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EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.

terça-feira, 14 de março de 2017

ANÁLISE DE CONTO: “VENHA VER O PÔR DO SOL”, de Lygia Fagundes Telles, (TALE ANALYSIS: "COME SEE THE PONY OF THE SUN", by Lygia Fagundes Telles)


POR MARI MONTEIRO







Que fique bem claro que a intenção deste artigo não é “entregar” ao leitor (seja ao fã de contos ou a alunos) um dever escolar pronto. Diferentemente disso, o que pretendo é PROVOCAR a curiosidade sobre esse gênero. Então, por que o uso da palavra “análise” no título? Porque não deixa de ser uma. Não conseguiria estimular a leitura deste (ou de outro) conto na integra sem “analisar” alguns trechos.


Costumo dizer os alunos que LEITURA BOA é aquela em que ENXERGAMOS cenário; personagens e circunstâncias, aquela em que “caminhamos e sentimos” junto com as personagens. E a escritora Lygia Fagundes Telles cumpre muito bem esse papel.



Lygia Fagundes Telles, nascida Lygia de Azevedo Fagundes (São Paulo, 19 de abril de 1923), é uma escritora brasileira, galardoada com o Prêmio Camões em 2005. É membro da Academia Paulista de Letras desde 1982, da Academia Brasileira de Letras desde 1985 e da Academia das Ciências de Lisboa desde 1987. (Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lygia_Fagundes_Telles (acesso em 13/03/2017)


Durante muito tempo – e, para alguns, ainda - o conto esteve à margem da Literatura. Particularmente, sempre admirei este gênero cujas características principais são:


- É uma narrativa linear e curta, tanto em extensão quanto no tempo em que se passa.

- A linguagem é simples e direta, não se utiliza muitas figuras de linguagem ou de expressões com pluralidade de sentidos.

- Todas as ações se encaminham diretamente para o desfecho.

- Envolve poucas personagens, e as que existem se movimentam em torno de uma única ação.

- As ações se passam em um só espaço, constituem um só eixo temático e um só conflito.

- A habilidade com as palavras é muito importante, principalmente para se utilizarem de alusões ou sugestões, frequentemente presentes nesse tipo de texto.


Além de fecundo na diversidade temática, os contos brasileiros são fecundos na produção. Talvez isso aconteça porque os contos produzidos no Brasil, principalmente a partir do Modernismo, tem adquirido identidade própria e se manifestado das mais diversas maneiras, de modo que dificilmente são fiéis às características acima citadas.


Podemos até arriscar falar sobre alguns tipos de contos, como os contos alegóricos, os contos fantásticos, os contos satíricos, os contos de fadas, entre outros, mas não podemos traçar características fixas para eles, justamente devido a essa liberdade que os autores têm de imprimir novas características a cada conto que produzem. (Fonte: http://www.infoescola.com/redacao/conto - acesso em 14/03/2017)



Em especial, o conto “VENHA VER O PÔR DO SOL”, contempla todas as características mencionadas. Reli várias vezes. É um dos meus preferidos. Prometo não fornecer “spoiler” (rs); mas destacarei alguns trechos e os respectivos comentários; lembrando que os comentários são muito pessoais. A cada nova leitura, eu me surpreendo “tirando outras conclusões”... A propósito, farei um esforço imenso para não ser tendenciosa quanto aos trechos apresentados.


►TRECHO 01

“(...) Podia ter escolhido outro lugar, não?
-Abrandara a voz.
- E que é isso aí? Um cemitério? Ele voltou-se para o velho muro arruinado. Indicou com o olhar o portão de ferro, carcomido pela ferrugem.
- Cemitério abandonado, meu anjo. Vivos e mortos, desertaram todos. Nem os fantasmas sobraram, olha aí como as criancinhas brincam sem medo acrescentou apontando as crianças na sua ciranda. (...)”

Reparem na possibilidade que temos, enquanto eleitores, de “VER” este lugar. Isso graças à sensibilidade da escritora e à sua agudeza de detalhes... Seguindo com leitura, até ouço as crianças, Acreditem.


►Trecho 02

“(...) - Não se zangue, sei que não iria, você está sendo fidelíssima. Então pensei, se pudéssemos conversar um pouco numa rua afastada... - disse ele, aproximando-se mais. Acariciou-lhe o braço com as pontas dos dedos. Ficou sério. E aos poucos, inúmeras rugazinhas foram-se formando em redor dos seus olhos ligeiramente apertados. Os leques de rugas se aprofundaram numa expressão astuta. Não era nesse instante tão jovem como aparentava. Mas logo sorriu e a rede de rugas desapareceu sem deixar vestígio. Voltou-lhe novamente o ar inexperiente e meio desatento. - Você fez bem em vir.(...)”

Neste trecho, evidenciam-se os traços de fisionomia, o que nos permite conhecer melhor a personagem e até mesmo supor suas intenções.


►Trecho 03

“(...) O mato rasteiro dominava tudo. E não satisfeito de ter-se alastrado furioso pelos canteiros, subira pelas sepulturas, infiltrara-se ávido pelos rachões dos mármores, invadira as alamedas de pedregulhos esverdinhados, como se quisesse com sua violenta força de vida cobrir para sempre os últimos vestígios da morte. Foram andando pela longa alameda banhada de sol. Os passos de ambos ressoavam sonoros como uma estranha música feita do som das folhas secas trituradas sobre os pedregulhos. Amuada mas obediente, ela se deixava conduzir como uma criança. Às vezes mostrava certa curiosidade por uma ou outra sepultura com os pálidos, medalhões de retratos esmaltados. (..)”

Bem, se você não conseguiu visualizar o local descrito no trecho um, certamente, conseguirá agora com uma riqueza de detalhes “atraente”.



►Trecho 04

“(...) - A boa vida te deixou preguiçosa? Que feio - lamentou ele, impelindo-a para a frente. - Dobrando esta alameda, fica o jazigo da minha gente, é de lá que se vê o pôr do sol. Sabe, Raquel, andei muitas vezes por aqui de mãos dadas com minha prima. Tínhamos então doze anos. Todos os domingos minha mãe vinha trazer flores e arrumar nossa capelinha onde já estava enterrado meu pai. Eu e minha priminha vínhamos com ela e ficávamos por aí, de mãos dadas, fazendo tantos planos. Agora as duas estão mortas.(...)”

A essa altura do conto, é completamente possível saciar parte da curiosidade que nos invade acerca das INTENÇÕES de Ricardo.


►Trecho 05 ( e último para não estragar a surpresa rs)

“(...) Ela cruzou os braços. Falou baixinho, um ligeiro tremor na voz. - Vamos, Ricardo, vamos. - Você está com medo. - Claro que não, estou é com frio. Suba e vamos embora, estou com frio! Ele não respondeu. (...)”

Suspense... Mais um “ingrediente” que não falta neste belíssimo conto.


Enfim, deixo aqui o convite para “VER O PÔR DO SOL” ou para revê-lo... Através da leitura deste conto e, depois, ao vivo. Porque a primeira coisa que a gente deseja, ao menos eu, quando termina a leitura é gozar de plena liberdade para olhar o sol se pondo até onde a vista alcançar. Pronto. Já falei por demais! rsrs










terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

REFORMA DO ENSINO MÉDIO BRASILEIRO: SOU CONTRA! (REFORM OF THE BRAZILIAN MIDDLE EDUCATION: I AM AGAINST!)

POR MARI MONTEIRO


Há tempos quero escrever sobre  este tema... O que me impedia de começar?  Um preconceito formado ( petrificado até ) de quem está há vinte cinco anos na Educação e que vivencia tanta coisa errada que nem sabe por onde começar a lista.  Mas, que por outro lado sabe EXATAMENTE O QUE ESTÁ ERRADO.


Enquanto isso me debrucei sobre alguns artigos  e ouvi atentamente cada fala do  Ministro da Educação Senhor Mendonça Filho.  Quanto mais estudei, mais encontrei paradoxos e as dúvidas aumentaram. O que não deveria ter acontecido porque esta “ideia” é antiga. Outros governos já pensaram em fazer algo parecido.



Logo,  deixo claro que NÃO ESTOU “BATENDO O MARTELO”; mas  me posicionando e tentando mensurar  a validade da provável  proposta. 


Um dos argumentos que se vê  em entrevistas por parte  dos “BRILHANTES IDEALIZADORES” dessa reforma é que  estão fazendo isso para atender aos anseios  e necessidades profissionais dos alunos. Ah! Poupem-me! Quem, ao final do Ensino Fundamental II, já tem plena certeza do que deseja fazer? Qual graduação cursará? Outra questão é a privação imposta ao aluno no que  se refere à convivência  e ao seu pleno desenvolvimento social  e intelectual. Ou seja,  será retirada do aluno a POSSIBILIDADE DE EXPERIMENTAÇÃO. O Ensino médio é um período de contato entre os  alunos, que começam a  amadurecer suas ideias e ideais, com as diversas áreas de conhecimento. Mesmo que deixem um primeiro ano básico (com todas as matérias); não é o suficiente.



 

Enquanto isso, no site do MEC, encontramos mais dúvidas do que “respostas”. A exemplo desta pergunta:

“Como vocês esperam que isso funcione, se é de extrema importância sabermos filosofia e sociologia”? R – “A implantação do novo ensino médio depende da aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que estabelecerá as competências, os objetivos de aprendizagem e os conhecimentos necessários pra a formação geral do aluno. A previsão é que, até meados de 2017, a BNCC para o ensino médio seja encaminhada ao Conselho Nacional de Educação, que terá de aprová-la para depois ser homologada pelo MEC. Dessa forma, a inclusão dos conhecimentos contidos nas áreas de filosofia e sociologia será definida pela BNCC.” ( Fonte: http://portal.mec.gov.br/component/content/article?id=40361#nem_08 acesso 13/02/2017). Particularmente, considero essa questão é pertinente porque  a reforma obrigará tais disciplinas somente no primeiro ano.  



Alguns questionamentos meus:

-  A polarização entre  exatas e humanas sempre foi motivo de piadas e inspiração para memes em redes sociais. A “separação oficial “ destas áreas não tende a agravar esta espécie de preconceito? Lembrando que isso ocorre entre os próprios professores nos ambientes escolares. - Escola em período integral para  atender ao cumprimento da carga horária prevista na proposta, Há  (haverá estrutura física) para isso em TODO O BRASIL?


- Reforma  e investimentos maiores não deveriam  começar pelas crianças do Ensino Fundamental, já que os alunos chegam ao 9º ano sem preparo?


- E o Enem? Continuará nos mesmos moldes?


- Que criança, aos quinze anos, ESTÁ CONVICTA  A RESPEITO DE QUAL ÁREA SEGUIR?


- Por que não implantar modelos de ensino como o Norte – americano? http://www.administradores.com.br/noticias/academico/o-que-os-modelos-educacionais-dos-eua-e-da-europa-podem-ensinar-ao-brasil/88951 (acesso em 21/02/2014). Prova disso são as escolas privadas que são abertas no Brasil seguindo o padrão norte americano. - Não quero afirmar que o Sistema de Ensino Norte – americano  é perfeito. Mas, sem dúvida, oferece mais oportunidades de ascensão do que o nosso. Saiba mais em:  http://www.editorajc.com.br/2014/08/direito-fundamental-educacao-e-sua-sistematizacao-nos-estados-unidos-da-america-e-brasil - acesso em 21/02/2014. A associação entre a prática  esportiva  e a educação. Por si, já nos serviria de referência. Haja vista a NBA  (National Basketball Association.  Em Português, Associação Nacional de Basquetebol), cujos jogadores necessariamente cursam (ou cursaram universidade).

“No meio do basquetebol essa tendência seria reforçada pelo fato de que os Estados Unidos (EUA), que é o país de maior tradição no basquetebol mundial, realizar nas escolas e universidades a sua formação de atletas. Ferreira Jr. (2008) ao atentar a formação de atletas nos EUA complementa “O atleta de basquetebol norte americano de alto nível, que consegue chegar a NBA, começou sua vida esportiva na escola.” Lá toda a formação de atletas é feita pelos high-schools e universidades, ou seja, entre os 16 e 23 anos, uma grande porcentagem desses indivíduos passam por essas instituições, e como não existem clubes sociais esportivos nos moldes como existem no Brasil, aproveita-se a passagem dos mesmos como alunos como forma de fomentar esse processo.” (Pellanda, Fabio, 2010 – Curitiba -   O PROCESSO DE FORMAÇÃO DO ATLETA DE BASQUETEBOL MASCULINO EM CURITIBA  - Dissertação de Mestrado)  http://acervodigital.ufpr.br  - acesso em 21/02/2014.


- A implantação gradativa do sistema contemplará o ENEM que é de âmbito NACIONAL?


- Haverá aumento da já existente e gritante da DESIGUALDADE, no que se refere a oportunidades de avançar nos estudos, entre os alunos das escolas privadas que, a propósito, NÃO PRIVAM OS ALUNOS DE NENHUMA DISCIPLINA CURRICULAR; ao contrário disponibilizam disciplinas extracurriculares? 


- E quanto às diferenças regionais? Mesmo existindo um currículo básico elas já  existem. A tendência não é aumentar devido a questões óbvias como: infraestrutura; transporte  escolar para as crianças (muitas não conseguem chegar á escola a pé etc.)? - 


- Outra questão: o trabalho dos professores. Atualmente nenhum professor sobrevive ministrando aulas de Sociologia ou de Filosofia, por exemplo, se não trabalhar em 4 ou 5 escolas de tão curta que é a carga horária. Como ficarão as “vidas profissionais” destes especialistas após a reforma?   


Somam-se  aos referidos questionamentos,  alguns valiosos comentários que li nem Redes Sociais e em Fóruns, os quais eu  mantenho no anonimato por uma questão ética:  

1 – “Ensino em tempo integral pode até ser uma excelente ideia para Colégio particular. A rede pública recebe inúmeros alunos que trabalham mães e pais de família a procura de adquirir conhecimento e melhores oportunidades, sem contar os alunos que morram na zona rural que gastam quase meio dia entre ida e volta .isso irá aumentar os jovens fora da escola .Se não bastasse teremos o "notório saber".” 


2 – “Essa regra que se aplica aos professores é muito errada. Professor tem que ser qualificado e treinado para ensinar aos seus alunos. Não existe isso de que qualquer um com "notório saber" pode ensinar..agora desceram a profissão de docente mais um andar abaixo..que vergonha..eu vou dar mais 3 anos da minha vida estudando pra ser professora. N posso acreditar que todo esse estudo e tempo vai ser em vão com essa regra.” 


3 – “Acredito que essa reforma é para uma qualificação maior para os alunos. Porém não temos uma infraestrutura para tempo integral e também como ficam os alunos que trabalham no turno inverso para aumentar a renda familiar?” 


4 – “Então não saiu nenhuma matéria, outras foram acrescentadas, ficou mais complexo. Com o perigo de sociologia e filosofia, serem manipulados por grupos de esquerda. Os estudantes não poderão trabalhar não haver tempo suficiente, para as duas atividades.”. 


5 – “Eu tenho uma grande dúvida quanto  essa reforma. Para ampliar de 800hs para 1400hs, suponho que o ensino vai passar a ser em turno integral, mas hoje, as escolas tendo 3 turnos, já há dificuldade referente à vagas, como pretendem fazer isso? Precisariam de muito mais escolas públicas para atender a demanda do período integral.”

6 – “Se até as obras da copa do mundo não terminaram, o que dizer de escolas..”  



Enfim, em minha opinião (e quero muito saber da sua), o mais prudente é pensar (e concretizar!) um sistema  educacional que contribui para a construção do SER PENSANTE e, consequente, para um número  de pessoas que não conseguem ser pró-ativos e nem se posicionar quanto aos fatos  sociais. Se bem que... É exatamente assim que “O SISTEMA” nos quer: sonsos; pacatos e (parafraseando R. Russo: CADA UM DE NÓS IMERSO EM SUA PRÓPRIA IGNORÂNCIA.




quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

VOLTA ÀS AULAS! MESMO??? (BACK TO CLASSROOMS! SAME???)

POR MARI MONTEIRO



Por que tentar mascarar mais uma vez o tédio e a insatisfação de voltar às aulas depois das Férias/recesso. A CULPA não é sua  e nem minha.  Quem se animaria para retornar a um trabalho que causa toda sorte de desgaste? Mas aí somos assombrados pelo nosso “complexo de  “seiláoque” e pensamos assim: “Nossa! Não posso reclamar! Quanta gente desempregada!”


O agravante é que  - ao pensar assim – sentimos culpa! E isso nos faz mal. Sou professora. Trabalho com educação há mais de vinte anos... E me sinto assim também. Tudo é muito complexo. Porque gostamos de verdade do nosso trabalho; mas, não podemos negar o quão difícil e INSALUBRE ele  é.


Prova disso é a quantidade de posts circulando nas redes sociais lamentando a volta às aulas. Com milhares de likes em páginas do Face e;  sobretudo, nas timelines dos professores. Posts como estes...






















Não que esse artigo possa solucionar nosso “mal estar”; mas é bom relembrarmos (porque lá no fundo a gente sempre soube – mas, ô raça dissimulada é a nossa!) de uma série de motivos que constituem a causa do nosso “DESÂNIMO”, pra dizer o mínimo:

- insegurança: causada por diversos aspectos que voa desde a atribuição de aulas até os inúmeros decretos assinados “na calada da noite” e que nunca vêm com boas notícias;
- especificamente este ano, a notícia de um número maior de classes sendo fechadas assombra a todos;
- a constante “surpresa” quanto ao número de alunos por sala e pelo “perfil e grau” de aprendizado no que diz respeito aos requisitos básicos para a série em curso: “SERÁ QUE TRABALHAREI COM UM QUINTO ANO  MESMO? OU TEREI QUE RETOMAR OS CONTEÚDOS DE TERCEIRO ANO?”
- e o salário? É o outro ponto que me irrita. Pois, ao mesmo tempo em que sabemos que  é injusto, convivemos com falas e com dilemas assim: “Mas professor ganha bem. Trabalha poucas horas e recebe igual a um trabalhador que cumpre oito horas de trabalho!” Gente, o infeliz que trabalha horas a mais é  que ganha muito mal também!





Poderia continuar esta lista, porém confesso que a cada item descrito me torno irada e depressiva. E, pior, só entende isso QUEM ESTÁ NO MEIO EDUCACIONAL; NO CHÃO DA ESCOLA. Quem olha de fora, com olhos de “visita”, afirma que reclamamos demais, que funcionário público é tudo relapso, que  a gente tem que educar (totalmente as crianças) sem reclamar... E blá, blá, blá... Então, por ora, fico por aqui e os deixo com um vídeo sobre NÓS professores e sobre os NÓS que  atravancam o nosso trabalho.



 

 UM EXCELENTE RETORNO ÀS AULAS PARA TODOS!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

“MEU PAU TE AMA”: um olhar pedagógico – proibido para menores ("MY PENIS LOVES YOU": a pedagogical look - Prohibited for minors)

POR MARI MONTEIRO



Enfim, me debruço mais uma vez sobre  este tema: a influência da música no comportamento humano. Não sei vocês, mas eu preciso sempre de um “gatilho” para teletransportar minhas ideias para o papel.  E com este texto não foi diferente. Já havia ouvido falar sobre uma nova “LETRA” de funk com o refrão:  “ Meu pau te ama”. Até então, tanto faz... Não é o tipo de música que eu curto e sem preconceitos! Mas, eis que me vi  - acidentalmente – na passagem de ano num “FLUXO”. Erramos o caminho para a praia em que veríamos a queima de fogos.  E tocava o que? “Meu pau te ama”... E foi a visão do inferno!!! Carros fecham as ruas, com os porta malas abertos  e “fazem o baile funk” ali mesmo, sem censura... Eu quero dizer SEM CENSURA MESMO!


Ai não deu – ou melhor – “DEU RUIM PRA MIM”. Fiquei com aquelas cenas encalacradas na cabeça me atazanando o juízo. Puritana eu? Imagina! Muito pelo contrário. Preconceituosa? Já não sei mais. Confesso que preciso rever meus conceitos, porque se considerar o significado literal da palavra preconceito como: qualquer opinião ou sentimento concebido sem exame crítico, NÃO sou preconceituosa, porque não estou me posicionando antes de examinar o conceito e, a propósito e contragosto, também o contexto.





Isso me faz pensar que  estou selecionando demais as palavras para escrever este texto. Inclusive, no título, consta uma “advertência” proibindo a leitura por menores... Santa ingenuidade! A maioria dos jovens que estavam no tal fluxo eram menores de dezoito anos; assim como, os MC's que cantam...


Minha curiosidade foi tanta que pesquisei e, em muitos sites de letras de música, consta: "MEU PAI TE AMA!” como refrão e “DEU ONDA” como nome da música. Pensei: “Oh! Nem tudo está perdido, o compositor, não fez por mal”. O povo é que está “maldando” e mudando a letra só pra sacanear.” Mas, quando li a letra toda... Realmente, é ruim demais. Mesmo sendo o pai, a mãe, o tio, a família toda que ame quem quiser. A letra é ruim de verdade. E não contente em ler a letra, também assisti às várias versões do clipe; disponíveis no youtube. Pensando bem, vou compartilhar com vocês. Nunca fui egoísta!



Depois disso, não me restou qualquer dúvida! Meu pau te ama é dito sim na música.  E eis que veio todo o “Fluxo” novamente assombrar meus pensamentos. Não estou exagerando e nem sendo crítica a um único estilo musical; mas sou educadora e considero a música uma das formas mais atraentes de educar PESSOAS E COMPORTAMENTOS. Portanto, sei do poder das letras e dos ritmos.  A música tem o poder de nos transportar pra longe e de nos transformar em pessoas melhores. E é justamente aí que reside minha (digamos)  preocupação. Acreditem, conheço a maioria dos gêneros musicais, meu filho é um excelente músico, o que não me obriga  a gostar de todos; mas me fornece um respaldo e certo parâmetro para discutir o assunto.


E nas cenas que vi – ao vivo e em cores – ela (a música) também estava transportando e transformando os jovens que ali estavam. Sexo rolando  sem o menor pudor,  sem tomar conhecimento sobre as famílias que ali estavam passando com seus filhos... Não sei até que ponto essas cenas podem influenciar as crianças e adolescentes que “só” viram o fluxo. Mas, certamente, influencia num grau preocupante os jovens e adolescentes que participaram (e participam) do fluxo. Muito menos sei o nome que se dá  a esse ritmo, porque funk , aquele que não precisava de palavrão para “mexer” com a gente não pode ser. Chega a ser uma ofensa às raízes do funk... Como James Brown; por exemplo, que em “SEX MACHINE”, também insinuava cenas de sexo; mas com uma sutileza que não nos agredia. E, pra não dizerem que  estou gringa demais, Claudinho e Bochecha também eram bons funkeiros...


Como cada geração é influenciada e “formada” por uma série de fatores; inclusive, pela música, fiquei com medo daquela geração... Medo de que eles fiquem bitolados ouvindo APENAS estes tipos de letras. Ou seja, sem ter um contrapeso pra equilibrar, que seriam outros ritmos, outra letra... Enfim, temo que eles possam  ficar presos no limbo do fluxo e se tornem, literalmente, filhos do fluxo.

E,  como ainda estou trabalhando na limpeza das cenas do fluxo na minha mente,  convido a todos para ver ou rever comigo um pouco de funk “do bom”, ao menos segundo minha opinião e com todo respeito a dos outros, claro!... Mesmo aqueles que  acompanham o fluxo em direção a não sei o quê.





domingo, 11 de dezembro de 2016

OPERAÇÃO PAPAI NOEL

POR MARI MONTEIRO


Nunca se falou tanto em política. Houve até uma “brincadeira” nas redes  sociais (pertinente até rsrs), cujo post – após a eleição de Trump –  dizia: “Nossa! Hoje todo mundo amanheceu entendendo de política internacional!” Isso por si só já é um bom sinal. Sobretudo, se pensarmos que até bem pouco tempo atrás quase não se falava em política. Nossa culpa? Sim  e Não. Sim, porque deveríamos nos interessar mais pelo assunto. E não, porque fomos educados para NÃO PENSAR. Crescemos ouvindo:  “Política e religião não se discute.”

Bem. E o que tem o Natal a ver com política? Com a eleição de Trump? Com  a corrupção? Com propinas? Com ética? Com o sucateamento da educação, da saúde e da segurança? T – U – D –O! Absolutamente tudo! O natal remonta à confraternização e – também por conta dos hábitos e da cultura – à troca de presentes. E, como pensar e fazer tudo isso nesse caos político e social? Inclusive, há quem acredite que o Natal serve para esquecermos todas as desavenças, para perdoar, para ficar em paz e sermos solidários.

Pois bem, estamos vivendo tempos difíceis. O que não é novidade. A diferença é que agora temos mais consciência disso tudo. Estamos  expostos  a um bombardeio de informações.  A mídia, ao mesmo tempo em que informa sobre todos os acontecimentos, também age como se nada estivesse acontecendo.  Não é raro aparecerem, nos telejornais, economistas nos dando dicas financeiras sobre como gastar o décimo terceiro salário. O que me faz crer que das duas, uma: ou sou muito pobre ou sou muito alienada. Porque não é possível fazer planos para o décimo terceiro quando se é assalariado. Isso só é possível para quem tem um poder aquisitivo maior e consegue planejar em suas planilhas Excel  ou junto aos contadores.


Mas, nada disso impedirá o natal de chegar para todos. A questão é: será natal para todos? Todas as mesas estarão fartas? Todos os lares terão árvores de natal? Todos trocarão presentes? E quando digo “todos”, não estou falando dos meus familiares, do meu bairro, da minha cidade, do Brasil... Falo da humanidade. Daí a menção sobre Donald Trump. A título de exemplificação, sua eleição foi apenas mais um agravante para este mundo já tão cheio de temores e de insegurança. Isso para "tocar" apenas a ponta do iceberg em questão de HUMANIDADE. No mais, só o tempo dirá...

Fato é que o  pensamento individual e o hábito de  olhar para o próprio umbigo são os comportamentos que imperam atualmente. Ouso dizer que NÃO CABE MAIS SER ASSIM. A menos que a pessoa seja completamente  indiferente e muito egoísta. E, nesse caso, ela pertence a outra classificação que não a de ser humano. Este  meu pensamento “narniano” (costumo dizer que  meu guarda roupas tem uma passagem secreta para Nárina! Rsrs) é,constantemente, alvo de críticas e de descrédito. Não me importo com isso. Não sou boa em pensar que só no que me atinge diretamente; não sou muito "lógica"... Sou parte de um todo e esse "todo" adoecido me incomoda. A fome na África me incomoda.  As crescentes ondas de racismo nos EUA me incomodam. A violência no Rio de Janeiro me incomoda. A construção de um prédio de dezesseis andares, que rouba o sol do meu quintal me incomoda.




O que cabe agora, que “estamos todos entendidos em política”, é pensar no outro. A empatia nunca foi tão necessária, Apenas ela impedirá que a barbárie se estabeleça e fique para o jantar. Uma pessoa, quando pratica  a empatia, pensa além de si mesma, além de sua casa, ale de suas “fronteiras”.

Para além do consumo  e das dívidas (e das dúvidas...) peçamos presente plausíveis, possíveis e úteis neste natal; sobretudo, peçamos presentes duradouros e que INDEPENDEM DE DINHEIRO e,  na maioria dos casos; dos outros. Façamos uma lista. Uma lista dos SENTIMENTOS QUE NOS FALTAM ou que  estão em extinção em nós. Confesso que tenho uma lista razoável para o Papai Noel. Quero de presente: paz de espírito; coragem; vontade; alegria; sabedoria e por aí vai... Certamente, Noel teria que trabalhar muito para atender pedidos assim... Sem contar que teria de sair de zona de conforto e fazer caber em seu trenó “coisas” sem caixas de papel e sem laços.

Quanto aos presentes materiais, se  puder ótimo! Presenteie a quem você estima. Mas faça isso de forma consciente. Compre no seu bairro; do seu vizinho artesão; daquela sua vizinha que faz panetones caseiros... As grandes lojas e corporações não precisam de nós... Há muitos robôs por lá e, muito provavelmente, um "líder" que explora a mão de obra e que, por sua vez, está à mercê de um país cujos impostos "travam" toda e qualquer iniciativa corporativa.

E, para quem leu este artigo e acha que  estou equivocada... Que  estou muito “Alice no País das Maravilhas”, mostre-me uma forma diferente de lidar com essa porra toda! Ensine-me  a lidar com as dores do “outro” que também doem em mim. E, para quem não tem  a menor tendência a ser empático (a), uma sugestão: peça um pouco de EMPATIA de presente de Natal. Vai que  Papai Noel  se sensibilize, saia de seu trono nos grandes shoppings (estão fazendo bico lá...) e visite seu lar... Não custa tentar.


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

ENQUANTO ISSO NA SALA DE JUSTIÇA: CAOS EM BRASILIA (WHILE THIS IN THE ROOM OF JUSTICE: CHAOS IN BRASILIA)

POR MARI MONTEIRO


De uns tempos pra cá, até por conta do acesso rápido e fácil às informações, desnudaram-se os bastidores da política no Brasil (ou seria “da politicagem”). O que  é MUITO BOM.

Ontem, 29 de novembro,  eu estava eu vendo  pela TV, ao vivo, o quebra-quebra em Brasília, que  se estenderia pela noite afora.  Lado bom: temos mais consciência do que é correto; estamos analisando leis; pressionando; participando... Lado mau: o vandalismo; a truculência...

Ocorre que as DEZ MEDIDAS CONTRA CORRUPÇÃO estão sendo discutidas e posteriormente serão votadas na Câmara Alta do Parlamento. O que se percebia eram  um completo caos  e nenhum diálogo consistente. O medo que impera entre os políticos (já denunciados ou não é visível). Ninguém com “pulso forte” suficiente (entenda-se alguém com moral e com  ética para tal) para fazer com que as medidas sejam votadas de modo a restabelecer a ordem e dar continuidade efetiva às operações implementadas pelo Ministério Público.

Mais cedo, inclusive, o Juiz Sergio Moro pediu apoio à sociedade para que ficássemos atentos às armadilhas que limitem o Poder Judiciário... Pois, caso contrário, corremos o risco de haver punição aos magistrados por abuso de poder.



Um ponto: onde já se viu PUNIR QUEM QUER FAZER JUSTIÇA? E a anistia do Caixa Dois, que beneficiaria, inclusive, pessoas já condenadas pela Lava- jato? É vergonhoso que isso careça de discussão. Seria para votar  e pronto! Mas, e honestidade para isso? Cadê?



Enquanto isso, lá fora, na Esplanada dos Ministérios: bombas, carros incendiados. Ministérios depredados, destruição de patrimônio público, cavalaria, gás de pimenta etc. Não entendam isso como uma defesa ao vandalismo, pelo contrário, sou a favor de MANIFESTOS PACÍFICOS E INTELIGENTES. Porém, nosso país chegou numa situação  tal  em que o cidadão (me incluo) sente-se um completo idiota; como uma pessoa SEM VOZ, que mesmo gritando não é consegue ser ouvido, imerso em uma bolha inflada com desemprego; falta de condições básicas de sobrevivência; sem perspectivas de futuro para si e, muito menos, para os  seus, para a próxima geração...



Pois bem, o dia amanheceu. São 10h09 minutos e... Adivinhem: de agora em diante NÃO HAVERÁ PUNIÇÃO PARA O MAGISTRADO POR ABUSO DE AUTORIDADE. E, pasmem!!! Há  parlamentares satisfeitos afirmando que o Brasil avançou politicamente. Sério isso? É de chorar de tristeza e de vergonha.

Só consigo me lembrar da letra de Renato Russo “Que país é esse?”, escrita há décadas, que – insisto, NÃO É CLICHÊ! É UM CLÁSSICO! E, mais precisamente dos versos:


“Nas favelas, no senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação.”




Por agora já deu... Sinto náuseas... Volto logo menos com mais acontecimentos. Com notícia do estado de “saúde” do Brasil que continua cada vez mais doente na UTI; isso é, se os políticos não desligarem os aparelhos antes.




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