente por saber que, no caso da maioria dos países, esse tratamento e este respeito CONSTITUEM PARTE DA CULTURA DE DETERMINADOS PAÍSES; ou seja, eles existem independentemente de da realização de eventos e da presença de turistas e da cobertura da mídia. Um exemplo disso é segurança no Rio de janeiro. Durante as Olimpíadas, segurança máxima para turistas, público e atletas... Depois, tudo voltará ao normal. E o normal, no caso, é bala perdida matando inocentes; tráfico pesado de armas e drogas e chacinas.
sexta-feira, 15 de abril de 2016
POR DETRÁS DOS ÓCULOS ESCUROS (“BEHIND THE DARK GLASSES”)
POR MARI MONTEIRO
Nem é de bom tom andar pelas ruas encarando as pessoas,
prestando atenção nos semblantes, nos comportamentos e; sobretudo, na maneira
com as pessoas nos olham. Isso não nos parece nada educado não é? Porém, dentro
do que chamamos de educação informal, a boa educação recomenda que nos
cumprimentemos, que olhemos nos olhos das pessoas que falam conosco...
Comportamentos cada vez mais raros. Dependendo da situação ou lugar, pode até
se considerar como um comportamento suspeito. Porém, se estivermos usando
óculos escuros e, preferencialmente, a maioria dos outros não estiver, é
possível observar comportamentos e atitudes muitíssimo interessantes ou
bizarros, dependendo do ponto de vista (ou de visão, literalmente.).
Numa destas tardes super claras de outono me flagrei fazendo
tais observações. Foi uma experiência “diferente”, pra dizer o mínimo. Passava
das 17h, mas ainda havia sol. E eu, por conta da minha fotofobia, saí do
trabalho rumo ao centro da cidade usando meus óculos escuros. É uma boa
caminhada! Imagine se não aproveitei para prestar atenção em cada pessoa que
passava por mim: homens, crianças, idosos, jovens, mulheres... Enfim todo mundo.
Havia mais um aspecto, além dos óculos escuros, a meu favor.
Neste horário, as pessoas estavam vindo e eu indo (confuso? RS); ou seja, eu
estava caminhando no contra fluxo, parecia que apenas eu caminhava naquela
direção e o restante da ‘humanidade’ vinha na minha direção. No começo, parecia
mais uma sandice (adoro esta palavra) de minha parte; mas, depois de
sistematizar mentalmente meus procedimentos, meus planos fizeram algum sentido.
Então, fiz algo que nunca havia feito antes: caminhei olhando
atentamente para todos; nos olhos de todos (para ver para onde olhavam); para
suas roupas; para suas fisionomias... Dei-me conta de que as lentes escuras nos
conferem uma espécie de anonimato, porque ninguém sabe exatamente pra onde
estamos olhando. Imagine eu fazendo isso SEM óculos escuros, apanharia da
primeira pessoa que eu observasse; melhor dizendo, encarasse. Já que me propus a analisar as pessoas,
diminuí os passos e fiz tudo com “todo tempo do mundo”. Vi coisas incríveis;
inusitadas; bizarras; engraçadas; gentis e muita gente apressada. Para que eu
não me perca na narrativa (o que é bem fácil rs), farei as descrições seguindo a ordem dos adjetivos
dados às(?) minhas observações.
- INCRÍVEIS: um casal com três crianças pequenas e sem dar
as mãos pra nenhuma... Todos em filha indiana. Como pode não ser atropelados?
- INUSITADAS: pessoas (acho que vi pelo menos três) falando
sozinhas e muito alto. Uma delas, nitidamente, com problemas mentais; mas as
outras estavam muito bem vestidas com bolsas e sacolas... Vai saber. Uma destas
duas bem arrumadas falava palavrões para todos que olhassem na sua direção, inclusive, ouvi o meu.
“Tome!” – diria meu paizinho. Também percebi que as mulheres nos olhos mais do
que os homens.
- BIZARRAS: Moleques com garrafas de água para jogar nas
pessoas que passavam por baixo da passarela. O casal de bêbados que moram sob a
passarela trocando socos por conta de um cigarro. Casais que passam de mãos
dadas e o homem te olha da cabeça aos pés.
- ENGRAÇADAS: Uma senhora arrastando o filho e falando:
“Venha ovelha desgarrada do pastor!”. No que a criança respondia chorando:
“Eu não sou uma ovelha e você não é meu pastor!”.
- GENTIS: um gari ao ouvir que uma senhora estava a caminho
da UPA da Vila Magini, se dirigiu a ela para avisá-la que estava fechado pra
reforma. Outro rapaz pegou a fralda de um bebê de colo que caiu. E foi só!
- APRESSADOS: o que mais vi foi a PRESSA DOS CORPOS e o
CANSAÇO NOS ROSTOS. Enquanto registrava estas observações, atinei: “pressa
de fazer o que?”; “Pressa pra chegar aonde? Trabalho? Casa? Escola?” Era com se
a pressa, de certa forma, os deixasse invisíveis e os fizesse pensar: “não olho
pra ninguém, vou reto e quem quiser que se desvie de mim.” Penso assim porque
para olhar minimamente para alguém, é necessário um tantinho de paciência a
calma. Incluo na questão da pressa os headphones (?) e os celulares... Os
“serviços” a que prestam estes objetos também se assemelham aos poderes do
“manto da invisibilidade”: eximem da obrigação de cumprimentar, de responder, de
olhar para as pessoas etc.
Esses comportamentos observados parecem pouco demais. Porém,
se pensarmos que nem nos olhamos quando caminhamos na rua, eles adquirem uma
proporção de cenário... Um cenário com personagens anônimos, cada um com seus
dramas pessoais e sociais e que a gente não quer nem saber... Somos
condicionados e ”empurrados” pelas circunstâncias para agir assim: cada vez
mais autômatos. Isso é assustador! Quanto mais isolados, menos conversamos;
quanto menos conversamos, menos nos HUMANIZAMOS. Haverá cada vez menos
afetividade entre as pessoas...
Sobre o cansaço, alternado com semblantes embrutecido, observado
nos rostos da maioria, não encontrei muitas conjecturas. Era cansaço ou raiva
ou AS DUAS COISAS JUNTAS. Todos nós andamos visivelmente cansados. Mas a pressa
me intrigou. Por conta dela, deixamos de VER; de OUVIR, de SENTIR; de DESCOBRIR
tantas coisas. Momentos não voltam... Oportunidades perdidas não voltam...
Palavras não ditas se calam pra sempre... Estamos perdendo o gosto de ser humanos
e, por tabela, perdendo o gosto pela humanidade. Fiquei imaginando até onde
iriam aqueles tantos passos apressados; onde cada um pararia para descansar o
cansaço dos rostos, talvez...
quinta-feira, 24 de março de 2016
CRISE BRASILEIRA: ONDE CARA PÁLIDA? (BRAZILIAN CRISIS: WHERE PALE FACE?)
POR MARI MONTEIRO
Gostaria de não estar
escrevendo este artigo. Mas, há tempos, aprendi que o que não se diz ou faz,
SUFOCA! Um dos motivos pelos quais esse assunto me desagrada é a FALTA DE
COMPREENSÃO DA MAIORIA DO POVO BRASILEIRO. Não sei exatamente como funciona a
Educação Política (aliás, acabei de criar este termo e me ocorreu que deveria
existir uma DISCIPLINA CURRICULAR com este nome) em outros países; mas aqui
somos criados ouvindo dos adultos em geral que temas como “religião e política
não se discutem”. Logo, quando
predominam a incerteza econômica e caos político, nos dividimos basicamente em
três grupos: os indiferentes; os que atiram pra todo lado; e, o menor deles,
aqueles que se informam, conversam, refletem, planejam e FAZEM ALGO.
Então, temos a
seguinte situação neste momento (às 23h00 de 24 de março de 2016- hora da revisão), friso
“momento”, porque no minuto seguinte tudo que escrevi até então poderá perder a
validade ou, no mínimo, a intensidade. Isso porque a quantidade de notícias e
de informações veiculadas pela mídia e pelas redes sociais nunca foi tão grande
e rápida. O que dificulta ainda mais a compreensão dos fatos. E, uma vez que
não se compreende os fatos, não os interpretamos (lembrando que o Brasil é um
dos ÚLTIMOS COLOCADOS NO RANKING MUNDIAL SOBRE INTERPRETAÇÃO TEXTUAL). A
situação a que me refiro é a seguinte: SOMOS INSETOS ORBITANDO EM VOLTA DA
LÂMPADA, TONTOS, INDO PRA LUGAR ALGUM E DESCRENTES DA LUZ QUE EMANA DESSA
LÂMPADA (PONTO!).
Pensando nisso e
acompanhando, na medida do possível, a sequencia dos fatos no noticiário, o que
vejo é uma INDIFERENÇA PREDOMINANTE E ASQUEROSA por parte da maioria dos
brasileiros. Certamente, cem por cento
de entendimento e de atitude por parte da população é utopia demais de minha
parte, mas a FALTA DE INDIGNAÇÃO me enoja; assim como me enoja também a
dificuldade que temos para articular movimentos e manifestos de repúdio
ORGANIZADOS e EFICIENTES. Não basta que milhões de pessoas lotem a Av. Paulista
num domingo. É preciso dar PREJUÍZO para todas as esferas sociais (o que seria,
ainda, muito pouco diante do prejuízo que nós, trabalhadores, temos
diariamente). E como seria isso? PARAR
GERAL. O que me lembra de uma música de
Raul Seixas: “O DIA EM QUE A TERRA PAROU” Se acontecesse tal como nesta canção, teria minha alma lavada.. Quem sabe um dia...
Outro aspecto que me
entristece muito é a falta de civilidade e de patriotismo no nosso país. Com
exceção da Copa do Mundo e das Olimpíadas (que, a propósito, deveriam ser
canceladas ou boicotadas pelos outros países em solidariedade ao sofrimento do
povo brasileiro e à vergonha que as “autoridades” nos tem feito passar), não
vemos nossa bandeira em quase lugar nenhum. Na sua casa tem uma bandeira
brasileira hasteada neste momento? Pois é, na maioria das casas dos
norte-americanos tem. Independente de datas e afins. É uma questão de sentir
orgulho, uma questão de “PERTENCIMENTO À NAÇÃO”. Podem falar que estou sendo
tendenciosa. Sou sim. Admiro cada vez mais o Sr. Barack Obama. Ele pode tomar
metrô; ir a cafés; conversar nas ruas; dançar e cantar em público, porque sua
postura e índole lhes permitem isso. Imaginem Nossa Presidente e seus ministros
num metrô em São Paulo na hora do rush. A propósito, mais uma coisa que
“invejo” neles (norte-americanos) é o fato de o voto não ser obrigatório. No dia da eleição, a pessoa sai de sua
residência, de livre e espontânea vontade e, o melhor, consciente da
importância do seu voto.
Lamentavelmente, No Brasil há mais fatores contribuindo para a confusão de pensamentos do que para o discernimento e para a organização destes. Um exemplo disso são os partidos políticos com "líderes" desarticulados e perdidos, meros reprodutores de discursos que já virara clichê há tempos. E o tanto de legenda de partido? Pra que tanta sigla minha gente?
Sei que não alcançamos
ainda um patamar, já alcançados em tantos outros países, acerca do conceito de
EMPODERAMENTO, ou empowerment, em
inglês, que significa uma ação coletiva desenvolvida pelos
indivíduos quando participam de espaços privilegiados de decisões, de
consciência social dos direitos sociais. Imaginem se metade da população
tivesse essa consciência. Ocorre que muitos fatores contribuem para a falta de
“educação política”: somos um povo que não lê; que não se orgulha de si mesmo,
caso contrário viveríamos mais de nossas “marcas” e grifes e não de outros
países (já cansei de ter alunos DE ENSINO MÉDIO vestindo camisetas com frases
e/ou palavras em Língua Inglesa que, quando perguntado o significado daquilo,
eles simplesmente não sabem); que não se organiza para que haja uma sincronia
nos atos e manifestos; não é só ir pra rua fazer selfies e colocar carros de
som, cada um falando ou tocando uma música diferente... Ou palcos com shows!!!
O grau de incerteza
e de impunidade no país nos tira a crença de que algo CONCRETO possa,
literalmente, nos salvar. Em outros países, por muito menos, a maioria da
população já teria tomado as ruas, “parado tudo” e, de certa forma, forçado uma
resolução. O que vejo são pessoas andando em círculos: autoridades; juízes;
Policia Federal; políticos e, claro, o povo brasileiro. É um empurra-empurra;
um disse que disse que parece até aquelas crianças, nos primeiros anos de
escola, que são chamadas na diretoria por alguma arte e um aponta pro outro
dizendo simultaneamente: “FOI ELE!”. E o “diretor” passa a mão na cabeça dos dois, diz pra um
pedirem desculpas um pro outro, que agora são amigos novamente e que voltem para
suas salas... Como se nada tivesse acontecido.
Outra imagem que me vem à mente, agora mais forte, é de um bando de
hienas e urubus rondando a carniça; sendo que a carniça, neste caso seria
qualquer cargo político que dê alguma “proteção” e as hienas e urubus são os
políticos corruptos que estão com o cú na mão. Enquanto isso, nós, o povo,
telespectadores do GRANDE CIRCO (“Terceiro Mundo se for, piada no exterior...” disse
Renato Russo há mais de 25 anos), ficamos aguardando o “Grand Finale”... O
desfecho que para mim, seja qual for, sinceramente, já é tarde! O estrago foi grande
demais! Quem vai nos devolver os empregos perdidos; a moral perdida; a
credibilidade interna e externa; a nossa confiança e a nossa autoconfiança?
Mas tudo bem, vamos
consumir. Vamos comprar ovos de Páscoa caríssimos e ostentar mais uma data
comemorativa, insuflando a massa e, pior, as crianças, para acreditarem que
está tudo bem... Logo tem as Olimpíadas 2016. Vamos nadar nas águas poluídas do
Rio de Janeiro; “vamos passear depois do tiroteio”; vamos ganhar medalhas,
muitas medalhas de ouro. Será??? Em quais modalidades? Em “bom comportamento”
que não será!
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