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EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

MINHA CASA É MEU REINO (MY HOUSE IS MY KINGDOM)

POR MARI MONTEIRO



CASA ARRUMADA


Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa
entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um
cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os
móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras
e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições
fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca
ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)





A cada vez que leio este poema de Drummond, muito me alegro, porque tenho um ideal de casa que, de tão simples, É COMPLEXO. Muito parecido com a descrição de Drummond; sobretudo, quando ele afirma que a casa deve ser arrumada para ficar com “A CARA DA GENTE”.





Durante alguns anos morei numa casa muito grande pra mim. Minha casa era fria. E eu sou muito friorenta... Além disso, passava muito pouco tempo lá e boa parte deste tempo num dos cômodos que tinha uma plaquinha na qual se lia: “Meu quartinho”.  Era um quarto que se transformou em muita coisa: foi biblioteca; foi pista de dança; foi escritório; foi confessionário.  



Nesta época, comecei a repensar meu “ideal de casa”. Tratei de iniciar uma “PEREGRINAÇÃO DENTRO DE MIM”. Haveria algo que pudesse fazer. Precisava muito de um lugar de referência, um lugar pra onde voltar e me sentir, literalmente, EM CASA! A seguir, o clipe "meu reino", com  abanda Biquini Cavadão: 



Foi assim que comecei a listar mentalmente o que gostava numa casa. Gosto de casa limpa. Uma vez limpa, gosto de certa DESORGANIZAÇÃO. Opa, há gente habitando aqui. Um livro entreaberto; uma manta no sofá em dias de frio; a taça usada para servir o vinho na noite anterior, esquecida no criado mudo ou no tapete da sala...




Gosto de aconchego, de me deitar e ficar quietinha no escuro do meu quarto; em outras horas, coloco o som alto e danço.  Gosto de ver filmes horas a foi; assistir a temporada inteira da NBA; futebol... E shows... E, se der vontade, como pipoca na minha cama.



Conheço pessoas que moram BEM, mas vivem MAL. Todos nós conhecemos. Existe aquele tipo de casa que, de tão linda e “chique”, parece casa de novela (não vejo novela, mas já vi algumas cenas...). As casas são lindas. Mas é só isso. Só lindas. Sem vida. Já cheguei a visitar (pouquíssimas vezes, claro, mesmo porque não dá vontade de voltar) casas assim. Logo que entrei, não sabia para onde ir e nem o que fazer. Tudo tão imaculado. Tudo tão no lugar que, a impressão que tinha era que, se eu desse um passo, tudo desmoronava. Sentar confortavelmente? Como?  Se a anfitriã s e estava na pontinha do sofá. E eu louca pra me esparramar naquele sofá deslumbrante. Falta de educação da minha parte minha? Imagina. Só queria, literalmente, EXPERIMENTAR O QUE É BOM. 




Lembro-me que, nesta ocasião, pensei: “Será que esta pessoa se deita neste sofá de vez em quando? Come pipoca com os filhos nesta sala? Toma vinho com os amigos aqui?”.
  


Tem algo que muito me incomoda: o risco de nos tornarmos hóspedes em nossas próprias casas. E eu já vivenciei isso. Quando me dei conta que trabalhava demais para manter uma casa grande com TV a cabo (que eu não tinha tempo de ver); com internet (que só usava para trabalhar MAIS); uma sala aconchegante (que eu mal frequentava); um cachorro que eu amava (mas que passava o dia todo sozinho); uma coleção de CDs (que não ouvia com a frequência que gostaria).



Enfim, não posso afirmar que, atualmente, eu moro numa “casa de Drummond” ou no “ideal de casa da Mari”. Mas, tenho meu canto, meu quarto. Um lugar muito limpo; mas “desarrumado” ao meu modo. Um lugar que me agrada, onde gosto de estar. Meu lugar de descanso; de estudos; de risos; de lágrimas; de namoro; de conversas; de comer pizza; de tomar vinho; de rezar e de me encontrar com meus “heróis” e com “meus monstros”. Um lugar cuja única regra é SENTIR-SE À VONTADE. Paradoxalmente livre entre quatro paredes.

Sinta-se à vontade no meu PEQUENO REINO!













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segunda-feira, 1 de junho de 2015

LENDA URBANA DA VEZ: “CHARLIE RESPONDE”. (URBAN LEGEND OF TIME: "CHARLIE SAYS".)

POR MARI MONTEIRO




De tempos em tempos, surge uma lenda urbana. De um modo geral, as lendas urbanas possuem como “pano de fundo” os ambientes escolares. Tais fatos estão, de um modo geral, relacionados a alguns mitos que ficam gravados para sempre no imaginário popular.

Trata-se de “causos” que são contados há gerações. E, mesmo sem provas concretas sobre quaisquer tipos de lenda urbana até o momento, o IMAGINÁRIO COLETIVO trata de trabalhar em prol daquilo que deseja “tomar como verdadeiro”; ou seja, a pessoa que conta uma lenda urbana, jura que aquilo, de fato, aconteceu. Quem viu? Não se sabe. Quem contou? É sempre um amigo do amigo... E por aí vai.

Segundo a Wikipédia, as principais características de uma lenda urbana são:

► Uma forma narrativa (geralmente uma pequena história, porém bem estruturada);
► Procura sempre se autenticar por meio de testemunhas e provas supostamente existentes;
► As pessoas que as contam geralmente às ouviram de alguém e quando repassam a história costumam confirmá-la como se tivesse sido vivida por ela mesma.

Adianto que este artigo não tem a pretensão de enfocar qualquer tipo de crença; mas, sim, contribuir com o esclarecimento deste tema que se tornou um viral na internet. Há dias nós, trabalhadores da educação (e todos os usuários de redes sociais), nos deparamos com falas como: “Vamos à sua casa fazer a brincadeira do Charlie?”; Leva os lápis pro recreio pra gente brincar!”Obviamente, o teor das conversas varia muito de acordo com a faixa etária. Mas... A temática é a mesma: O CHARLIE!



Fato é que as lendas urbanas atravessam décadas. Quem de nós, adultos, não teve medo de ir sozinho ao banheiro por conta da “LOIRA DO BANHEIRO”?  E não ficou, no mínimo, curioso acerca do “Chupa – cabras”?  E a boneca do filme “Annabelle”? O que diferencia as lendas urbanas “mais antigas” das atuais é a VELOCIDADE com que os “boatos” se propagam com o “auxilio” da internet. Basta abrir qualquer rede social e lá está a lenda urbana da vez: “O CHARLIE”. Seguida de milhares de relatos e hashtags próprios.


Para ter uma ideia da dimensão do “Desafio: Charlie”, o Jornal Folha de São Paulo, em 27 de maio, 2015 publicou um texto sobre o assunto. Para ler, basta acessar o link: http://www1.folha.uol.com.br/tec/2015/05/1634418-nova-brincadeira-do-copo-desafio-do-charlie-vira-fenomeno-na-internet.shtml


Basicamente, o desafio é muito parecido com o “JOGO DO COPO”, onde perguntas eram feitas e o copo se movia rumo às letras para fornecer a resposta. A diferença é que no desafio de Charlie, existem apenas duas alternativas: SIM ou NÃO.




Outro aspecto que chama atenção nesta “brincadeira” é o fato de que o suposto espírito é mexicano e se chama “Charlie”. E os participantes, ao menos na maioria dos vídeos e fotografias divulgados, escrevem as respostas em inglês. E, no momento da brincadeira, as perguntas são feitas ou em Inglês; Português ou em Espanhol. Ou seja, o espírito é poliglota.

Brincadeiras à parte tem se presenciado crianças assustadas com a brincadeira ou com o que ouvem a respeito dela. Há relatos de crianças que não querem mais ir pra escola, porque “Charlie” está lá. Há que se considerar que as crianças NÃO POSSUEM O MESMO DISCERNIMENTO E NEM MATURIDADE que nós adultos. Daí a necessidade de intervenção por parte de escolas e famílias no sentido de desmistificar o “Desafio Charlie”. Sobretudo, porque a maioria das crianças que se assusta com esta circunstância, desvia sua atenção, enfocando mais a brincadeira e o medo e a adrenalina dela advindas do que as atividades escolares propriamente ditas. Opinião esta que eu e Felipe Neto compartilhamos. Inclusive, segue um vídeo em que ele diz isso e um pouco mais. Porém, CABE UMA ADVERTÊNCIA QUANTO AO VÍDEO: NÃO RECOMENDO PARA MENORES; quanto a mim, concordo plenamente com ele! “MENOS CHARLIE E MAIS ESTUDO”.


Tal como as demais lendas urbanas, esta também terá um “tempo útil”. Logo, todos se cansarão da brincadeira em si e dos boatos acerca dela. Ou – quem abe? – antes, apareça outra lenda urbana para tomar o lugar de “Charlie”. Enquanto isso não acontece, vale a pena garimpar alguns vídeos que desmistificam o tema (há vários disponíveis no youtube). Ou, quem sabe, para atenuar o medo das crianças menores, encenar situações nas quais fique claro que algum participante REAL é quem faz o lápis se movimentar, seja com a vibração da própria voz ou por estar encostado na mesma etc.


Enfim, particularmente, considero, no mínimo, ESTRANHO que os EDUCADORES IGNOREM ESTE ASSUNTO. É possível tirar muito proveito e aprendizado da temática lenda urbana. Sem contar que a mídia já se encarregou da SENSIBILIZAÇÃO. O interesse esta DESPERTO.


sexta-feira, 29 de maio de 2015

FILME RECOMENDADO: “MATILDA” (RECOMMENDED FILM: "MATILDA")

POR MARI MONTEIRO



Um filme encantador, lançado em 1996; mas que aborda temáticas sempre atuais.  Matilda Wormwood (Mara Wilson) é uma criança brilhante de apenas seis anos, que cresceu em meio a pais grosseiros e ignorantes. Seu pai Harry (Danny DeVito) trabalha como vendedor de carros, enquanto que sua mãe Zinnia (Rhea Perlman) é dona de casa. Ambos ignoram a filha, a ponto de esquecer-se de matriculá-la na escola. Desta forma Matilda fica sempre em casa ou na livraria, onde costuma estimular sua imaginação. Após uma série de estranhos eventos ocorridos em casa, quando Matilda descobre que possui poderes mágicos, Harry resolve enviá-la à escola. O local é controlado com mão de ferro pela diretora Agatha Trunchbull (Pam Ferris), o que faz com que Matilda apenas se sinta bem ao lado da professora Honey (Embeth Davidtz), que tenta ajudá-la o máximo possível. Uma curiosidade (e um fato lamentável) é que a mãe de Mara Wilson Suzie Wilson, a mãe da protagonista Mara Wilson, faleceu durante as filmagens devido a um câncer de mama. Após os créditos finais, pode ser vista uma dedicatória a ela.  Ao interpretar esta personagem, a atriz ganhou o prêmio “YOUNG STAR AWARDS”. (In. http://pt.wikipedia.org/wiki).




Uma das características mais interessantes deste filme é que o roteiro foi escrito em terceira pessoa. Então, é como se alguém nos contasse a história de Matilda. Outro fato marcante é que a protagonista adora ler. “LEIO DE TUDO.” (diz ela numa passagem do filme). Matilda, inclusive, diz gostar muito de CHARLES DICKENS (1812-1870).





Outro aspecto interessante a ser considerado é o comportamento/postura da professora, que leciona numa ESCOLA AUTORITÁRIA e TRADICIONAL. Situação que a leva a fazer coisas mirabolantes em sala de aula para garantir um pouco de ALEGRIA a seus alunos.  Além disso, a certa altura, a professora e Matilda estabelecem um significativo VÍNCULO AFETIVO, capaz de mudar a vida de ambas.






Enfim, é um roteiro que revela alguns aspectos  bem cruéis de uma educação autoritária e cruel e, ao mesmo tempo, apresenta nuances de delicadezas e de encantamento. Provavelmente, por isso, a obra oferece tantas possibilidades de realização de trabalhos pedagógico sobre ela. Nesse sentido, seguem algumas sugestões de atividades que podem ser adaptadas a diversas séries/faixas etárias e, claro, ampliadas; pois trata-se apenas de uma simples introdução ao trabalho acerca de uma obra tão rica:


1 – Descreva o perfil psicológico de Matilda e teça comentários acerca de suas virtudes:

2 – Reflita sobre a cena em que o menino é obrigado a comer um bolo inteiro como castigo. Pense na expressão: “DESOBEDIÊNCIA NECESSÁRIA E SAUDÁVEL” e escreva um comentário crítico sobre a cena, enfocando o que você faria no lugar do menino:

3 – A Professora de Matilda é obrigada a “camuflar” o que considera um ambiente ideal de sala de aula. Por que isso ocorre?

4 – Formem grupo de três a cinco pessoas e dramatizem a cena eleita (pelo grupo) como favorita. Ensaiem e agendem uma apresentação para a classe.

5 – Em sua opinião, a relação entre professor e aluno é capaz de TRANSFORMAR pessoas e circunstâncias? Justifique:

6 – Havia um cartaz de regras na sala de aula de Matilda que deveria ficar exposto sempre que a diretora Agatha Trunchbull entrasse na sala. Eram regras muito rígidas. Em duplas, elaborem uma lista de “ORIENTAÇÕES” nas quais vocês acreditam; ou seja, posturas POSSÍVEIS E NECESSÁRIAS para tornar o ambiente escolar o mais agradável possível. Em seguida, socializem com os demais colegas afim de montar uma "lista única":


Certamente, existem inúmeras atividades possíveis a partir do filme. Por ora, esta é uma pequena sugestão... Fiquem à vontade para fazer uso delas e compartilhar suas próprias atividades e experiências.

“GESTOS AFETIVOS FAZEM MILAGRES ACONTECEREM”. (By Mari Monteiro)







segunda-feira, 25 de maio de 2015

PROJETO: “O PLANETA DO NETO DO MEU FILHO” (PROJECT: "THE PLANET OF MY CHILD'S GRANDSON")

POR MARI MONTEIRO


Reparem que esta sou eu, desenhada pela Pat... E eu trabalhava assim mesmo: com este rabo de cavalo e sorrindo assim...

Trata-se de um projeto idealizado por mim há alguns anos; mas que se torna cada vez mais urgente.  O objetivo principal deste projeto é IMPACTAR PSICOLOGICAMENTE os participantes (professores; alunos e sociedade em geral).  Aspecto este já perceptível no próprio nome do Projeto, pois é, no mínimo, interessante tentarmos imaginar COMO SERÁ O PLANETA DO NETO DO MEU FILHO, considerando todas as dificuldades que encontramos atualmente e antevendo um futuro muito incerto no que se refere aos recursos naturais e, conseqüentemente, à saúde física e psicológica da humanidade.


Tudo começou com uma “brincadeira – verdadeira”. No verão de 2007, passei na porta de uma sala de aula e, formalmente, disse à Professora:

- Com licença, posso fazer um comunicado importantíssimo?

- Claro. – Disse a Professora.


E, quando todos os alunos estavam atentos, eu dizia  em alto e bom som: 

- “EU TENHO MEDO DO AQUECIMENTO GLOBAL!” 

E saia correndo. De acordo com a Professora, eles riram da minha atitude; mas, insistiram em saber o porquê do meu medo... Estava plantada a “discórdia da sensibilidade” (rsrrs).  Isso aconteceu em várias outras salas, inclusive na minha (na ocasião, um 4º ano, que agora corresponde ao 5º ano)... Até que, sempre que o sol estava muito quente, eles diziam: “HOJE VOCÊ ESTÁ COM MEDO MARI?” E eu dizia: “SIM, MUITO!”.


A partir daí, o Projeto começo a tomar forma e dimensões inesperadas e muito positivas. Estávamos INQUIETOS e INCOMODADOS e não nada melhor pra educação do que o DESCONFORTO e o INCONFORMISMO. Queríamos fazer algo... E, aos poucos, uma conversa aqui, uma brincadeira ali... E decidimos: Em determinadas  aulas  semanais nos dedicáramos a  escrever um LIVRO, cujo nome seria  “O PLANETA DO NETO DO MEU FILHO!”


O fato de o título do projeto nos obrigar a pensar em LONGO PRAZO é um aspecto extremamente positivo. Em primeiro lugar, porque não estamos acostumados a pensar em logo prazo; no máximo e com muito esforço, pensamos em médio prazo. Em segundo lugar, porque é INQUIETANTE. A possibilidade de não haver futuro para os netos dos nossos filhos é aterradora!



Além disso, quando fazemos esta reflexão, inevitavelmente, temos de pensar como serão os netos dos nossos filhos. Que perfil eles terão? Quais serão suas prioridades? Por outro lado, não há como pensar sobre estes aspectos sem pensar sobre nós mesmos. Nós que vivemos na ERA DA INSTANTANEIDADE e...  DA FUTILIDADE; da queda abrupta de PRINCÍPIOS e de VALORES.



Pensar além do próprio umbigo... Conseguimos fazer isso! Durante dois meses trabalhamos no livro. Escrevemos, criamos, desenhamos, vimos filmes e fizemos releituras, compusemos paródias; os pais escreveram suas impressões. Enfim, foi uma ATIVIDADE FEITA A  MUITAS MÃOS. Foi muito significativo! Aprendemos muito... E foi; sobretudo, GRATIFICANTE. Até hoje encontro alunos crescidos, alguns já na Universidade que ainda me perguntam:

- MARI, VOCÊ AINDA TEM MEDO DO AQUECIMENTO GLOBAL?

- CADA VEZ MAIS! – respondo com us sorriso no rosto que, eles sabem, é fruto desta coisa mágica que é FICAR NA MEMÓRIA DE ALGUMAS PESSOAS.

► Seguem alguns recortes do livro e algumas informações na legenda. Apreciem. Foi feito com muito amor! FARIA TUDO OUTRA VEZ!

Esta é a capa do nosso livro. Feito com restos de papelão usados para fabricar caixas de pizza e amarrado com sisal.


Todos os desenhos, com exceção da capa, oram feitos pelos alunos.




Desenhos como este deixavam clara a cumplicidade entre mim e os alunos e nossa intenção COLETIVA de "derrotar" o aquecimento global.

Mais uma ilustração bastante criativa.
Nesta página, estávamos chegando ao final do nosso livro. Esperançosos de que  tudo teria uma solução. Otimismo não faltava!

Após vermos o filme "O DIA DEPOIS DE AMANHÃ", fizemos um debate e registramos "finais alternativos" para o filme.






quarta-feira, 13 de maio de 2015

WHATSAPP: UM SERVIÇO OU UM DESSERVIÇO? (WhatsApp: A SERVICE OR A PROBLEM?)

POR MARI MONTEIRO



Tem coisas que a gente simplesmente NÃO QUER VER. Não quer SABER. Covardia? Não. É mais sobre poupar a si mesmo de um sofrimento desnecessário. Não porque seja desimportante, mas pela dor que pode causar. Refiro-me aos conteúdos das conversas do whatsApp. Sempre que falo com alunos e com alunos  sobre relacionamentos, sempre surgem as reclamações sobre as conversas no whats; bem como da "quase troca" entre o momento a dois pelo suposto prazer de ficar on line.  E aí é uma polêmica só!


Costumo dizer que o aplicativo em si é excelente. Ele é  prático; rápido; eficiente etc. Mas que também pode ser um mecanismo ímpar de “DISCÓRDIA”; sobretudo, entre casais. Não há nada mais eficiente para “TENTAR” e para FACILITAR A TRAIÇÃO do que o whats. Pensem nos grupos fechados. Só sendo muito inocente (e, sem modéstia ou vergonha, EU SOU... e não temo que me chamem de idiota por isso.) para não saber que tudo é livre e seu (sua) namorado (a) nunca vai saber sobre os vídeos que trocam; as conversas que têm; as “ofertas” que recebem. É neste ponto, que entra minha “INOCÊNCIA”. Tenho apenas grupos de trabalho. E, sem querer bancar a santinha, eu não recebo vídeos pornôs... Como? Quem me conhece e está na minha lista e sabe que não curto isso. Não é puritanismo. Considero de mau gosto. Não vejo graça nisso. Penso que ver ou não pornografia pode (e deve) ser algo conversado, decidido  e feito a dois... Concordam que quem vê pornografia sozinho (a), está procurando algo diferente daquilo que possui?


Homens fáceis. Mulheres fáceis. Homens fúteis. Mulheres fúteis. Oferta e procura. Banalização dos relacionamentos. Estes e outros tantos aspectos são verdadeiros. Contudo, a culpa não é de um ou de outro aplicativo.  Cabe somente ao usuário a DECISÃO de entrar ou não em determinado grupo; de aceitar ou não determinadas provocações. Tudo nesta vida tem limite (nada mais clichê, mas também nada tão verdadeiro).  Minha gentileza; assim como minha paciência vão apenas até a “página dois”. TUDO É UMA QUESTÃO DE ESCOLHA! Já mencionei isso em outros artigos.


“NÃO ADIANTA CHORAR DEPOIS DO ENTER APERTADO!”. Li isso num post qualquer. Além disso, milhares de vídeos com piadas sobre o whats circulam nas redes. Piadas e brincadeiras à parte, eu considero o whats um mecanismo  que pode servir tanto para  SOLUCIONAR PROBLEMAS como para  CAUSAR PROBLEMAS. Parece óbvio... E é! Mas, quem de nós já não soube de conflitos entre casais causados pelo uso “indevido” deste app? E não adiante ser hipócrita e dizer que isso não dói; que não configura traição e blábláblá. DÓI SIM. É TRAIÇÃO SIM. Obviamente, tudo depende do TEOR e do CONTEXTO das conversas. E tudo isso eu vejo e penso até na página um. Se der, vamos para a página dois. Há questões que, quando analisado o contexto, simplesmente não representam desrespeito. Em outros casos, a coisa é tão explícita através de imagens; cantadas indecentes; palavrões que não há quem “salve”. Cansei de ver isso em conversas mostradas por colegas, alunos...  Circunstâncias na qual sempre aproveito para perguntar sobre aspectos que, particularmente, considero essenciais na solução destes conflitos: “O CONTEXTO FOI ANALISADO? (se a maioria das pessoas têm dificuldade em interpretar textos, imagine INTERPRETAR CONTEXTOS...); “HÁ CONFIANÇA ENTRE O CASAL?”; “HÁ PROVAS DE DESRESPEITO OU DE INFIDELIDADE?”; HÁ PRECEDENTES?" e por aí caminham as inúmeras discussões, inclusive, pautas de debates em sala de aula.




 Outro aspecto a ser repensado é o relacionamento familiar. Há situações, como já disse, que o app em questão é prático. sabemos onde  as pessoas estão; s e estão bem etc. Ponto. Mas, a exemplo do relacionamento a dois, há o outro lado: O LADO DO ISOLAMENTO. Cada um on line no seu quarto ou; pior; e aí, na minha singela opinião, é uma GROSSERIA, on line à mesa de almoço ou de jantar com familiares ou com amigos. Não é  exagero. Experimentem distanciar-se e observar as pessoas em Praças de Alimentação ou em nossas próprias casas... As criaturas chegam a ficar corcundas, com os olhos vidrados no aparelho  e os dedos se mexendo de modo cada vez mais ágil. Até parece SINTOMA DE CONVULSÃO. Credo. (rsrsrs). Sério. Uso adequado, moderado, educado... Isso se aplica a TUDO nesta vida.



Escreveria 100 páginas sobre este aplicativo e ainda sobraria assunto. Porém, não há como “fechar” este artigo sem mencionar a PRIVACIDADE. Ou melhor, a confusão que se estabeleceu entre os conceitos de PRIVACIDADE e de OMISSÃO DE “INFORMAÇÕES”. Explico: Em nome da privacidade, muitas pessoas alegam não poder mostrar suas conversas; contatos etc...  Ledo engano fazer isso.  Esconder-se é a maneira mais rápida de assumir uma culpa. Contudo; o contrário disso: AS CHAMADAS REDES SOCIAIS CASADAS, nas quais o casal possui o mesmo loggin e senha é RIDÍCULO. Confiança não é um sentimento que, neste momento eu não tenho e, no momento seguinte, tenho; porque fui ao bazar da esquina, comprei alguns gramas e repus meu estoque. É algo conquistado com o tempo. É um conjunto de ATITUDES que expressam se somos ou não dignos de confiança. Ou seja; se a pessoa for mau caráter, ela terá uma “conta casada” com o (a) parceiro (a) e terá outra (um fake talvez), que será seu “território livre”...



A verdade é que tudo passa pela questão da ÍNDOLE; inclusive o SERVIÇO ou o DESSERVIÇO do Whatsapp. Que, na verdade, não seria exatamente dele (do app); mas, do usuário.  Passa também pela LISTA DE PRIORIDADES DE CADA UM. Eu, por exemplo, não acho interessante namorar pelo whatsapp; considero um relacionamento sério importante demais para ser tratado através de um aplicativo (salvo uma conversa ou outra). Acreditem. Conheço inúmeros casais que se falam mais pelo app do que pessoalmente. Isso vira um vício. Trava o diálogo; emudece... E, quando se dão conta, estão DISTANTES um do outro, relacionando-se e decidindo o jantar e os programas do final de semana pela tela...  Porém, muitas coisas não podem ser resolvidas com aplicativos; os CONFLITOS, por exemplo; as tristezas; a falta de afago e de afeto... Só mesmo muita conversa; passeio de mãos dadas e olho no olho para fortalecer os laços...


Enfim, como não sou de “meias palavras” e nunca fui de “ficar em cima do muro”, escrevo para posicionar - me.  Minha postura é a seguinte, a menos que eu tenha alguma pendência muito importante para ser resolvida (INADIÁVEL!), quando estou com quem amo, DESCONECTO; mesmo porque, o que mais posso querer? A atenção de um aparelho; de um app? Não! GOSTO DE PESSOALIDADES! GOSTO DE GENTE! DE CONTATO FÍSICO; DE OLHO NO OLHO. Mas, partindo do princípio de que sou apenas uma pessoa na multidão, emitindo uma opinião muito pessoal, podendo; portanto, estar errada, faça sempre aquilo que julgar certo. Para isso existe o LIVRE ARBÍTRIO: USE - O  SEM MODERAÇÃO! Apenas, esteja ciente de que possui coragem e dignidade suficientes para ASSUMIR AS CONSEQUÊNCIAS e, como disse antes; para "não chorar sobre o 'enter' apertado."

Leia também: http://educandoquem.blogspot.com.br/2014/08/traicao-virtual-dor-real.html 

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