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EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

OLIMPÍADAS 2016 NO RIO DE JANEIRO: AINDA DÁ TEMPO DE CANCELAR?(OLYMPICS 2016 IN RIO DE JANEIRO: STILL GIVES CANCEL TIME?)

POR MARI MONTEIRO


Inocentemente, perguntei se ainda é tempo de cancelar os Jogos Olímpicos. Obviamente que isso não acontecerá. Contudo, quanto mais se aproxima o inicio dos Jogos, mais tensa eu fico e mais constrangida também. Sou brasileira e AMO MEU PAÍS, MAS ODEIO O QUE "FIZERAM” com ele.



 

A cada nova notícia relacionada ao Rio de Janeiro, percebemos o quanto o Estado está caótico. E como pode um estado nestas condições sediar uma Olimpíada? O acontecimento esportivo MAIS IMPORTANTE DO MUNDO! Aí ouço: mas o Brasil sediou a Copa do Mundo!"Respondo: “A Copa do mundo não se concentrou em um único estado!”  E, bem sabemos  as falcatruas e as estratégias de corrupção que ficaram como legados. E nós estamos pagando caro por isso.

 

Não é necessário pensar muito. Basta olhar o cenário do Estado do Rio de Janeiro: professores sem pagamento; policiais sem pagamento e sem combustível para as viaturas; a saúde pública sem condições de atender aos próprios munícipes, dirá os turistas, principalmente com o aumento dos casos de Zika vírus e dengue. E isso é só o começo. Todas as soluções “propostas pelo Governo são paliativos. E quando acabarem as competições? O Exercito continuará nas ruas para proteger o povo? Gente, nem tornozeleiras eletrônicas o Estado tem para os corruptos que cumprirão pena domiciliar (Tipo de frente para o Leblon ou hospedados em hotéis de frente pra o mar!) e vai bancar a segurança?


 Não obstante, há que se pensar também na questão do terrorismo. Todos dizem: "O Brasil não é alvo de terrorismo". Não é; mas os "países alvos" estarão aqui representados por suas delegações de atletas. E, justamente, por não sermos "alvo", não temos a menor condição de garantir nada referente à prevenção ou a providências relacionadas a eventuais investidas "terroristas".


Meu medo  é quando ficarmos sozinhos. O que acontecerá quando todos os atletas e/ou turistas tiverem partido? Acompanhem... Não temos a menor garantia de que o exercito continuará nas ruas (aliás, não ficarão!); as dívidas do Estado com o Governo Federal terão aumentado; de que servirão as obras (atrasadas e construídas as pressas, como é o caso do metrô, por exemplo); estas obras são seguras? Em qualquer outra circunstancia estas seriam perguntas imbecis, mas não aqui no Brasil, onde a corrupção impera; onde não temos governantes confiáveis; onde o desemprego tira a maioria de nós da lista de possíveis “compradores” de algum imóvel na Vila Olímpica etc.



 

E tem ainda a eterna guerra do trafico. Morro contra morro; facções trocando tiros entre si e com a polícia... Balas perdidas que parecem teleguiadas pra acertar pobre... Os assaltos, seguidos de morte na Linha vermelha. É só o Rio de Janeiro que está assim? Absolutamente não! Moro em SP... E aqui também está difícil, O País está em crise! Helllo! Comparo a realização das Olimpíadas no RJ com a realização de um clássico do futebol brasileiro no meio da Cracolândia, em são Paulo, sem policiamento...
 

Outra noticia que acabei de ver, é que Annita, uma cantora de funk carioca, participará da abertura das olimpíadas.  Ok. É um ritmo carioca? Sim. Mas não pra essa ocasião... Pelo amor de Deus! Todo brasileiro sabe o que á por detrás dos bailes funks... Temos tantos artistas louváveis. Temos a opção de chamar um artista de cada gênero: que artista não gostaria de se apresentar na abertura dos Jogos Olímpicos? Que seja um funkeiro; mas também um sambista, um cantor de MPB, um rapper, um roqueiro. Enfim... Seria uma excelente oportunidade de “espalhar” cultura do país e para o país. 


Acabei de ver na Globonews (17h13  de 12/07) que 4 800 profissionais de saúde voluntários que passaram por um processo rigoroso de seleção,"" a maioria estudantes de medicina em anos  avançados"- disse a repórter, (deve ser por isso que os Postos e a rede pública de saúde  estão sem médicos!) estão sendo treinados para atender os atletas e o publico em geral. A pergunta é: isso vai ter continuidade?


 

Sempre fiquei eufórica com acontecimentos que envolvem esportes de um modo geral. Acabamos de acompanhar a temporada 2015 - 2016 da NBA, e eu que vi praticamente todos os jogos e a letra do Hino Nacional sendo interpretada a capela por tantos artistas honrados (celebridades ou não) nas arenas, quando penso em Annita e seu funk, sinto asco... Gostaria muito que vocês leitores, me convencessem de que estou COMPLETAMENTE ERRADA. De que tudo está certo, que será um sucesso; que nós usufruiremos dos legados das Olimpíadas, que todo trabalhador será pago, que teremos segurança "nível Olimpíada"... Quem sabe alguém consiga, Sintam-se à vontade para postar seus comentários, Será um prazer conversar com todos.

Quanto às imagens abaixo, elas falam por si... Se é que as cifras são verdadeiras!



 

Enfim, deixo aqui eu desabafo minha indignação; mas, acima de tudo, minha perplexidade diante do Comitê Olímpico (ou da omissão deste órgão) que parece n;ao enxergar o obvio: "não temos a menor condição de sediar uma Olimpíada". Insistir nisso é, no mínimo, um de respeito aos atletas que treinaram duro durante quatro anos – e sonham com os Jogos Olímpicos -  e aos brasileiros que, constrangidos,  assistem a tudo “ em cima do muro” ... Enquanto isso  fico com Cazuza, pois concordo que “transformam o paios inteiro num “puteiro”, pois assim se ganha mais dinheiro (...)”... E, deixo também algumas Letras de Annita... Afinal, isso é (ou deveria ser) uma democracia e há quem goste. Segue um vídeo doas anos 80, quando já  estávamos "afundando... Só pra constar!) 



► Trechos de algumas letras de Annita, caso alguém queira treinar pra cantar junto... Ou ela nos surpreende, cantando composições de outros artistas. Vai saber...

1 - Meiga e abusada


"Eu, posso conquistar tudo que eu quero
Mas, foi tão fácil pra te controlar
Com, jeito de menina brincalhona
A fórmula perfeita pra poder te comandar

Pensou, que eu fosse cair mesmo nesse papo?
Que, tá solteiro e agora quer parar
Eu, finjo, vou fazendo meu teatro
E te faço, de palhaço, pra te dominar (...)
Faz o que quiser comigo na imaginação
Homem do teu tipo eu uso, mas se chega lá eu digo não. (...)"

2 - Menina Má

"(... Me olha e deseja que eu veja
Mas já digo: "não vai rolar!"
Agora é tarde pra você querer me ganhar
Rebolo e te olho
Mas eu não quero mais ficar
Admito que acho graça em ver você babar. (...)"

3 - Mulher

"(..) Ela nem ligou pro patrão, deixou o velho na mão e foi
pra rua espairecer
buscar uma solução pros problemas que ela tinha, deu
um giro na cidade quando decidiu me ver
bateu no meu portão, com lágrimas no rosto, quase que
eu sinto o gosto quando lembro dela assim
me abraçou apertado, num gesto desesperado, saudade
mútua ela se entregou pra mim

e disse que não tá bem,
fez meu olho brilhar dizendo que tá foda em casa e que
os problema tão demais,
capaz de se jogar no mundo
sem noção nenhuma do que pensa ou faz
e eu disse então meu bem...
cê sabe que eu sempre te quis, que bom que veio me
procurar
se quiser desabafar fica a vontade, mas com toda essa
saudade eu nem vou te deixar falar (...)"



segunda-feira, 11 de julho de 2016

FILME RECOMENDADO: DIVERTIDA MENTE (RECOMMENDED MOVIE INSIDE OUT)

POR MARI MONTEIRO




SINOPSE: Riley é uma garota divertida de 11 anos de idade, que deve enfrentar mudanças importantes em sua vida quando seus pais decidem deixar a sua cidade natal, no estado de Minnesota, para viver em San Francisco. Dentro do cérebro de Riley, convivem várias emoções diferentes, como a Alegria, o Medo, a Raiva, o Nojinho e a Tristeza. A líder deles é Alegria, que se esforça bastante para fazer com que a vida de Riley seja sempre feliz. Entretanto, uma confusão na sala de controle faz com que ela e Tristeza sejam expelidas para fora do local. Agora, elas precisam percorrer as várias ilhas existentes nos pensamentos de Riley para que possam retornar à sala de controle - e, enquanto isto não acontece, a vida da garota muda radicalmente. (Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-196960/ acesso em 06/07/2016)


Filme vencedor do Oscar de Melhor Animação deste ano, “Divertida Mente”, indicado para faixa etária a partir dos seis anos de idade, em minha opinião exige um tanto mais de maturidade para compreensão da enriquecedora mensagem incutida na obra. O que equivale afirmar que quanto maior o grau de abstração do público maior e mais profunda será a leitura feita do enredo.




Conforme dito na sinopse, os sentimentos que habitam a mente de Riley se “movem” de acordo com as circunstâncias em que se insere a personagem.  De um modo pedagógico, pode-se dizer cada sentimento resulta num tipo de consequência. O enredo é elaborado de tal forma que é impossível para quem assiste não se colocar no lugar de Riley, o que deixa a trama mais emocionante e dinâmica.


Durante o filme é possível, inclusive, sentir os impactos que as palavras POSITIVAS E/OU NEGATIVAS têm para o nosso processo de formação implicando os campos social, físico e emocional. De acordo com o enredo, criamos ILHAS DE PERSONALIDADE compostas pelas nossas memórias mais significativas. Quanto mais ricas e positivas as memórias, mais belas e sólidas são as nossas ilhas.


Aliando tecnologia e humanismo, a Pixar desenvolveu uma animação que nos faz desejar realizar um “passeio” dentro do próprio cérebro. Um passeio para reorganizar as memórias; para priorizar umas e apagar outras.  Que vontade que tive de possuir uma espécie de aspirador de memórias para sugar todas as lembranças e as informações inúteis e tristes que ocupam lugar na minha mente para ceder espaço para outras mais felizes e significativas. Confesso que já tenho um, mas queria um mais potente. (rsrs)



Outro aspecto que me chamou a atenção foi a classificação das memórias. Existem as memórias de longo prazo, as recentes... E assim por diante que ficam organizadas em prateleiras. Tive uma sensação muito boa quando percebi esta “organização”. Ingenuamente, passou pela minha mente que eu poso fazer o mesmo com minhas lembranças.  Para que os sentimento “positivos” predominem sobre os demais. Não seria ótimo?! Mesmo porque, a expressão “cair no esquecimento” é literal no roteiro. 


Enfim, trata-se de mais uma “ferramenta pedagógica” que, através do entretenimento, pode ser empregada para a realização das mais diversas atividades interdisciplinares e em todas as séries e segmentos do Ensino Fundamental e Médio. (VER PROJETO CINEMA EM CENA – contato: marimonteiro10@hotmail.com).





terça-feira, 14 de junho de 2016

O CASO DA BOATE PULSE: ONDE COMEÇA E ONDE TERMINA A INTOLERÂNCIA (THE CASE OF BOATE PULSE: WHERE AND WHERE BEGINS ENDS INTOLERANCE)

POR MARI MONTEIRO


“Tentei não me manifestar SOBRE ORLANDO. Mas, sou mãe e alguém que possua o mínimo grau de empatia não fica indiferente a algo assim: o filho se despedindo da mãe (de dentro da boate). Aí o pai do assassino se desculpa e diz que o "o filho não precisava fazer isso, porque Deus julgará os gays depois."... Ah!!! PQP!!! Vamos dar "um reset" , definitivamente, a humanidade não deu certo...” (Post na minha timeline/ Facebook em 13/06/2016).
  




Quando escrevo repetidas vezes que TUDO passa pela EDUCAÇÃO (seja ela formal ou informal e, preferencialmente, as duas), não estou exagerando. Não vejo espaço nas grades curriculares – ao menos aqui no Brasil – para atividades e/ ou discussões que incentivem a cultura da paz; da tolerância; da empatia.

Dirão-me: “Mas existem as Leis, os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais), que oferecem ‘espaço e suporte’ para atividades relacionadas a Temas Transversais.” Si. Existem. Mas, na prática, NUNCA VI NINGUÉM FAZER USO DELES. É como um vestido lindo e caro que compramos e deixamos no cabide, de enfeite, para colorir o guarda – roupa.




Sem me limitar apenas a discussões acerca da intolerância homofóbica ou religiosa, quero abranger todas as formas de intolerância; pó que chamarei de INTOLERÂNCIA AO DIFERENTE, seja este “diferente” no que for: cor; raça; etnia; credo; gênero... Isso é muito complexo? Pode ser. Então, comecemos pensando raso: os intolerantes a um determinado gênero musical por exemplo. O que há de errado nisso? O que nos impede de CONHECER e de RESPEITAR as pessoas que são e que não gostam dos mesmos gêneros musicais que nós? Não gosto de funk; mas, tolero. O que não significa que vou CONSUMIR as músicas e frequentar bailes funk e que, muito menos, vou entrar num baile com uma arma potente e atirar em dezenas de pessoas, porque não gostam do mesmo estilo musical que eu, porque não se comportam como eu acho que deveriam.




É exatamente isso que ESCOLAS e FAMÍLIAS devem ensinar desde cedo: compreender os diferentes e respeitá-los. NÃO HÁ TOLERÂNCIA SEM COMPREENSÃO. E, quando digo, “desde cedo”, quero dizer, desde o nascimento até a morte. O que é difícil para nós adultos. Alguns de nós crescemos sem a mínima tolerância (por parte dos adultos em geral: professores; parentes etc) com nossos hábito e jeito de ser. E, uma vez que eu, adulta, estou escrevendo este artigo, me ocorre que isso é uma prova de que a TOLERÂNCIA É APRENDIDA. Eu, assim como muitos outros da minha geração, aprendi a ser tolerante, justamente a partir da intolerância dos outros.

























Nesse aprendizado, os “porquês’ são essenciais; porém,  até com  as perguntas não há mais paciência, não há tolerância. Diante de um questionamento,  a maioria de nós se esquiva ou responde que não sabe. Por exemplo, o que você responderia hoje para um aluno de  sete anos que lhe perguntasse algo como: “Por que mataram aquele monte de gente lá nos Estados Unidos?” Já posso ouvir dizerem; “Ah, mas uma criança de sete anos jamais perguntaria isso?”  É exatamente aí que  está o problema. O correto seria perguntar. Vivemos na Era Digital; as  crianças são perspicazes. A questão é o “direcionamento’ dado em casa; o que assiste; o que vê na internet; quais são as brincadeiras etc. Pois há lares em que as crianças são proibidas de ver os noticiários porque traumatizam; mas, podem brincar com games violentos; ver novelas... “Malhação” e afins.



Enfim, seria saudável se as crianças perguntassem  e – mais saudável ainda  se os professores respondessem com base nos FATOS – isso em todas a s séries do ensino e iniciassem discussões a respeito. Porém, ao contrário, tanto a escola como a família, “fogem” do enfrentamento, da discussão (por preguiça, despreparo, sei lá...). Fato é que,  isso contribui indiretamente para a manutenção do ódio. Estaria eu sendo por demais áspera? Creio que não. E mais. Acredito que não há ninguém, neste momento, em uma sala de aula (independente de série) promovendo um debate sobre este assunto. Tudo “se restringe” a desabafos e  a protestos nas Redes Sociais, o que – convenhamos – já é alguma coisa. Mas não o suficiente para EDUCAR PARA A TOLERÂNCIA.



quarta-feira, 25 de maio de 2016

ESCOLAS OCUPADAS X AUMENTO DE INSCRIÇÕES NO ENEM 2016 (SCHOOLS OF BUSY X REGISTRATION INCREASE IN ENEM 2016)

POR MARI MONTEIRO


No balanço das inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2016, o Ministério da Educação (MEC) divulgou que, no total, foram registradas 9.276.328 inscrições. O número é superior ao da edição de 2015, que teve 8.478.096 inscritos, mas ainda inferior ao recorde de 2014, que bateu 9,5 milhões. (Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/vestibular-enem/enem-2016-registrou-9-2-milhoes-inscritos-951287.shtml - acesso em 25/05/2016)

Apesar de não ultrapassar o número de inscritos de 2014, o aumento ocorrido em 2016, no mínimo, representa dois aspectos. Primeiro, os estudantes ainda acreditam e apostam numa oportunidade de realizar o Ensino Superior como forma de viver melhor. Segundo, apesar da crise que assola o país no que diz respeito especificamente à educação, quando até bem poucos dias atrás haviam ainda várias escolas ocupadas pelos alunos e por alguns professores, os alunos se inscreveram. O que, de certa forma, “derruba” o paradigma de que para se inscreverem no ENEM os professores precisam ficar falando e os lembrando dos prazos, importância etc.

Inclusive, através de reportagens e das redes sociais, sabemos que em algumas escolas os alunos passavam boa parte do tempo estudando em grupo e com o auxilio de professores. Independente de eventuais (e isolados) casos de vandalismo, vejo com bons olhos este movimento.  Em todos os discursos realizados pelos estudantes, além da aclamada justiça acerca da merenda escolar, a pauta era a MELHORIA DA QUALIDADE DO ENSINO.  E, diante de uma reivindicação destas, não pra dizer que a culpa pela péssima qualidade da educação é do desinteresse da maioria dos ALUNOS.
 
Fonte: UNESCO - 2015
Não quero fazer o papel de advogado do diabo; mas, os alunos têm toda razão. E mais: na ocasião das primeiras ocupações em São Paulo, eles provaram de seu poder, fazendo com que o Governo revogasse um decreto já publicado em Diário Oficial e voltasse atrás na questão da reorganização escolar. Foi um grande feito. Conseguiram o que muitas vezes o Sindicato dos Professores não conseguiu. Isso demonstra um elevado nível de consciência por parte dos estudantes. Eles sabem o quanto o mercado de trabalho tem se estreitado e o quanto isso torna difícil a ascensão profissional em um país que ocupa um dos últimos lugares no ranking mundial de educação.

A verdade é que, há tempos, professores e alunos, vêm sendo sacrificados com os baixos investimentos na Educação e com o descaso das autoridades, o que gera falta de estrutura; péssima remuneração... E por aí vai. Uma série de aspectos mais profundos surge deste caos: descontentamento; evasão escolar; falta de professores (pelos mais variados e JUSTOS motivos) e o que chamo de DE – SÂ – NI – MO PEDAGÓGICO. Converse com um professor no domingo à noite e veja sua animação pra retomar a semana.

Fato é que os estudantes estão demonstrando VONTADE de alterar o estado de coisas na educação e, consequentemente, nas demais esferas sociais. A maioria deles anseia por frequentar uma boa Universidade. Logo, está dada a largada. Caso haja interesse sincero por parte das autoridades e dos profissionais docentes, acredito que seja possível dar um novo rumo à educação brasileira. O que equivale a afirmar que será possível aos estudantes brasileiros sonharem com vagas em Universidades conceituadas, tanto no Brasil como fora do país. Continuaremos falando sobre isso por aqui... Esperamos resultados cada vez mais positivos. ME – RE – CE – MOS.


quarta-feira, 11 de maio de 2016

BRASIL: TERCEIRO PAÍS MAIS IGNORANTE DO MUNDO (BRAZIL : THIRD COUNTRY WORLD'S MOST IGNORANT)

POR MARI MONTEIRO



Descobri que sou mais patriota do que pensava. Ao ler esta reportagem (mais detalhes no link a seguir) que diz somos o 3º país mais ignorante no Mundo, me entristeci. Tudo bem que as perguntas feitas estão um tanto distantes de nossa atual realidade; ou seja, uma realidade que nos assola com graves  preocupações e com temores relacionados ao futuro. http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/pesquisa-elege-brasil-como-terceiro-pais-mais-ignorante-do-mundo-6j7cjk2y5h19r8klog1hqko2e


Detalhes à parte, este é “apenas” mais um tema em que o Brasil ocupa um péssimo lugar no ranking mundial. Ocupamos péssimos lugares também em saúde pública; educação e segurança. Por outro lado,  somos muito bons em corrupção; em penas injustas; em impunidades; em perder para a Seleção Alemã... (rs).Enfim.


Fato é que o que menos precisamos agora é de notícias como esta: SOMOS IGNORANTES. SOMOS? Em minha opinião, lamentavelmente, somos. Há vários fatos e circunstâncias que comprovam isso. Reivindicamos as “coisas” erradas nos momentos certos, mas da forma errada. Exemplifico. Na questão política; por exemplo, ao invés de lutarmos pela NÃO OBRIGATORIEDADE DO VOTO; de pesquisarmos sobre os candidatos antes de votar, a gente os elege, reelege e, depois, queremos bons resultados. A gente espera até tudo transbordar pra, depois, se dar conta de que estamos na merda. É como colocar uma tranca nova numa porta arrombada.


Mais um aspecto que contribui para essa nossa “fama”: a descarada desigualdade social. Habitamos um país imenso, com muitos recursos (pelo menos, eram muitos...), no qual a minoria (geralmente através de engôdos políticos) detém muito dinheiro. E sabemos que é dinheiro sujo. DINHEIRO ROUBADO. Enriquecimento ilícito é coisa antiga neste país.


Retomando a pesquisa que diz sobre nossa ignorância; assim como alguns leitores comentaram, eu também pensaria em outras questões para apurar o “tamanho da nossa ignorância”.  Como, por exemplo:

- Você conhece os governantes de seu país?
- Qual é o regime político adotado no Brasil?
- Você realiza algum tipo de pesquisa sobre os candidatos nos quais vota?
- Quantas pessoas sem emprego você conhece?

Contudo, a partir das perguntas acima, talvez o resultado fosse ainda pior; pois, apesar do amplo acesso às informações, nos falta o mais importante: INTERPRETÁ-LAS. Neste caso, talvez fôssemos os primeiros colocados...





Na verdade, esta reportagem é só um gancho para falar um pouco do que estamos passando. Exatamente hoje, vivemos um capítulo que se, por um lado mostra a força do povo brasileiro; por outro, nos envergonha histórica e socialmente. Viramos, literalmente, PIADA no EXTERIOR e há mais de décadas Renato cantava: “TERCEIRO MUNDO SE FOR. PIADA NO EXTERIOR.” Mal sabia ele que seríamos mais que isso... Que nosso país cairia em DESCRÉDITO MUNDIAL.



No impeachment de Fernando Collor, provavelmente por conta da tecnologia de que dispomos agora, tudo pareceu mais lento e “distante”. Mas, desta vez, ás coisas acontecem dentro da nossa casa. Sabemos de tudo em tempo real. E, desta forma, tudo parece mais aflitivo. Pode ser que existam pessoas alheias a tudo isso... Não sei. Mas, a grande maioria de nós está acompanhando tudo de muito perto. O que, particularmente, faz com que o brasileiro se sinta mais angustiado para ver a resolução (ou indícios de uma possível resolução) de tantos problemas. A impressão que tenho é que dormimos num país e acordamos num lugar pior, ética e politicamente falando.


Isso sem contar a instantaneidade com que os fatos viram "memes" na internet. Quase simultaneamente, os políticos e os respectivos escândalos são postados nas redes sociais e ganham espaço, virando polêmica ou piada dependendo do leitor. O aspecto positivo disso é que, querendo ou não; brincando ou levando a sério; muito mais pessoas “discutem política” hoje do que alguns anos atrás.



E, mesmo depois de hoje (dia da votação no Senado Federal), ainda teremos muito que fazer. Há muito a percorrer até que possamos retomar certa estabilidade econômica e isso, não sei quanto a vocês, mas me atinge de forma muito pesada e incisiva. Minha preocupação com o “PLANETA DO NETO DO MEU FILHO”, agora, cedeu lugar para o “BRASIL DO MEU FILHO” tamanha incerteza sobre o futuro. Por exemplo, digamos que pudéssemos realizar uma eleição direta daqui a três meses, qual seria seu candidato? Porque eu não tenho ninguém em mente. Por onde olho só vejo sujeira. Não consigo pensar em ninguém capaz de minimizar impactos; de estancar este efeito dominó que envolve desemprego; alta da inflação etc. A propósito, sei de casos de suicídio por dívidas, pessoas que trabalhavam e honravam seus compromissos e não conseguiram mais pagar suas casas, prestações, alimentos etc.  Conheço pessoas que  estão deprimidas por conta da falta de emprego e, pior, pela falta de esperança.



Enfim, o país está um puteiro no que se refere à governabilidade; à ética e à credibilidade. Usei o verbo “estar” e não verbo “ser” de esperançosa que sou. Fico imaginando vivos: Ariano Suassuna; Darcy Ribeiro; Rubem Alves; Paulo Freire... E tantos outros. Que tristeza! De minha parte, assumo que sinto nojo de tudo isso. Amo meu país; mas, se pudesse, iria embora daqui por uns dez anos... Isolaria-me intencionalmente, pra ficar sem noticias e voltaria dez anos depois pra ver no que tudo se transformou...  Minha esperança é que, parafraseando meu avô, “nada fique como antes no quartel de Abrantes”.


domingo, 24 de abril de 2016

O PAPEL DA ESCOLA NO QUE SE REFERERE À OBESIDADE INFANTIL COMO RESULTADO DE SEDENTARISMO “HEREDITÁRIO” (“SCHOOL PAPER WITH REGARD TO OBESITY CHILD AS A RESULT OF SEDENTARY ‘HEREDITARY’.”)

POR MARI MONTEIRO





São tantos temas e tantos dramas tão importantes e fugazes, que mal assimilamos uma informação, chegam outras e mais outras... E a intenção é esta mesmo: NÃO SOBRAR TEMPO PARA QUE NOS DEBRUCEMOS SOBRE NENHUM ASSUNTO AO PONTO DE ENTENDÊ-LO. Assim tem sido em todos os âmbitos: político, social, econômico e afetivo. E, como ouço desde criança, “vamos empurrando com a barriga”. E algumas pessoas fazem isso literalmente. É o caso dos adultos cuja obesidade tomou uma proporção imensa e a pessoa acha que está “tudo bem”. Lamentavelmente, se isola e fica numa ZONA DE CONFORTO IMAGINÁRIA. Sem generalizar, obviamente, mas não sabemos lidar com nossos dramas pessoais e a obesidade é uma deles. E se, nós, adultos, não sabemos, imaginem as crianças.



No caso das crianças, a cada ano que passa é possível observar o aumento da obesidade e suas consequências.  Na maioria dos casos, a origem – além dos péssimos hábitos alimentares – está no sedentarismo “hereditário”. O termo “hereditário”, empregado no título, carece de uma breve justificativa. Ocorre que, baseada em observações de grupos de famílias em locais de lazer como praças de alimentação, restaurantes, praias e piscinas e também nas crianças em ambientes escolares (especificamente no Ensino Fundamental I, cuja faixa etária está entre 6 e 9 ou 10 anos de idade), é possível concluir, sem muito esforço, que quando as crianças são obesas, os pais também o são ou, em alguns casos, pelo menos um dos dois (pai ou mãe) o é.



A partir desta observação, é possível supor que, muito provavelmente, os pais não praticam atividades físicas, nem de forma individual e nem em grupo; ou seja, raramente, vemos os membros de uma família pedalando, jogando bola ou caminhando juntos. Soma – se a esta constatação o fato de que as crianças já nascem tendo tudo à mão. É a “Lei do Mínimo Esforço”.  



Para fins de “justificativa”, tanto para o sedentarismo, como para a obesidade, não faltam argumentos. Porém, o principal deles é a famosa FALTA DE TEMPO: “não sobra tempo para o lazer”; “chegamos muito tarde em casa”; “tenho dupla (ou tripla) jornada de trabalho e, quando chego em casa, quero mais é me deitar”. Isso tudo procede na maioria dos lares? Sim! É muito difícil conciliar trabalho, família, estudos e atividades físicas? Sim! Muito! A questão é que precisamos pensar a médio e  a longo prazo. Ou seja, o que consideramos “saudável” e necessário à nossa saúde e bem estar no momento, que é, PRIORITARIAMENTE DESCANSAR, COMER E DORMIR, mais adiante nos trará vários problemas de saúde. Há uma parcela da população apresentando problemas de saúde como diabetes e de pressão alta, por exemplo, com idade cada vez menor.



Sobre nossos péssimos hábitos alimentares, as justificativas são muito parecidas: “comenos muito fora, porque não tenho tempo pra fazer almoço e jantar todos os dias”; “fazemos lanche no jantar, porque estamos cansados e é mais prático.” Contudo, no caso da alimentação, há um agravante: o ato de comer “por impulso”. Às vezes, comemos tão rapidamente que nem saboreamos a alimentação ou prestamos atenção às suas cores e às texturas. E tudo isso junto contribui para o aumento de peso, o que funciona mais ou menos como um “efeito dominó”: os maus hábitos de alimentação mais o sedentarismo levam à obesidade infantil, que leva à baixa autoestima, que leva ao isolamento, que, eventualmente, leva à depressão e outros problemas que se agravam com a adolescência como bulimia ou anorexia.


Nas fases da infância e da adolescência surge, ainda, outra questão que carece de cuidados e de soluções: o bullying. Neste caso, o bullying relacionado especificamente à obesidade. Não é raro andarmos pelos corredores das escolas e salas de aula e nos depararmos com alunos com blusões largos de moletom e com capuz. Às vezes, nem está frio, mas está lá a pessoa tentando se esconder. Isso é triste. Ainda mais quando um adulto (adultos são bons em questão de insensibilidade) diz na frente de todo mundo algo assim: “ESTÁ DOENTE GAROTO (A)? TIRE ESTA BLUSA AGORA!”. É preciso ter um mínimo de TATO, quando lidamos com GENTE, e isso deveria ser “OBRIGATÓRIO” nas escolas, já que supostamente é um local onde (também supostamente) reina a educação (só que não!).

“(...) A criança obesa é muito afetada pelo bullying, já que a forma de seu corpo gera insultos e apelidos, causando isolamento e depressão. É preciso ajuda mútua entre pais e professores para combater as agressões. Os pais devem ficar atentos aos sinais dos filhos, como falta de interesse pela escola, choros frequentes, sentimento de raiva. A escola tem o papel de orientar o fim dessa prática e punir, visando à aprendizagem, os alunos que realizarem o bullying.(...)” Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO 



É aí que entra o papel da escola que, é claro, não pode dar conta de todos os “problemas extraclasses” inerentes aos alunos. Por isso, acredito que o CURRÍCULO ESCOLAR CARECE DE UMA REVISÃO URGENTE no que se refere aos conteúdos de ensino: o que é realmente importante ensinar e aprender? Neste impasse, chegamos a trabalhar “no automático”; na correria dos dias e das informações; porém com menos profundidade, com menos compreensão e com menos DISCERNIMENTO. Deveríamos pensar numa maneira de incorporar questões relacionadas à saúde (física e emocional) desde cedo nos conteúdos de ensino. Muitos dirão (principalmente os profissionais mais conteudistas que conhecemos): “pra isso existem as aulas de ciências e de Educação Física!”. Não. Não é disso que estou falando. Isso é muito pouco, principalmente nas cargas horárias destinadas a estas disciplinas. Falo de “ESPAÇO” no currículo para que os professores (desde a Educação Infantil) possam trabalhar tais aspectos. O que demanda menor número de alunos por sala; infraestrutura; formação etc.



Porém, enquanto isso não acontece, nós, enquanto docentes ficamos duplamente frustrados. Isso porque, por um lado, os alunos não aprendem de fato (DE FATO! com fluência na leitura e na interpretação e com habilidades indiscutíveis em raciocínio lógico) e, por outro, porque não temos alunos FELIZES CONSIGO MESMOS (muito menos nós ficamos felizes conosco mesmos), críticos, corajosos, ousados, curiosos e POLIDOS...


Há, ainda, a questão do desperdício. É impressionante como vemos nas escolas, em casa, em restaurantes o tanto de alimentos que são deixados no prato e/ou jogados no lixo. Parte desta atitude abominável é fruto de uma educação que não ensina à criança sobre a origem dos alimentos. Existem crianças (com as quais já conversei) que acreditam cegamente que o leite “dá” em caixinhas longa vida. Não conhecem nada (na prática ou “in loco”) sobre agricultura, pecuária e similar.  Esta falta de conhecimento contribui para o desperdício; sobretudo, porque, parece fácil demais conseguir alimentos. Estão nas prateleiras, nos “fast foods”. Eis outra atividade que deveria ser contemplada no currículo escolar: o reconhecimento e a valorização dos alimentos a partir do entendimento do processo integral de produção.



A seguir, um vídeo onde Michelle Obama dança com os alunos de um aescola que faz uma campanha contra o sedentarismo!!! Demais"Uptown Funk" 


Para finalizar, entendo que o ato de se alimentar constitui um evento cultural que, se assim fosse visto e entendido, tornaria educação (ou a reeducação alimentar) menos complexa. Tal evento passa pelo fato de unir as pessoas; de observar cores e formas dos alimentos (o comer com os olhos); saborear todos os alimentos, sentindo sua textura SEM PRESSA.  Tais comportamentos seriam de grande valia no combate, por exemplo, à gula. Desde pequena, a criança deve aprender a comer pequenas porções e saboreá-las, mastigá-las devagar. O que, comprovadamente, acelera o processo de saciedade, fazendo com que seja ingerida uma quantidade menor de alimentos. E, dada a realidade em que as crianças são criadas, em sua maioria em creches e escolas, cabe à escola o fundamental (e até urgente) papel de contribuir significativamente para sanar tais questões; ao invés de ficar tentando solucionar problemas, focar mais na REEDUCAÇÃO ALIMENTAR; NAS ATIVIDADES FÍSICAS e , consequentemente, no combate à obesidade infantil.






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