POR MARI MONTEIRO
EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.
terça-feira, 14 de março de 2017
terça-feira, 21 de fevereiro de 2017
REFORMA DO ENSINO MÉDIO BRASILEIRO: SOU CONTRA! (REFORM OF THE BRAZILIAN MIDDLE EDUCATION: I AM AGAINST!)
POR MARI MONTEIRO
Há tempos quero
escrever sobre este tema... O que me
impedia de começar? Um preconceito
formado ( petrificado até ) de quem está há vinte cinco anos na Educação e que
vivencia tanta coisa errada que nem sabe por onde começar a lista. Mas, que por outro lado sabe EXATAMENTE O QUE
ESTÁ ERRADO.
Enquanto isso me
debrucei sobre alguns artigos e ouvi
atentamente cada fala do Ministro da
Educação Senhor Mendonça Filho. Quanto
mais estudei, mais encontrei paradoxos e as dúvidas aumentaram. O que não
deveria ter acontecido porque esta “ideia” é antiga. Outros governos já
pensaram em fazer algo parecido.
Logo, deixo claro que NÃO ESTOU “BATENDO O
MARTELO”; mas me posicionando e tentando
mensurar a validade da provável proposta.
Um dos argumentos que se vê em entrevistas por parte dos “BRILHANTES IDEALIZADORES” dessa reforma é que estão fazendo isso para atender aos anseios e necessidades profissionais dos alunos. Ah! Poupem-me! Quem, ao final do Ensino Fundamental II, já tem plena certeza do que deseja fazer? Qual graduação cursará? Outra questão é a privação imposta ao aluno no que se refere à convivência e ao seu pleno desenvolvimento social e intelectual. Ou seja, será retirada do aluno a POSSIBILIDADE DE EXPERIMENTAÇÃO. O Ensino médio é um período de contato entre os alunos, que começam a amadurecer suas ideias e ideais, com as diversas áreas de conhecimento. Mesmo que deixem um primeiro ano básico (com todas as matérias); não é o suficiente.
Enquanto
isso, no
site do MEC, encontramos mais dúvidas do que “respostas”. A exemplo desta pergunta:
“Como vocês esperam que isso funcione, se é de extrema importância
sabermos filosofia e sociologia”? R – “A implantação do novo ensino médio depende da aprovação
da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que estabelecerá as competências, os
objetivos de aprendizagem e os conhecimentos necessários pra a formação geral
do aluno. A previsão é que, até meados de 2017, a BNCC para o ensino médio seja
encaminhada ao Conselho Nacional de Educação, que terá de aprová-la para depois
ser homologada pelo MEC. Dessa forma, a inclusão dos conhecimentos contidos nas
áreas de filosofia e sociologia será definida pela BNCC.” ( Fonte: http://portal.mec.gov.br/component/content/article?id=40361#nem_08
acesso 13/02/2017). Particularmente, considero essa questão é pertinente
porque a reforma obrigará tais
disciplinas somente no primeiro ano.
Alguns questionamentos
meus:
- A polarização entre exatas e humanas sempre foi motivo de piadas
e inspiração para memes em redes sociais. A “separação oficial “ destas áreas
não tende a agravar esta espécie de preconceito? Lembrando que isso ocorre
entre os próprios professores nos ambientes escolares. - Escola em período
integral para atender ao cumprimento da
carga horária prevista na proposta, Há
(haverá estrutura física) para isso em TODO O BRASIL?
- Reforma e investimentos maiores não deveriam começar pelas crianças do Ensino Fundamental,
já que os alunos chegam ao 9º ano sem preparo?
- E o Enem? Continuará nos mesmos moldes?
- Que criança, aos
quinze anos, ESTÁ CONVICTA A RESPEITO DE
QUAL ÁREA SEGUIR?
- Por que não
implantar modelos de ensino como o Norte – americano? http://www.administradores.com.br/noticias/academico/o-que-os-modelos-educacionais-dos-eua-e-da-europa-podem-ensinar-ao-brasil/88951
(acesso em 21/02/2014). Prova disso são as escolas privadas que são abertas no
Brasil seguindo o padrão norte americano. - Não quero afirmar
que o Sistema de Ensino Norte – americano
é perfeito. Mas, sem dúvida, oferece mais oportunidades de ascensão do
que o nosso. Saiba mais em: http://www.editorajc.com.br/2014/08/direito-fundamental-educacao-e-sua-sistematizacao-nos-estados-unidos-da-america-e-brasil
- acesso em 21/02/2014. A associação entre a prática esportiva
e a educação. Por si, já nos serviria de referência. Haja vista a NBA
(National Basketball Association. Em Português, Associação Nacional de
Basquetebol), cujos jogadores
necessariamente cursam (ou cursaram universidade).
“No meio do
basquetebol essa tendência seria reforçada pelo fato de que os Estados Unidos
(EUA), que é o país de maior tradição no basquetebol mundial, realizar nas
escolas e universidades a sua formação de atletas. Ferreira Jr. (2008) ao
atentar a formação de atletas nos EUA complementa “O atleta de basquetebol
norte americano de alto nível, que consegue chegar a NBA, começou sua vida
esportiva na escola.” Lá toda a formação de atletas é feita pelos high-schools
e universidades, ou seja, entre os 16 e 23 anos, uma grande porcentagem desses
indivíduos passam por essas instituições, e como não existem clubes sociais
esportivos nos moldes como existem no Brasil, aproveita-se a passagem dos
mesmos como alunos como forma de fomentar esse processo.” (Pellanda, Fabio,
2010 – Curitiba - O PROCESSO DE
FORMAÇÃO DO ATLETA DE BASQUETEBOL MASCULINO EM CURITIBA - Dissertação de Mestrado) http://acervodigital.ufpr.br - acesso em 21/02/2014.
- A implantação
gradativa do sistema contemplará o ENEM que é de âmbito NACIONAL?
- Haverá aumento da já existente e gritante da DESIGUALDADE, no que se refere a oportunidades de avançar nos estudos, entre os alunos das escolas privadas que, a propósito, NÃO PRIVAM OS ALUNOS DE NENHUMA DISCIPLINA CURRICULAR; ao contrário disponibilizam disciplinas extracurriculares?
- E quanto às diferenças regionais? Mesmo existindo um currículo básico elas já existem. A tendência não é aumentar devido a questões óbvias como: infraestrutura; transporte escolar para as crianças (muitas não conseguem chegar á escola a pé etc.)? -
- Outra questão: o trabalho dos professores. Atualmente nenhum professor sobrevive ministrando aulas de Sociologia ou de Filosofia, por exemplo, se não trabalhar em 4 ou 5 escolas de tão curta que é a carga horária. Como ficarão as “vidas profissionais” destes especialistas após a reforma?
Somam-se aos referidos questionamentos, alguns valiosos comentários que li nem Redes
Sociais e em Fóruns, os quais eu
mantenho no anonimato por uma questão ética:
1 – “Ensino em
tempo integral pode até ser uma excelente ideia para Colégio particular. A rede
pública recebe inúmeros alunos que trabalham mães e pais de família a procura
de adquirir conhecimento e melhores oportunidades, sem contar os alunos que
morram na zona rural que gastam quase meio dia entre ida e volta .isso irá
aumentar os jovens fora da escola .Se não bastasse teremos o "notório
saber".”
2 – “Essa
regra que se aplica aos professores é muito errada. Professor tem que ser
qualificado e treinado para ensinar aos seus alunos. Não existe isso de que
qualquer um com "notório saber" pode ensinar..agora desceram a
profissão de docente mais um andar abaixo..que vergonha..eu vou dar mais 3 anos
da minha vida estudando pra ser professora. N posso acreditar que todo esse
estudo e tempo vai ser em vão com essa regra.”
3 – “Acredito
que essa reforma é para uma qualificação maior para os alunos. Porém não temos
uma infraestrutura para tempo integral e também como ficam os alunos que
trabalham no turno inverso para aumentar a renda familiar?”
4 – “Então não
saiu nenhuma matéria, outras foram acrescentadas, ficou mais complexo. Com o
perigo de sociologia e filosofia, serem manipulados por grupos de esquerda. Os
estudantes não poderão trabalhar não haver tempo suficiente, para as duas
atividades.”.
5 – “Eu tenho
uma grande dúvida quanto essa reforma.
Para ampliar de 800hs para 1400hs, suponho que o ensino vai passar a ser em
turno integral, mas hoje, as escolas tendo 3 turnos, já há dificuldade
referente à vagas, como pretendem fazer isso?
Precisariam de muito mais escolas públicas para atender a demanda do período
integral.”
6 – “Se até as
obras da copa do mundo não terminaram, o que dizer de escolas..”
Enfim, em minha opinião (e quero muito saber da sua), o mais prudente é pensar (e concretizar!) um sistema educacional que contribui para a construção do SER PENSANTE e, consequente, para um número de pessoas que não conseguem ser pró-ativos e nem se posicionar quanto aos fatos sociais. Se bem que... É exatamente assim que “O SISTEMA” nos quer: sonsos; pacatos e (parafraseando R. Russo: CADA UM DE NÓS IMERSO EM SUA PRÓPRIA IGNORÂNCIA.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
VOLTA ÀS AULAS! MESMO??? (BACK TO CLASSROOMS! SAME???)
POR MARI MONTEIRO
Por que tentar mascarar mais uma vez o tédio e a insatisfação
de voltar às aulas depois das Férias/recesso. A CULPA não é sua e nem minha.
Quem se animaria para retornar a um trabalho que causa toda sorte de
desgaste? Mas aí somos assombrados pelo nosso “complexo de “seiláoque” e pensamos assim: “Nossa! Não
posso reclamar! Quanta gente desempregada!”
O agravante é que -
ao pensar assim – sentimos culpa! E isso nos faz mal. Sou professora. Trabalho
com educação há mais de vinte anos... E me sinto assim também. Tudo é muito
complexo. Porque gostamos de verdade do nosso trabalho; mas, não podemos negar
o quão difícil e INSALUBRE ele é.
Prova disso é a quantidade de posts circulando nas redes
sociais lamentando a volta às aulas. Com milhares de likes em páginas do Face
e; sobretudo, nas timelines dos professores. Posts como estes...
Não que esse artigo possa solucionar nosso “mal estar”; mas
é bom relembrarmos (porque lá no fundo a gente sempre soube – mas, ô raça
dissimulada é a nossa!) de uma série de motivos que constituem a causa do nosso
“DESÂNIMO”, pra dizer o mínimo:
- insegurança: causada por diversos aspectos que voa desde a
atribuição de aulas até os inúmeros decretos assinados “na calada da noite” e
que nunca vêm com boas notícias;
- especificamente este ano, a notícia de um número maior de
classes sendo fechadas assombra a todos;
- a constante “surpresa” quanto ao número de alunos por sala
e pelo “perfil e grau” de aprendizado no que diz respeito aos requisitos
básicos para a série em curso: “SERÁ QUE TRABALHAREI COM UM QUINTO ANO MESMO? OU TEREI QUE RETOMAR OS CONTEÚDOS DE TERCEIRO ANO?”
- e o salário? É o outro ponto que me irrita. Pois, ao mesmo
tempo em que sabemos que é injusto,
convivemos com falas e com dilemas assim: “Mas professor ganha bem. Trabalha
poucas horas e recebe igual a um trabalhador que cumpre oito horas de
trabalho!” Gente, o infeliz que trabalha horas a mais é que ganha muito mal também!
Poderia continuar esta lista, porém confesso que a cada item
descrito me torno irada e depressiva. E, pior, só entende isso QUEM ESTÁ NO MEIO
EDUCACIONAL; NO CHÃO DA ESCOLA. Quem olha de fora, com olhos de “visita”,
afirma que reclamamos demais, que funcionário público é tudo relapso, que a gente tem que educar (totalmente as
crianças) sem reclamar... E blá, blá, blá... Então, por ora, fico por aqui e os
deixo com um vídeo sobre NÓS professores e sobre os NÓS que atravancam o nosso trabalho.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
“MEU PAU TE AMA”: um olhar pedagógico – proibido para menores ("MY PENIS LOVES YOU": a pedagogical look - Prohibited for minors)
POR MARI MONTEIRO
Enfim, me debruço mais uma vez sobre
este tema: a influência da música no comportamento humano. Não sei vocês, mas eu preciso sempre de um “gatilho”
para teletransportar minhas ideias para o papel. E com este texto não foi diferente. Já havia
ouvido falar sobre uma nova “LETRA” de funk com o refrão: “ Meu pau te ama”. Até então, tanto faz... Não
é o tipo de música que eu curto e sem preconceitos! Mas, eis que me vi - acidentalmente – na passagem de ano num “FLUXO”.
Erramos o caminho para a praia em que veríamos a queima de fogos. E tocava o que? “Meu pau te ama”... E foi a
visão do inferno!!! Carros fecham as ruas, com os porta malas abertos e “fazem o baile funk” ali mesmo, sem
censura... Eu quero dizer SEM CENSURA MESMO!
Ai não deu – ou melhor – “DEU RUIM PRA MIM”. Fiquei com
aquelas cenas encalacradas na cabeça me atazanando o juízo. Puritana eu?
Imagina! Muito pelo contrário. Preconceituosa? Já não sei mais. Confesso que
preciso rever meus conceitos, porque se considerar o significado literal da
palavra preconceito como: qualquer opinião ou sentimento concebido sem
exame crítico, NÃO sou preconceituosa, porque não estou me
posicionando antes de examinar o conceito e, a propósito e contragosto, também
o contexto.
Isso me faz pensar que
estou selecionando demais as palavras para escrever este texto.
Inclusive, no título, consta uma “advertência” proibindo a leitura por
menores... Santa ingenuidade! A maioria dos jovens que estavam no tal fluxo
eram menores de dezoito anos; assim como, os MC's que cantam...
Minha curiosidade foi tanta que pesquisei e, em muitos sites de
letras de música, consta: "MEU PAI TE AMA!” como refrão e “DEU ONDA” como nome da
música. Pensei: “Oh! Nem tudo está perdido, o compositor, não fez por mal”. O
povo é que está “maldando” e mudando a letra só pra sacanear.” Mas, quando li a letra
toda... Realmente, é ruim demais. Mesmo sendo o pai, a mãe, o tio, a família
toda que ame quem quiser. A letra é ruim de verdade. E não contente em ler a
letra, também assisti às várias versões do clipe; disponíveis no youtube. Pensando bem, vou compartilhar com
vocês. Nunca fui egoísta!
Depois disso, não me restou qualquer dúvida! Meu pau te ama
é dito sim na música. E eis que veio
todo o “Fluxo” novamente assombrar meus pensamentos. Não estou exagerando e nem
sendo crítica a um único estilo musical; mas sou educadora e considero a música
uma das formas mais atraentes de educar PESSOAS E COMPORTAMENTOS. Portanto, sei
do poder das letras e dos ritmos. A música
tem o poder de nos transportar pra longe e de nos transformar em pessoas
melhores. E é justamente aí que reside minha (digamos) preocupação. Acreditem, conheço a maioria dos gêneros musicais, meu filho é um excelente músico, o que não me obriga a gostar de todos; mas me fornece um respaldo
e certo parâmetro para discutir o assunto.
E nas cenas que vi – ao vivo e em cores – ela (a música) também
estava transportando e transformando os jovens que ali estavam. Sexo rolando sem o menor pudor, sem tomar conhecimento sobre as famílias que
ali estavam passando com seus filhos... Não sei até que ponto essas cenas podem
influenciar as crianças e adolescentes que “só” viram o fluxo. Mas, certamente,
influencia num grau preocupante os jovens e adolescentes que participaram (e
participam) do fluxo. Muito menos sei o nome que se dá a esse ritmo, porque funk , aquele que não
precisava de palavrão para “mexer” com a gente não pode ser. Chega a ser uma ofensa às raízes do funk... Como James Brown; por
exemplo, que em “SEX MACHINE”, também insinuava cenas de sexo; mas com uma sutileza que não nos agredia. E, pra não dizerem
que estou gringa demais, Claudinho e Bochecha
também eram bons funkeiros...
Como cada geração é influenciada e “formada” por uma série
de fatores; inclusive, pela música, fiquei com medo daquela geração... Medo de
que eles fiquem bitolados ouvindo APENAS estes tipos de letras. Ou seja, sem
ter um contrapeso pra equilibrar, que seriam outros ritmos, outra letra...
Enfim, temo que eles possam ficar presos
no limbo do fluxo e se tornem, literalmente, filhos do fluxo.
E, como ainda estou
trabalhando na limpeza das cenas do fluxo na minha mente, convido a todos para ver ou rever comigo um
pouco de funk “do bom”, ao menos segundo minha opinião e com todo respeito a
dos outros, claro!... Mesmo aqueles que acompanham o fluxo
em direção a não sei o quê.
domingo, 11 de dezembro de 2016
OPERAÇÃO PAPAI NOEL
POR MARI MONTEIRO
Nunca se falou tanto em política. Houve até uma
“brincadeira” nas redes sociais
(pertinente até rsrs), cujo post – após a eleição de Trump – dizia: “Nossa!
Hoje todo mundo amanheceu entendendo de política internacional!” Isso por si só
já é um bom sinal. Sobretudo, se pensarmos que até bem pouco tempo atrás quase
não se falava em política. Nossa culpa? Sim
e Não. Sim, porque deveríamos nos interessar mais pelo assunto. E não,
porque fomos educados para NÃO PENSAR. Crescemos ouvindo: “Política e religião não se discute.”
Bem. E o que tem o Natal a ver com política? Com a eleição
de Trump? Com a corrupção? Com propinas?
Com ética? Com o sucateamento da educação, da saúde e da segurança? T – U – D
–O! Absolutamente tudo! O natal remonta à confraternização e – também por conta
dos hábitos e da cultura – à troca de presentes. E, como pensar e fazer tudo isso nesse caos político e social? Inclusive, há quem acredite que o Natal serve
para esquecermos todas as desavenças, para perdoar, para ficar em paz e sermos
solidários.
Pois bem, estamos vivendo tempos difíceis. O que não é
novidade. A diferença é que agora temos mais consciência disso tudo.
Estamos expostos a um bombardeio de informações. A mídia, ao mesmo tempo em que informa sobre
todos os acontecimentos, também age como se nada estivesse acontecendo. Não é raro aparecerem, nos telejornais,
economistas nos dando dicas financeiras sobre como gastar o décimo terceiro
salário. O que me faz crer que das duas, uma: ou sou muito pobre ou sou muito
alienada. Porque não é possível fazer planos para o décimo terceiro quando se é
assalariado. Isso só é possível para quem tem um poder aquisitivo maior e
consegue planejar em suas planilhas Excel
ou junto aos contadores.
Mas, nada disso impedirá o natal de chegar para todos. A
questão é: será natal para todos? Todas as mesas estarão fartas? Todos os lares
terão árvores de natal? Todos trocarão presentes? E quando digo “todos”, não
estou falando dos meus familiares, do meu bairro, da minha cidade, do Brasil...
Falo da humanidade. Daí a menção sobre Donald Trump. A título de exemplificação, sua eleição foi apenas
mais um agravante para este mundo já tão cheio de temores e de
insegurança. Isso para "tocar" apenas a ponta do iceberg em questão de HUMANIDADE. No mais, só o tempo dirá...
Fato é que o pensamento
individual e o hábito de olhar para o
próprio umbigo são os comportamentos que imperam atualmente. Ouso dizer que NÃO CABE MAIS SER
ASSIM. A menos que a pessoa seja completamente
indiferente e muito egoísta. E, nesse caso, ela pertence a outra
classificação que não a de ser humano. Este
meu pensamento “narniano” (costumo dizer que meu guarda roupas tem uma passagem secreta
para Nárina! Rsrs) é,constantemente, alvo de críticas e de descrédito. Não me importo com isso.
Não sou boa em pensar que só no que me atinge diretamente; não sou muito "lógica"... Sou parte de um todo e esse "todo" adoecido me incomoda. A fome na
África me incomoda. As crescentes ondas
de racismo nos EUA me incomodam. A violência no Rio de Janeiro me incomoda. A
construção de um prédio de dezesseis andares, que rouba o sol do meu quintal me
incomoda.
O que cabe agora, que “estamos todos entendidos em
política”, é pensar no outro. A empatia nunca foi tão necessária, Apenas ela
impedirá que a barbárie se estabeleça e fique para o jantar. Uma pessoa,
quando pratica a empatia, pensa além de
si mesma, além de sua casa, ale de suas “fronteiras”.
Para além do consumo
e das dívidas (e das dúvidas...) peçamos presente plausíveis, possíveis
e úteis neste natal; sobretudo, peçamos presentes duradouros e que INDEPENDEM
DE DINHEIRO e, na maioria dos casos; dos
outros. Façamos uma lista. Uma lista dos SENTIMENTOS QUE NOS FALTAM ou que estão em extinção em nós. Confesso que tenho uma
lista razoável para o Papai Noel. Quero de presente: paz de espírito; coragem;
vontade; alegria; sabedoria e por aí vai... Certamente, Noel teria que trabalhar
muito para atender pedidos assim... Sem contar que teria de sair de zona de
conforto e fazer caber em seu trenó “coisas” sem caixas de papel e sem laços.
Quanto aos presentes materiais, se puder ótimo! Presenteie a quem você estima.
Mas faça isso de forma consciente. Compre no seu bairro; do seu vizinho
artesão; daquela sua vizinha que faz panetones caseiros... As grandes lojas e
corporações não precisam de nós... Há muitos robôs por lá e, muito
provavelmente, um "líder" que explora a mão de obra e que, por sua vez, está à mercê de um país cujos impostos "travam" toda e qualquer iniciativa corporativa.
E, para quem leu este artigo e acha que estou equivocada... Que estou muito “Alice no País das Maravilhas”,
mostre-me uma forma diferente de lidar com essa porra toda! Ensine-me a lidar com as dores do “outro” que também
doem em mim. E, para quem não tem a
menor tendência a ser empático (a), uma sugestão: peça um pouco de EMPATIA de presente de
Natal. Vai que Papai Noel se sensibilize, saia de seu trono nos grandes
shoppings (estão fazendo bico lá...) e visite seu lar... Não custa tentar.
quarta-feira, 30 de novembro de 2016
ENQUANTO ISSO NA SALA DE JUSTIÇA: CAOS EM BRASILIA (WHILE THIS IN THE ROOM OF JUSTICE: CHAOS IN BRASILIA)
POR MARI MONTEIRO
De uns tempos pra cá, até por conta do acesso rápido e fácil
às informações, desnudaram-se os bastidores da política no Brasil (ou seria “da
politicagem”). O que é MUITO BOM.
Ontem, 29 de novembro, eu estava eu vendo pela TV, ao vivo, o quebra-quebra em Brasília,
que se estenderia pela noite afora. Lado bom: temos mais consciência do que é
correto; estamos analisando leis; pressionando; participando... Lado mau: o
vandalismo; a truculência...
Ocorre que as DEZ MEDIDAS CONTRA CORRUPÇÃO estão sendo
discutidas e posteriormente serão votadas na Câmara Alta do Parlamento. O que
se percebia eram um completo caos e nenhum diálogo consistente. O medo que
impera entre os políticos (já denunciados ou não é visível). Ninguém com “pulso
forte” suficiente (entenda-se alguém com moral e com ética para tal) para fazer com que as medidas sejam
votadas de modo a restabelecer a ordem e dar continuidade efetiva às operações implementadas
pelo Ministério Público.
Mais cedo, inclusive, o Juiz Sergio Moro pediu apoio à
sociedade para que ficássemos atentos às armadilhas que limitem o Poder
Judiciário... Pois, caso contrário, corremos o risco de haver punição aos
magistrados por abuso de poder.
Um ponto: onde já se viu PUNIR QUEM QUER FAZER JUSTIÇA? E a
anistia do Caixa Dois, que beneficiaria, inclusive, pessoas já condenadas pela
Lava- jato? É vergonhoso que isso careça de discussão. Seria para votar e pronto! Mas, e honestidade para isso? Cadê?
Enquanto isso, lá fora, na Esplanada dos Ministérios:
bombas, carros incendiados. Ministérios depredados, destruição de patrimônio
público, cavalaria, gás de pimenta etc. Não entendam isso como uma defesa ao
vandalismo, pelo contrário, sou a favor de MANIFESTOS PACÍFICOS E INTELIGENTES.
Porém, nosso país chegou numa situação
tal em que o cidadão (me incluo)
sente-se um completo idiota; como uma pessoa SEM VOZ, que mesmo gritando não é consegue
ser ouvido, imerso em uma bolha inflada com desemprego; falta de condições
básicas de sobrevivência; sem perspectivas de futuro para si e, muito menos,
para os seus, para a próxima geração...
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/11/1836828-manifestacao-tem-confronto-com-a-policia-na-frente-do-congresso.shtml
(acesso em 30/11/2016)
Pois bem, o dia amanheceu. São 10h09 minutos e... Adivinhem:
de agora em diante NÃO HAVERÁ PUNIÇÃO PARA O MAGISTRADO POR ABUSO DE AUTORIDADE. E,
pasmem!!! Há parlamentares satisfeitos
afirmando que o Brasil avançou politicamente. Sério isso? É de chorar de
tristeza e de vergonha.
Só consigo me lembrar da letra de Renato Russo “Que país é
esse?”, escrita há décadas, que – insisto, NÃO É CLICHÊ! É UM CLÁSSICO! E, mais
precisamente dos versos:
“Nas favelas, no senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação.”
Por agora já deu... Sinto náuseas... Volto logo menos com
mais acontecimentos. Com notícia do estado de “saúde” do Brasil que continua
cada vez mais doente na UTI; isso é, se os políticos não desligarem os
aparelhos antes.
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