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EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.

terça-feira, 12 de março de 2013

INEVITÁVEL NÃO POSTAR, LAMENTÁVEL POSTAR!

"Simone de Lima, 27 anos, professora da Escola Toledo, em Itirapina, foi assassinada no início da tarde da segunda-feira (11), dentro da escola onde trabalhava por aluno de 33 anos.

(fonte: http://primeiraedicao.com.br/noticia/2013/03/12/aluno-invade-escola-e-mata-professora acesso em 12/02/2013)

Por Mari Monteiro
No último artigo postado "O PROFESSOR E A SÍNDROME DE DURGA", além de mencionar todas as mazelas as quais nós, professores, estamos sujeitos, devo dizer que estamos também (e diariamente) frente a situações de risco como estas. Há dezenas de casos em que os professores sofrem ameaças e, incrédulos ou confiantes na bondade humana (feito eu, que sou bem Dorothy do Mágico de OZ, achando que tudo fica sempre bem...), meses ou até anos depois são brutalmente assassinados e agredidos fisicamente... Quanto à agressão verbal... Bem. Esta já virou rotina para alguns!!! E, pasmem, caso acessem este link do inicio do artigo, verão que a mídia não escreve o nome do ASSASSINO, emprega apenas suas iniciais. Afinal, quem merece proteção mesmo??? REVOLTANTE!

segunda-feira, 11 de março de 2013

O PROFESSOR E A SÍNDROME DA DEUSA DURGA (PROFESSOR AND THE GODDESS DURGA SYNDROME/ TEACHERS SICK)

Por Mari Monteiro

O PROFESSOR E A SÍNDROME DA DEUSA DURGA

Num determinado momento da minha carreira, respondi a uma indagação vinda de uma coordenadora pela qual nutro o mais profundo respeito. A pergunta foi: “Agora está tudo bem Mari?”. Eu disse: “Não. Não está tudo bem, porque não estou feliz e só sei ensinar de verdade quando estou feliz.”.

Desde então, passei a entender a SAÚDE EMOCIONAL do professor como sinônimo de SATISFAÇÃO e de FELICIDADE. Isso somado ao fato de que o professor – assim como todo e qualquer trabalhador – deve estar física e emocionalmente saudável e bem disposto.

Não que antes eu não prestasse atenção às mazelas e aos comportamentos dos meus colegas de trabalho (e às minhas próprias); mas, a partir deste fato, passei a fazê-lo com muito mais profundidade e sensibilidade. Foi então que percebi o quanto estamos FRAGILIZADOS E EXPOSTOS. Explico.  Fragilizados, porque somos alvos de cobranças cada vez mais esdrúxulas e extremas no sentido de dar conta de solucionar problemas há tempos cristalizados. E, expostos no sentido de que somos “vitrine”; ou seja, os profissionais que, diante da família, do sistema e dos alunos são os responsáveis pela educação.

Percebam que não especifiquei educação. Foi intencional. Atualmente, (nós, os professores, “ACUMULAMOS FUNÇÕES”; por muitas vezes, quero crer, inconscientemente). Ora somos pais, ora somos irmãos mais velhos, ora psicólogos, ora enfermeiros. Sou contra. Já dizia Paulo Freire “Professora sim, tia não!”. E isso foi dito, escrito e estudado há muito tempo. Contudo, continuamos exercendo múltiplas funções e, por serem tantas as nossas incumbências na resolução das problemáticas educacionais, todas as tarefas são executadas apressada e superficialmente. Logo, os problemas não são solucionados. E, o mais grave, ao nos ocuparmos de funções que pertencem a outras esferas, desviamo-nos do principal foco: ENSINAR COM COMPETÊNCIA.

Quando digo: “ensinar com competência”, me refiro ao aprendizado dos conhecimentos específicos da série em curso; ou seja, se o aluno cursa o quinto ano, ele tem o direito a adquirir conhecimentos desta série e nada menos que isso porque está “atrasado”. Para tanto, temos de estar isentos de outras preocupações, o que não nos exime do comprometimento com o todo, que é o bem estar geral do aluno. Porém, o que predomina é o desvio de foco. O olhar sobre o aprendizado do aluno é encoberto pelo olhar sobre os seus problemas sociais, pessoais e estruturais (o que inclui o fato de não ter sido alfabetizado COM ÊXITO na idade certa, que somente agora, depois de prejudicar milhões de alunos, decidiu-se que é de oito anos de idade!). Haja vista a temática das reuniões pedagógicas e conselhos de classe, onde nos pegamos, a todo o momento, falando dos problemas pessoais do aluno e não das suas expectativas de aprendizagem ou do seu prejuízo de conhecimento.

Tais procedimentos incidem numa série de outros fatores que nos fazem mal. Quando trazemos para nós a responsabilidade que é da família ou do Governo, responsabilidades estas que, obviamente, não damos conta de resolver, consequentemente,  sofremos uma imensa frustração que, não obstante, nos faz adoecer a médio e em longo prazo mental e fisicamente.

Há, no mínimo, três fatores gravíssimos advindos desta abordagem. Primeiramente, há uma boa parcela de professores trabalhando sem condições satisfatórias para tanto.  Em segundo lugar, sempre que assumimos as responsabilidades do Governo e resolvemos problemas que não são nossos, para ele (o sistema) estará tudo bem: “A educação vai bem, obrigada!. E em terceiro lugar, há os professores que já se afastaram da função totalmente sem condições. Pois, por mais que tentassem cumprir suas funções, ao abarcar para si tantas responsabilidades QUE NÃO SÃO SUAS (e que o sistema praticamente nos DOMESTICOU para pensar que isso tem outros nomes bonitos como: COLETIVIDADE, COOPERAÇÃO, SOLIDADRIEDADE etc.), chega um ponto em que a carga é por demais pesada e o cérebro envia a mensagem para o corpo: Não aguento mais!. Afinal, alguém precisa ser racional nesta relação.

Diante destes fatos, ficam alguns alertas: Sou professor e o aluno é minha responsabilidade como aluno; minha incumbência é ensiná-lo a educação formal de modo COMPETENTE e CORTÊS. Ao sistema, cabe fornecer estruturas para tal (número máximo de alunos por sala, dentre uma lista enorme que é parte de outra discussão). À família, cabe a PATERNIDADE RESPONSÁVEL (que, diga-se de passagem, até isso tem escolas que abraçam para si com as oficinas de pais... Gente! A cada um cabe o seu papel pelo amor de Deus! É também por isso que a educação brasileira vai de mal a pior em relação aos demais países... Porque não se coloca um ponto final no “jeitinho brasileiro”...). Cabe ainda à família a educação de um modo geral – aquela que dizem que vem de berço lembram? – para que o professor não passe metade de suas aulas implorando atenção e educação.

Há que se colocar em prática SOLUÇÕES que somente cabem ao Governo: fornecer formação contínua para o professor e,  para tanto, não bastam os horários de trabalho pedagógico realizado na própria escola. O professor tem que ganhar um salário que lhe permita viver com DIGNIDADE trabalhando em uma ÚNICA escola, a tão falada exclusividade; limitar o número de alunos por sala em 25; fornecer aos alunos LIVROS DIDÁTICOS CONSUMÍVEIS: o aluno precisa ter o direito de grifar seu próprio livro, de responder em suas páginas para não perder tempo copiando tudo no caderno, porque o livro precisa pertencer a mais dois alunos depois dele... Isso é pura perda de tempo; sem contar o precário acesso (ou a falta dele) à tecnologia na maioria das escolas. Estas supostas soluções são apenas algumas ações por mim pensadas (há tempos). Sei que se nos juntarmos, encontraremos muitas outras mais criativas e mais eficientes.

Fato é que não pretendo nomear culpados. Mas reafirmar que são muitos os problemas sem soluções e que, invariavelmente, quem responde por isso é o professor. As soluções parecem distantes; muitas promessas e poucas ações; muita mídia “para inglês ver”. Enquanto isso, nós continuamos sofrendo uma TERRÍVEL METAMORFOSE: estamos nos transformando (e, lamentavelmente, muitos de nós já concluiu há tempos o processo de transformação) na deusa DURGA. “(...) Durga é descrita como um aspecto guerreiro da Devi Parvati com 10 braços, que cavalga um leão ou um tigre, carrega armas e assume gestos simbólicos com a mão. Esta forma da Deusa é a encarnação do feminino e da energia criativa. (...)http://pt.wikipedia.org/wiki/Durga (acesso em 10/03/2013).  Escolhi esta deusa justamente pela nossa semelhança física e psicológica com ela. Pensemos; se temos DEZ braços, podemos fazer muito mais coisas ao mesmo tempo (daí o fato de assumirmos responsabilidades de outrem); se somos GUERREIROS - podemos tudo, somos invencíveis... E nem adoeceremos. Imagina que maravilha para as estatísticas do Governo: Todos os professores dando conta de tudo, não sofrendo nenhuma forma de agressão física ou verbal (somos guerreiros, lembram?), não adoecemos, somos deuses; no mínimo, semi deuses...

Enfim, o mais lamentável disso tudo é que, como toda síndrome, ela avança ou regride (dependendo do tratamento e da consciência que se tem dela). E, não raro, num estágio mais avançado da metamorfose, nos esquecemos de “descorporificar” a deusa DURGA e a levamos conosco para casa, para nossa vida social e familiar; o que nos dá a falsa e PERVERSA ideia de que podemos resolver tudo sozinhos. NÃO PODEMOS! PRECISAMOS CUIDAR DE NÓS! PRECISAMOS DE TEMPO PARA NÓS MESMOS, PARA O ÓCIO CRIATIVO. Para, quem sabe assim, desvestir a DURGA e retomar nossa essência que se perde a cada dia. Ah! Ia me esquecendo, os deuses são por demais sérios, caras fechadas... O que me lembra de nossa atual existência: um grande número de professores doentes, entristecidos, cabisbaixos e deixando de VIVER apenas SOBREVIVENDO, acostumados com a apatia e com o descaso das "autoridades" da área educacional. 

sexta-feira, 8 de março de 2013

Direitos Humanos na Educação básica

Por Kássia Rocha


Quando comecei na faculdade, no curso de Letras, a primeira aula foi sobre os Direitos Humanos, no qual, a abordagem deste tema ocorreu de maneira ampla, de como o professor deve conduzir suas aulas (nos parâmetros envolvidos quanto à socialização), preparando um meio sociológico democrático, em sala de aula, que respeite as diferenças nos credos, raciais, físicos mentais, etc.. Claro que, o meu ingressar no caminho da educação, foi essencial assistir e participar de uma aula assim, que explana sobre a importância de se construir pensamentos sociológicos a favor da cidadania e da democracia, pertencentes a cada individuo que está em plena formação de personalidade e construção de saberes, tal como, seus valores individuais, suas práticas e o processo constituinte na visão de mundo.

A Educação básica passa por uma precariedade, quanto ao desenvolvimento educacional dos grupos escolares, em trabalhar o direito igualitário de cada aluno, e na falta de informatizar (por despreparação da escola) e considerar os problemas reais entre os grupos, nas relações que percorrem entre eles, do respeito às diferenças, a integridade que deve ser constantemente laborativa no cotidiano escolar. Isto, também se deve ao desinteresse do governo em instruir, informar e divulgar temas problemáticos em nossa sociedade, com uma frequência diária e campanhas necessárias para o conhecimento dos direitos humanos. Temos uma política pitoresca quanto aos valores fundamentais, à preocupação de sanciona-los, para um país que é variável, tanto em religião como em costumes. Com isso ressalto que:

“• a educação básica, como um primeiro momento do processo educativo ao longo de toda a vida, é um direito social inalienável da pessoa humana e dos grupos socioculturais;

• a educação básica exige a promoção de políticas públicas que garantam a sua qualidade;

• a construção de uma cultura de direitos humanos é de especial importância em todos os espaços sociais. A escola tem um papel fundamental na construção dessa cultura, contribuindo na formação de sujeitos de direito, mentalidades e identidades individuais e coletivas;

• a educação em direitos humanos, sobretudo no âmbito escolar, deve ser concebida de forma articulada ao combate do racismo, sexismo, discriminação social, cultural, religiosa e outras formas de discriminação presentes na sociedade brasileira;

• a promoção da educação intercultural e de diálogo inter-religioso constitui componente inerente à educação em direitos humanos;

• a educação em direitos humanos deve ser um dos eixos norteadores da educação básica e permear todo o currículo, não devendo ser reduzida à disciplina ou à área curricular específica.”

Fonte: http://www.uasb.edu.ec/UserFiles/369/File/PDF/CentrodeReferencia/Temasdeanalisis2/educacionenyparalosderechoshumanos/documentos/planesnacionales/plandeeducacionendhbrasil.pdf

 
No meio educacional básico, cabe ao professor elaborar os tipos de relações interpessoais, o currículo profissional, para que, por exemplo, possamos lidar com as crianças especiais, e com as necessidades ocorrentes no campo estudantil. O papel que a escola possui também é importante, primordial, sendo este espaço não só da educação, mas respeito aos direitos e deveres. Então, é fundamental a escola ter a informação em meio aos gestores, educadores e profissionais, sob a formação dos conselhos escolares, na fase e processo de formação dos alunos. São necessários materiais didáticos que envolvam várias linguagens, nos níveis de desenvolvimento moral, cognitivo e no desenvolvimento geral da criança e do adolescente. 

>> Cartilha Ziraldo

quinta-feira, 7 de março de 2013

AULA DE ECONOMIA

Por Mari Monteiro
Um professor de economia em uma universidade americana disse que nunca havia reprovado um só aluno, até que certa vez reprovou uma classe inteira.

Esta classe em particular havia insistido que o socialismo realmente funcionava: com um governo assistencialista intermediando a riqueza ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e justo.

O professor então disse, "Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas." Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e, portanto seriam 'justas'. Todos receberão as mesmas notas, o que significa que em teoria ninguém será reprovado, assim como também ninguém receberá um "A".

Depois de calculada a média da primeira prova todos receberam "B". Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.

Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Já aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Como um resultado, a segunda média das provas foi "D". Ninguém gostou.

Depois da terceira prova, a média geral foi um "F". As notas não voltaram a patamares mais altos, mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe. A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, todos os alunos repetiram aquela disciplina... Para sua total surpresa.

O professor explicou: "o experimento socialista falhou porque quando a recompensa é grande o esforço pelo sucesso individual é grande. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros para dar aos que não batalharam por elas, então ninguém mais vai tentar ou querer fazer seu melhor. Tão simples quanto isso."

1. Você não pode levar o mais pobre à prosperidade apenas tirando a prosperidade do mais rico;
2. Para cada um recebendo sem ter de trabalhar, há uma pessoa trabalhando sem receber;
3. O governo não consegue dar nada a ninguém sem que tenha tomado de outra pessoa;
4. Ao contrário do conhecimento, é impossível multiplicar a riqueza tentando dividi-la;
5. Quando metade da população entende a ideia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.

Fonte: Mídia Publicitária – Contribuição Danns Ohm (Obrigadíssima)

 


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

NO GRITO!

  por Mari Monteiro



Costumo dizer que, particularmente, um grito dói mais que apanhar. Digo isso porque nunca gostei de gritos. O que é diferente da aceitação do timbre de voz; ou seja, há pessoas que possuem um timbre de voz naturalmente alto e isso não é um grito. Gritar é agredir.
Toda palavra, independentemente do tom de voz, possui uma carga de sentimentos a ela agregada. Nesse sentido, quando uma pessoa grita com a outra num contexto em que há discordância  e exaltação, por exemplo, não é só um grito. É um grito e uma ofensa.

No CONTEXTO EDUCACIONAL, em situações de sala de aula, há muitas pessoas que acreditam e; por isso, já se habituaram a tal prática, que o grito impõe respeito. NÃO ACREDITO NISSO! Sempre disse que se gritasse em sala de aula ou tivesse que falar mais alto que meu tom de voz normal,  em uma semana estaria afônica. Então, a conversa com meus alunos é a seguinte: não falo alto. Sempre pergunto se o último aluno da sala está me ouvindo bem, a resposta é sempre positiva. Logo, explico que nunca precisarei gritar já que todos me ouvem bem.

Fato é que o hábito de gritar em sala de aula está tão arraigado em alguns profissionais que É quase padrão passar diante das salas de aula e ouvir professores vociferando, ora para explicar a matéria, ora para dar a famosa bronca. Imagino que ele (o professor que grita) não se dá conta do próprio tom de voz, pois seus gritos já se tornaram familiares aos seus ouvidos, que não mais se assombram também com os gritos alheios.

Quanto ao aluno, após se habituar aos gritos de seu professor, também se sentirá no direito de gritar. Ou, até de modo quase inocente, ele vai desenvolvendo um jeito de se fazer ouvir também pelo grito.

Trata-se, portanto, da necessidade de adoção de uma nova postura; de uma reeducação do ato de falar e de ouvir. O professor não tem que gritar para se fazer ouvir, o aluno é que deve saber o momento de silenciar para ouvi-lo e para que possa haver um diálogo num tom de voz aceitável de ambas as partes. Não se conquista disciplina, respeito e nem conhecimento no grito.

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