POR MARI MONTEIRO
EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.
segunda-feira, 22 de maio de 2017
quinta-feira, 18 de maio de 2017
BRASIL: O PAÍS DA DESESPERANÇA (BRAZIL: THE COUNTRY OF DESPAIR)
POR MARI MONTEIRO
Há muito tempo ouvi um causo mais ou menos assim:
“Deus, passando com um Anjo, que carregava um saco cheio de ‘presentes’ relacionados à natureza e à povoação do mundo, estava fazendo a distribuição entre os locais que seriam os países tal como conhecemos hoje.
No caminho, Ele ordenava:
‘- Aqui deixe bastante gelo. ’
‘- Aqui areia em abundância. ’
‘- Aqui muitas árvores e animais. ’
‘- Aqui muito frio’.
'- Aqui muito calor’.E assim por diante.
Quando chegaram sobre o Brasil, Deus já cansado respirou fundo.
O Anjo lhe perguntou:
‘- E aqui Senhor?’
‘- Aqui pode jogar tudo que tiver restado no saco. ’
‘- Mas, Senhor! É muita diversidade! Isso será o paraíso. Terá de tudo um pouco. Poderá ser o lugar mais rico da Terra. ’
Ao que Deus respondeu:‘- É porque você não sabe o
tipo de gente que colocarei aqui. ’ “
Desde então, sempre pensei que o "tipo de gente" a quem Deus se referiu eram os políticos. E são! Retrucando este causo, sempre encontro quem diga: "Ah! Mas, no Brasil não tem guerra! Aqui estamos no céu!". É um paraíso sim; mas, para os corruptos; é o pais da impunidade. Nós, pobres, honestos e trabalhadores vivemos em meio a uma guerra velada todos os dias pela sobrevivência. Desemprego; violência; descaso com educação e saúde...
Penso que a maioria de nós brasileiros, não acordou bem hoje. Impossível digerir tanta coisa ruim e nefasta. Não podemos sequer nos dar ao luxo de SEPARAR O JOIO DO TRIGO. Só tem joio! Pra onde quer que olhemos, dá nojo!
Quando digo “Brasil: a desesperança”...
Refiro-me ao nosso DESESPERO somado à falta
de esperança. Não estamos conseguindo acompanhar os fatos. Nossa insegurança
beira o caos. Não há ninguém que possa nos trazer uma fala que amenize nossa decepção e nos faça acreditar em dias melhores.
Há menos de 48h tínhamos noticias de que a economia estava
dando mostras de aquecimento. Uma luz no fim do túnel. Mal assimilamos isso,
vem a bomba. E o caos que a sucede. NÃO PODEMOS CONFIAR EM NINGUÉM.
Chegamos a tal ponto de pilantragem que,
mesmo seguindo a Constituição Federal, o
que vemos numa possível eleição indireta é UMA FILA DE SUCESSORES CANALHAS!!! Imaginem Rodrigo
Maia como presidente, mesmo que interino, seria o fim.
Por ora, não me acusem de
pessimismo. Vejo-me como a maioria dos brasileiros: CANSADO; DECEPCIONADO; ENVERGONHADO; PERDIDO e TRISTE. Uma tristeza legítima que precisa se equilibrar com a justa
indignação a fim de nos proporcionar o raciocínio e o discernimento de que necessitamos nesse momento para agir em prol da JUSTIÇA e do BEM COMUM, se é que isso ainda é possível.
Vou para por aqui. Volto daqui uns dias... Quem sabe com um tantinho de esperança pra compartilhar com vocês...
quinta-feira, 11 de maio de 2017
EU E O EX-PRESIDENTE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA ( ME AND THE PRESIDENT LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA)
POR MARI MONTEIRO
Sabem aquela
história: “eu conheço um cara que conhece um cara?”. Então, pensei muito nisso
ontem ao ver o depoimento de Lula e as
mais diversas reações do povo brasileiro; sobretudo, nas redes sociais. Isso porque, nos anos 90 conheci um casal cujo
cônjuge era metalúrgico na mesma empresa que Lula, aqui no ABC Paulista. Um
dia, conversando sobre direitos trabalhistas, eles me contaram um pouco sobre
as lutas do operário Lula com os seus colegas de trabalho. Acampados do lado de
fora da fábrica, esta minha amiga levava almoço pra eles durantes os dias de paralisação.
Desde então,
desenvolvi certa simpatia pela postura de Lula. Daí por diante, procurei saber
mais e li o livro “Lula, o metalúrgico.” E até frequentei alguns comícios do PT (Partido dos Trabalhadores) aqui no ABC.
Na procura pelo entendimento e por um posicionamento político, me filiei ao PT.
Achava justo. Meu raciocínio era: “sou trabalhadora (pião de firma), então este
é o partido certo pra mim.” Ingenuidade? Um pouco. Em questões de religião e de
política, sempre tenho minhas reservas; pois
sempre houve e SEMPRE HAVERÁ manipulação da fé, em todos os sentidos.
Pois bem, nessas
teias traçadas na nossa vida, que não são por acaso, em 1995, quando estava
cursando minha primeira faculdade, pude
participar de uma palestra proferida por Lula e, depois, cumprimentá-lo
e olhar nos seus olhos. Nessa ocasião, ele já estava na carreira política, se
não me falha a memória, como deputado. Sei que gostei da palestra. Inclusive, havia
muitas pessoas de oposição ao PT que fizeram muitas perguntas, o que foi ótimo.
Uma delas me lembro muito bem. Alguém
questionou o fato de um dos filhos dele estar fora do país. Ao que ele respondeu: “Meu caro, eu duvido que
qualquer um de vocês aqui se tivesse
condições, deixaria de mandar o filho estudar fora! Estando a educação
brasileira abandonada como está!” (sic). Eu, educadora que era e que sou,
refleti um pouco e não tirei o mérito de sua resposta.
Por que
narro esse episódio? Porque estive dos sois lados. Fui petista. Não sou mais.
Por conta da Lava- jato? Não. Já me havia DESENCANTADO com os ideais do partido
(ou melhor, a degeneração deles) há algum tempo. E, se tem uma coisa que não sou
é uma pessoa presa a convicções. Mudo de ideias. Mudo de “lado”... Já ouvi que
isso é falta de personalidade. Poupe-me. Ri muito. Isso é LIBERDADE. Eu me permito gostar de algo hoje e repudiar amanhã. Do contrário, pra que amadurecer
e aprender se estaremos presos a “MOLDES” e a padrões. Erro e volto atrás. Digo
e “desdigo”, gosto de OUVIR e de ser OUVIDA. Tanto que sou capaz de entender
tudo que vi e ouvi ontem, de ambas as partes. Mas, sou totalmente AVESSA a RADICALISMOS;
FANATISMOS e FATALISMOS.
O fato de eu
não ser mais petista, desde a segunda gestão de Lula, não significa que
penso que ele deva ser crucificado por todas as mazelas do Brasil e dos
brasileiros. Também não significa que acredito na sua total inocência. Quero o
que todos querem E MERECEM que se apurem os fatos e que sejam tomadas as medidas
JUSTAS. Isso com Lula; com Dilma. Com Fernando Henrique Cardoso. Com Eike
Batista; com os estupradores; com traficante da boca da minha cidade e com qualquer um que cometa um crime.
Ocorre que,
por mais que eu acompanhe as notícias e tente ser o mais imparcial possível,
não vejo nada de positivo. Não consigo pensar em um único político completamente
honesto. Aí o que faço? Adoeço. Porque deposito todas as minhas expectativas na
justiça brasileira. O que, convenhamos não nos dá muita esperança. E, ainda
nos enxergo muito presos a “pequenezas”. Não estou diminuindo a
IMPORTÂNCIA da Operação Lava Jato e seus
inúmeros desdobramentos. Ao contrário, apoio em todos os sentidos. Desejo que
prossiga e que tudo, exatamente tudo, seja
apurado e que TODOS os envolvidos sejam devidamente punidos.
Contudo, a gente se perdeu
em meio a tantas siglas. É tanto “P”
daqui e “P” de lá que a ESSÊNCIA do “Bem
Maior”, da democracia e do Estado de Direito ficou à margem de tudo. Não passa de um pano de fundo roto e encardido. Enquanto nós, cidadãos, fazemos o
que? Somos corresponsáveis por tudo isso. Somos eleitores. Resta saber que tipo
de eleitores somos. Somos passivos?
Votamos apenas porque é obrigatório? Votamos no candidato mais carismático? Quais
nossos critérios? Particularmente, nos considero péssimos eleitores. E a MAIOR
e MAIS INTELIGENTE FORMA DE PROTESTO POSSÍVEL, EM MINHA OPINIÃO, SERIA o
BOICOTE TOTAL ÀS URNAS NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES. Porém, tenho ciência d eque isso exigiria de nós níveis de civilidade, de cidadania e de coletividade que ainda não alcançamos, infelizmente.
Gostaria
muito que outro quadro se desenhasse... Assim como se fala nos filmes “Hollywoodianos”:
Nos Estados Unidos é possível realizar o sonho americano, para a maioria de nós,
brasileiros, Lula chegou a representar isso ( para alguns, ainda representa) o sonho brasileiro.
Lula chegar ao Poder. Ser premiado; condecorado; considerado uma das pessoas
mais influentes do mundo em seu primeiro mandato é o que considero equivalente
a acreditar na consolidação de um sonho.
A história
de Luiz Inácio da Silva era pra ser uma bela história de vida; digna de ser
escrita por autores dos níveis de Guimarães Rosa e Graciliano Ramos. Mas, algo
cruzou seu caminho ( assim como cruza de TODOS os outros políticos!): a ganância. Uma
espécie de “doença” que corrói os sentidos e as noções de ética e de moral, já
tão escassas na humanidade. A pergunta é QUEM SOBRA, com moral suficiente para subir em um palanque, apontar culpados e,
mais uma vez, fazer promessas, as quais nós morreremos sem que as tenham
cumprido? Que dirá o meu filho, seus filhos... Meus netos, os
seus netos... Em quem poderão acreditar? Que condições de vida os aguardam?
Enfim,
narrar estes fatos e expor meus ideais,
me coloca na posição de uma cidadã brasileira que se confessa exausta; enfraquecida e sem a menor vontade
de acreditar. E, a menos que ocorra uma
reviravolta muito grande no país, pela primeira vez na vida não sairei de casa
pra votar. NUNCA MAIS VOTAREI EM NINGUÉM.
Desejaria que houvesse algum movimento no país para que o voto deixasse
de ser obrigatório... O que conduziria a uma mudança de conduta dos
candidatos... Mera utopia minha. Mas, é disso que tenho vivido. De utopias.
quarta-feira, 3 de maio de 2017
IRONIA: EU RECOMENDO (IRONY: I RECOMMEND)
POR MARI MONTEIRO
Nunca esqueci
uma frase que ouvi quando criança (não me
pergunte onde e nem de quem): “SÓ QUEM É INTELIGENTE, CONSEGUE SER
IRÔNICO”. E eu era bem criança mesmo, uns nove anos... Desde então, quis saber
o que era ironia, para eu ser irônica, porque queria ser muito inteligente. E
não é que deu certo? Depois que entendi, nunca mais parei de usar.
Mesmo antes de ser Professora de Língua Portuguesa, já era uma das “coisas” que não abria mão de ensinar aos meus alunos, mesmo os de quinto ano. No Ensino Médio então, falar de ironia é a glorificação da linguagem. Os jovens entendem o uso e o bom humor que ela possibilita.
“Ironia possui um
significado retórico, ou seja, é uma figura de linguagem a qual pode
conseguir expressar exatamente o oposto do que se foi dito através de uma
expressão, frase de significação contrária ou o que supostamente teria que ser
expresso e o seu vocábulo.A ironia também
pode ser usada para nomear ou caracterizar alguma coisa, pois a ironia valoriza
certos discursos. Ao usar essa figura com o objetivo de se salientar ou de
produzir alguns aspectos de caráter humorístico, faz com que o emprego da ironia seja
denotado como sarcasmo, onde todo o comentário terá teor sarcástico.Já em seu sentido
figurado, a ironia pode ser uma contradição a qual é caracterizada
pelo sarcasmo, discrepância ou zombaria.”(Fonte: https://www.significadosbr.com.br/ironia
- acesso em 03 de maio d e2017)
Especificamente
no Ensino Médio, gosto de ensinar ironia a partir da letra da música “PERFEIÇÃO”,
de Renato Russo. Sobram ironias atemporais
como vemos na estrofe abaixo:
“Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isso - com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção.”
► Vale apena ver este belíssimo clipe e ouvir a canção na íntegra:
Fato é que o emprego da ironia já me livrou de dar umas boas voadoras em algumas pessoas. Ser irônica no momento certo é muito libertador. A gente consegue dizer o que quer para a pessoa e ficar aliviada sem, necessariamente, entrar numa dividida intelectual ou numa discussão que só faz desgastar. E, quando o(a) interlocutor(a) é grosso(a) então? É uma delicia poder responder educadamente (ao mesmo tempo em que se diz o que quer) e contemplar a fisionomia confusa da pessoa. Porém, tem uma boa parcela que não entende de ironia e leva ao “pé da letra”, tornando a comunicação meio tensa. Ainda assim, é uma alternativa perfeita para a indelicadeza e para a falta de educação. estou certa de que para ter lido este texto até aqui, vocês também já se deram conta de que a ironia nos “salva”... Usemos sem moderação! garanto que evita uma série de males, entre eles um infarto (rsrs).
segunda-feira, 24 de abril de 2017
FILME RECOMENDADO: “SAMBA” (RECOMMENDED MOVIE: "SAMBA")
POR MARIM MONTEIRO
Antes de qualquer coisa, preciso afirmar algo: O sorriso do ator Omar Sy é o mais lindo e sincero que já vi no cinema. Isso em “Os Intocáveis” e em “Samba”. E, inevitavelmente, me apaixonei pelo personagem samba e pela MAGNÍFICA TRILHA SONORA, que inclui músicas brasileiras. O enredo trata de temáticas TRISTES E DENSAS de um modo AMENO e, por vezes, com um humor cativante. Além disso, os personagens fazem algumas alusões ao Brasil e têm “tiradas” interessantíssimas como:
“- Muito
obrigada senhora.”
- “Fiz obrigada mesmo.”.
SINOPSE: Samba
(Omar Sy) é um imigrante do Senegal que vive há 10 anos na França e, desde
então, tem se mantido no novo país à custa de empregos pequenos. Alice
(Charlotte Gainsbourg), por sua vez, é uma executiva experiente que tem sofrido
com estafa devido ao seu trabalho estressante. Enquanto ele faz o possível para
conseguir os documentos necessários para arrumar um emprego digno, ela tenta
recolocar a saúde e a vida pessoal no trilho, cabendo ao destino determinar se
eles estarão juntos nessa busca em comum. ( Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-224453
- acesso em 24 de abril de 2017)
►Temáticas para desenvolvimento de
atividades/debates sociais e
educacionais:
- Preconceito.
- Etnia.
- Convivência social.
- Diversidade.
- Insegurança social.
- Política e
economia.
- Desemprego.
- Clandestinidade.
- Arte.
- Geopolítica.
- Conflitos internacionais.
- Perda de identidade.
- Dificuldades para conseguir um visto.
- Enriquecimento cultural.
►CURIOSIDADES:
- Em meados de junho, os franceses Nakache e
Toledano estiveram no Rio de Janeiro com a delegação de atores e diretores
convidados do Festival Varilux de Cinema Francês. Em entrevista a Zero Hora, os
cineastas disseram que inverteram a fórmula em seu oitavo filme juntos: se Intocáveis era
uma comédia com drama, Samba agora é um drama com comédia.
- Não é
apenas no título e no personagem Wilson que Samba lembra o Brasil: a
trilha sonora inclui as músicas Palco, de Gilberto Gil, e Take It
Easy My Brother Charles, de Jorge Ben Jor. Outro destaque do filme é a
qualidade do elenco, em que desponta outra vez o talento de Omar Sy – depois de
estourar internacionalmente com Intocáveis, o ator francês já estrelou
produções hollywoodianas como X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (2014)
e Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (2015). (Fonte: http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/noticia/2015/07/samba-fala-sobre-a-vida-de-um-imigrante-em-paris-assista-ao-comentario-4797602.html
acesso em 24 de abril de 2017)
► VEJA O TRAILLER!!!
quarta-feira, 22 de março de 2017
DEPRESSÃO: ACEITAÇÃO E RESPEITO – PARTE I (DEPRESSION: ACCEPTANCE AND RESPECT - Episode One)
POR MARI MONTEIRO
Volta e meia eu penso no que “falta” para
entendermos e; sobretudo, para respeitarmos a pessoa que sofre de depressão.
Não entrarei aqui no mérito da discussão clínica sobre este mal. Já existem
muitos estudos e artigos sobre isso. O que me permite afirmar que não se trata
de falta de informação. FALTA NOÇÃO MESMO. Faltam bom senso e vontade de
COMPREENDER a situação e as circunstâncias que envolvem (e que ABSORVEM) uma
pessoa deprimida. Falta SENSIBILIDADE E EMPATIA.
Farei uso de muita metáfora e usarei de muita
licença poética para ser o mais fiel possível ao que sinto e ao que penso sobre
isso. A abordagem aqui é com base no meu “estado de depressão”.
Sofro deste mal (e de outros dele advindos há muitos anos). O motivo? Não há
um motivo específico no meu caso (e cada pessoa “desenvolve” a depressão por
motivos completamente diferentes). O que aconteceu foi que somatizei fatos por
anos, achando “BUNITO” ser forte. A sociedade (incluindo família, escola,
colegas, amigos...) me ensinou que gente boa
é gente que presta pra trabalhar e que não fica se lamentando e chorando pelos
cantos.
Resultado: uma hora surge um gatilho, que pode ser
uma demissão; um grito; uma ruptura ou um olhar de acusação. É o que chamo de “UMA
QUEDA EM SI”. E dói. Assim como num
tombo, com o sangue ainda quente, não sentimos a dor de imediato. Mas, à medida
em que nos “acomodamos” na cama, no travesseiro (na falta de um colo), a dor
surge devagarinho e mansa, encontrando um lugar ou vários lugares para se instalar como quem toma posse de um terreno.
Porém, diferentemente do tombo, seus hematomas não
são visíveis. Não posso engessar o membro quebrado; não posso tomar uma injeção
para baixar a febre e não aparecerá nada na tomografia feita no aparelho mais avançado
do Planeta. E assim começa a saga.
Primeiro, leva-se um tempo enorme pra que algum
médico (desses que agente encontra um em
cada 100), que te olha nos olhos, faz perguntas e levanta a hipótese de
depressão. E não estou falando de terapeutas, estou falando dos clínicos
gerais dos SUS, que é aonde vamos à busca da cura pro corpo, porque não
entendemos o cansaço, o desânimo, o sono ou a falta dele.
Enquanto o diagnóstico não chega, estamos - segundo os médicos – com virose. E, segundo
as pessoas mais próximas, estamos é com preguiça mesmo. E gente fica orbitando
entre estes “diagnósticos e essas acusações” por tempo indeterminado. E, pior,
nesse período sem prazo estimado para terminar, forçamos nosso corpo e nossa mente para agir
normalmente. E, quando não conseguimos, nos enchemos de CULPA.

Sofrimento dobrado. Os sintomas não somem. Quanto mais camuflamos – sim, porque chega uma hora que a culpa por sentir-se mal é tanta que a gente quer disfarçar, para evitar perguntas e mais acusações – mais ferozmente eles nos consomem por dentro. Uma tristeza absurda, uma escuridão que só a gente vê, uma voz que ninguém ouve porque a gente já não fala e, quando fala, a gente só sussurra temendo as represálias... Ou, simplesmente porque cansamos de ouvir coisas como:
- “Levanta, que preguiça é essa?”.
O corpo não quer levantar, está pesando uma
tonelada. E, por mais que eu saiba que tenho deveres e obrigações, ele não
obedece. Minha mente não tem “força” suficiente para “dar ordens” a ele. Aprendi
que forçar e não respeitar o próprio ritmo,
afim de – gradativamente – melhorar, só faz com que a gente se afunde. A cama vira areia
movediça.
- “Ah se você soubesse o que passei! E
olha: estou aqui?”. “ O que te aconteceu
não chega nem perto do que passei.”
Gente, não faz isso! É uma das piores coisas que
podem ser ditas a uma pessoa. Entre
outras consequências, pode fazer com que a gente pense que é um fracasso como
pessoa, como profissional, como tudo... DOR NÃO SE MEDE!
- "Olha, por que você não encontra
Jesus? Na minha igreja... bla, bla, bla...”.
Querido(a), a pessoa tem fé em algo. A questão
é a fraqueza em todos os âmbitos. Já vi
depoimentos de pessoas que praticaram
determinadas doutrinas ou frequentaram alguma igreja e melhoraram. Por algum tempo... Depois, na
recaída, cadê “todo mundo”? Não descarto e nem desmereço essa possibilidade. A
fé nos move. Seja lá fé em quê. Mas, já surtei algumas vezes quando me perguntam
(como se eu fosse cega): “Você quer conhecer Jesus? Quer aceitar Jesus na sua
vida?”. Ora, já o aceitei e o conheço à minha maneira. Quando estou com paciência,
peço que me descrevam Jesus. As respostas que mais ouço são: “Ah! Ele é maravilhoso!”;
“Ele é generoso!”; “Ele só quer nosso bem!”. Aí respondo: “Pois é esse moço mesmo.
Eu o conheço bem e gosto dele."
- "Saia de casa, vá ler um livro, arranje um
namorado...”.
Existe uma frase que diz que se não sou um bom
ímpar, não serei um bom par. Logo, a
questão não é namorar, ficar ou pegar alguém. Nossa autoestima não nos encoraja.
Por outro lado, de uma coisa eu tenho certeza, estar só é o pior que pode acontecer.
Isso no meu caso, pode não ser para o seu... O problema é associarem toda forma
de depressão à falta de um(a) namorado(a).
- "Pense positivo, não se entregue”.
As coisas
mudam de dentro pra fora. Tenha bons pensamentos... A gente sabe tudo isso. Mas, e pra
fazer? A gente não consegue sem ajuda, seja dos amigos, de profissionais
especializados e de medicamentos. E
nisso sou boa! Faço de um tudo (quando posso, financeiramente falando. Sim, porque
a falta de dinheiro agrava a depressão rsrs; ou, no mínimo, inviabiliza alguns “paliativos”
e tratamentos): meditação; dança; cinemas/séries; livros (inclusive de autoajuda!
rs); viagens; projetos; cursos; vinhos; novos perfumes; maquiagem; conversas...
As pessoas
estão, em sua maioria, muito bem intencionadas. Não duvido disso. A questão é
que é tudo muito relativo. Não é possível padronizar a depressão, nem suas
causas e nem suas consequências. Logo, o que parece ser “luz” pra mim, pode ser “escuridão”
para o outro.
Quando paramos pra pensar, cansados de palpites,
já estamos viciados em tarjas pretas ou em outro vício qualquer, porque já não há mais conversa que resolva, não há viagem
que dê jeito, compras que aquietem o coração... Porque deixamos nossa alma com
sede por tanto tempo que ela quase secou...
Hoje entendo
melhor dois versos de Renato Russo. No primeiro, ele diz: “ANTES EU SONHAVA, AGORA JÁ NÃO DURMO.” Os
sonhos fazem muita falta. E, apesar de ser muito sonhadora, os “assassinos” de
sonos não perdem a viagem: se não nos
tiram o sonho, tiram o sono. O segundo é: “TENTEI CHORAR E NÃO CONSEGUI.” Chega
um ponto em o choro não flui com a mesma intensidade e facilidade de antes e
isso me incomoda muito. O choro sempre me fez bem, Porém, atualmente, não tenho
conseguido chorar e se tem uma coisa da qual eu tenho medo é de “SECAR” por
dentro. Acredito que já esteja colhendo os “frutos” dos tantos “palpites”
socados na minha mente. Por vezes, escuto uma voz dizendo: "Não chore!". Não gosto dela.
Ainda bem que ouço outras coisas rsrs. “Mas, como
pode? Você é tão alegre!” É a frase que mais ouvi e ouço, quando digo que tenho depressão. Já
cheguei até a confundir isso com bipolaridade, porque tenho muito senso de humor e dou muita risada. Li muito e entendi que posso ser
depressiva e, mesmo assim, ser bem
humorada. O que, no meu caso, é meu melhor remédio.
Esta “história” não acaba aqui...
Até breve.
O corpo não quer levantar, está pesando uma tonelada. E, por mais que eu saiba que tenho deveres e obrigações, ele não obedece. Minha mente não tem “força” suficiente para “dar ordens” a ele. Aprendi que forçar e não respeitar o próprio ritmo, afim de – gradativamente – melhorar, só faz com que a gente se afunde. A cama vira areia movediça.
Hoje entendo melhor dois versos de Renato Russo. No primeiro, ele diz: “ANTES EU SONHAVA, AGORA JÁ NÃO DURMO.” Os sonhos fazem muita falta. E, apesar de ser muito sonhadora, os “assassinos” de sonos não perdem a viagem: se não nos tiram o sonho, tiram o sono. O segundo é: “TENTEI CHORAR E NÃO CONSEGUI.” Chega um ponto em o choro não flui com a mesma intensidade e facilidade de antes e isso me incomoda muito. O choro sempre me fez bem, Porém, atualmente, não tenho conseguido chorar e se tem uma coisa da qual eu tenho medo é de “SECAR” por dentro. Acredito que já esteja colhendo os “frutos” dos tantos “palpites” socados na minha mente. Por vezes, escuto uma voz dizendo: "Não chore!". Não gosto dela.
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