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EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

SAWABONA: BONDADE TAMBÉM SE APRENDE (SAWABONA: KINDNESS ALSO LEARN)

POR MARI MONTEIRO



Foto: Jessica Hilltout/AMEN


Sempre acreditei que é possível APRENDER e DESENVOLVER atitudes e sentimentos como PERDÃO; AMOR e RESPEITO. Um dos muitos aspectos admiráveis da cultura africana nos mostra que isso é possível. Neste caso, falo da saudação: SAWABONA SHIKOBA, que, a propósito já foi bastante divulgada, quanto à praticá-lo, é uma outra história...

Basicamente, trata-se da SOBREPOSIÇÃO das virtudes aos defeitos. O que faz muito sentido. Ninguém é todo bom, mas também ninguém é de todo ruim. Mas, nós, com nossa ARROGÂNCIA e EGOÍSMO temos uma tendência cada vez maior de JULGAR e de CONDENAR os erros dos outros... Sem olhar para nossos próprios defeitos. Feito isso, simplesmente, EXCLUÍMOS algumas pessoas de nossas vidas sem, ao menos, lhes darmos outra oportunidade.


Temos muito que aprender. Não somos perfeitos. Ninguém é! Não somos eternos nesta Terra. Ninguém é! Então, para que tanta empáfia? Tantos jogos de interesse? Tanta ganância? Na hora de “fechar as contas”, queridos leitores, nós estaremos COMPLETAMENTE SÓS.  Gosto de imaginar que a pergunta final seja: “O que foi que VOCÊ fez pelo outro?”. Talvez argumentemos: “Estudei, trabalhei, adquiri bens, realizei sonhos...” E, ainda assim, insistirão: “O QUE VOCÊ FEZ PELO OUTRO QUE NÃO TENHA SIDO EM SEU FAVOR; QUE NÃO TENHA SIDO PENSADO COMO FORMA DE OBTER UMA RECOMPENSA; QUE TENHA REPRESENTADO A GENEROSIDADE GRATUITA?




Não é preciso muito esforço para prever que a maioria de nós não teria respostas plausíveis... Assim, “borá lá” aprender a SER melhor; aprender a prática da generosidade e do perdão. A origem da saudação: SAWABONA! Pode ser um bom começo. Aproveitemos e aprendamos SEM MODERAÇÃO. segue este belo exemplo de convivência e de amor ao próximo: 

Há uma "tribo" africana que tem um costume muito bonito.Quando alguém faz algo prejudicial e errado, eles levam a pessoa para o centro da aldeia, e toda a tribo vem e o rodeia. Durante dois dias, eles vão dizer ao homem todas as coisas boas que ele já fez.
A tribo acredita que cada ser humano vem ao mundo como um ser bom. Cada um de nós desejando segurança, amor, paz, felicidade. Mas às vezes, na busca dessas coisas, as pessoas cometem erros.

A comunidade enxerga aqueles erros como um grito de socorro.Eles se unem então para erguê-lo, para reconectá-lo com sua verdadeira natureza, para lembrá-lo quem ele realmente é, até que ele se lembre totalmente da verdade da qual ele tinha se desconectado temporariamente: "Eu sou bom".Sawabona Shikoba!

SAWABONA, é um cumprimento usado na África do Sul e quer dizer: "EU TE RESPEITO, EU TE VALORIZO. VOCÊ É IMPORTANTE PRA MIM."

Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA,que é:" ENTÃO, EU EXISTO PRA VOCÊ". 





quinta-feira, 16 de abril de 2015

AONDE VAMOS COM TANTA PRESSA? (WHERE WE GO WITH SO HURRY?)

POR MARI MONTEIRO



Já escrevi mais de uma vez neste blog que a gente não aprende apenas de modo formal. Aliás, POBRES daqueles que se prestam somente a esse tipo de educação. A gente aprende; sobretudo, com os próprios pensamentos e atitudes. Nada é mais dolorido do que o ARREPENDIMENTO DE NÃO TER FEITO ALGO... Por alguém e por nós mesmos.  Logo, por que não aprender a empregar bem o nosso pouco tempo? Até posso arriscar uma resposta: “Porque não pensamos no tempo com o merecido VALOR". Pensamos nele como se fosse inesgotável... Adiamos abraços; amores; riscos; declarações; conversas... “Hoje não dá!”; Hoje não posso!”; “Depois eu vejo isso!”; “ Outra hora a gente se fala!”... Falamos e ouvimos coisas similares o “tempo todo”...

Hoje me flagrei pensando algo, no mínimo, tenebroso: “e se eu soubesse exatamente quanto tempo ainda tenho de vida?”. “O que mudaria?” Fazer o que? Fiquei muito encanada... Como não temos domínios sobre estes “insights”, continuei pensando nisso ao longo do dia. E, como também acredito que nada é por acaso, não consegui me desvencilhar facilmente das idéias e memórias que começaram a povoar minha mente.



O primeiro aspecto que analisei foi: “COM QUAIS PESSOAS GOSTARIA DE PASSAR O TEMPO QUE ME RESTASSE? A lista me surpreendeu! Independente de não ter a menor vontade de mensurar dias, semanas, meses... horas, a lista não é grande. Ao contrário, algumas pessoas eu nem gostaria de rever. Outras, que já não estão comigo, gostaria de ter passado mais tempo com elas... Como, por exemplo, meu pai; minha amiga Vilma... Enfim, foi inevitável. Lembrei do MUITO TEMPO QUE NÃO DEI.

Então, ponderei, por que não começar a dedicar mais do meu tempo a estas poucas e raras pessoas enquanto posso? Isso implica uma REORGANIZAÇÃO de pensamentos; mudanças de HÁBITOS; “PAGAR DE DOIDA E DE IRRESPONSÁVEL”. Sim, porque se criou uma CULTURA DA PRESSA: quem não está com pressa é vagabundo; é desinteressado!

 Constatei que todo nosso tempo está milimetricamente comprometido. COM QUEM? COM O QUÊ? Pensei muito nisso também. As descobertas superficiais que fiz, por enquanto (isso é coisa pra pensar e repensar COM CALMA E COM ALMA) são assustadoras. Meu tempo é dedicado ao trabalho (preciso sobreviver!); a algumas  atividades físicas (gostei desta parte!); com estudos (preciso avançar profissionalmente!); e o pouco que sobre: como, durmo (muito pouco pro meu gosto!) e falo com meus familiares s enamorado (também muito pouco para meu gosto!). Ou seja, ESTÁ TUDO ERRADO! Preciso reorganizar isso!

Só quando conclui o parágrafo acima, foi que percebi que, a cada tempo gasto (me justifiquei entre parênteses...).  Isso foi feito no impulso. Relendo, penso que foi uma tentativa INCONSCIENTE E INCONSISTENTE de me isentar da culpa por não ter mais tempo para os “AFAZERES” e para as PESSOAS que amo.



O que consegui com isso??? Primeiro, uma forte dor de cabeça; neste exato momento, minha cabeça está, literalmente, explodindo. Segundo, agora sei o porquê me canso tanto! Cadê eu e meus prazeres??? Não há espaço para prazeres; mas há espaço para insegurança; para o medo; pra pensar em dívidas. Durante muito tempo, tive dois ou três empregos. Pra quê? Não sei! E, chegar a esta conclusão, dói muito. A dor do arrependimento. Quanto tempo e energia despendidos... Quantas manhãs cheias de olheiras, resultantes de noites mal dormidas (às vezes, nem dormidas!)... Quantas lágrimas causadas por injustiças e humilhações...


Enfim, por que essa agonia agora Mari? Passei bem umas duas horas para tentar continuar escrevendo. BUSCAR UMA RESPOSTA HONESTA PARA SI MESMO É DIFÍCIL. Nesse momento, quero dizer que não quero que estes meus escritos se transformem num EPITÁFIO; mas sim num ALERTA (em tempo) PARA MIM E PARA VOCÊ. Vou tirar o pé do freio; vou fazer uma lista de PRIORIDADES; não correrei mais; respeitarei o ritmo do meu CORPO e da minha alma ALMA; prestarei mais atenção aos “SINAIS”; dedicarei mais tempo ao meu espírito; conversarei mais pausadamente; abraçarei mais (ainda mais rsrs)...   Convido-te a fazer o mesmo. Claro, se você não estiver com muita pressa...


sexta-feira, 10 de abril de 2015

UM OLHAR SOBRE A OBRA: “O AMOR LÍQUIDO”, de ZYGMUNT BAUMAN (LIQUID LOVE)

POR MARI MONTEIRO
 
“O sociólogo polonês Zygmunt Bauman é um dos intelectuais mais respeitados da atualidade. Aos 87 anos, seus livros venderam mais de 200 mil cópias. Um resultado e tanto para um teórico. Entre eles, “Amor liquido” é talvez o livro mais popular de Bauman no Brasil. É neste livro que o autor expõe sua análise de maneira mais simples e próxima do cotidiano, analisando as relações amorosas e algumas particularidades da “modernidade líquida”. Vivemos tempos líquidos, nada é feito para durar, tampouco sólido. Os relacionamentos escorrem das nossas mãos por entre os dedos feito água.”
© obvious: http://lounge.obviousmag.org/de_dentro_da_cartola/2013/11/zygmunt-bauman-vivemos-tempos-liquidos-nada-e-para-durar.html#ixzz3WYCwtrDu



Sempre digo que me faltam duas coisas; dinheiro para comprar todos os livros que tenho vontade e TEMPO para lê-los (e reler também). No caso deste livro, ganhei de presente de uma aluna (era uma das minhas opções de amigo secreto).




 









Mais que caminhar e “se atualizar”, Zigmunty Bauman “SE FLEXIBILIZOU” o suficiente para entender o presente e as tendências relacionadas à modernidade e à evolução tecnológica. Graças a essa compreensão e visão apuradas dos fatos, Bauman nos oferece uma oportunidade de contemplar e de analisar as RELAÇÕES HUMANAS NA CONTEMPORANEIDADE. Confesso que, depois da leitura, o que mais “ficou” foi uma espécie de sinal de alerta sobre a fragilidade das relações interpessoais.


Não foi uma leitura simples e nem rápida. Pelo contrário, estudei a obra. Daí tantas anotações no livro.
 


O autor, com suas análises irrefutáveis, me fez pensar o quanto caminhamos incessantemente para o ISOLAMENTO e para o DISTANCIAMENTO
Vivemos num tempo em que tudo está se tornando DESCARTÁVEL; inclusive, as relações afetivas o que, particularmente, considero muito triste. Bauman, afirma que vivemos num tempo onde se busca a “SATISFAÇÃO INSTANTÂNEA. Temos pressa para tudo. E, contraditoriamente, temos pressa para encontrar o amor e, quando encontramos, geralmente, não somos “hábeis” e sensíveis o bastante para mantê-lo vivo, para que o desejo não seja passageiro.


“(...) Semear, cultivar e alimentar o desejo leva tempo (um tempo insuportavelmente prolongado para os padrões de uma cultura que tem pavor em postergar, preferindo a ‘SATISFAÇÃO INSTANTÂNEA). O desejo PRECISA DE TEMPO para germinar, crescer e amadurecer. Numa época em que o ‘longo prazo’ é cada vez mais curto, ainda assim a velocidade de maturação do desejo resiste de modo obstinado à aceleração. O tempo necessário para o investimento no cultivo do desejo para dar ‘lucros’ parece cada vez mais longo – irritante e insustentavelmente longo.” (Bauman, 2004:26). 


Ouço e presencio também sobre a rapidez e sobre a relativa facilidade com que se desfazem os relacionamentos atualmente. Não se tenta mais. É o tempo do “AMOR ATÉ SEGUNDO AVISO”, como diz Bauman. “A fila anda” é o clichê mais ouvido por aqueles que saem de um relacionamento.  Tenho pra mim que isso acontece de forma cada vez mais corriqueira, porque os relacionamentos já começam de forma SUPERFICIAL. A quem interessa aprofundar e solidificar as relações; estreitar laços (sem virar nó, como diria Mario Quintana)? Não há mais diálogo e, muito menos reciprocidade. Tudo paira sobre a relação, mas quase nada é aprofundado; tudo é dito com o menor número de palavras possível e de modo rápido (ninguém tem tempo a perder); nada é conversado, pensado... Sentido. Falta persistência, compreensão e sensibilidade e, pior, FALTA EXPRESSAR TUDO ISSO.


Perniciosamente, estamos nos acomodando; acostumando-nos com a ACEITAÇÃO PASSIVA; COM O DESCARTE DE SENTIMENTOS; COM A VIDA QUE PASSA RÁPIDO DEMAIS; COM O SILÊNCIO (nosso e dos outros) que ocupa o lugar das conversas que ratificam nossa condição de humanos; com o “TCHAU” e com o próximo “OI”... Muitos relacionamentos: RÁPIDOS; FÚTEIS e SUPERFICIAIS. 


“(...) À deriva, a frágil balsa do relacionamento oscila entre as duas rochas nas quais muitas parcerias esbarram: a submissão e o poder absolutos, a aceitação humilde e a conquista arrogante, destruindo a própria autonomia e sufocando o parceiro. Chocar-se contra uma dessas rochas afundaria até mesmo uma boa embarcação com tripulação qualificada – o que dizer de uma balsa com um marinheiro inexperiente que, criado na era dos acessórios, nunca teve a oportunidade de FAZER REPAROS? Nenhum marinheiro atualizado perderia tempo consertando uma peça sem condições para a navegação, preferindo trocá-la por outra sobressalente. Mas, na balsa do relacionamento não há peças sobressalentes.” (Op. Cit. 31)
 Ao mesmo tempo em que prezo o diálogo, a profundidade dos relacionamentos e os sentimentos honestos, defendo a FLEXIBILIDADE; a nossa capacidade (diria essencial, quase uma questão de sobrevivência) de adaptar-se às mudanças sem; contudo, perder a essência e os valores. Tarefa nada fácil já que tais mudanças incluem a “pressa”; a correria; o tempo curto; a substituição de quase tudo... Em vez do “reparo”, que caracterizam este “mundo fluido”, conforme afirmação de Bauman.
 


Outro aspecto muito interessante da obra é a crescente perda da habilidade de manter RELAÇÕES HONESTAS E SAUDÁVEIS. Percebam.  Melhor, façam os testes. As pessoas evitam a troca de olhares. Olhares demorados então? Nem pensar! É mais ou menos como se olhar nos olhos irritasse as pessoas ao ponto de elas acharem que estão, por exemplo, sendo encaradas. Menciono isso, não somente porque isso muito me interessa: GOSTO DE OLHAR NOS OLHOS; mas porque é uma questão que vem se agravando com o avanço tecnológico.  As “coisas” nas telas dos mais diversos aparelhos aparecem e somem muito rapidamente. Então nossos olhos não “DESCANSAM” mais. É uma pena, porque a exemplo de Chico Buarque também “acho uma delícia quando você esquece seus olhos em cima dos meus.” Tudo é efêmero!
 


“O advento da proximidade virtual torna as conexões humanas simultaneamente mais frequentes e mais banais, mais INTENSAS e mais BREVES. As conexões tendem a ser demasiadamente breves e banais para poderem condenar-se em laços. Centradas no negócio à mão, estão protegidas da possibilidade de extrapolar e engajar os parceiros além do tempo e do tópico da mensagem digitada e lida – ao contrário daquilo que os relacionamentos humanos, notoriamente difusos e vorazes, são conhecidos por perpetrar. Os contatos exigem menos esforço e menos tempo para serem estabelecidos e também para serem rompidos. A distância não é obstáculo para se entrar em contato – mas, entrar em contato não é obstáculo para se permanecer à parte. Os espasmos da proximidade virtual terminam, idealmente, sem sombras nem sedimentos permanentes. Ela pode ser encerrada, real e metaforicamente, sem nada mais que o apertar de um botão.” (Op. Cit.: 82). 






Precisamos ser cada vez mais corajosos para amar e, mais ainda, para ASSUMIR e para DEMONSTRAR amor. Caso contrário, este nobre sentimento não passará de um líquido que escorre por entre os dedos.  Para tanto, há muitas coisas para se fazer e um longo caminho para percorrer (e percorrer até que a busca pelo equilíbrio se torne um hábito): harmonizar máquinas e homens; não se deixar hipnotizar pelas tentações das telas ao ponto de mergulhar no isolamento; evitar o distanciamento que nos conduz ao isolamento e cultivar a sensibilidade que nos HUMANIZA. Enfim, viver e conviver na (e com a) modernidade, mantendo nossas essências e estabelecendo RELAÇÕES HUMANAS REAIS, permeadas por um amor real... E sólido o bastante para sobreviver ( e viver COM PRAZER) numa sociedade cada vez mais fluida; superficial; descartável e fútil.



terça-feira, 31 de março de 2015

PROFESSORES OU “TIOS”? (TEACHERS OR "UNCLES"?

POR MARI MONTEIRO



Este é o tipo de artigo que escrevi para não vomitar. Literalmente, às vezes, escrevo para NÃO ADOECER. E, nesta tarde, me senti um “tantim” adoentada. Não é um artigo leve, mas também NÃO É OFENSIVO AOS PROFESSORES. Quanto aos “tios” que, por ventura, o lerem... Não lamento.  São fatos!

Não generalizo. Mas existem professores e existem “tios”. Os chamados professores, aqueles que são PROFISSIONAIS e; portanto, sabem o que fazer em sala de aula, porque estudaram e estudam muito para isso (e isso não é barato, não é rápido e nem tão pouco fácil); são os mesmos que  não conseguem comprar livros; frequentar teatros, shows, cinemas... São os mesmos que se INDIGNAM com este distanciamento, praticamente compulsório, entre um profissional que tem por princípio disseminar cultura e sua própria falta de acesso a ela por questões financeiras. NÓS, PROFESSORES, GANHAMOS POUCO E PONTO. Muitos são arrimos de família, cujas prioridades são aluguel; alimentação; água; luz e, se sobrar algum, uma internet básica.

Já os “tios” e as “tias”, e eu não vou me desculpar pelo emprego dos termos. Ser tio ou tia, no sentido de grau de parentesco, é ótimo. Tenho uma tia que é uma espécie de guia na minha vida. Mas a ESCOLA NÃO É CASA e o PROFESSOR NÃO É PARENTE.  Foi o menos pejorativo que  encontrei. Falo daqueles que incorporaram o personagem “tio” no lugar errado! Trata-se do assistencialista, daquele “parente” distante que a gente só procura quando precisa de um favor. Este favor pode ser um voto; pode ser uma aprovação automática e pode ser o pior dos favores: O VOTO.




Um exemplo disso é a bonificação por resultados  de 2015. Alguns professores da Rede receberam. Eu recebi e posso falar com propriedade sobre o assunto. O Sr. Governador anunciou na mídia um BÔNUS HISTÓRICO DE UM BILHÃO DE REAIS. Porém, temo que o que  estava nas entrelinhas da “fala” do nosso governador não tenha “chegado” à maioria da sociedade. Eu conto! Ele pagará o bônus em DUAS VEZES. Hoje (31/03) foi um "sopro na ferida". A segunda será somente em setembro. Ou seja; a parcela maior do bônus ( de acordo com o GDAE a segunda parcela da maioria é maior que a primeira. O que equivale  a dizer que  a maior parte do tal 1 BILHÃO DE REAIS lhe renderá juros por SEIS MESES. E o mais triste é você, ouvir comentários como: “Se a segunda é maior, é porque ele está incluindo os juros...” PELO AMOR DE DEUS!!! Quando ele anunciou a cifra, ele já sabia de quanto era cada parcela de cada professor.  Essa é uma inocência que só os “TIOS” possuem.



Há muitos professores desempregados. Isso antes do ingresso que ocorrerá em agosto próximo. Mas... Quem se importa? Pra que greve? Por que a greve não consegue se fortalecer (e convencer!) o suficiente? Simples. Está cada um OLHANDO PARA O PRÓPRIO UMBIGO! Isso é postura de professor? Não! É de “TIO”! Aquele que diz: “tudo bem, amém!”...

Professor é FORMADOR DE OPINIÃO. “TIO” é DEFORMADOR... Quem não se posiciona, não tem opinião própria, vai formar que opinião. Dirão alguns: “Tenho opinião, só não gosto de me manifestar.” Desculpem – me; mas, para mim, isso equivale a não ter nenhuma opinião.

Professor mostra a cara; dialoga; diz ao que veio; não fica em cima do muro. O aluno PERCEBE e SENTE sua IDENTIDADE. O que encoraja o aluno a dialogar e a posicionar-se também. O “tio” é aquele cuja aula é um monólogo. Só ele fala.  Isso é pernicioso, incentiva a mudez; o conformismo. É injusto. O que mais precisamos aprender é DIALOGAR; ARGUMENTAR e DEFENDER NOSSO PONTO DE VISTA. O restante, o Google sabe... Porém, o Google não conversará ou argumentará conosco.


O Professor é; por isso mesmo, uma figura MARCANTE. Só me lembro dos meus professores; lembro-me até de seus olhares. Lembro-me com carinho, com saudade e com gratidão. Por exemplo, me lembro da minha professora de Língua Portuguesa Alissar Rimaik Abouriski; por admirar tanto sua postura e sua conduta, fiz Letras... Lembro-me até do perfume que ela usava. E isso foi no Ensino Fundamental II. Não me lembro dos tantos “tios” que tive durante minha formação. E isso NÃO FAZ A MENOR DIFERENÇA NA MINHA VIDA  profissional ou social. Alguns, confesso, fiz questão de esquecer. Em contrapartida; graças aos meus PROFESSORES, me tornei professora e NÃO TIA! Com eles, aprendi também que, por diferentes circunstância e necessidades, como professores, acabamos VENDEMOS BARATO o que NÃO TEM PREÇO

Crédito das imagens: https://www.facebook.com/professoreprofessoradepressao?fref=ts 



domingo, 15 de março de 2015

BRASIL: ALGO ESTÁ MUITO ERRADO E SOMOS PARTE DISSO ( BRAZIL: SOMETHING IS VERY WRONG AND ARE PART OF THIS)

POR MARI MONTEIRO




Honestamente, não sei por onde começar este artigo. Porém, como educadora que escreve num blog sobre EDUCAÇÃO, não posso e NEM QUERO me abster ou ficar omissa neste momento.  Mesmo porque, acredito que o mínimo que cada um de nós pode fazer, enquanto cidadão é POSICIONAR-SE e ASSUMIR SEU POSICIONAMENTO. O que não tem nada a ver com este ou com aquele partido; mas, com o fato de achar NORMAL OU NÃO os acontecimentos que, cada vez mais, nos pressiona contra um muro...

Bem antes das manifestações de hoje (15 de março), eu já elaborava mentalmente este artigo.  Porém, não tinha um tom tão político como pode parecer. Tenho pensado no nosso país como uma Pátria que vem perdendo, há muito tempo, a credibilidade política. Falta ÉTICA e sobra CORRUPÇÃO.

Neste início de ano, em particular, me parece que as coisas pioraram numa escala impossível de não ser percebida, mesmo pelos menos atentos.  Aumento de preços de combustível; de energia elétrica; de impostos... Somados à Crise hídrica e a uma iminente crise de energia elétrica; pátios abarrotados de veículos e por aí vai... Isso, a meu ver, já é motivo bastante para uma preocupação com um futuro muito próximo.



A questão principal deste artigo; contudo, é que não precisava de mais fatores para agravar a situação de um povo que, por si mesmo e, quero acreditar, sem saber ao certo, já se desgastou o suficiente e, com isso, está “enterrando” a si próprio.  Não temos mais PRINCÍPIOS; não CONVERSAMOS mais; nada mais nos ASSOMBRA... Está acontecendo conosco o que de pior pode acontecer a um povo: ESTAMOS NOS TORNANDO INDIFERENTES E AUTÔMATOS. Pode parecer paradoxal dizer isso num dia em que milhões de pessoas foram às ruas, mas a questão é muito mais profunda que sair às ruas.

A partir deste ponto do artigo e, colocados os fatos, minha escrita toma um rumo um tanto mais humanista e até mesmo “espiritualista”.  Acredito muito num clichê (ou dito popular, como queiram), que meu paizinho costumava dizer: “CADA POVO TEM O GOVERNO QUE MERECE!”. Se, agora, enfrentamos determinadas dificuldades, é porque a maioria, literalmente, escolheu assim. Logo, o padrão vibratório desta maioria afeta a outra parte que não escolheu a mesma opção.


Neste momento, me ocorre que existe uma composição de Renato Russo chamada "TEATRO DOS VAMPIROS" que, muito oportunamente, pode nos auxiliar na compreensão do que penso de todos estes acontecimentos. Muito provavelmente porque nos fala da solidão e  da falta de perspectivas...



Este assunto não se esgota neste artigo. Isso é apenas o começo de uma discussão que, espero, possamos retomar muitas outras vezes. Sobretudo, porque considero tudo muito complexo. Se eu e você estamos cada um numa sintonia; e pensamos coisas boas; importamos-nos uns com os outros; conseguimos ver um pouco mais além do nosso umbigo, ótimo! Não importa a forma dos pensamentos. Importa que estejamos NUM PADRÃO VIBRATÓRIO POSITIVO!  Ao contrário, se estivermos cada um de nós imerso em seus próprios MEDOS; PLANOS DE VINGANÇA; ALIMENTANDO A  AGRESSIVIDADE QUE MORA EM CADA UM DE NÓS, aí temos um PADRÃO VIBRATÓRIO NEGATIVO DE PENSAMENTO.


Por ora, a questão que coloco é: “EM QUAL PADRÃO VIBRATÓRIO DE PENSAMENTO NOS ENCONTRAMOS?”. Uma vez respondida esta questão, acredito (há quem diga que tal qual “ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS”) que tenhamos condições de REFLETIR e de MUDAR NOSSO PADRÃO DE PENSAMENTO. É fácil? Não!  O certo é que se continuarmos achando que não temos nada a ver com o que está acontecendo no nosso país, porque “foi o pai do meu vizinho que perdeu o emprego e não o meu”; porque, "pode demorar, mas eu me vingo”; porque “se quiserem roubar que se dane, roubarei também” etc. , nosso padrão de pensamento em nada contribuirá para uma sociedade que DIALOGA; SE OCUPA E SE PREOCUPA UNS COM OS OUTROS; QUE NÃO FOGE OU FICA INDIFERENTE DIANTE DOS  SOFRIMENTOS ALHEIOS...

Enfim, meu posicionamento é tão difícil quanto qualquer outro: DECIDO LUTAR CONTRA CADA PENSAMENTO NEGATIVO E AGRESSIVO; DECIDO CONVERSAR E NÃO ME ISOLAR; DECIDO ESCOLHER A SERENIDADE. Conseguirei? Talvez, boa parte não. Tentarei? Garanto que sim! Porque a SOLUÇÃO DAS QUESTÕES COLOCADAS PODE SER COLETIVA, MAS A CULPA É DE CADA UM DE NÓS!




quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

DOCENTE DECENTE E DOENTE (PROFESSOR HEALTHY OR SICK)

POR MARI MONTEIRO

Este artigo é dedicado a todos os docentes que AINDA se indignam com a situação da educação brasileira; que se RECUSAM A TRANSFORMAR EM LUGAR COMUM um aluno de 9º ano que não escreve espontaneamente e que não lê com fluência. Quero que saibam que, apesar do cenário "desenhado pelo sistema", NENHUM DE NÓS ESTÁ SOZINHO.


Não restam dúvidas de que a profissão docente exige muito da PESSOA HUMANA. Faço questão de frisar: PESSOA HUMANA. Isso porque, não raramente, lemos e estudamos textos (desatualizados, diga-se... ou seja; que relatam a situação e a postura de um docente “estudado/analisado” nas décadas de 70, 80, 90) que dão conta de um profissional cujo perfil não lhe permite "ser humano"; uma pessoa imune às mazelas educacionais e privado da capacidade de indignar-se. De um modo geral, o docente é visto como o grande “carrasco” do fracasso educacional brasileiro. A ele cabe toda culpa e toda responsabilidade pelos péssimos índices da Educação Básica Brasileira.


Confesso estar um tanto (aliás, um tantão) enojada destes discursos. A educação brasileira; a eficiência dos alunos e, consequentemente, a qualidade dos resultados obtidos estão INTIMAMENTE relacionados à falta de precisão e de “coerência” (ouso dizer: BOM SENSO) nas avaliações realizadas. Culpa dos docentes? NÃO! Assim desejo crer. Mas, de um sistema que atrela as notas e rendimentos obtidos pelos alunos a uma PSEUDOEVOLUÇÃO do aluno, por mais ínfima que seja.


Explico melhor: Adoeci. literalmente,  participando de reuniões pedagógicas, cursos de formação etc. em que, após a criação do que (por falta de terminologia adequada) chamo de tabela classificatória: aquela em que o aprendizado do aluno é, literalmente, FATIADO e analisado. Sob esta perspectiva, TUDO, exatamente tudo, é considerado avanço. Nada contra prestar atenção à evolução dos alunos. Sou RADICALMENTE CONTRA a “atitude” de nivelar por baixo o aprendizado; subestimar o aprendizado. Cansei de debater com profissionais que conseguem ler a palavra “ABACAXI” em “AAI”...  Como isso é possível? O infeliz que “ditou” a palavra sabe que ele TEVE A INTENÇÃO DE ESCREVER ABACAXI; mas e se pedem pra alguém que não tem a menor ideia do que foi pedido para escrever? Ah! Só para lembrar: EM XANGAI, 1º COLOCADO NO RANKING DO PISA 2012, O SISTEMA DE ENSINO É TRADICIONAL. (Fonte: http://www.terra.com.br/noticias/educacao/infograficos/sistemas-de-ensino acesso em 11/02/2014).


 Obviamente, não estou defendendo um retrocesso no modo de ensinar; ao contrário, todas as inovações e transformações devem ser levadas em conta no aprendizado. Contudo, não há como continuar “andando em círculos”; fechando os olhos para uma realidade vergonhosa: a educação brasileira, isso sob um ponto de vista muito otimista, NÃO FORMA APENAS INFORMA. O que faz com que grande parte dos indivíduos com certificado do Ensino Fundamental seja considerada ANALFABETOS FUNCIONAIS. Quem de nós, sobretudo no meio escolar, nunca ouviu um colega dizer algo como: “Fulano do 9º ano não sabe ler e, por isso, não interpreta...”. A esses indivíduos restam poucas oportunidades de continuidade de estudos no Ensino Médio e, consequentemente, no Ensino Superior. Daí a evasão escolar e o aumento das desigualdades sociais.


O exemplo mencionado, somado às sequelas da profissão docente, já seriam motivos suficientes para “JUSTIFICAR” o título deste artigo. Ora, um professor, decente (ético e dono de um mínimo de bom senso), só pode ficar doente diante de um quadro educacional que, praticamente, lhe ORDENA: “MINTA”; “FAÇA DE CONTA QUE ESTÁ TUDO BEM; QUE OS ALUNOS TERMINAM O ENSINO FUNDAMENTAL I LENDO E ESCREVENDO FLUENTEMENTE.” “APROVE SEUS ALUNOS E DÊ BOAS NOTÍCIAS AOS PAIS E RESPONSÁVEIS”. Ironicamente, neste caso, a "doença" é um "sintoma" da CURA... E, como a “cereja do bolo”, encontre meios para sobreviver com seu salário mensal. Ou, se não consegue, quem se importa? Para o sistema tanto faz se o professor trabalha em dois ou três empregos. ALIÁS, “DOBRAR PERÍODO” AGORA VIROU UM “CONVITE FORMAL!”.


E as coisas vão piorando. Na etapa seguinte, caso o mesmo aluno coloque um “B” para esta mesma palavra, VIVA! Rojões são soltos e a felicidade fica estabelecida. A ordem é: O ALUNO NÃO É ANALFABETO! VAMOS MUDAR A CLASSIFICAÇÃO DELE E PINTAR A FICHA DELE DE OUTRA COR. Mas, para mim, este aluno CONTINUA NÃO SABENDO ESCREVER!


Isso não exclui minha crença no PROCESSO DE ENSINO. Mas, não me venha fazer aprovar aluno que escreve “AAI” no lugar de “ABACAXI”. Gente, aos OITO ANOS DE IDADE, se o aluno não escreve e nem lê palavras e sentenças simples, ELE NÃO ESTÁ ALFABETIZADO E PRONTO! Estive no Ensino Fundamental I o suficiente para assistir cenas como esta. E, mais, ouvir coisas assim: “olha, como ele melhorou!”; “progrediu muito, vamos aprovar!”. Ora, tenha um pouco de BOM SENSO. Basta fazer um a analogia básica e  responder ao seguinte questionamento: POR QUE UM  ALUNO DE OITO ANOS DE UMA BOA ESCOLA PARTICULAR LÊ E ESCREVE DE FORMA SATISFATÓRIA PARA A IDADE E OS ALUNOS DA ESCOLA PÚBLICA AINDA SÃO “SILÁBICOS COM OU SEM VALOR”? 


E, não me venham com a balela de que se trata de estrutura familiar e social (obviamente, isso pesa e muito; mas não determina). E que, por isso, o aluno da escola privada é “mais favorecido” pelos fatores externos. Independentemente da classe econômica, toda criança que ingressa nas séries iniciais traz consigo milhares de horas de TV; imagens aleatórias registradas em sua memória de acordo com seu meio; relações com familiares e amigos... Ou seja, TODA criança já ouviu incontáveis PALAVRAS e guarda em sua memória incontáveis IMAGENS.

Então, qual a diferença?

O que mais me incomoda é que esta mesma ANÁLISE MEDÍOCRE se estende por todo o Ensino Fundamental. E, pior, norteia o trabalho pedagógico da grande maioria dos docentes (felizmente, conheço professores que se negam, apesar de sofrer REPRESÁLIAS, a nivelar o aprendizado por baixo). O que resulta numa formação debilitada do aluno para servir de base para a continuidade dos estudos no Ensino Fundamental II. Mas, convenhamos, A QUEM INTERESSA QUE OS ALUNOS APRENDAM DE VERDADE? QUE, EM DECORRÊNCIA DE UM ENSINO EFICAZ, ELE SEJA CAPAZ DE ANALISAR E DE ARGUMENTAR CRITICAMENTE?


Esta abordagem, de um modo muito conciso e sem a merecida consideração e aprofundamento, representa MINHA DEFESA EM PROL DO PROFESSOR, cuja culpabilidade ocupa um espaço muito maior do que seus DILEMAS PEDAGÓGICOS. O que passa pelo “sistema” e, quando digo “sistema”, quero dizer TODOS OS FATORES E SETORES QUE FAZEM PARTE DO PROFESSOR. E ele, na sua lida diária, nem sempre TEM ou ESTÁ em condições (físicas ou emocionais) para “bater de frente” com o “sistema” e dizer: “QUERO ALUNOS DE TERCEIRO ANO COM NÍVEL DE APRENDIZADO DE TERCEIRO ANO! PARA REALIZAR UM TRABALHO SATISFATÓRIO, NO QUAL MEU ALUNO APRENDA O QUE LHE É DE DIREITO.”


Enfim, DESAFIO, melhor, convido  a todos os leitores (professores; diretores; pais; alunos e público em geral...) a me CONVENCER, COMO SE EU TIVESSE OITO ANOS DE IDADE, DE QUE O “SISTEMA” ESTÁ CORRETO E QUE, CONSEQUENTEMENTE, A EDUCAÇÃO BRASILEIRA É ÓTIMA; APENAS NÃO É MELHOR POR PURA INCOMPETÊNCIA DOCENTE.

Com afeto (e com pesar),
Mari Monteiro




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