Translate

EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

WHATSAPP: UM SERVIÇO OU UM DESSERVIÇO? (WhatsApp: A SERVICE OR A PROBLEM?)

POR MARI MONTEIRO



Tem coisas que a gente simplesmente NÃO QUER VER. Não quer SABER. Covardia? Não. É mais sobre poupar a si mesmo de um sofrimento desnecessário. Não porque seja desimportante, mas pela dor que pode causar. Refiro-me aos conteúdos das conversas do whatsApp. Sempre que falo com alunos e com alunos  sobre relacionamentos, sempre surgem as reclamações sobre as conversas no whats; bem como da "quase troca" entre o momento a dois pelo suposto prazer de ficar on line.  E aí é uma polêmica só!


Costumo dizer que o aplicativo em si é excelente. Ele é  prático; rápido; eficiente etc. Mas que também pode ser um mecanismo ímpar de “DISCÓRDIA”; sobretudo, entre casais. Não há nada mais eficiente para “TENTAR” e para FACILITAR A TRAIÇÃO do que o whats. Pensem nos grupos fechados. Só sendo muito inocente (e, sem modéstia ou vergonha, EU SOU... e não temo que me chamem de idiota por isso.) para não saber que tudo é livre e seu (sua) namorado (a) nunca vai saber sobre os vídeos que trocam; as conversas que têm; as “ofertas” que recebem. É neste ponto, que entra minha “INOCÊNCIA”. Tenho apenas grupos de trabalho. E, sem querer bancar a santinha, eu não recebo vídeos pornôs... Como? Quem me conhece e está na minha lista e sabe que não curto isso. Não é puritanismo. Considero de mau gosto. Não vejo graça nisso. Penso que ver ou não pornografia pode (e deve) ser algo conversado, decidido  e feito a dois... Concordam que quem vê pornografia sozinho (a), está procurando algo diferente daquilo que possui?


Homens fáceis. Mulheres fáceis. Homens fúteis. Mulheres fúteis. Oferta e procura. Banalização dos relacionamentos. Estes e outros tantos aspectos são verdadeiros. Contudo, a culpa não é de um ou de outro aplicativo.  Cabe somente ao usuário a DECISÃO de entrar ou não em determinado grupo; de aceitar ou não determinadas provocações. Tudo nesta vida tem limite (nada mais clichê, mas também nada tão verdadeiro).  Minha gentileza; assim como minha paciência vão apenas até a “página dois”. TUDO É UMA QUESTÃO DE ESCOLHA! Já mencionei isso em outros artigos.


“NÃO ADIANTA CHORAR DEPOIS DO ENTER APERTADO!”. Li isso num post qualquer. Além disso, milhares de vídeos com piadas sobre o whats circulam nas redes. Piadas e brincadeiras à parte, eu considero o whats um mecanismo  que pode servir tanto para  SOLUCIONAR PROBLEMAS como para  CAUSAR PROBLEMAS. Parece óbvio... E é! Mas, quem de nós já não soube de conflitos entre casais causados pelo uso “indevido” deste app? E não adiante ser hipócrita e dizer que isso não dói; que não configura traição e blábláblá. DÓI SIM. É TRAIÇÃO SIM. Obviamente, tudo depende do TEOR e do CONTEXTO das conversas. E tudo isso eu vejo e penso até na página um. Se der, vamos para a página dois. Há questões que, quando analisado o contexto, simplesmente não representam desrespeito. Em outros casos, a coisa é tão explícita através de imagens; cantadas indecentes; palavrões que não há quem “salve”. Cansei de ver isso em conversas mostradas por colegas, alunos...  Circunstâncias na qual sempre aproveito para perguntar sobre aspectos que, particularmente, considero essenciais na solução destes conflitos: “O CONTEXTO FOI ANALISADO? (se a maioria das pessoas têm dificuldade em interpretar textos, imagine INTERPRETAR CONTEXTOS...); “HÁ CONFIANÇA ENTRE O CASAL?”; “HÁ PROVAS DE DESRESPEITO OU DE INFIDELIDADE?”; HÁ PRECEDENTES?" e por aí caminham as inúmeras discussões, inclusive, pautas de debates em sala de aula.




 Outro aspecto a ser repensado é o relacionamento familiar. Há situações, como já disse, que o app em questão é prático. sabemos onde  as pessoas estão; s e estão bem etc. Ponto. Mas, a exemplo do relacionamento a dois, há o outro lado: O LADO DO ISOLAMENTO. Cada um on line no seu quarto ou; pior; e aí, na minha singela opinião, é uma GROSSERIA, on line à mesa de almoço ou de jantar com familiares ou com amigos. Não é  exagero. Experimentem distanciar-se e observar as pessoas em Praças de Alimentação ou em nossas próprias casas... As criaturas chegam a ficar corcundas, com os olhos vidrados no aparelho  e os dedos se mexendo de modo cada vez mais ágil. Até parece SINTOMA DE CONVULSÃO. Credo. (rsrsrs). Sério. Uso adequado, moderado, educado... Isso se aplica a TUDO nesta vida.



Escreveria 100 páginas sobre este aplicativo e ainda sobraria assunto. Porém, não há como “fechar” este artigo sem mencionar a PRIVACIDADE. Ou melhor, a confusão que se estabeleceu entre os conceitos de PRIVACIDADE e de OMISSÃO DE “INFORMAÇÕES”. Explico: Em nome da privacidade, muitas pessoas alegam não poder mostrar suas conversas; contatos etc...  Ledo engano fazer isso.  Esconder-se é a maneira mais rápida de assumir uma culpa. Contudo; o contrário disso: AS CHAMADAS REDES SOCIAIS CASADAS, nas quais o casal possui o mesmo loggin e senha é RIDÍCULO. Confiança não é um sentimento que, neste momento eu não tenho e, no momento seguinte, tenho; porque fui ao bazar da esquina, comprei alguns gramas e repus meu estoque. É algo conquistado com o tempo. É um conjunto de ATITUDES que expressam se somos ou não dignos de confiança. Ou seja; se a pessoa for mau caráter, ela terá uma “conta casada” com o (a) parceiro (a) e terá outra (um fake talvez), que será seu “território livre”...



A verdade é que tudo passa pela questão da ÍNDOLE; inclusive o SERVIÇO ou o DESSERVIÇO do Whatsapp. Que, na verdade, não seria exatamente dele (do app); mas, do usuário.  Passa também pela LISTA DE PRIORIDADES DE CADA UM. Eu, por exemplo, não acho interessante namorar pelo whatsapp; considero um relacionamento sério importante demais para ser tratado através de um aplicativo (salvo uma conversa ou outra). Acreditem. Conheço inúmeros casais que se falam mais pelo app do que pessoalmente. Isso vira um vício. Trava o diálogo; emudece... E, quando se dão conta, estão DISTANTES um do outro, relacionando-se e decidindo o jantar e os programas do final de semana pela tela...  Porém, muitas coisas não podem ser resolvidas com aplicativos; os CONFLITOS, por exemplo; as tristezas; a falta de afago e de afeto... Só mesmo muita conversa; passeio de mãos dadas e olho no olho para fortalecer os laços...


Enfim, como não sou de “meias palavras” e nunca fui de “ficar em cima do muro”, escrevo para posicionar - me.  Minha postura é a seguinte, a menos que eu tenha alguma pendência muito importante para ser resolvida (INADIÁVEL!), quando estou com quem amo, DESCONECTO; mesmo porque, o que mais posso querer? A atenção de um aparelho; de um app? Não! GOSTO DE PESSOALIDADES! GOSTO DE GENTE! DE CONTATO FÍSICO; DE OLHO NO OLHO. Mas, partindo do princípio de que sou apenas uma pessoa na multidão, emitindo uma opinião muito pessoal, podendo; portanto, estar errada, faça sempre aquilo que julgar certo. Para isso existe o LIVRE ARBÍTRIO: USE - O  SEM MODERAÇÃO! Apenas, esteja ciente de que possui coragem e dignidade suficientes para ASSUMIR AS CONSEQUÊNCIAS e, como disse antes; para "não chorar sobre o 'enter' apertado."

Leia também: http://educandoquem.blogspot.com.br/2014/08/traicao-virtual-dor-real.html 

domingo, 10 de maio de 2015

SÉRIE IMPRESSÕES: “CARTAS A UM JOVEM POETA” por RAINER MARIA RILKE (Título original: BRIEFE AN EINEM JUNGEN DICHTER)

POR MARI MONTEIRO



Sempre que leio uma obra que gosto, sinto vontade de compartilhar. Especificamente  a obra de Rainer Maria Rilke, me chamou a  atenção; sobretudo, por conta do gênero textual epistolar. Sou uma pessoa que TEM PROFUNDO APREÇO POR CARTAS. Ainda escreverei mais sobre isso.

Trata-se de cartas escritas por Rilke a Kappus, um jovem que aspirava tornar-se poeta, mas estava em dúvida entre escrever e seguir carreira de militar. As cartas foram trocadas entre 17 de fevereiro de 1903 e 26 de dezembro de 1908; ou seja, durante quase CINCO ANOS!


No prefácio, feito por CECÍLIA MEIRELES, dentre os tantos elogios direcionados a Rilke, ela escreve: “(...) as respostas de Rilke não oferecem a Kappus uma receita literária. VÃO MAIS LONGE: trata da formação humana, base de toda criação artística.

Outro detalhe da obra que me chama muita atenção é a paciência presente nas várias páginas de cada carta-resposta; bem como, nos seus detalhes. Não raramente, Rilke se desculpava pela demora em responder Kappus, que chegava a durar de 4 a 5 meses. Questão que ele justificava de modo irrefutável e muito educadamente.


Sobre as dúvidas de Kappus, um dos “conselhos” mais interessante lhe dados por Kappus é este: “(...) Ninguém o pode aconselhar ou ajudar, - ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o MOTIVO QUE O MANDA ESCREVER; examine  se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: MORRERIA SE LHE FOSSE VEDADO ESCREVER?(...)

Além disso, gostei muito das diferentes formar que Rilke terminava suas cartas. Citarei um exemplo: “Que tudo lhe suceda bem em seus caminhos. Seu Rainer Maria Rilke.”

Enquanto fiz uma breve pesquisa sobre o autor, encontrei estes escritos que representa o conteúdo de uma das tatuagens da cantora Lady Gaga:



“Prüfen Sie, ob er in der tiefsten Stelle Ihres
Herzens seine Wurzeln ausstreckt, gestehen
Sie sich ein, ob Sie sterben müßten, wenn es Ihnen
versagt würde zu schreiben. Muss ich schreiben?”

“Na hora mais profunda da noite, confesse a si mesmo que morreria se fosse proibido de escrever. Procure a resposta nas profundezas do teu coração, aonde estendem suas raízes, e pergunte-se: ‘devo escrever? ’.”


Enfim, desfrutem da obra...
Sintam-se inspirados a escrever... Mas, antes, sigam a orientação mais importante de Rilke: O ATO DE “ENSIMESMAR-SE” e descobrir o convite que sua alma lhe faz.

Boa Leitura!!!

quinta-feira, 30 de abril de 2015

SAWABONA: BONDADE TAMBÉM SE APRENDE (SAWABONA: KINDNESS ALSO LEARN)

POR MARI MONTEIRO



Foto: Jessica Hilltout/AMEN


Sempre acreditei que é possível APRENDER e DESENVOLVER atitudes e sentimentos como PERDÃO; AMOR e RESPEITO. Um dos muitos aspectos admiráveis da cultura africana nos mostra que isso é possível. Neste caso, falo da saudação: SAWABONA SHIKOBA, que, a propósito já foi bastante divulgada, quanto à praticá-lo, é uma outra história...

Basicamente, trata-se da SOBREPOSIÇÃO das virtudes aos defeitos. O que faz muito sentido. Ninguém é todo bom, mas também ninguém é de todo ruim. Mas, nós, com nossa ARROGÂNCIA e EGOÍSMO temos uma tendência cada vez maior de JULGAR e de CONDENAR os erros dos outros... Sem olhar para nossos próprios defeitos. Feito isso, simplesmente, EXCLUÍMOS algumas pessoas de nossas vidas sem, ao menos, lhes darmos outra oportunidade.


Temos muito que aprender. Não somos perfeitos. Ninguém é! Não somos eternos nesta Terra. Ninguém é! Então, para que tanta empáfia? Tantos jogos de interesse? Tanta ganância? Na hora de “fechar as contas”, queridos leitores, nós estaremos COMPLETAMENTE SÓS.  Gosto de imaginar que a pergunta final seja: “O que foi que VOCÊ fez pelo outro?”. Talvez argumentemos: “Estudei, trabalhei, adquiri bens, realizei sonhos...” E, ainda assim, insistirão: “O QUE VOCÊ FEZ PELO OUTRO QUE NÃO TENHA SIDO EM SEU FAVOR; QUE NÃO TENHA SIDO PENSADO COMO FORMA DE OBTER UMA RECOMPENSA; QUE TENHA REPRESENTADO A GENEROSIDADE GRATUITA?




Não é preciso muito esforço para prever que a maioria de nós não teria respostas plausíveis... Assim, “borá lá” aprender a SER melhor; aprender a prática da generosidade e do perdão. A origem da saudação: SAWABONA! Pode ser um bom começo. Aproveitemos e aprendamos SEM MODERAÇÃO. segue este belo exemplo de convivência e de amor ao próximo: 

Há uma "tribo" africana que tem um costume muito bonito.Quando alguém faz algo prejudicial e errado, eles levam a pessoa para o centro da aldeia, e toda a tribo vem e o rodeia. Durante dois dias, eles vão dizer ao homem todas as coisas boas que ele já fez.
A tribo acredita que cada ser humano vem ao mundo como um ser bom. Cada um de nós desejando segurança, amor, paz, felicidade. Mas às vezes, na busca dessas coisas, as pessoas cometem erros.

A comunidade enxerga aqueles erros como um grito de socorro.Eles se unem então para erguê-lo, para reconectá-lo com sua verdadeira natureza, para lembrá-lo quem ele realmente é, até que ele se lembre totalmente da verdade da qual ele tinha se desconectado temporariamente: "Eu sou bom".Sawabona Shikoba!

SAWABONA, é um cumprimento usado na África do Sul e quer dizer: "EU TE RESPEITO, EU TE VALORIZO. VOCÊ É IMPORTANTE PRA MIM."

Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA,que é:" ENTÃO, EU EXISTO PRA VOCÊ". 





quinta-feira, 16 de abril de 2015

AONDE VAMOS COM TANTA PRESSA? (WHERE WE GO WITH SO HURRY?)

POR MARI MONTEIRO



Já escrevi mais de uma vez neste blog que a gente não aprende apenas de modo formal. Aliás, POBRES daqueles que se prestam somente a esse tipo de educação. A gente aprende; sobretudo, com os próprios pensamentos e atitudes. Nada é mais dolorido do que o ARREPENDIMENTO DE NÃO TER FEITO ALGO... Por alguém e por nós mesmos.  Logo, por que não aprender a empregar bem o nosso pouco tempo? Até posso arriscar uma resposta: “Porque não pensamos no tempo com o merecido VALOR". Pensamos nele como se fosse inesgotável... Adiamos abraços; amores; riscos; declarações; conversas... “Hoje não dá!”; Hoje não posso!”; “Depois eu vejo isso!”; “ Outra hora a gente se fala!”... Falamos e ouvimos coisas similares o “tempo todo”...

Hoje me flagrei pensando algo, no mínimo, tenebroso: “e se eu soubesse exatamente quanto tempo ainda tenho de vida?”. “O que mudaria?” Fazer o que? Fiquei muito encanada... Como não temos domínios sobre estes “insights”, continuei pensando nisso ao longo do dia. E, como também acredito que nada é por acaso, não consegui me desvencilhar facilmente das idéias e memórias que começaram a povoar minha mente.



O primeiro aspecto que analisei foi: “COM QUAIS PESSOAS GOSTARIA DE PASSAR O TEMPO QUE ME RESTASSE? A lista me surpreendeu! Independente de não ter a menor vontade de mensurar dias, semanas, meses... horas, a lista não é grande. Ao contrário, algumas pessoas eu nem gostaria de rever. Outras, que já não estão comigo, gostaria de ter passado mais tempo com elas... Como, por exemplo, meu pai; minha amiga Vilma... Enfim, foi inevitável. Lembrei do MUITO TEMPO QUE NÃO DEI.

Então, ponderei, por que não começar a dedicar mais do meu tempo a estas poucas e raras pessoas enquanto posso? Isso implica uma REORGANIZAÇÃO de pensamentos; mudanças de HÁBITOS; “PAGAR DE DOIDA E DE IRRESPONSÁVEL”. Sim, porque se criou uma CULTURA DA PRESSA: quem não está com pressa é vagabundo; é desinteressado!

 Constatei que todo nosso tempo está milimetricamente comprometido. COM QUEM? COM O QUÊ? Pensei muito nisso também. As descobertas superficiais que fiz, por enquanto (isso é coisa pra pensar e repensar COM CALMA E COM ALMA) são assustadoras. Meu tempo é dedicado ao trabalho (preciso sobreviver!); a algumas  atividades físicas (gostei desta parte!); com estudos (preciso avançar profissionalmente!); e o pouco que sobre: como, durmo (muito pouco pro meu gosto!) e falo com meus familiares s enamorado (também muito pouco para meu gosto!). Ou seja, ESTÁ TUDO ERRADO! Preciso reorganizar isso!

Só quando conclui o parágrafo acima, foi que percebi que, a cada tempo gasto (me justifiquei entre parênteses...).  Isso foi feito no impulso. Relendo, penso que foi uma tentativa INCONSCIENTE E INCONSISTENTE de me isentar da culpa por não ter mais tempo para os “AFAZERES” e para as PESSOAS que amo.



O que consegui com isso??? Primeiro, uma forte dor de cabeça; neste exato momento, minha cabeça está, literalmente, explodindo. Segundo, agora sei o porquê me canso tanto! Cadê eu e meus prazeres??? Não há espaço para prazeres; mas há espaço para insegurança; para o medo; pra pensar em dívidas. Durante muito tempo, tive dois ou três empregos. Pra quê? Não sei! E, chegar a esta conclusão, dói muito. A dor do arrependimento. Quanto tempo e energia despendidos... Quantas manhãs cheias de olheiras, resultantes de noites mal dormidas (às vezes, nem dormidas!)... Quantas lágrimas causadas por injustiças e humilhações...


Enfim, por que essa agonia agora Mari? Passei bem umas duas horas para tentar continuar escrevendo. BUSCAR UMA RESPOSTA HONESTA PARA SI MESMO É DIFÍCIL. Nesse momento, quero dizer que não quero que estes meus escritos se transformem num EPITÁFIO; mas sim num ALERTA (em tempo) PARA MIM E PARA VOCÊ. Vou tirar o pé do freio; vou fazer uma lista de PRIORIDADES; não correrei mais; respeitarei o ritmo do meu CORPO e da minha alma ALMA; prestarei mais atenção aos “SINAIS”; dedicarei mais tempo ao meu espírito; conversarei mais pausadamente; abraçarei mais (ainda mais rsrs)...   Convido-te a fazer o mesmo. Claro, se você não estiver com muita pressa...


sexta-feira, 10 de abril de 2015

UM OLHAR SOBRE A OBRA: “O AMOR LÍQUIDO”, de ZYGMUNT BAUMAN (LIQUID LOVE)

POR MARI MONTEIRO
 
“O sociólogo polonês Zygmunt Bauman é um dos intelectuais mais respeitados da atualidade. Aos 87 anos, seus livros venderam mais de 200 mil cópias. Um resultado e tanto para um teórico. Entre eles, “Amor liquido” é talvez o livro mais popular de Bauman no Brasil. É neste livro que o autor expõe sua análise de maneira mais simples e próxima do cotidiano, analisando as relações amorosas e algumas particularidades da “modernidade líquida”. Vivemos tempos líquidos, nada é feito para durar, tampouco sólido. Os relacionamentos escorrem das nossas mãos por entre os dedos feito água.”
© obvious: http://lounge.obviousmag.org/de_dentro_da_cartola/2013/11/zygmunt-bauman-vivemos-tempos-liquidos-nada-e-para-durar.html#ixzz3WYCwtrDu



Sempre digo que me faltam duas coisas; dinheiro para comprar todos os livros que tenho vontade e TEMPO para lê-los (e reler também). No caso deste livro, ganhei de presente de uma aluna (era uma das minhas opções de amigo secreto).




 









Mais que caminhar e “se atualizar”, Zigmunty Bauman “SE FLEXIBILIZOU” o suficiente para entender o presente e as tendências relacionadas à modernidade e à evolução tecnológica. Graças a essa compreensão e visão apuradas dos fatos, Bauman nos oferece uma oportunidade de contemplar e de analisar as RELAÇÕES HUMANAS NA CONTEMPORANEIDADE. Confesso que, depois da leitura, o que mais “ficou” foi uma espécie de sinal de alerta sobre a fragilidade das relações interpessoais.


Não foi uma leitura simples e nem rápida. Pelo contrário, estudei a obra. Daí tantas anotações no livro.
 


O autor, com suas análises irrefutáveis, me fez pensar o quanto caminhamos incessantemente para o ISOLAMENTO e para o DISTANCIAMENTO
Vivemos num tempo em que tudo está se tornando DESCARTÁVEL; inclusive, as relações afetivas o que, particularmente, considero muito triste. Bauman, afirma que vivemos num tempo onde se busca a “SATISFAÇÃO INSTANTÂNEA. Temos pressa para tudo. E, contraditoriamente, temos pressa para encontrar o amor e, quando encontramos, geralmente, não somos “hábeis” e sensíveis o bastante para mantê-lo vivo, para que o desejo não seja passageiro.


“(...) Semear, cultivar e alimentar o desejo leva tempo (um tempo insuportavelmente prolongado para os padrões de uma cultura que tem pavor em postergar, preferindo a ‘SATISFAÇÃO INSTANTÂNEA). O desejo PRECISA DE TEMPO para germinar, crescer e amadurecer. Numa época em que o ‘longo prazo’ é cada vez mais curto, ainda assim a velocidade de maturação do desejo resiste de modo obstinado à aceleração. O tempo necessário para o investimento no cultivo do desejo para dar ‘lucros’ parece cada vez mais longo – irritante e insustentavelmente longo.” (Bauman, 2004:26). 


Ouço e presencio também sobre a rapidez e sobre a relativa facilidade com que se desfazem os relacionamentos atualmente. Não se tenta mais. É o tempo do “AMOR ATÉ SEGUNDO AVISO”, como diz Bauman. “A fila anda” é o clichê mais ouvido por aqueles que saem de um relacionamento.  Tenho pra mim que isso acontece de forma cada vez mais corriqueira, porque os relacionamentos já começam de forma SUPERFICIAL. A quem interessa aprofundar e solidificar as relações; estreitar laços (sem virar nó, como diria Mario Quintana)? Não há mais diálogo e, muito menos reciprocidade. Tudo paira sobre a relação, mas quase nada é aprofundado; tudo é dito com o menor número de palavras possível e de modo rápido (ninguém tem tempo a perder); nada é conversado, pensado... Sentido. Falta persistência, compreensão e sensibilidade e, pior, FALTA EXPRESSAR TUDO ISSO.


Perniciosamente, estamos nos acomodando; acostumando-nos com a ACEITAÇÃO PASSIVA; COM O DESCARTE DE SENTIMENTOS; COM A VIDA QUE PASSA RÁPIDO DEMAIS; COM O SILÊNCIO (nosso e dos outros) que ocupa o lugar das conversas que ratificam nossa condição de humanos; com o “TCHAU” e com o próximo “OI”... Muitos relacionamentos: RÁPIDOS; FÚTEIS e SUPERFICIAIS. 


“(...) À deriva, a frágil balsa do relacionamento oscila entre as duas rochas nas quais muitas parcerias esbarram: a submissão e o poder absolutos, a aceitação humilde e a conquista arrogante, destruindo a própria autonomia e sufocando o parceiro. Chocar-se contra uma dessas rochas afundaria até mesmo uma boa embarcação com tripulação qualificada – o que dizer de uma balsa com um marinheiro inexperiente que, criado na era dos acessórios, nunca teve a oportunidade de FAZER REPAROS? Nenhum marinheiro atualizado perderia tempo consertando uma peça sem condições para a navegação, preferindo trocá-la por outra sobressalente. Mas, na balsa do relacionamento não há peças sobressalentes.” (Op. Cit. 31)
 Ao mesmo tempo em que prezo o diálogo, a profundidade dos relacionamentos e os sentimentos honestos, defendo a FLEXIBILIDADE; a nossa capacidade (diria essencial, quase uma questão de sobrevivência) de adaptar-se às mudanças sem; contudo, perder a essência e os valores. Tarefa nada fácil já que tais mudanças incluem a “pressa”; a correria; o tempo curto; a substituição de quase tudo... Em vez do “reparo”, que caracterizam este “mundo fluido”, conforme afirmação de Bauman.
 


Outro aspecto muito interessante da obra é a crescente perda da habilidade de manter RELAÇÕES HONESTAS E SAUDÁVEIS. Percebam.  Melhor, façam os testes. As pessoas evitam a troca de olhares. Olhares demorados então? Nem pensar! É mais ou menos como se olhar nos olhos irritasse as pessoas ao ponto de elas acharem que estão, por exemplo, sendo encaradas. Menciono isso, não somente porque isso muito me interessa: GOSTO DE OLHAR NOS OLHOS; mas porque é uma questão que vem se agravando com o avanço tecnológico.  As “coisas” nas telas dos mais diversos aparelhos aparecem e somem muito rapidamente. Então nossos olhos não “DESCANSAM” mais. É uma pena, porque a exemplo de Chico Buarque também “acho uma delícia quando você esquece seus olhos em cima dos meus.” Tudo é efêmero!
 


“O advento da proximidade virtual torna as conexões humanas simultaneamente mais frequentes e mais banais, mais INTENSAS e mais BREVES. As conexões tendem a ser demasiadamente breves e banais para poderem condenar-se em laços. Centradas no negócio à mão, estão protegidas da possibilidade de extrapolar e engajar os parceiros além do tempo e do tópico da mensagem digitada e lida – ao contrário daquilo que os relacionamentos humanos, notoriamente difusos e vorazes, são conhecidos por perpetrar. Os contatos exigem menos esforço e menos tempo para serem estabelecidos e também para serem rompidos. A distância não é obstáculo para se entrar em contato – mas, entrar em contato não é obstáculo para se permanecer à parte. Os espasmos da proximidade virtual terminam, idealmente, sem sombras nem sedimentos permanentes. Ela pode ser encerrada, real e metaforicamente, sem nada mais que o apertar de um botão.” (Op. Cit.: 82). 






Precisamos ser cada vez mais corajosos para amar e, mais ainda, para ASSUMIR e para DEMONSTRAR amor. Caso contrário, este nobre sentimento não passará de um líquido que escorre por entre os dedos.  Para tanto, há muitas coisas para se fazer e um longo caminho para percorrer (e percorrer até que a busca pelo equilíbrio se torne um hábito): harmonizar máquinas e homens; não se deixar hipnotizar pelas tentações das telas ao ponto de mergulhar no isolamento; evitar o distanciamento que nos conduz ao isolamento e cultivar a sensibilidade que nos HUMANIZA. Enfim, viver e conviver na (e com a) modernidade, mantendo nossas essências e estabelecendo RELAÇÕES HUMANAS REAIS, permeadas por um amor real... E sólido o bastante para sobreviver ( e viver COM PRAZER) numa sociedade cada vez mais fluida; superficial; descartável e fútil.



terça-feira, 31 de março de 2015

PROFESSORES OU “TIOS”? (TEACHERS OR "UNCLES"?

POR MARI MONTEIRO



Este é o tipo de artigo que escrevi para não vomitar. Literalmente, às vezes, escrevo para NÃO ADOECER. E, nesta tarde, me senti um “tantim” adoentada. Não é um artigo leve, mas também NÃO É OFENSIVO AOS PROFESSORES. Quanto aos “tios” que, por ventura, o lerem... Não lamento.  São fatos!

Não generalizo. Mas existem professores e existem “tios”. Os chamados professores, aqueles que são PROFISSIONAIS e; portanto, sabem o que fazer em sala de aula, porque estudaram e estudam muito para isso (e isso não é barato, não é rápido e nem tão pouco fácil); são os mesmos que  não conseguem comprar livros; frequentar teatros, shows, cinemas... São os mesmos que se INDIGNAM com este distanciamento, praticamente compulsório, entre um profissional que tem por princípio disseminar cultura e sua própria falta de acesso a ela por questões financeiras. NÓS, PROFESSORES, GANHAMOS POUCO E PONTO. Muitos são arrimos de família, cujas prioridades são aluguel; alimentação; água; luz e, se sobrar algum, uma internet básica.

Já os “tios” e as “tias”, e eu não vou me desculpar pelo emprego dos termos. Ser tio ou tia, no sentido de grau de parentesco, é ótimo. Tenho uma tia que é uma espécie de guia na minha vida. Mas a ESCOLA NÃO É CASA e o PROFESSOR NÃO É PARENTE.  Foi o menos pejorativo que  encontrei. Falo daqueles que incorporaram o personagem “tio” no lugar errado! Trata-se do assistencialista, daquele “parente” distante que a gente só procura quando precisa de um favor. Este favor pode ser um voto; pode ser uma aprovação automática e pode ser o pior dos favores: O VOTO.




Um exemplo disso é a bonificação por resultados  de 2015. Alguns professores da Rede receberam. Eu recebi e posso falar com propriedade sobre o assunto. O Sr. Governador anunciou na mídia um BÔNUS HISTÓRICO DE UM BILHÃO DE REAIS. Porém, temo que o que  estava nas entrelinhas da “fala” do nosso governador não tenha “chegado” à maioria da sociedade. Eu conto! Ele pagará o bônus em DUAS VEZES. Hoje (31/03) foi um "sopro na ferida". A segunda será somente em setembro. Ou seja; a parcela maior do bônus ( de acordo com o GDAE a segunda parcela da maioria é maior que a primeira. O que equivale  a dizer que  a maior parte do tal 1 BILHÃO DE REAIS lhe renderá juros por SEIS MESES. E o mais triste é você, ouvir comentários como: “Se a segunda é maior, é porque ele está incluindo os juros...” PELO AMOR DE DEUS!!! Quando ele anunciou a cifra, ele já sabia de quanto era cada parcela de cada professor.  Essa é uma inocência que só os “TIOS” possuem.



Há muitos professores desempregados. Isso antes do ingresso que ocorrerá em agosto próximo. Mas... Quem se importa? Pra que greve? Por que a greve não consegue se fortalecer (e convencer!) o suficiente? Simples. Está cada um OLHANDO PARA O PRÓPRIO UMBIGO! Isso é postura de professor? Não! É de “TIO”! Aquele que diz: “tudo bem, amém!”...

Professor é FORMADOR DE OPINIÃO. “TIO” é DEFORMADOR... Quem não se posiciona, não tem opinião própria, vai formar que opinião. Dirão alguns: “Tenho opinião, só não gosto de me manifestar.” Desculpem – me; mas, para mim, isso equivale a não ter nenhuma opinião.

Professor mostra a cara; dialoga; diz ao que veio; não fica em cima do muro. O aluno PERCEBE e SENTE sua IDENTIDADE. O que encoraja o aluno a dialogar e a posicionar-se também. O “tio” é aquele cuja aula é um monólogo. Só ele fala.  Isso é pernicioso, incentiva a mudez; o conformismo. É injusto. O que mais precisamos aprender é DIALOGAR; ARGUMENTAR e DEFENDER NOSSO PONTO DE VISTA. O restante, o Google sabe... Porém, o Google não conversará ou argumentará conosco.


O Professor é; por isso mesmo, uma figura MARCANTE. Só me lembro dos meus professores; lembro-me até de seus olhares. Lembro-me com carinho, com saudade e com gratidão. Por exemplo, me lembro da minha professora de Língua Portuguesa Alissar Rimaik Abouriski; por admirar tanto sua postura e sua conduta, fiz Letras... Lembro-me até do perfume que ela usava. E isso foi no Ensino Fundamental II. Não me lembro dos tantos “tios” que tive durante minha formação. E isso NÃO FAZ A MENOR DIFERENÇA NA MINHA VIDA  profissional ou social. Alguns, confesso, fiz questão de esquecer. Em contrapartida; graças aos meus PROFESSORES, me tornei professora e NÃO TIA! Com eles, aprendi também que, por diferentes circunstância e necessidades, como professores, acabamos VENDEMOS BARATO o que NÃO TEM PREÇO

Crédito das imagens: https://www.facebook.com/professoreprofessoradepressao?fref=ts 



COMENTE!