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EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.

terça-feira, 2 de julho de 2013

VALORES: QUEM (AINDA) LIGA? A DONA LINDOCA LIGA.

POR MARI MONTEIRO





VALORES, segundo o dicionário on line Houaiss: “(...) 12 Derivação: por extensão de sentido. Conjunto de traços culturais, ideológicos ou institucionais, definidos de maneira sistemática ou em sua coerência interna. (...)”. Ex.: valores da família, da tradição, da vida militar.

VALORES, segundo meu ponto de vista: conjunto de modos de pensar o mundo, de comportamento e de atitudes pautadas pela ética. “Fazer ao outro naquilo que gostaria que fizessem a mim.” (clichê que define bem o que penso sobre valores)

VALORES: onde aprendê-los? Como leiga, mas muito curiosa que sou penso que trazemos conosco uma carga genética que complementará nossa formação de caráter e, inclusive, de valores.  Porém, minha convicção mais forte diz que a grande parte do que vivenciamos é o que determina o aprendizado e a construção dos valores. Renato Russo escreveu um verso que diz: “A MINHA ESCOLA NÃO TEM PERSONAGENS. A MINHA ESCOLA TEM GENTE DE VERDADE.”. Foi o que aconteceu comigo. Hoje, quando abro minhas “malas”, percebo que boa parte da bagagem que carrego comigo, foi aprendida através de exemplos, das observações dos comportamentos dos outros, das minhas próprias reações às intempéries da vida. E, neste percurso, além da minha relação com meus pais e minha irmã, há três núcleos que me ENSINARAM muito sobre VALORES: a família da DONA LINDOCA, Sr. ANTÔNIO MANUEL e o Sr. HECTOR.

Isso é muito nítido para mim; sobretudo, porque, quando criança, tive a honra de conhecer a família do Senhor Vicente de Souza e da Senhora LINDOCA MARIA DE SOUZA. Um lindo casal de negros com seus sete filhos. Éramos vizinhos. Os fundos do meu quintal davam direto para o cortiço onde moravam. Todos nós éramos muito pobres, materialmente falando. Porém, desconheço uma casa e uma família tão limpos e unidos. Foi com eles que aprendi boa parte do que carrego comigo enquanto noção de FAMÍLIA, de COMPARTILHAR o que se tem, de RIR das pequenas coisas, de oferecer CARINHO incondicional e desinteressadamente. Essa relação permaneceu por anos a fio. Até que me casei, eles se mudaram e nos distanciamos.



Impossível esquecer a hora do jantar. Todos comiam juntos, apesar de não caberem na mesa. E era um momento para colocar a conversa em dia... E todos falavam uns com os outros sobre seus dias. AH! O DIÁLOGO. ONDE ESTÁ VOCÊ?  Há uma fala do Senhor Vicente da qual jamais esquecerei e, toda vez que me lembro dela me pego com um sorriso terno e saudoso no rosto. Ele me olhava e dizia: “Sabe ‘zóio de folha’ (era assim que ele me chamava), tá vendo essa negona linda aqui, gorda, pele bonita? Ela num era assim não quando conheci. Ela era seca, magrela e cortava cana. Depois que me conheceu tudo mudou. A gente cuidou um do outro e olha como ela é linda agora!”. Em seguida, Dona Lindoca abria um sorriso lindo enquanto seus olhos brilhavam olhando para Sr. Vicente. Sabem o que significa isso pra mim? UMA LIÇÃO DE AMOR E DE DEVOÇÃO. São coisas assim que considero aprendizado de valores. Algo aprendido, jamais esquecido e que sempre vai permear minhas decisões.

Já o Sr. Antonio Manuel é outro personagem inesquecível na minha vida. Só nos víamos nas férias escolares, mas eram trinta dias nos quais aprendia muita coisa. Ele possuía um afazenda, na qual minha tia era cozinheira.  Sou fascinada até hoje por aquele lugar. Tenho muitas fotos, além das lembranças. Quase todas as tardes, ele chamava a mim e aos meus primos para sentar no tapete de sua biblioteca enorme e luxuosa. Ora ele lia contos de livros, ora ele contava suas viagens pela Europa. E eu tinha ali a oportunidade de “VER” mundos, personagens, linguagens totalmente alheios ao meu cotidiano. Ele era muitíssimo culto, falava outras línguas e nos mostrava os mundos dos livros.  Falava baixo e pausadamente. Aquilo me encantava. Não esqueço até hoje o timbre de sua voz. ERAM LIÇÕES DE ZELO, DE COMPORTAMENTO, DE GOSTO PELA ARTE E PELOS LIVROS. Diga-se de passagem: aprendi a comer com garfo e faca de prata e observando como ele fazia. Abusada!



O Sr. Hector e sua esposa Aurora eram argentinos e se tornaram nossos vizinhos por um tempo. Eles não tinham filhos, então aos finais de semana, ele gostava de reunir as crianças do cortiço para ensinar Inglês. Daí a minha familiaridade sonora com este idioma e com o espanhol; não acerca da fluência. Mas, tudo que ouço nestes dois idiomas me é muito familiar. Primeiro, porque eles falavam mais em espanhol que em português. Aqueles momentos significavam muito para mim e para as outras crianças, todos nós éramos alunos de escola pública e estávamos ainda no Ensino Fundamental I, então ficávamos abismados com as palavras que aprendíamos. Certa vez, ele promoveu uns passeios para as crianças e seus respectivos pais ao cinema. Um dos mais luxuosos de São Paulo. Não me lembro do nome do cinema e nem do desenho que assistimos. Só me lembro do quanto fiquei maravilhada com aqueles carpetes vermelhos, poltronas imensas e com a tela gigante. ESTAS FORAM LIÇÕES SOBRE A CULTURA E O GOSTO PELO APRENDIZADO.


Enfim, é a este conjunto de vivências e de aprendizados incessantes, somados ao que trazemos hereditariamente que dou o nome de VALORES.  Valores com os quais me importo muito. Sinto-me GRATA, PRIVILEGIADA e ABENÇOADA por ter tido a oportunidade de conviver com estas pessoas. E, ainda hoje, COLECIONO LIÇÕES. Ainda estou cercada de muitas pessoas que me ensinam coisas novas e reforçam meus valores todos os dias.  Caso eu me pautasse apenas nestes personagens da minha vida e nesta pequena parte dela, já poderia afirmar que sou uma pessoa muito protegida pelos ANJOS... Pois, estou certa que pessoas assim, quando nos deixam, VIRAM ANJOS... E CONTINUAM POR PERTO A NOS GUIAR.


quarta-feira, 26 de junho de 2013

O QUE EU GOSTARIA DE APRENDER NA ESCOLA?

POR MARI MONTEIRO
Quando falamos em educação, nos pautamos numa tese aqui em outra ali. E, nesse momento, é preciso despir-se de partidarismos e de todas as formar de “pré-julgamentos” para que, “livres da perfeição”, possamos refletir sobre o que ouvimos e tirar o devido proveito. Desta vez, ouvi duas opiniões sobre educação resultante s das respostas dadas pelo ex – presidente da república Fernando Henrique Cardoso (no programa Canal Livre, na Band News, em 26/06/2013).

Ao ser perguntado sobre o que falta na educação brasileira, o ex-presidente respondeu (o que eu não esperava e – melhor – o que eu nunca havia visto ser abordado de forma tão incisiva) que, entre outras coisas, falta A REVISÃO DE CONTEÚDOS. Em suma, ele quis dizer que o aluno vai para a escola e não s e identifica com o que está sendo ensinado. Acrescentou que se fala muito em permanência na escola, em escola em tempo integral, MAS PARA FAZER O QUÊ? Neste caso, nesta altura do debate, penso que ele se referia à infraestrutura das escolas para receber o aluno por mais tempo; à formação dos professores; à alimentação adequada e outros tantos fatores.
Num determinado momento, ele disse “não sou educador”... Depois prosseguiu dizendo que falta também dignidade aos professores.  Revelou que quando lecionou em Cambridge a diferença maior não era o salário recebido, mas sim A FORMA COMO O PROFESSOR É TRATADO. Isso me tocou profundamente, porque se me perguntarem do que você sente mais falta enquanto educadora? Direi: DIGNIDADE. Sabe aquela coisa de você dizer sua profissão e a pessoa dizer: “Que máximo!”... Acho que nunca ouvi isso. Mas, continuo Professora de literatura porque acho o máximo, ao menos pra mim! O que não exclui minha indignação com as condições de trabalho e baixos salários.

Mais adiante, quando questionado sobre o Ensino Superior, ele fez um comentário importantíssimo: o número de matrículas no ensino superior aumentou; mas, o número de formandos diminuiu. O que nos remete a imaginar os inúmeros fatores que “motivam” a descontinuidade do curso: questões financeiras, escolha errada, incapacidade intelectual (isso parece forte e IMPIEDOSO de se dizer, mas conheço muitos casos).

Retomando a questão dos conteúdos, há muito tempo eles faziam sentido; por exemplo, antes do Google: “O Google sabe mais que todos os professores juntos.” (frase de um aluno meu). Antes, íamos ás bibliotecas, consultávamos vários livros diferentes, copiávamos à mão todo o conteúdo. Quando levávamos as pesquisas para a sala de aula e o conteúdo era abordado (e quando gostávamos realmente da matéria, porque, não sejamos hipócritas. A gente nunca gosta de todas!); estava aberta a “CAIXA DE SURPRESA”. Todo novo conteúdo era uma surpresa e a busca por ele só fazia valorizar o que era aprendido. Ora, se hoje sabemos que o Google, praticamente substituiu as pesquisas feitas em bibliotecas, precisaremos rever uma forma de estimular as descobertas através desta ferramenta. Não há como estagnar e ficar conjecturando saudosismos.

Outro aspecto que me sobreveio foi o seguinte: podemos (re) pensar os conteúdos, BRINCANDO DE VOLTAR A SER CRIANÇA . Por exemplo, se eu tivesse seis anos, além do aprendizado essencial das letras, o que mais eu gostaria de aprender na escola? E se eu tivesse sete? E com oito? E assim por diante. Quais seriam minhas CURIOSIDADES em tempos de tanta tecnologia, onde a  imagem e o som se sobrepõem de forma esmagadora através da TV, de textos imagéticos, da internet etc.

Ousei me fazer tais perguntas. Confesso que não soube de pronto o que gostaria de prender; mas sei bem o que não gostaria de fazer na escola: não gostaria de ficar sentada por mais de quatro horas numa sala apenas mexendo com papéis e lápis e ouvindo uma mesma pessoa repetir as coisas o tempo todo, dando ordens (e, por vezes, gritando pra todo mundo ouvir o que eu não sei). Por outro lado, me veio à mente nossa dura realidade, contamos com giz, lousa, lápis e papéis. Eis o empasse: QUALQUER CENÁRIO “LÁ FORA” É MAIS INTERESSANTE QUE O CONTEÚDO VISTO EM SALA DE AULA.



Enfim, é preciso mudar, não apenas os conteúdos relacionados ao conhecimento em si, mas os conteúdos referentes à nossa essência enquanto docentes. QUEM SOU EU NESTE TEMPO? QUE TRANSFORMAÇÕES OCORRERAM EM MIM? O QUE ME INTERESSAVA HÁ VINTE ANOS E NÃO ME INTERESSA MAIS? Certamente, não somos mais quem éramos no nosso tempo de escola (Graças a Deus!). Fato é que as “mutações” são constante s e fugazes. E, se não nos adaptamos a ela, somos atropelados; ficamos à margem e, o pior, ensinaremos conteúdos que também ficaram à margem do que se passa na realidade. Hoje, grande parte dos jovens, não veem as notícias na TV, eles são os próprios repórteres e cinegrafistas, que levam as notícias para a sala de aula. Sejamos então. AUTORES de “NOVOS” conteúdos e de novas formas de ensinar (e de aprender!). Assim, conhecemos a História passada e a História que construímos todos os dias. O elo estabelecido entre  ambos conteúdos é o que nos fará VER SENTIDO no que fazemos n a escola:  DES – CO – BRIR! Saciar desejos. Mas, primeiro, é preciso DESPERTAR este desejo: eis o desafio!

http://www.youtube.com/watch?v=W3K3j2jhuRA
Link do programa mencionado na íntegra  

segunda-feira, 24 de junho de 2013

HUMILDADE: ÀS VEZES, A GENTE VÊ POR AQUI

Por Mari monteiro

Acompanho futebol desde que me conheço por gente. Todos os campeonatos locais, nacionais e mundias... Enfim, salta aos olhos que o brasileiro acolheu o time do Taiti como preferido em todos os jogos por  diferenciais que, por vezes faltam aos grandes times: garra (hoje mesmo, com a partida perdida, lá pelos 6X0 em favor do Uruguai, eles não demonstravam desânimo e nem faziam "corpo mole").

Além disso, fica a lição de HUMILDADE. O carinho retribuído à torcida e o respeito à todas as equipes enfrentadas. Isso pra mim está além da EDUCAÇÃO. É uma questão cultural. E, neste quesito, a impressão que ficou, foi de que eles estão anos-luz à nossa frente.


Enfim, eles jamais esquecerão este momento... e considero que devamos fazer o mesmo, tomando suas atitudes como lição de HUMILDADE e de CIVILIDADE!!! Poucos retornarão à sua Pátria tão felizes e com a consciência tão tranquila!!!



Parabéns Equipe do Taiti!!!


quinta-feira, 6 de junho de 2013

O AMOR NÃO CURA E NEM TEM CURA (LOVE NOT HEALING AND NEITHER HAS HEALING)

POR MARI MONTEIRO            

In memoriam de “O Mocinho”. Agradecimentos especiais à Mocinha e texto dedicado a E. K.

Anne Frank (1929-1945) disse mais ou menos isso: “prefiro escrever, porque o papel é dotado de mais paciência que as pessoas.” Fato. Acrescento que , enquanto escrevo e enquanto você lê, raramente seremos interrompidos e dispersaremos. Neste momento, por exemplo, você pode estar se perguntando:“o que tem a ver o ato de amar, a cura ou não do amor com um blog sobre educação?” Simplesmente TUDO. Tentemos exercer (se é que já não o fizemos algumas vezes) nossa função que, a propósito é junto“ a pessoas, sem “estar amando” alguém.  Estão estabelecidos o caos e a infelicidade. A educação, assim como todas as relações interpessoais, está diretamente relacionada a todas as formas de amor e de amar. Dentre todas estas formas, este texto é sobre o AMOR PASSIONAL ou sobre o AMOR ROMÂNTICO, que também ensina. Ah como ensina...

Mas para começar este “conto de amor”, precisei pedir autorização à Mocinha para falar sobre o Mocinho. Era assim que, carinhosamente se tratavam. Tomei coragem e escrevi: “Mimo, como você está? Tentei ligar, mas acho que estou me desencontrando de você (rs). Fato é que , desde o dia em que conversamos, revi muitas coisas na minha vida e preciso escrever sobre isso no meu blog. Gostaria da sua permissão para citar uma frase da sua história com o Mocinho. As pessoas precisam saber que devem fazer como vocês: "AMAR EM TEMPO"... Por favor, permita-me alertar as pessoas no sentido de entregar-se ao amor que sentem, sem priorizar materialismos e outras banalidades. Ninguém saberá de quem estou falando, pois as pessoas não sabem da nossa conversa. Mas não me sentiria bem sem sua aprovação. Amo você!!! Bjus”


Confesso que naquela noite não consegui dormir. Levantei-me  e me pus a escrever. Certamente, se a resposta da Mocinha fosse negativa, eu rasgaria as folhas. Fato é que eu precisava “esvaziar” meu peito. Na manhã seguinte, olhei para as três páginas manuscritas e pensei no destino que elas teriam.  

Contudo, assim que abri a internet, lá estava a resposta da Mocinha: “Mimo. que lindo! Nem preciso dizer que estou chorando.... Acho que aprendi com você. Escreve sim, com toda sua inspiração e me mostra... Aliás, me passa o texto e o endereço... Não esquece de dizer que nosso amor foi lindo desde o início e que daria tudo para tê-lo de volta. Sabe, a cada dia a dor só aumenta. Eu daria tudo para abraçá-lo mais uma vez e dizer que o amo. Não tenho perspectiva de futuro, pois nada faz sentido sem ele... 

Agora, fico me lembrando de cada momento lindo que tivemos... Tudo foi especial desde o começo... Diga pra todos valorizar cada momento, pois não sabemos o que nos reserva o futuro... Se quiser, pode usar a maneira como nos tratávamos: mocinho e mocinha. Dou essa permissão a você, mas não se esqueça de me avisar quando terminar de escrever... grande beijo.”

Diante disso, não se trata de uma atitude egoísta da minha parte: a narrativa da mudança do meu jeito de enxergar o amor, mas é também uma vontade da Mocinha de que todos saibam que é preciso AMAR EM TEMPO. Tempo este, muitas vezes, preenchido com pequenezas do cotidiano, com picuinhas que não conduzem a nada. É quase uma fuga. A impressão que tenho é que se fizermos sobrar tempo para o amor, muitos de nós não saberiam o que fazer com eles (nem com o amor e nem com o tempo). Sinto medo quando penso nisso. Estamos nos “DESACOSTUMANDO A AMAR” ou nos conformando com a superficialidade dos sentimentos a ponto de não saber demonstrar este amor ou de não ousar assumi-lo. Mas, felizmente, com o Mocinho e com a Mocinha foi diferente. Tudo foi intensamente vivido sempre.

Sinceramente, não vejo saída para quem não se permite amar; para aqueles que, mesmo tendo em mãos a possibilidade de amar e de ser amado, se recolhe (e se encolhe) num ostracismo egoísta.  É certo que ninguém precisa gritar aos quatro cantos que ama, mas demonstrar, do seu jeito... Simples assim. Se é verdade que o amor cura? Não creio. Se assim fosse, nenhum dos nossos entes amados partiria. Mas uma coisa é certa: O AMOR MUDA O NOSSO ESTADO DE ESPÍRITO; nos torna mais fortes, esperançosos e seguros... E os olhos?  Estes se entregam por si só ao refletir a luz mágica. Digo mágica, porque somos mais generosos quando amamos; mais afetuosos e mais gentis. Eram assim os olhos da Mocinha com quem tive o prazer de conviver por muitas tardes em anos de amizade. Quanto à afirmação (presente no título) “e nem tem cura”, isso também é um fato: AMOR VERDADEIRO é para sempre.


A frase dita pelo Mocinho à Mocinha, depois de maravilhosos seis anos de convivência e de vitórias mudou radicalmente meu modo de pensar o amor e o desprendimento advindo dele. Isso porque se pararmos para prestar atenção, mas muita atenção mesmo é possível aprender e transformar-se nas situações mais adversas. Numa determinada manhã, após saber que Mocinha havia perdido o seu Mocinho por motivo de doença, decidi me oferecer para uma conversa e foi então que,  em meio a lágrimas e detalhes soube que a Mocinha, que por mim seria denominada carinhosamente de Princesa Guerreira, ouviu a seguinte frase do Mocinho que, em questão de horas, partiria deste mundo: “DESCULPE. EU TE AMO E QUERO FICAR. MAS EU NÃO CONSIGO. EU NÃO AGUENTO MAIS.” Esta frase me transformou visceralmente. Virou-me do avesso e percebi que era lá, no meu avesso, que morava a mais pura verdade: QUEM AMA QUER FICAR PERTO. Desde então, meu espírito desassossegou, precisava compartilhar isso. Pensei nisso por muitos dias. Qual a medida do amor? Onde ele mora? Como ele chega? Como ele se vai? (Se vai?)


De tanto pensar, agora sei. O amor verdadeiro é INTENSO e ele NÃO SE VAI. E o clichê “até que a morte os separe” é real, ao menos enquanto aqui estamos sobre esta terra de Deus. O que está à margem desta intensidade; da vontade de estar junto; de tomar a dor do outro pra si... NÃO É AMOR! Pense. O Mocinho queria continuar aqui com sua Mocinha, amando e sendo amado, mas não conseguiu. QUER DOR MAIOR QUE ESTA? Isso me fez pensar em vários tipos de pessoas que, mesmo amando e sendo amadas, e em plenas condições de fazê-lo, não investem nesse amor; não valorizam os pequenos gestos. Não me refiro a declarações de amor ditas por dizer, aquele “Eu te amo”, que soa como “saúde” para quem acabou de espirrar. Refiro-me ao respeito, ao companheirismo, às mãos dadas, ao zelo, ao afago, ao afeto, à ansiedade do reencontro, à aceitação da autenticidade, dos limites e das dores  do ser amado (não há nada mais desprezível do que fingir que não se percebe a dor do outro).



Enfim, o que sei agora é que a pessoa que amo a mim me parece perfeita. Porque, não sendo nenhum de nós perfeitos, é o meu ato de amar que o torna perfeito; que me faz, a exemplo do Mocinho, desejar ficar para amar por tempo indeterminado... Sei também do tanto que o Mocinho e a Mocinha se amaram. Saber destas certezas sossegou meu espírito.  Ah! E só pra lembrar... Tenho pra mim que AMAR só se aprende AMANDO!

segunda-feira, 20 de maio de 2013

BOOMERANG

Por Mari Monteiro

Creio que educação tem muito a ver com RECIPROCIDADE.  Desde bem cedo é bom que a criança saiba o significado desta palavra que, grosso modo, para mim, quer dizer: “SOU PARA VOCÊ O QUE VOCÊ É PARA MIM”. Quanto antes nos der conta disso, mais cedo aprenderemos a respeitar e nos colocar no lugar do outro. Resultado: menos mágoa, menos agressões e mais COLETIVIDADE.

A propósito, coletividade é o que mais falta na educação.  E se nós, adultos, não demonstrarmos isso, as crianças e adolescentes não perceberão o significado de reciprocidade e, muito menos, seu valor. A reciprocidade é uma das manifestações humanas mais louváveis e gratificantes. Pois, envolve: gratidão, empatia e respeito mútuo. Sentimentos raros hoje em dia. Entendo a reciprocidade também como a chamada lei da ação e da reação. Como um boomerang que vai e volta pra você. Caso o lancemos com violência, com violência ele voltará. Isso implica em NOS IMPORTARMOS UNS COM OS OUTROS. Daí a importância de se trabalhar ética e cidadania na escola. Mas, não somente na escola, fora dela também.

Enfim, toda minha vida pessoal, profissional e social está pautada na reciprocidade, no que eu desejo para o outro. Se maltratar as pessoas de um modo geral, não posso esperar gentilezas... E assim por diante. E, acreditem, não há nada mais gratificante que receber gentilezas. Já passei por isso muitas vezes, com muitas pessoas... e é um sentimento impagável!


 

domingo, 12 de maio de 2013

LER PARA QUÊ?

Por Mari Monteiro


Está lançado um dos maiores desafios para os professores: convencer aos alunos de a prática a da leitura é um a ação necessária para a formação de um modo geral. Para nós, docentes, a importância da leitura é clara. Se bem que sabemos que há uma boa parcela dos professores que não lê sequer os chamados periódicos. O que agrava ainda mais a situação. Como posso convencer meu aluno a ler se eu não tenho o hábito da leitura e – não tendo esta prática – não tenho boas “histórias” ou “memórias” para contar sobre minhas leituras e nem recomendações a fazer. Contudo esta NÃO É UMA RESPONSABILIDADE QUE CABE APENAS À ESCOLA. A família deve desempenhar a função de motivadora: levar os filhos às bibliotecas e às livrarias, permitir que eles folheiem e ESCOLHAM as obras que desejam ler; dar-lhes vale-presentes de livraria, por exemplo, funciona muito bem, pois o indivíduo se sente à vontade para escolher o que ler sem a presença dos pais ou a imposição da escola. Eis uma questão que me incomoda: a imposição da escola. Ou seja, o fato das escolas fazerem descer goela abaixo – sobretudo no Ensino Fundamental II - as obras clássicas da literatura, cujo conteúdo e enredo são de extrema importância, porém ainda não é chegada a hora da assimilação deste tipo de leitura. As ações em torno da prática da leitura devem começar o quanto antes, mas respeitando as escolhas do próprio aluno.

Fala-se muito em desenvolver o hábito da leitura (pauta de todo planejamento e reunião pedagógica que participei até hoje); contudo, é preciso, antes, desenvolver o HÁBITO DE FREQUENTAR LIVRARIAS e BIBLIOTECAS. Afinal, os jovens e as crianças frequentam e consomem tantos outros lugares e “coisas” mais caras que livros...



Outro entrave à leitura (adversário talvez fosse um termo mais apropriado) é a internet. Os resumos de todas as obras estão lá. E os filmes, com seus magníficos efeitos especiais, também. Alguns nada fiéis às obras originais. Daí advém a necessidade do gosto pela AQUISIÇÃO do livro ENQUANTO OBJETO DE PRAZER, MANUSEIO E SEDUÇÃO. Isso passa pela vontade de conhecer as biografias dos autores; as variedades de títulos encontradas nas boas livrarias e nas boas bibliotecas; ou seja, o gosto de escolher e de levar para casa algo que lhe despertará INÚMEROS SENTIMENTOS. E “despertar” isso no aluno (ao menos em parte deles) é uma obrigação de todo educador, não importando sua área de atuação.
  
        Costumo dizer para os meus alunos que livro bom é aquele que nos faz ENXERGAR tudo que lemos que nos leva para outros lugares e nos faz conhecer outras sensações. Aí responderão os incrédulos: “A internet faz tudo isso.” Ledo engano. Na internet está tudo PRONTO. O leitor não tem escolhas. Seus olhos só enxergam o que está à mostra e sua imaginação não cria os cenários, não escolhe as cores, os sabores, os aromas... Porque sua LIBERDADE DE PENSAMENTO FOI CERCEADA pelo hermeticamente fechado mundo da internet. Explico melhor esse paradoxo: mundo fechado da internet.  Ler um parágrafo descritivo de uma obra não é o mesmo que olhar para uma cena já desenhada numa tela (por outra pessoa). No livro, o cinegrafista, o pintor, o protagonista é você e não um designer que fez tudo segundo seu ponto de vista.

Finalmente, concordo com José Saramago quando ele diz que está havendo um retrocesso n a comunicação, que o vocabulário empregado pelas pessoas está cada vez mais escasso. Inclusive, concordo com ele quando diz que no tempo das cavernas, os homens apenas emitiam sons monossilábicos e que, se continuarmos a nos privar da leitura, muito em breve não encontraremos palavras, por exemplo, para expressar os nossos sentimentos. E um homem murmurará sons monossilábicos para uma mulher e ela se sentirá amada, pois estará feita uma declaração de amor. Concluo que este é um argumento quase irrefutável sobre a necessidade da leitura. Quanto mais leio, mais amplio meu vocabulário e, quanto mais o amplio, mais opções de palavras e expressões estarão ao meu dispor para expressar sentimentos e para argumentar. Será que respondi por que precisamos ler?


      

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