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EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.

segunda-feira, 17 de março de 2014

ESCREVA – ME SOBRE AQUILO QUE VOCÊ GOSTARIA DE ESCREVER (WRITE - ME ABOUT WHAT YOU WOULD LIKE TO WRITE)

POR MARI MONTEIRO

"Mulher lendo" - Iman Leke

Costumo dizer aos meus alunos que, quando preparo uma atividade  avaliativa, cujos conteúdos independem da memorização de conteúdos, eles sempre terão boas surpresas. É o caso desta atividade.  Faço isso como PROVOCAÇÃO para que possam exercitar o ato de pensar. De um modo geral, isso resulta em perguntas como: “Cadê a resposta?”; “Mas Mari, isso não está no texto.” Quando estas perguntas começam a pipocar na classe, sei que alcancei meus objetivos. Isso porque se não está no texto, não existe. Não se tem o HÁBITO DE PENSAR; não se desenvolve no aluno a capacidade de “ler” a INTENCIONALIDADE DO AUTOR.  Então, já não conseguimos mais responder com nossos “pensamentos e argumentos”. Só sabemos escrever aquilo que outros autores já escreveram;  a partir daquilo que já foi pensado.

Diante disso, sempre elaboro, além das questões de “praxe”, questões que  exijam que eles pensem sobre o ato de ler. Neste caso, trata-se da última questão da prova. Fiz com eles mais ou menos o que Rubem Alves e seus colegas fizeram com os candidatos ao doutorado. Eu lhes pedi: “ESCREVA-ME SOBRE AQUILO QUE VOCÊ GOSTARIA DE ESCREVER.”

Não me lembro de um avaliação tão longa. Sobretudo, no que se refere à elaboração da resposta da referida questão. Eles se queixavam que foram sido pegos de surpresa; que tinha muita coisa da qual eles gostam, mas que não sabiam como começar... A maioria dos alunos levou cerca de três aulas para concluir  a prova. Isso não me importa muito. Afinal, eles estão sendo DESAFIADOS. Isso não pé fácil. Além disso, tenho plena consciência do quanto é difícil CORRIGIR e MENSURAR respostas discursivas. Contudo, de que outra forma saberei se estão dando conta de registrar SEUS pensamentos?


Porém, ao analisar as respostas, tive uma GRATA SURPRESA. Não apenas no que se refere à última questão; mas a outras tantas.  OS ALUNOS FORAM MARAVILHOSOS! Logo, não há registros apenas das respostas da última questão, mas também de outros tantos comentários PERTINENTES e INTELIGENTES.

Outra observação a ser feita é que a mesma atividade foi aplicada nas  séries do Ensino Médio. Contudo, na atribuição das menções, levei em conta a MATURIDADE e o DISCERNIMENTO dos alunos e de suas respectivas faixas etárias/série. Tive outra grata surpresa: ESTE CRITÉRIO NÃO PODE SER UMA REGRA!


Assim, seguem o OBJETIVO e o texto base da prova. Em seguida, e gradativamente, as postagens dos próprios alunos.

OBJETIVO: Constatar o aprendizado acerca do emprego da gramática normativa nas interpretações e nas INFERÊNCIAS TEXTUAIS; bem como o emprego desta na elaboração de respostas que satisfaçam a série em questão, demonstrando o nível de maturidade de cada aluno e/ou série.





Sobre os perigos da leitura (Por Rubem Alves)


Nos tempos em que eu era professor da UNICAMP fui designado presidente da comissão encarregada da seleção dos candidatos ao doutoramento, o que é um sofrimento. Dizer “esse entra”, “esse não entra” é uma responsabilidade dolorida da qual não se sai sem sentimentos de culpa. Como, em vinte minutos de conversa, decidir sobre a vida de uma pessoa amedrontada? Mas não havia alternativas. Essa era a regra. Os candidatos amontoavam-se no corredor  recordando o que haviam lido da imensa lista de livros cuja leitura era exigida. Aí tive uma ideia que julguei brilhante.

Combinei com os meus colegas que faríamos a todos os candidatos uma única pergunta, a mesma pergunta. Assim, quando o candidato entrava trêmulo e se esforçando por parecer confiante, eu lhe fazia a pergunta, a mais deliciosa de todas: “Fale-nos sobre aquilo que você gostaria de falar!” Pois é claro! Não nos interessávamos por aquilo que ele havia memorizado dos livros. MUITOS IDIOTAS  TEM BOA MEMÓRIA. Interessávamos por aquilo que ele pensava.


Poderia falar sobre o que quisesse desde que fosse aquilo sobre que gostaria de falar. Procurávamos as idéias que corriam no seu sangue!  Mas a reação dos candidatos não foi a esperada. Foi o oposto. Pânico. Foi como se esse campo, aquilo sobre que eles gostariam de falar, lhes fosse totalmente desconhecido, um vazio imenso. Papaguear os pensamentos dos outros, tudo bem. Para isso eles haviam sido treinados durante toda a sua carreira escolar, a partir da infância. Mas falar sobre os próprios pensamentos – ah! Isso não lhes tinha sido ensinado. Na verdade nunca lhes havia passado pela cabeça que alguém pudesse se interessar por aquilo que estavam pensando. Nunca lhes havia passado pela cabeça que os seus pensamentos pudessem ser importantes. Uma candidata teve um surto e começou a papaguear compulsivamente a teoria de um autor marxista. Acho que ela pensou que aquela pergunta não era para valer.

Não era possível que estivéssemos falando a sério. Deveria  ser uma dessas “pegadinhas” sádicas cujo objetivo é confundir o candidato. Por via das dúvidas ela optou pelo caminho tradicional e tratou de demonstrar que ela havia lido a bibliografia. Aí eu a interrompi e lhe disse: “Eu já li esse livro. Eu sei o que está escrito nele. E você está repetindo direitinho. Mas nós não queremos ouvir o que já sabemos. Queremos ouvir o que não sabemos. Queremos que você nos conte o que você está pensando, os pensamentos que a ocupam…” Ela não conseguiu. O excesso de leitura a havia feito esquecer e desaprender a arte de pensar.



Parece que esse processo de destruição do pensamento individual é uma conseqüência natural das nossas práticas educativas. Quanto mais se é obrigado a ler, menos se pensa. Schopenhauer tomou consciência disso e o disse de maneira muito simples em alguns textos sobre livros e leitura. O que se toma por óbvio e evidente é que o pensamento está diretamente ligado ao número de livros lidos. Tanto assim que se criaram técnicas de leitura dinâmica que permitem que se leia “Grande Sertão – Veredas” em pouco mais de três horas.

Ler dinamicamente, como se sabe, é essencial para se preparar para o vestibular e para fazer os clássicos “fichamentos” exigidos pelos professores. Schopenhauer pensa o contrário: “É por isso que, no que se refere a nossas leituras, a arte de não ler é sumamente importante.” Isso contraria tudo o que se tem como verdadeiro e é preciso seguir o seu pensamento. Diz ele: “Quando lemos outra pessoa pensa por nós: só repetimos o seu processo mental.”
Quanto a isso, não há dúvidas: se pensamos os nossos pensamentos enquanto lemos, na verdade não lemos. Nossa atenção não está no texto. Ele continua: “Durante a leitura nossa cabeça é apenas o campo de batalha de pensamentos alheios. Quando esses, finalmente, se retiram o que resta? Perde-se, paulatinamente, a capacidade de pensar por conta própria… Este, no entanto, é o caso de muitos eruditos: leram até ficar estúpidos. Porque a leitura contínua, retomada a todo instante, paralisa o espírito ainda mais que um trabalho manual contínuo…”

Nietzsche pensava o mesmo e chegou a afirmar que, nos seus dias, os eruditos só faziam uma coisa: passar as páginas dos livros. E, com isso, haviam perdido a capacidade de pensar por si mesmos (…).E, no entanto, eu me daria por feliz se as nossas escolas ensinassem uma única coisa: O PRAZER DE LER! (Fonte: http://rubemalves.wordpress.com – acesso em 03/03/2014)







sexta-feira, 14 de março de 2014

A POSTURA DOCENTE EM RELAÇÃO AOS EDUCANDOS NASCIDOS NA ERA DIGITAL. (POSTURE TEACHERS REGARDING students BORN IN THE DIGITAL AGE.)


POR MARI MONTEIRO




“Nossas teorias sociológicas, nossa filosofia política, nossa economia e nossas doutrinas educacionais derivam-se de uma tradição ininterrupta de grandes pensadores e exemplos práticos desde a época de Platão... até o final do século passado. Toda essa tradição está dominada pela premissa de que cada geração vive substancialmente em meio às condições que governaram as vidas de seus progenitores e que serão transmitidas para moldar com igual força as vidas de seus filhos. Estamos vivendo no primeiro período da história humana para qual esta suposição é falsa.” (Alfred North Whitehead – Em “The Adventure Of Ideas”).


A afirmação de Whitehead é muito oportuna para iniciar este artigo, porque fala sobre uma mudança necessária de postura na educação. Segundo ele, não é mais possível pautar e conduzir nossas ações tal como nas gerações passadas. O que é diferente de desvalorizar a história; ao contrário, valorizar os conhecimentos históricos é fundamental. A forma de fazê-lo é que precisa ser modificada.


 Há algum tempo, percebi que os interesses de nossos alunos, mudaram drasticamente. O que ocorreu basicamente por conta do avanço tecnológico e da ampliação da facilidade de acesso à internet. Diante disso, tornou-se urgente repensar nossa postura. Sobretudo, porque não podemos mais imaginar e, muito menos tratar, nossos alunos da mesma forma como fomos tratados. SEUS INTERESSES SÃO OUTROS.


Desde então, tenho empreendido esforços no sentido de entender a nova relação que deve ser estabelecida para que o processo de ensino e aprendizagem não diminua ainda mais sua QUALIDADE e seu  SIGNIFICADO. A partir de então, realizei diversas leituras e estudos a fim de elaborar o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) sobre “A importância das narrativas digitais no Ensino Médio”. Inevitavelmente, a pesquisa se estendeu e alcançou patamares inesperados; mas, muito oportunos. Constatei, por exemplo, que, com o avanço tecnológico e com o acesso cada vez mais fácil à internet, aumentou consideravelmente a DISTÂNCIA ENTRE O ALUNO E O PROFESSOR não apenas no Ensino médio, mas em todos os níveis de ensino, obviamente em escalas diferenciadas.



Um dos primeiros aspectos constatados foi a RESISTÊNCIA DA MAIORIA  DOS PROFESSORES  no que se refere às ferramentas disponibilizadas na internet.  Em segundo lugar, e em decorrência do primeiro aspecto, constatei a questão comportamental, tanto do aluno como do docente. Aspecto este que me chamou muito a atenção e; por isso, independentemente do TCC, decidi realizar uma pesquisa mais profunda.


A respeito da resistência dos professores, confesso não ter ficado surpresa. Sou educadora, convivo com educadores e com alunos e sei da reação de ambos no que se refere à internet. Enquanto para os alunos o mundo virtual é um ambiente extremamente familiar; para a maioria de nós não é. É exatamente desta constatação que decorre o segundo aspecto: A REPRESENTATIVA  DIFERENÇA COMPORTAMENTAL ENTRE PROFESSORES E ALUNOS, que cria um “abismo” (até mesmo em termos de linguagem) entre alunos e professores, fato este suficiente para desencadear uma série de CONFLITOS EM SALA DE AULA.

Constatações à parte, o TCC sobre narrativas digitais foi aprovado (com média 10) e minha vontade de continuar as pesquisas e de “transformar”, paulatinamente, minha prática pedagógica só fizeram aumentar. E, por minha conta e risco, comecei a colocar algumas ações em prática. Isso fez muito bem para mim e para meus alunos. Nossas motivações foram renovadas. Quando digo que desenvolvi algumas ações em sala de aula, confesso que NÃO FAÇO ISSO PENSANDO EXCLUSIVAMENTE PENSANDO NO ALUNO; penso em mim também. PRECISO SENTIR PRAZER AO ENSINAR... O professor precisa e merece trabalhar feliz (como diz a Professora Vera Lovato) e eu concordo plenamente!



Sendo o diálogo, em minha opinião, uma das maneiras mais eficazes de aproximar professor, aluno e conhecimento, decidi que também aprenderia mais com meus alunos se eu “fizesse parte do mundo deles”. Entenda, por gentileza, este “fazer parte” como uma espécie de oportunidade de conhecê-los melhor virtualmente e de PERMITIR que eles também me conheçam melhor. Fiz isso aceitando os convites dos alunos e adicionando-os ao Facebook. Tenho o mesmo perfil na rede desde 2009 e sempre tive alunos como AMIGOS. Observe que, no Face, não há a opção “ADICIONAR ALUNO”, mas sim “ADICIONAR AMIGO”. Este detalhe que, a princípio, parece simples faz toda a diferença na RELAÇÃO estabelecida no ambiente escolar. Um perfil diz muito sobre o “seu proprietário”: através do meu perfil, meus alunos conhecem minha família (e eu a deles); eles sabem das minhas preferências culturais em relação à música; à leitura; ao cinema; ao esporte etc. (e eu conheço as deles). Além disso, há a evidente questão de que o perfil diz muito do que eu sou através das minhas expressões escritas; dos meus posts etc. Estas informações jamais seriam COMPARTILHADAS no “MUNDO REAL”; pois entre uma aula e outra não temos tempo para isso. Contudo, esta atitude é muito comum e erroneamente confundida com EXPOSIÇÃO DO PROFESSOR em relação aos seus alunos. 


Minhas pesquisas e minha prática pedagógica estavam exatamente neste ponto quando, para minha surpresa, a gestora Maria Helena da E.E. Carlos Drummond de Andrade me fez um convite: conversar com os professores, no PLANEJAMENTO 2014, sobre esta necessidade de (RE) APROXIMAÇÃO dos professores e alunos, usando o BLOG CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE (blog este que administro em conjunto com a gestão há quase um ano), no qual publico, basicamente, RELATOS DE EXPERIÊNCIAS; EVENTOS REALIZADOS PELA ESCOLA; DESENVOLVIMENTO DOS PROJETOS EXISTENTES  E TEXTOS DE FORMAÇÃO PARA PROFESSORES. E, consequentemente, sobre o USO DAS REDES SOCIAIS e a Educação, lembrando que a SECRETARIA DA EDUCAÇÃO mantém uma página no Facebook. E, não raramente, uso o Face e os e-mails para divulgar os novos artigos. Adoro este trabalho! 

No início, confesso, fiquei insegura: como será a receptividade em relação ao tema? Contudo, Maria Helena é uma pessoa “abusada”. Aceita os desafios propostos e, com argumentos e encorajamento de sobra, me forneceu a CONFIANÇA e o respaldo de que eu necessitava. Assim, nasceu a conversa em torno do tema: "A POSTURA DOCENTE EM RELAÇÃO AOS EDUCANDOS NASCIDOS NA ERA DIGITAL.”  


Diante deste compromisso, me dispus a planejar a ação através de fundamentação teórica (Usei, basicamente Zigmunt Baumman e John Palfrey & Urs Gasser) e da seleção de imagens relacionadas ao tema. Meu objetivo primeiro era, humildemente, mas muito bem fundamentada em meus estudos, e com muita HUMILDADE INTELECTUAL (expressão esta, aliás, muito usada pela Gestora Helena) “minar” as eventuais resistências ao tema. A primeira sequência de argumentos escolhidos para isso foi pautada nos seguintes aspectos: demonstração do acesso ao blog; do “pico” de acessos (e que não eram propriamente advindos do corpo docente); da necessidade de se tornar membro do blog da escola em que trabalha e de tornar visíveis as atividades docentes realizadas em sala de aula publicados e INTERAGIR com os mesmo através dos comentários.

Em seguida, me vali de uma sequência de slides que foram das “desvantagens” da internet e das redes sociais até a NECESSIDADE DE BUSCAR O EQUILÍBRIO ENTRE O MUNDO VIRTUAL E O MUNDO REAL. Isso para nos convencer de que nossos alunos, NASCIDOS NA ERA DIGITAL, não conhecem outra realidade, uma realidade que foi a nossa, mas que NÃO EXISTE MAIS e, provavelmente por isso mesmo, eles não reconhecem o valor de nossas aulas (tal como sempre foram) como deveriam. Isso porque seus INTERESSES divergem cada vez mais dos nossos. Em contrapartida, a nós educadores, NASCIDOS NA ERA ANALÓGICA e, portanto, tendo vivenciado a transição dos estreitos laços de afeto para as relações virtuais, cabe a tarefa de trabalhar para que o EQUILÍBRIO SE ESTABELEÇA e para que AS FERRAMENTAS DA INTERNET SEJAM USADAS A NOSSO FAVOR e não como “inimigas” que afetam o aprendizado, que não nos deixa trabalhar. Esta tarefa também nos cabe porque temos, supostamente, MAIS MATURIDADE MAIS DISCERNIMENTO  que nossos alunos.



Enfim, o artigo ficaria muito extenso caso eu argumentasse sobre cada um dos slides e transcrevesse AS VALIOSAS CONTRIBUIÇÕES DOS PARTICIPANTES (do período diurno e noturno). Fato é que os dois encontros foram ótimos. As questões colocadas foram muito bem entendidas e discutidas. Sou muito grata à Gestão pelo convite e pela confiança depositada e aos colegas de profissão que tão bem me receberam, proporcionando uma TROCA SALUTAR de informações e de conhecimentos. Como brinquei na discussão com os colegas do noturno: “ALCANCEI MEU OBJETIVO: PLANTEI A ‘DISCÓRDIA’, AGORA É AGUARDAR O RESULTADO DAS REFLEXÕES.” Mesmo porque, apesar de ter dito isso num contexto em que estávamos conversando descontraidamente, NÃO HÁ COMO NEGAR, OS NOSSOS ALUNOS NASCERAM NA ERA DIGITAL e, de certa forma, temos muito que aprender com eles. Desconheço, na história da educação, época mais propícia e rica para TRANSFORMAR INFORMAÇÃO EM CONHECIMENTO. Assim como não dá para negar que o docente não é mais o “DETENTOR DO SABER” e, muito menos, o “TRANSMISSOR DE INFORMAÇÕES”; pois o GOOGLE executa esta tarefa com muita eficiência! Outro aspecto que preciso mencionar é que QUALQUER RESQUÍCIO DE INSEGURANÇA DE MINHA PARTE SE FOI... O que ficou não foi uma certeza, isso não seria bom; foi um desejo enorme de RECONSTRUIR SEMPRE MINHA PRÁTICA DOCENTE; DE, AO INVÉS DE SER “ARRASTADA” PELA TECNOLOGIA, APRIMORAR MEUS CONHECIMENTOS SOBRE ELA E SEGUI-LA POR LIVRE E ESPONTÂNEA VONTADE, COLOCANDO A MEU SERVIÇO E NÃO O CONTRÁRIO... 


segunda-feira, 3 de março de 2014

O QUE É REALMENTE NOSSO?: RELATO DE EXPERIÊNCIA (WHAT IS REALLY ?: OUR EXPERIENCE REPORT)

POR MARI MONTEIRO


Sempre, durante as aulas de Literatura, um trecho de livro ou características de determinados autores, permitem que eu faça algo que adoro:  a relação entre o que  estamos aprendendo ( e que aconteceu há séculos) com o que vivenciamos agora. Além de demonstrar a GENIALIDADE dos autores da nossa Literatura clássica, fica claro para nós que as BOAS OBRAS são atemporais.

Da última vez, agora antes do carnaval, conversávamos sobre “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, a mais famosa obra machadiana. Depois de lermos a biografia do autor e a famosa dedicatória da obra, os alunos demonstraram extremo interesse. Em seguida, lemos um fragmento da obra em que ele descreve seu funeral, o qual contou com onze “amigos” (“ONZE!”), aliás, exclama ele neste trecho.


Esta leitura, para minha alegria, desencadeou um produtivo debate relacionando o porquê da dedicatória “AO VERME QUE PRIMEIRO ROEU AS FRIAS  CARNES DO MEU CADÁVER...” e a ideia de que ele morrera insatisfeito com sua vida e certo de que possuía pouquíssimos (se é que possuía) amigos VERDADEIROS.




Foi então que aproveitei para iniciar uma boa conversa em torno de um recorte que lhes contei, a fim de que, à luz da OBRA MACHADIANA, eles pensassem sobre o QUE VERDADEIRAMENTE TEMOS NESTA VIDA. 

Diante disso, Lembrei-me de um fato ocorrido anos atrás, envolvendo alguns alunos. Estava eu colocando alguns números de páginas na lousa, quando ouvi:

- Que isso “véi”? Este seu tênis ralé aí, que nem de marca é? O meu é original. Não sou como você que compra roupa no camelô!

Ah!!! Logo eu fui ouvir uma coisa destas... Pra que? Deixei tudo que havia planejado de lado.  Esperei pacienciosamente o garoto sentar. Aproximei-me dele devagar  e esperei que ele me dissesse algo. E ele disse:

- Que foi “SSÔRA”? (É assim mesmo que eu, como professora de Língua Portuguesa “enxergo” a palavra dita rsrs).

A partir de então, segue um diálogo improvisado, claro, pois eu não esperava isso... E, bocuda que sou, imagina se me calaria diante de tamanha ARROGÂNCIA e CONSTRANGIMENTO de outros alunos. Era a Mari que estava ministrando aquela aula  e não um SER INANIMADO, sem sangue nas veias. Não respondi e ele repetiu a pergunta. Queria me certificar que todos já haviam se dado conta do iria acontecer...

- Estou olhando seu tênis. Bonito neh? O – RI – GI – NAL  neh?

- É “ssôra”, só tenho roupa original.

- E a calça também é muito bonita. A camiseta também. E esse boné? Da Oakley neh? Sabia que a Oakley é uma empresa norte-americana? E que os norte - americanos nem sabem que você existe?

- E daí? Achei “da ora” e comprei. Mas não do camelô como esse bando de Zé Mané aqui da sala compra.

- Bando de Zé Mané??? Então, querido, tenho uma  SURPRESA pra você. Este tênis NÃO É SEU!

- Como não? Comprei p----!

- Mas não é seu! Esta calça não é sua! Esta camiseta que você nem sabe o que está escrito também não é sua. Esse boné não é seu!

- “Cê tá loca ssôra?”

- Quer ver como NADA DISSO É SEU? Digamos que você morresse amanhã... Sei lá de bala perdida, atropelamento... Estas fatalidades que sempre acontecem, na maioria das vezes com pobre, e a gente aqui é TUDO POBRE, e nunca sabemos quando vêm. Você não seria sepultado com estas roupas. Mas, suponhamos que fosse. AINDA ASSIM NADA SERIA SEU; pois apodreceria sob a terra. E, caso você fosse cremado, aí sim é que as roupas desapareceriam em segundos!

Durante algum tempo, ele ficou me olhando em silêncio. Nunca esquecerei o que me DISSE COM SEU OLHAR. Era um misto de raiva, de vergonha, de tristeza... Pediu licença. Saiu da sala por alguns minutos e, quando voltou, começou a acompanhar a aula que eu já havia iniciado.

ONDE ESTÁ A LITERATURA? Em tudo que ele disse e que eu disse, e no que ficou nas entrelinhas e nas pausas de nosso diálogo.  Isso porque a Literatura é algo transformador, nada assim instantâneo ou miraculoso, mas que faz a diferença.




ONDE ESTÁ MACHADO DE ASSIS? Na ousadia de ser REALISTA; de não calar pra uma sociedade hipócrita que impõe costumes e hábitos ao invés de se preocupar com valores. Tal como Machado de Assis, que fez uma retrospectiva e constatou com pessimismo o que havia vivenciado, eu também o fiz naquela noite. Mas, com uma diferença, em tempo de o aluno repensar sua vida EM VIDA. E, nesta aula sobre Machado de Assis e sobre as memória de Brás Cubas, percebi que meus alunos do EM apreenderam a “mensagem” da obra e do autor,  que representa um marco na Literatura Brasileira.


Quanto a mim, creio que, se vivêssemos na mesma época, eu e Machado teríamos nos tornado ótimos amigos... rsrs


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

SÉRIE IMPRESSÕES: “FOMOS MAUS ALUNOS" (Rubem Alves e Gilberto Dimenstein)

POR MARI MONTEIRO

E se  lhe pedissem para traçar seu próprio perfil como aluno? Que tipo de aluno você foi ou ainda é? Numa conversa descontraída e bem humorada Rubem Alves e Gilberto Dimenstein abordam suas peripécias, curiosidades e desejos durante o período escolar. A obra “Fomos maus alunos”, escrita na forma de diálogo, incita-nos a relembrar muitos momentos da nossa vida escolar. O que é muito interessante; sobretudo para pais e educadores, pois nos mostra o quanto as posturas mudam de geração para geração.

Outra reflexão pertinente, trazida pela obra, é sobre a ESTAGNAÇÃO da escola (física e pedagogicamente). A maioria dos professores de hoje ainda espera que seus alunos se comportem como ele se comportou e, pior, que REAJA aos mesmos “ESTÍMULOS” que lhe foram oferecidos. Doce ilusão. Trágica constatação!


No decorrer da obra, os pensadores conversão sobre os mais variados temas; inclusive, elaborando reflexões bem profundas a respeito de suas próprias escolas, como demonstram os trechos a seguir sobre experiência de confluência

Dimenstein - Por que você virou educador?

Alves - Tenho a seguinte teoria (eu disse só a teoria, pois não tenho provas para isso): todos nós nascemos com determinados saberes. A aranha nasce sabendo fazer teia, o caramujo nasce sabendo fazer a concha. Meu conterrâneo de Boa Esperança, Nelson Freire, é um pianista absolutamente fantástico. Por que ele ficou um pianista fantástico? Não foi porque foi ensinado, não foi porque estudou muito. Porque eu estudei muito mais do que ele e nunca aprendi a tocar piano. É porque tinha algo dentro dele. Aliás, você que é judeu. Tem um dos salmos, terrível, que diz assim: Inútil te será levantar de madrugada e trabalhar o dia todo porque Deus, àqueles a quem ele ama ele dá enquanto dormem. Eu acho que nasci educador. De repente, descobri que é uma delícia comunicar ideias. Primeiro tem o projeto de gestação. Porque você tem de ter uma ideia para comunicar, aquela coisa que pega, dá paixão, e que para mim é um jeito de fazer amor com o outro. Isso tem a ver também com a sua tradição. Porque lá na Bíblia, quando diz que o marido transou com a mulher, como é que diz? Ele conheceu a sua mulher, que é um ato essencialmente prazeroso. Acho que o ato de educar é essencialmente sexual e prazeroso.

Dimenstein - É interessante, porque conhecer, do latim, vem de nascer com.

Alves - Eu não sabia!

Dimenstein - Só se conhece, de fato, alguma coisa quando nascemos com ela. Só entendemos a poesia quando nos emocionamos na descoberta de suas metáforas.

Alves - Às vezes, as pessoas me perguntam: Quem foi que influenciou você? Eu digo: Ninguém. Não tenho memória de alguém que tenha me influenciado. Influenciar é uma coisa que vem de fora para dentro. Eu tenho a experiência de confluência. Confluência é quando você bate com uma pessoa. Sabe quando você tem duas taças de cristal? Você bate as taças e as duas, então, reverberam. Há pessoas que bateram em mim e eu descobri coisas dentro de mim que ninguém me ensinou, mas eu descobri que as coisas estavam dentro de mim. Então, para mim, o educador tem muito a ver com isso. Você vai lá provocar, não para ensinar alguma coisa à pessoa. Isso é a teoria socrática da educação. Sócrates dizia que todos nós estamos grávidos de beleza, e que a tarefa do educador, como na história de A Bela Adormecida, é dar o beijo, o beijo para despertar uma inteligência que estava adormecida. (...)” (Op. cit.)
Gilberto Dimenstein e Rubem Alves 

Sempre admirei muito Rubem Alves. Há aqueles que o acusam de “autor de autoajuda para professores”. Não concordo. Mas, ainda que o fosse QUEM DISSE QUE, NÓS, OS PROFESSORES NÃO NECESSITAMO DE AJUDA? Pois, eu sempre precisei. E, confesso, sempre que o desânimo me alcança (e CANSA!), meus percorrem minhas estantes à procura das palavras de Rubem Alves. Há trechos, textos, versos, poemas, crônicas e causos para toda ocasião. Ou então, o que é mais eficiente ainda, eu vejo um DVD dele que veio num de seus livros. E COMO O SEU FALAR PAUSADO ME ACALMA... 


O efeito sobre mim deve ser maior, porque já tive o prazer de ouvi-lo ao vivo. Num espaço para aproximadamente 1000 pessoas (completamente lotado), restou-me sentar na última fileira. Pensei: “não ouvirei  nada." Para minha surpresa, quando  Rubem começou a falar, com seu sotaque macio, era possível ouvir até sua RESPIRAÇÃO. Que encantamento. Saí de lá embevecida e pensando sobre a relação que ele faz entre o PÔR DO SOL e a MORTE. A morte de cada dia; por isso: CARPE DIEM!


Nesta tarde, após a palestra, ao invés de ir para a faculdade, procurei um lugar na cidade de onde pudesse ver o sol se por completamente. O aspecto urbano do local não maculou meu encanto. Vi um por de sol como nunca havia visto. E, desta tarde em diante, aprendi que morremos um pouco a cada dia/ que a vida é UMA CONTAGEM REGRESSIVA e que, portanto, devo viver cada momento com intensidade e com vontade... sem desperdícios. Algum tempo depois tatuei: " TEMPUS FUGIT. CARPE DIEM"...


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

MEMÓRIAS DE UM CORPO QUE DÓI

POR MARI MONTEIRO



Já aviso: Não foi fácil compartilhar este texto. Foi quase uma CONFISSÃO. Ato que exigiu de mim muita HUMILDADE e uma boa dose de CORAGEM. Falar da condição dos outros é algo fácil e vil; mas falar da própria condição, é algo que se assemelha a um ato cirúrgico invasivo, que tira de dentro coisas que até eu mesma desconhecia...

Não há como não pensar. Nem como não sentir. Está por toda parte: nos olhares; nas asperezas das palavras ditas (ou não)  pelos outros; nos burburinhos pelos cantos; nos rótulos negativos e pesados que recebemos... Nas palavras não ditas e tão bem guardadas. Em momentos assim, sinto-me só. Extremamente só, onde quer que eu esteja. É por isso que gosto tanto de estar no meu quarto, porque lá a SOLIDÃO FÍSICA é real; logo, dói menos que a solidão acompanhada.

Digamos que eu decida (e já fiz isso muitas vezes) NÃO SOFRER MAIS, seguindo à risca as máximas de que “sempre somos capazes de curar a nós mesmos”; “que depressão é frescura”; "QUE TUDO NÃO PASSA DE ALGO NEGATIVO QUE, POR ACASO, ENFIAMOS NA CABEÇA” e outros tantos clichês que ouço quase que diariamente. Então, amanhece e, decidida, opto por não sofrer hoje, por não me entristecer com nada, por não me deixar abalar. Ok. Decisão tomada. Saio de casa para “colher” mais um dia e debitar um dia da minha vida. Duas horas depois, no mínimo, já me deparei com duas ou três situações que me incomodaram. Quando digo incomodaram, por favor, entendam como algo tão forte, que senti fisicamente. Uma dor que varia entre um leve roçar de um espinho a um corte profundo e lento com uma faca serrilhada.


Pois bem. O que faço agora? Espero a dor passar? Finjo que não estou sentindo nada? Não sou muito boa nisso. Atingi um estágio da minha luta contra a “depressão” que, se guardar algo que deveria ter sido dito e não foi, aquilo sai de dentro de mim em forma de vômito. Mas não um vômito qualquer. É um vômito acompanhado de dores LANCINANTES. Então, na maioria das vezes, eu DIGO. Com toda diplomacia e educação do mundo, DIGO olhando bem no fundo dos olhos... Não que isso me cure de vez. Mas sinto-me menos covarde, mais autêntica e meu corpo dói menos.

E as frases feitas ouvidas quase que diariamente? Não as suporto mais. Primeiro, porque são tão clichês, que as pessoas as expressam  “no automático”. 

Segundo, porque já sei que não são verdadeiras. NÃO ACONTECEM! Por exemplo: “Tudo passa” (Tudo o que cara pálida? Cada um tem um ‘tudo’ diferente que pode ou não passar); “Vai ficar tudo bem!” (Quando vai ficar tudo bem?); “Não chore, você precisa ser forte!” (Essa é demais pra mim; por que devo engolir um choro que pode trazer algum alívio?); “Fulano passou por isso e está ótimo!” (Bom pra ele. Além disso, o “isso” dele pode não ser o “isso” meu). E por aí vai...

Sabe o que ajudaria muito? Se as pessoas, além de entender um pouco mais sobre a depressão, parassem de generalizar, de nivelar os acontecimentos, como se todos os problemas; todas as circunstancias e todas as pessoas fossem iguais. Não somos. CADA UM SENTE A DOR NUMA FREQUÊNCIA E NUM GRAU DE INTENSIDADE DIFERENTES. Um fato que pode me causar uma dor aguda pode ser irrelevante para outra pessoa. Porque não é só o fato em si. São as circunstâncias; sãos as fragilidades; as vivências pessoais somadas... E aquele fato, irrelevante para alguns, pode ser a gota que fará transbordar o copo para mim ou para você.

Em tempo, preciso avisar que me chamar de FRACA não ajuda em nada. Além de ser algo que não me traz nenhum constrangimento, é minha condição (oxalá algo temporário); portanto, respeite-a. Além disso, assumir a própria fraqueza é um ato de EXTREMA CORAGEM. Principalmente, porque não sobra muita disposição a alguém deprimido para escolher “ARMADURAS” e “MÁSCARAS” para fingir sensações. Nunca experimentei usá-las, mas tenho certeza de que causaria um imenso desconforto, capaz de deixar meu corpo ainda mais dolorido.
Ajudaria muito também se as pessoas parassem de me pedir para não chorar... Já sorrio tanto. Se não me chamassem de fraca... Tomei coragem e renunciei a tantas coisas. Se não me pedissem pra fingir que está tudo bem... Tenho orgulho da minha autenticidade. Se não duvidassem da intensidade dos meus sentimentos... Sei o quanto são reais. Se não me rotulassem... Sei exatamente quem sou. E, acredite TUDO ISSO TEM UM LADO BOM: A INTENSIDADE. Quando estou triste, estou intensamente triste; mas se estou feliz, estou intensamente feliz...
Aprendi muito... Sobretudo a ser feliz “APESAR DE” ... e não “POR CAUSA DE”. Isso é imensamente bom; sobretudo, porque, agindo desta maneira, não deposito minhas expectativas num só pilar e, muito menos, em questões materiais. Valorizo cada momento; todo gesto de bondade; cada abraço; cada riso; cada lágrima e cada minuto que tenho com aqueles que amo.
Ah! Só mais uma coisinha: Não sinta culpado a se, por acaso, em algum momento você foi uma das muitas pessoas que me julgou. Eu não me sinto culpada de nada. Além disso, sinta-se PLENAMENTE PERDOADO. Porque sou muito boa nisso. Reconheço meus erros, peço desculpas e perdoou com facilidade... Aprendi que estas ações fazem parta da CURA! Escrever nossa própria história é importante, mas ter a coragem de contá-la é essencial. Sobretudo, porque NÃO SOU PERFEITA em muitas coisas; assim como você não o é em tantas outras; portanto, RESPEITEMO-NOS e já teremos avançado muito rumo à "cura" para as dores da alma que transbordam, fazendo doer o corpo...


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

ALGUNS MOTIVOS PARA VALORIZAR E PARA GOSTAR DE LITERATURA

POR MARI MONTEIRO



Confesso que uma das minhas maiores dificuldades como professora de Literatura sempre foi atrair a atenção dos alunos para este campo de estudo. Minha inquietude levou-me a procurar auxílio na resposta da seguinte pergunta feita a mim mesma: POR QUE EU ME APAIXONEI POR LITERATURA? Ao encontrar as respostas (minhas respostas...) consegui enxergar uma série de aspectos. Aspectos estes que, se despertaram meu DESEJO e minha PAIXÃO, possivelmente, haveriam de motivar também meus alunos.


Animada, revirei o RELICÁRIO que tenho na memória, e elaborei os seguintes tópicos:

► A Literatura é uma espécie de “porta” para diferentes “mundos”.



REFINA os olhares sobre todas as circunstâncias; ou seja, olhamos de forma mais sensível para tudo o que nos cerca.

► Permite “vivenciar” muitas vidas numa ÚNICA existência. Se o indivíduo não lê, ele só tem sua própria história como parâmetro. Através da Literatura, ele pode vislumbrar muitas outras possibilidades para si mesmo.

► Graças aos grandes CLÁSSICOS da Literatura e ao estudo destes, a escola pode retomar ”resguardar” e valorizar a NORMA CULTA DA LÍNGUA. E, através do acesso à norma culta, nos tornamos menos vulneráveis diante da elite manipuladora.


► Agrega valores através das reflexões que ela permite.

► A produção literária acompanha as transformações dos contextos social, cultural e histórico de cada época e local. Diante disso, os enredos literários nos propicia o conhecimento de costumes, características, gostos musicais, figurinos, regimes políticos etc de épocas distantes de nós. A Literatura ANUNCIA e DENUNCIA.

► Enriquece o VOCABULÁRIO do autor, do leitor e do falante. Apropriamo-nos de uma gama cada vez maior de vocábulos, o que faz com que tenhamos mais opções para formular hipóteses e para defender diferentes pontos de vista.

► Quanto mais se estuda obras literárias, melhor se escreve e melhor se fala.



► O olhar da Literatura sobre os mais variados assuntos é TERAPÊUTICO, pois permite um distanciamento da nossa realidade e, ao mesmo, tempo nos oferece a oportunidade de “voltar” diferente após cada leitura.

► Literatura é ARTE e arte é alimento para a alma.

► Quando lemos um bom livro, as cenas MARCANTES permanecem na nossa memória, assim como as características dos personagens e as tramas que os envolvem.


Diante disso, todo começo de ano letivo uma das primeiras atividades que realizo do Ensino Médio é entregar uma cópia destes aspectos e conversar profundamente sobre cada um deles. No final da conversa, lemos e interpretamos (oralmente) a letra da canção “Sintaxe à Vontade”, da autoria de Fernando Anitelli - O Teatro Mágico (letra anexa). Durante todo o ano letivo, desde que adotei esta prática há três anos, não ouço nenhum tipo de lamentação, durante o ano inteiro, quando vamos estudar Literatura. ISSO ME DEIXA MUITO FELIZ! Por isso, “sintaxe à vontade” você também.

O TEATRO MÁGICO
Sem horas e sem dores
Respeitável público pagão
A partir de sempre toda cura pertence a nós
Toda resposta e dúvida

Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto
Nenhum predicado será prejudicado
Nem tampouco a vírgula, nem a crase nem a frase e ponto final!
Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas
E estar entre vírgulas é aposto
E eu aposto o oposto que vou cativar a todos
Sendo apenas um sujeito simples; um sujeito e sua oração
Sua pressa e sua prece

Que a regência da paz sirva a todos nós... Cegos ou não
Que enxerguemos o fato de termos acessórios para nossa oração
Separados ou adjuntos, nominais ou não, façamos parte do contexto da crônica.
E de todas as capas de edição especial
Sejamos também o anúncio da contracapa, mas ser a capa e ser contracapa
É a beleza da contradição, é negar a si mesmo e negar a si mesmo

É muitas vezes, encontrar-se com Deus, com o teu Deus
Sem horas e sem dores
Que nesse encontro que acontece agora
Cada um possa se encontrar no outro até por que... Tem horas que a gente se pergunta...
Por que é que não se junta tudo numa coisa só?
(Link: http://www.vagalume.com.br/o-teatro-magico/sintaxe-a-vontade.html#ixzz2rpWyERlG)

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