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EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

CRIANÇAS ASSASSINAS: VONTADE DE DESACREDITAR

POR MARI MONTEIRO



Desde já, aviso: não me sinto confortável para falar ou escrever sobre este assunto. Creio que ninguém se sente. E não é um desconforto qualquer. Ele afeta profundamente nossa alma e nossas perspectivas de futuro. O fato referente ao POSSÍVEL crime, seguido de suicídio, cometido pelo garoto Marcelo Pesseghini é “surpreendente” para nós, brasileiros. Mas, não é tão raro assim em outros países, como o caso a seguir:

O caso Joshua Phillips (EUA):



O que começou como uma simples faxina terminou com a condenação de um rapaz de 14 anos chamado Joshua Phillips. Sua mãe foi limpar seu quarto uma manhã após Phillips ter ido para a escola.

Foi quando ela percebeu uma mancha molhada debaixo da cama de seu filho e pensou que era um vazamento de cano. Ela colocou a mão debaixo da cama e sentiu algo frio.

Ligou uma lanterna que lhe mostrou o cadáver de Maddie Clifton, um vizinho de oito anos de idade, que havia desaparecido há sete dias.

Pessoas da comunidade, especialmente pais do menino, mal podiam acreditar que ele poderia ter matado Clifton. Phillips inclusive foi um dos vizinhos que se ofereceram para procurar a menina desaparecida.

Como ele era menor de 16, Phillips não foi classificado para a pena de morte. Ele foi condenado e sentenciado à prisão perpétua, sem possibilidade de libertação. Phillips não disse quais foram seus motivos para matar Clifton.

Ele disse que acidentalmente atingiu-a nos olhos com um taco de baseball, e depois a arrastou para o quarto onde ele esfaqueou-a, mas o júri não se convenceu sua história.

A foto tirada de Joshua Phillips na prisão em 2008, 10 anos após o 

assassinato, neste ano, com 24 anos de idade.



Por outro lado, acredito que qualquer pessoa; sobretudo pais e educadores, deve acompanhar e refletir sobre o referido fato. E, caso se consolide esta triste e, em minha opinião, MACABRA hipótese, temos não apenas o dever, mas a OBRIGAÇÃO de refletir sobre isso e dedicar-se a uma ação, por menor que seja junto a estudantes do Ensino médio e aos pais. Impossível, continuar os PROGRAMAS CURRICULARES passando “batido” por uma questão que comoveu não apenas o país, mas o mundo. Não fazer nada é omissão e omissão e CONIVÊNCIA.

Por ora, o que fica é a esperança de que toda esta estratégica ação não tenha sido  minuciosamente planejada e executada por um menino de treze anos. Ficam também alguns questionamentos:

- o quão próximo está qualquer um de nós de um fato assim?
- o que se passa na mente de nossos filhos, irmãos mais novos, sobrinhos e alunos?
- qual é a “história” desta família?
- como nos relacionamos com as crianças e os jovens em geral?
- Quais são os ANSEIOS e as FRUSTRAÇÕES das crianças e dos adolescentes nessa sociedade volátil?
- de que modo a criança e o jovem encara o caso?

Enfim, consolidando ou não a pior das hipóteses, devemos nos debruçar sobre nós mesmos e sobre nossos DIÁLOGOS com as crianças e com os jovens.  Quanto de nós temos lhes oferecido em termos de TEMPO, de AFETIVIDADE, de “OLHOS NOS OLHOS” e de CUMPLICIDADE? E eu sempre, para variar, querendo encontrar e “tratar” as CAUSAS, mesmo porque, as CONSEQUÊNCIAS SÃO IMUTÁVEIS. Ninguém os trará de volta à vida, mas é possível evitar que isso abra precedentes...












segunda-feira, 5 de agosto de 2013

PROFESSOR NÃO PODE ADOECER!!!

POR MARI MONTEIRO






Afastada da Rede Pública há mais de um ano, retorno agora à “vida pública” (literalmente pública, descobri).  Após meses de tratamento por conta de “AGAROFOBIA”, síndrome desencadeada por stress pós-traumático entre outras coisas, eu RETORNEI. Acredite não me faltaram motivos para deprimir. Não os listarei aqui POR RESPEITO A MIM MESMA. Então, encare, por gentileza, este artigo como um retrato geral das condições de boa parte dos professores.

Após estudos de laudos sem fim, deliberações daqui e dali, concluiu-se que deveria voltar ao trabalho EXERCENDO OUTRA FUNÇÃO, o que tecnicamente é denominado: readaptação. Perfeito! E rápido. O processo deve ter girado em torno de dois meses. Fiquei feliz com a notícia; porém bastante ansiosa: será que eu daria conta?  Quais serão minhas novas atribuições? Como serei recebida? Agora, eu bem entendo o depoimento da colega abaixo:

Mais detalhes desta reportagem em: http://educar.wordpress.com/category/burnoutstress/


Hoje, já tenho as respostas para a maioria dos meus questionamentos e MEDOS MAIS ÍNTIMOS. Estes, sim, faço questão de torná-los públicos. Sobretudo, porque garanto que não estou sozinha. Há os docentes afastados por motivos outros e há (o que considero MAIS GRAVE, sob todos os aspectos) aqueles que sabem que precisam, mas não assumem suas mazelas, suas dores, suas angústias, suas indignações. Fiz o contrário: resolvi RESPEITAR MEUS LIMITES. Foi quando tudo desabou. Todas as gotas d’água transbordaram. NÃO ME ARREPENDO.



Fiz isso: "DESCORTINEI -ME". Quando se retoma, depois de mais de um ano, espera-se um cenário diferente (ainda mais eu: sonhadora que só!).  De cara, não foi isso que encontrei. Os mesmos problemas e as mesmas possíveis soluções elencadas no planejamento de DOIS ANOS ATRÁS. Obviamente, tudo sendo orientado pela Secretaria da Educação. Isento aqui a gestão de qualquer responsabilidade. Mas isso é MUITO TRISTE, patético até. E os professores, comprometidos que são, juntamente com a  equipe escolar, continuam resistindo e insistindo bravamente. A sensação não foi boa. Misturei ansiedade com frustração, alegria de ter voltado com o medo do que virá...

Abrindo os trabalhos, fico feliz, verdadeiramente feliz, com minha nova incumbência.  Hoje foi o primeiro dia “pra valer”, escola lotada e eu cheia de planos. Pois bem. PASSEI MAL. Suei frio, tremi dos pés à cabeça e fiquei com as mãos gélidas durante toda tarde.  Lembrei-me do que a médica disse: “Você sabe os sintomas da crise e sabe que eles não te matarão; então, aguente”. Foi o que fiz! Verifiquei minha lista de afazeres e fui tocando as coisas... Não foi fácil!!!

Mas, se me perguntarem o que é MAIS DIFÍCIL no retorno, já sei na ponta da língua. É você, com a experiência, convivência e observação saber quem SÃO SEUS AMIGOS, QUEM NUNCA FOI E QUEM SEMPRE FOI! É uma sensação ímpar. Como saber? Simples! Adoeça por mais de um ano e observe: quem te procurou? Quem se importou? Quem se mantem fiel aos seus princípios e valores depois do distanciamento? Quem fala e FAZ o que FALA? Enfim, são inúmeras constatações feitas... Todas ao mesmo tempo.



Mas... Procuro e acho sempre algo de bom em meio ao CAOS. É impagável REENCONTRAR OS VERDADEIROS E RAROS AMIGOS. Um brinde a eles. A cada olhar que troco com um amigo verdadeiro, sinto - me fortalecida.  A estes amigos, me apego e valorizo e, principalmente agradeço a Deus por tê-los por perto.  Aos demais, àqueles que não se importaram, um só desejo: NÃO ADOEÇAM E NUNCA, JAMAIS, TENTEM RESPEITAR SEUS LIMITES; caso contrário, estarão sujeitos a passar por tudo que passei... E, posso garantir, NÃO É NADA AGRADÁVEL correr atrás de médicos; frequentar o DPME (lá na casa do capeta); tomar remédios fortíssimos e sofrer os danos colaterais a cada tentativa do médico; ter crises que só passam com morfina na veia, pesadelos, insônia... Sofrer de uma doença invisível para os outros é cruel!   Então “amigos professores”, repito: PROFESSOR NÃO PODE ADOECER! Quanto a mim, farei o que Pessoa chama de "TRAVESSIA" e, oxalá, eu colha bons frutos do outro lado da margem.


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

CYBERBULLYING: ISSO PODE MACHUCAR!

POR MARI MONTEIRO





Não é algo novo. O nome é que tem sido mais divulgado pela mídia. A expressão cyberbullying refere-se a uma prática que envolve o uso de tecnologias de informação e comunicação para dar apoio a comportamentos deliberados, repetidos e hostis praticados por um indivíduo ou grupo com a intenção de prejudicar outrem. Como tem se tornado mais comum na sociedade, especialmente entre os jovens. Atualmente legislações e campanhas de sensibilização têm surgido para combatê-lo. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cyberbullying)

Sempre afirmo que A PALAVRA TEM PODER. Muito poder. Imagine palavras associadas a imagens, fotos, vídeos, montagens etc.! De um modo geral, quando ocorre o cyberbullying, ele está acompanhado de tudo isso. O que faz com que a vítima  sinta-se duplamente agredida devido ao apelo visual e a exposição da imagem. O constrangimento advindo desta prática pode trazer sérios danos MORAIS, PSICOLÓGICOS e até FÍSICOS.

No Brasil, assim como em outros países, há como recorrer à lei. “(...) O Poder Judiciário não está silente tampouco inerte ou ausente frente às demandas que têm tratado do problema.Tanto assim que na esfera cível muitas condenações tiveram por base os atos de bullying ou cyber bullying, inclusive por atos praticados por menores. O dano moral é evidente e inconteste nos casos em que se trata do cyber bullying ou do bullying e não são poucas, nem irrisórias as indenizações que se aplicam aos bullies (agressores ou praticantes do bullying). É o caso dos Tribunais de Minas Gerais, São Paulo e Paraná que entre os anos de 2008 e 2011 julgaram inúmeros casos relacionados a danos morais decorrentes do uso impróprio do site de relacionamentos , lesando a honra das vítimas. (...)” (http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=10882)

Contudo, são raras as vítimas que denunciam  e procuram ajuda. Não há ORIENTAÇÕES SATISFATÓRIAS – na maioria dos casos – por parte das escolas e das famílias sobre como o indivíduo deve proceder. Fato é que não se pode permitir que este tipo de hostilidade  fique  impune. Pois, a médio ou longo prazo, os acontecimentos (ou fragmentos deles) podem trazer à tona sérias consequências para a vítima, comprometendo seu desenvolvimento global. Os efeitos disso podem ser catastróficos e surpreendentes. A vítima tanto pode se tornar acuada e extremamente  tímida, como pode se tornar violenta. Prova disso são os inúmeros casos de ex - alunos que voltam às suas antigas escolas atirando a esmo, provavelmente como uma forma equivocada e criminosa de extravasar sentimentos represados por um longo período.



Daí a necessidade de dar atenção a estes casos; acompanhar MAIS DE PERTO os sites de relacionamento frequentados pelos jovens, auxiliando-os na tarefa de FILTRAR o que postam e o que é postado. É fato que na internet há muito mais ASPECTOS POSITIVOS que negativos. Porém, na mesma proporção que o indivíduo se sente feliz ao ser elogiado numa foto ou postagem, ele se sentirá desconfortável quando ocorrer qualquer forma de HOSTILIZAÇÃO. A frase mais ouvida no meio escolar quando a questão é abordada é: “FOI ZUEIRA PRÔ! PEGA NADA!”. Em alguns casos, a própria vítima comporta –se de modo subserviente ora por ser “cúmplice” (manifestando uma necessidade de se destacar no grupo), ora por temer represálias.

Além da atenção dispensada  aos sites  ( que cabe única  e exclusivamente à FAMÍLIA)e do CONSTANTE DIÁLOGO com  os jovens (onde cabe uma parceria entre escola  e família), recomendo aos  pais e professores que assistam ao filme “CONFIAR”. 




Confira a sinopse: “Will (Clive Owen) e Lynn (Catherine Keener) têm três filhos. Enquanto um está prestes a entrar para a faculdade, a filha do meio, Annie (Liana Liberato), começa a apresentar os sintomas comuns das adolescentes que querem se parecer mais velhas e ser aceitas entre seus pares. Publicitário bem sucedido e  envolvido com a profissão, Will procura ter uma relação de confiança com os filhos, mas Annie inicia um relacionamento no computador com um jovem de 16 anos e dá continuidade através do telefone. Sem que seus pais soubessem, ela aceita o convite dele para um encontro, mas a surpresa que ela tem no primeiro momento é só o começo de um pesadelo que marcará para sempre a sua vida e a de sua família.” (http://www.adorocinema.com/filmes/filme-174066/)

Para finalizar, recomendo ainda muita atenção à mudança de comportamento da vítima de cyberbullying  e ao último  DIÁLOGO entre a filha e seu pai. IMPAGÁVEL!

terça-feira, 23 de julho de 2013

DEMÔNIOS INTERIORES (PARTE II)

POR MARI MONTEIRO


Não está fácil!



Alguns dias se passaram desde a publicação da parte I e, tendo eu cumprido o combinado, devo dizer que é uma das coisas MAIS DIFÍCEIS QUE JÁ FIZ. O ato de SE EDUCAR, de EDUCAR (ou reeducar) OS PENSAMENTOS chega a ser doloroso. Tento, tento todos os dias e a todo o momento fazer a troca do negativo pelo positivo. Raras vezes dá certo. A impressão que tenho é que temos uma tendência pessimista incutida em nossa mente. De que forma isso ocorre? Posso arriscar algumas possibilidades. Crescemos ouvindo que isso e aquilo outro não vai dar certo; engolindo as desgraças veiculadas pela mídia; deparamo-nos com pessoas negativas pelo menos uma vez ao dia... Isso soa um tanto desigual.

Penso numa outra possibilidade. Que há uma luta INTERNA e DESLEAL dentro da gente. Quando eu era criança, sempre ouvi dos adultos: “Olha lá viu, quem muito ri, depois chora.” E eu, imediatamente engolia o riso. Isso só poderia fazer mal mesmo. Então preciso DESAPRENDER muitas coisas. Especificamente, esta coisa do riso eu já desencanei. Assim que conheci este texto de José Saramago sobre Sorriso:


PARA VOCÊ, UM SORRISO SUTIL. POIS GOSTO MESMO É DE CHORAR DE ALEGRIA!!!


“Sorriso, diz-me aqui o dicionário, é o ato de sorrir. E sorrir é rir sem fazer ruído e executando contração muscular da boca e dos olhos.
O sorriso, meus amigos, é muito mais do que estas pobres definições, e eu pasmo ao imaginar o autor do dicionário no ato de escrever o seu verbete, assim a frio, como se nunca tivesse sorrido na vida. Por aqui se vê até que ponto o que as pessoas fazem pode diferir do que dizem. Caio em completo devaneio e ponho-me a sonhar um dicionário que desse precisamente, exatamente, o sentido das palavras e transformasse em fio-de-prumo a rede em que, na prática de todos os dias, elas nos envolvem.
Não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de cepticismo, o amargo e o irónico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso.
O Sorriso (este, com maiúsculas) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contrações musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por um frémito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Movem-se músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se. Mas não terá? Não nos conhecemos sorrisos que são rápidos clarões, como esse brilho súbito e inexplicável que soltam os peixes nas águas fundas? Quando a luz do sol passa sobre os campos ao sabor do vento e da nuvem, que foi que na terra se moveu? E, contudo era um sorriso.”.




Quero dizer com isso que crescemos cercados de crendices, que nem sempre fazem jus à verdade. E, muitas delas, só fazem aumentar nossos medos. Como o MEDO DE SORRIR, por exemplo. Sempre parava de rir na metade, pra não chorar no dia seguinte. Sabe-se lá durante quanto tempo, fiz isso.

Enfim, não desisti. Apenas confesso minha dificuldade e assumo minha necessidade de DESAPRENDER muita coisa está arraigada no meu interior, dificultando minhas superações. Continuarei a dizer das minhas dificuldades... Não mais com o título de “Demônios interiores”; pois eles estão, DEVAGAR,SILENCIOSA E DOLOROSAMENTE se afastando, claro... Deixando cicatrizes, algumas bem profundas. Mas não me importo com elas... QUERO REAPRENDER; quaro rir sem medo; chorar sempre que for preciso exorcizar a dor (por enquanto, este é o único jeito que conheço) e dizer o que sinto, com sutileza, mas dizer, sem engasgar ou guardar dentro do peito pra ficar dando náusea como s e eu  tivesse engolido um grande novelo de lã.  Aprendi mais uma coisa. Uma coisa que não quero fazer: ficar esperando uma receita do além para não sentir dor. Mesmo porque, como dizia Renato Russo: “(...) TODA DOR VEM DO DESEJO DE NÃO SENTIRMOS DOR. (...)”.
DERROTANDO, POUCO A POUCO, COM AS PARCAS "ARMAS" DE QUE DISPONHO, MAS COM MUITA FÉ, OS MEUS DEMÔNIOS INTERIORES.









sexta-feira, 19 de julho de 2013

DEMÔNIOS INTERIORES (PARTE I)

POR MARI MONTEIRO



Antes de começar este texto, alguns posicionamentos devem ficar claros. Sou batizada na igreja católica; estudiosa de todas as doutrinas voltadas para elevação e para a evolução espiritual e; sobretudo, respeito muito todos os fiéis a Deus. Não acredito nas palavras dos homens. Aprendi a desacreditar quando cresci descobrindo padres pedófilos, pastores enriquecendo às custas de fiéis bem intencionados, placas de igrejas (com os mais variados nomes, alguns estranhíssimos) brotando feito praga pelos bairros. Pra que tanta?  Não somos, teoricamente, todos crentes num único Deus? Então, por que uma determinada “grife” de igreja salva e outras não? Honestamente, questiono tudo isso, apenas por querer entender a lógica deste processo.

Para mim toda forma de fé é VÁLIDA.  Demorei um ano inteirinho para ler a bíblia. Porque li como se estivesse lendo um livro didático, queria entender, interpretar. Ficaram DUAS COISAS: não conseguimos atender o único pedido de Jesus: “amai ao próximo como a ti mesmo” (quem é o próximo, o mendigo todo mijado? o namorado? só a família? aquele que perder tudo na enchente?), ou seja, fazemos acepções de pessoas, que é outra coisa que a bíblia não aprova. A segunda coisa que ficou foi o “julgamento” das INTENÇÕES. E esse é para mim o mais importante dos aspectos. Como somos mal intencionados, interesseiros, hipócritas e medíocres. Atire a primeira pedra quem não for nada disso.

Quando, hoje pela manhã estava lendo um dos versículos do salmo 143, em minha opinião, o salmo mais “forte” e tocante de todos, me ocorreu que estava pedindo proteção contra meus inimigos e os demônios. Pensei: não tenho inimigos. Não vejo demônios. Logo conclui, preciso sim de proteção, mas contra meus demônios interiores que, supostamente, são meus INIMIGOS. Não tardou para pensar nos meus medos (que são muitos...); inseguranças; anseios; egoísmo; vaidade... Estes são os meus demônios interiores.

E haja coragem para me olhar no espelho depois desta percepção. Não foi nada fácil admitir que todos estes sentimentos ocupam espaço dentro de mim. Que muitos deles me cegam, enfraquecem minha fé. E agora? Como livrar-me deles? Anos de terapia? Não ganho tão bem pra isso. Conclui que estou sozinha nesta empreitada. Pois nem meu melhor amigo, nem a pessoa que mais me ama nesta vida serão capazes de PENETRAR MEU INTERIOR e removê-los de lá. Passei o dia inteiro me martirizando com estes pensamentos. Cujas providências os meus amigos leitores vão acompanhar através dos próximos relatos sobre esta experiência.


Agora, anoitecendo, penso que a primeira coisa a fazer é tentar substituí-los por outros sentimentos. Trocar inimigos por amigos e demônios por anjos. Decidi. Será assim: para cada pensamento ruim que me assolar terei de, imediatamente, pensar em duas coisas extremamente boas. Afinal, MINHA EXISTÊNCIA É LINDA! Tenho muitos bons amigos, amo muitas pessoas, recebo muito amor, recebo muitas bênçãos (PREFIRO CHAMAR DE PROVIDÊNCIA DIVINA)... Quando menos espero (e mais preciso) encontro pessoas e me deparo com palavras, olhares e gestos que mudam o rumo do meu dia. Hoje mesmo foi um dia em que, antes de dormir, preciso dobrar meus joelhos e AGRADECER MUITO A DEUS, mais que nas demais noites da minha vida.

Assim sendo, creio que se continuar amando com a mesma frequência e com a mesma INTENSIDADE de sempre, posso derrotar meus inimigos e meus demônios interiores. Óbvio que não será fácil. Isso é apenas meu primeiro passo. Sou imperfeita, falharei muitas vezes, antes de conseguir. Porém, falharei tentando e; sobretudo, amando (sou do tipo que a maioria chama de tola, aquela pessoa que ama por ela mesma e pelos outros...). Não me importo, fico com meu “AMOR IMPERFEITO”. Pois, como disse o poeta: “Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.” (Renato Russo).  Além disso, sempre acreditei em milagres; em sorte, NUNCA!

P.S. Caso alguém questione a relação deste artigo com “EDUCAÇÃO”, trata-se de uma associação com amais importante forma educação: A EDUCAÇÃO PARA A VIDA.




segunda-feira, 15 de julho de 2013

ENXERGAR O OLHAR

POR MARI MONTEIRO




Há um verso admirável de Chico Buarque que diz: “(...) Acho uma delícia quando você esquece os olhos em cima dos meus (...)”. Esta coisa de “esquecer” o olhar nos remete a uma espécie de calmaria. Um olhar demorado, talvez passional, de quem não tem PRESSA e nem MEDO de olhar nos olhos do outro.

Isso me faz pensar no quanto desaprendemos a olhar nos olhos das pessoas no cotidiano. Não que isso não aconteça mais. Mas é algo autômato, rápido... Um dos dois desvia rapidamente o olhar. Não me sinto à vontade com isso. Lembro-me que tínhamos mais coragem (ou talvez uma vida menos acelerada...) para tanto.

Não é fácil enxergar um olhar. Isso implica em muita sensibilidade e; sobretudo, num sentimento escasso hoje em dia: PACIÊNCIA. Falamo-nos às pressas, muitas vezes por gestos, sms, e – mail, Skype...  E tudo isso AFASTA OS OLHARES e tudo o que de mais profundo eles podem revelar.

Penso que se torna necessário REAPRENDER A ENXERGAR OS OLHARES das pessoas... Particularmente, considero este gesto, além de educado e gentil, extremamente carinhoso. É como se a outra pessoa, ao olhar nos meus olhos, me dissesse: “ESTOU AQUI, POSSO TE OUVIR MESMO QUE VOCÊ APENAS ME OLHE EM SILÊNCIO”.  Este tipo de atitude cria vínculos.

Em contrapartida, o ser humano tem uma capacidade muito eficaz de habituar-se a situações corriqueiras e, lamentavelmente, para a maioria, já se tornou um hábito desviar o olhar. Isso não pode ser bom. Causa distanciamento; transparece um descaso (que, por vezes, nem é intencional); DESUMANIZA AS RELAÇÕES. Isso é triste...

Gostaria que os leitores fizessem um teste com as pessoas próximas. Chame-as e comece uma conversa... Observem se elas param o que estão fazendo para olhar para seus olhos, para tentar fazer uma LEITURA do que você sente enquanto fala. Já fiz isso várias vezes e, a menos que você diga: “POR FAVOR, OLHE PRA MIM”, dificilmente o famoso “olho no olho” vai rolar... e , se rolar, tente mensurar o quanto dura...



Enfim, estou apenas dividindo uma angústia pessoal e profissional. GOSTO DE OLHAR NOS OLHOS DOS MEUS ALUNOS. INCLUSIVE, CONVERSAMOS SOBRE ISSO. Sei também que o que estou propondo não é nada fácil. Mas, ACREDITE, quando acontece, é MÁGICO.  Estabelece-se outro patamar de amizade, de confiança e de proximidade... É quase uma questão de SOBREVIVÊNCIA que estejamos conectados de outra forma que não seja apenas virtualmente. E que maneira melhor de DIZER E DE SENTIR  a verdade que  através do OLHAR. E, só para reforçar esta minha inusitada tese, há também um trecho bíblico que se refere à importância do olhar: "Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz.
Mateus 6:22)". Que nossos corpos sejam, então, plenamente iluminados.

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