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EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.

domingo, 29 de setembro de 2013

MIKE: O REENCONTRO!

POR MARI MONTEIRO


Tarde de primavera, setembro de 2013.


Aguardo ansiosa uma visita importante: Mike. Mal posso acreditar que irei revê-lo. Será que ele se lembra de que marcou comigo? O que achará do artigo que lerá no blog? Preciso que ele o aprove. Afinal, além de ser sobre ele, também preciso de sua  permissão para escrever e registrar nosso REENCONTRO... Sete anos depois...

Pontualmente, às duas horas da tarde, alguém sobe até minha sala e anuncia que Mike chegara. Meu coração disparou. Pedi que ele subisse. Havia acabado de falar com seu pai ao telefone (foi um retorno no tempo e no espaço, ouvir aquela voz generosa e educada, de quem cujo nome é Sr. Rosângelo e não Sr. Antônio, como me “recordava” no primeiro artigo.), ele me disse que Mike havia ido ao banco e que, depois, passaria na escola para conversar com uma professora. Apresentei-me e – feliz – pensei: “ELE NÃO ESQUECEU!”.

Não demorou e Mike surgiu no corredor. Eu o aguardei na porta. O abraço foi emocionante. INCRÍVEL COMO OS OLHARES NÃO MUDAM (impossível fingir um brilho no olhar). E o sorriso? O mesmo do menino de doze anos que conheci. Logo pedi para que uma pessoa registrasse nosso reencontro. Tiramos algumas fotos.

O artigo “POR ONDE ANDARÁ O MIKE?”, escrito em 21 de fevereiro deste ano, já estava esperando por ele no computador. Sentamo-nos e eu lhe contei sobre os motivos que me levaram a escrever sobre ele. Em seguida, deixei-o à vontade para ler o artigo. Confesso que fiquei tensa, não sabia quais seriam suas impressões. Concentrado, ele lia atentamente cada parágrafo. Às vezes, olhava pra mim e ríamos. Quando terminou, estávamos com os olhos úmidos.

- Legal hein Professora?
- Gostou?
- “Da hora!”

(...) Silêncio.

Mostrei a ele o funcionamento do blog e os depoimentos dos meus alunos do Ensino Médio e de outras pessoas sobre sua história. Ele ficou surpreso. Ele soube que muitas pessoas leram e passaram a conhecer aquela pequena parte de sua vida  e que, agora, veriam o seu ROSTO, seu OLHAR e seu SORRISO.

Conversamos sobre todos os outros colegas da nossa turma de 2006. Rimos de muitas lembranças. “POUCOS CONTINUARAM OS ESTUDOS. A MAIORIA PAROU DE ESTUDAR PRÔ!” Isso me entristeceu. Mas, logo o Mike sorriu e voltei para aquele momento. Ele  está no Terceiro ano do Ensino Médio. “ATÉ A SEXTA SÉRIE EU FUI RUIM, MAS DEPOIS EU MELHOREI E AGORA ESTOU MAIS OU MENOS.” Disse ele e, claro, sorriu aquele sorriso de luz. Contou-me que prestará o ENEM. Falamos sobre a possibilidade de ele ser aprovado e cursar uma universidade. FICAMOS FELIZES AO PENSAR NISSO.

Muitas coisas passavam pela minha cabeça enquanto conversávamos. Mas, o que eu mais dizia a mim mesma era: “ELE É UM VENCEDOR, UM SOBREVIVENTE DO SISTEMA!” Mas, não podia ignorar o fato de que muitos haviam ficado pelo caminho. E... Vai entender!  Eu havia cismado justamente com o Mike; talvez eu merecesse mesmo essa alegria, esse retorno. Porque, caso escolhesse qualquer outro aluno para contar a história, talvez eu não estivesse aqui agora, feliz da vida, escrevendo este artigo. Talvez me tivesse sido negada esta satisfação.

Conversamos sobre muitas outras coisas que não caberiam aqui. Providenciamos contato pelo Facebook e ele prometeu voltar sempre. Em seguida, fomos até a Direção para vermos a Helena, que teve muita importância nesta história, tanto hoje como há sete anos. Foi mais um momento único. Ela o RECONHECEU imediatamente. E isso o deixou bem feliz.

Na despedida, promessas de não nos perdermos um do outro. Quero notícias sobre o ENEM; sobre os rumos que a vida dele tomará... Um abraço fraterno selou nosso reencontro...

Já se passaram alguns dias desde que o vi na rua, quando ele gritou, passando por mim apressado: “E AÊ PROFESSORA MARI?”. Olhei, retribui o cumprimento e continuei andando. Alguns passos adiante, me dei conta: “É O MIKE!” Mas, já não podia mais alcançá-lo. Ele havia se embrenhado na multidão. Iniciei uma busca no mesmo dia. Bendito dia! Bendito reencontro em que me chamara pelo nome sete anos depois! BENDITO MUNDO QUE GIRA e nos faz rever; reviver; reencontrar; repensar; recomeçar e REANIMAR, no sentido mais amplo da palavra.

No primeiro artigo, terminei com a seguinte frase: “(...) Espero que esteja bem... E que um dia possa, por um destes acasos providenciados por Deus, ler este artigo e dar notícias...”. FUI ATENDIDA! Então, só posso terminar este artigo agradecendo a Deus, ao Mike e à sua família, aos meus alunos do Ensino Médio do CEC (2013), QUE AGORA FAZEM PARTE DESTA HISTÓRIA; à Diretora Helena; à Cidinha  e José que o localizou e à Conça. 

Finalmente, a TODOS OS LEITORES, desejo momentos como este: momentos de felicidade que, embora breves, se fazem eternos na lembrança... Bem guardados num RELICÁRIO de onde os retiro, como arquivos,  para usar como bálsamo na superação de outros momentos não tão felizes assim...

"Esta parte da minha vida, esta pequena parte, se chama Felicidade."  (do filme: À procura da Felicidade)

Para ler o primeiro artigo: "MIKE: POR ONDE ANDARÁ O MIKE?", CLIQUE NO LINK ABAIXO:
http://educandoquem.blogspot.com.br/2013/02/mike.html



sexta-feira, 27 de setembro de 2013

DOCENTE DECENTE: QUANTOS SOMOS MESMO?

Por Mari Monteiro



Começaram as inscrições para um dos maiores concursos públicos do Estado de São Paulo. Obviamente, será fácil. Aposto como o Governo vai "facilitar". Mesmo porque se ele está ciente da falta de professores na Rede e na DECADÊNCIA da qualidade do ensino, ele não pode exigir muito.

Fato é que SOMOS UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO! Venho afirmando isso algum tempo. Trabalhando com alunos do Ensino Médio, percebemos as escolhas profissionais. Há tempos, ninguém opta pela carreira de professor. Das duas uma. E ISSO VAI DOER! Ou nós não lhes inspiramos mais (porque a nossa profissão perdeu o glamour e nós o perdemos também!) ou eles estão conscientes do quanto nos desgastamos em troco do que "não haveria preço". 

Que profissional, além do professor leva tanto serviço para casa? O médico, por exemplo leva seus pacientes para operar em casa? Trinta a quarenta alunos por sala; se quiser se manter financeiramente (com o mínimo para sobreviver com decência) terá que dobrar período ou trabalhar em até três ou quatro escolas (de diferentes instâncias)...

Consigo pensar numa série de pseudônimos para os professores:Professor - Zumbi (não ouve e nem fala); Professor -solitário (passa finais de semana a fio corrigindo ou preparando atividades); Professor - Hóspede (vai em casa só para dormir); Professor - deixa quieto ( indiferente, empurra com a barriga); Professor Moralmente Doente, = angústia; peso nas costas; dores nos braços e nas mãos; dores de cabeça diárias; insônia; sensação de impotência; medo; fortes presságios sombrios sobre o futuro da educação e, antagonicamente, persistência; otimismo e desejo de mudança.

Vai encarar o concurso? Se vai, te desejo uma excelente prova. Se não vai... Bem, você deve possuir OPÇÕES MELHORES. Quanto a mim, já sofro de todos os "MALES" acima. Então, que venha o futuro. Da educação? Não. Da EXTINÇÃO DA PROFISSÃO DOCENTE DECENTE! Em breve, seremos poucos. Muito poucos e aí sim, vão ter que nos VALORIZAR!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

LER E INTERPRETAR: A QUEM INTERESSA?

POR MARI MONTEIRO






O que você está prestes a ler são palavras IMPACTANTES; sobretudo às Alma sensíveis dos educadores que AINDA ACREDITAM nas possibilidades de aprender a LER e a ESCREVER com propriedade; com o discernimento necessário para não ser manipulado ou ludibriado pelos meios de comunicação ou por qualquer outra forma que exija uma interpretação mais aguçada dos fatos. E não estou falando da “enganação” do clichê: “aprendemos a ler e a escrever durante toda a vida”. ISSO É BALELA! Uma desculpa esfarrapada dos profissionais (há muitas exceções) para justificar a grande soma de alunos que, ao final do QUINTO ANO não leem com fluência e, muito menos, interpretam!


Este artigo é sobre este FINGIMENTO GENERALIZADO que permeia o sistema de ensino brasileiro. Somos uma VERGONHA MUNDIAL no quesito interpretação de texto. Diante disso, as citações e argumentações aqui contidas são dirigidas a nós, professores, porque antes de tudo, NÓS PRECISAMOS GOSTAR DE LER, DE ESCREVER E DE INTERPRETAR... E conheço reinos “não tão distantes” em que os profissionais da educação não leem, não interpretam e tem raiva de quem o faz!


Ser escritor é falar das coisas que sabemos sem saber que o sabemos. Explorar esse saber e compartilhá-lo é um PRAZER: o leitor visita um mundo que é ao mesmo tempo familiar e miraculoso. Quando um escritor toma suas feridas secretas como ponto de partida, outorga grande confiança à humanidade, conscientemente ou não. Minha confiança vem da crença de que todos os seres humanos são SEMELHANTES, que outros carregam feridas parecidas com as minhas e que, portanto, poderão compreender.” (ORHAN, Parmuk)


Quando leio ou escrevo, me distancio do que sou agora. Posso ser ou estar onde eu quiser. Neste suposto refúgio, eu me exponho. Exponho o que, antes, era só meu. Compartilho. Ao compartilhar, mudo de ideia, tropeço em minhas certezas, enxergo outras perspectivas... Vou seguindo, revendo conceitos, revirando gavetas, redecorando meu ser em PERMANENTE CONSTRUÇÃO. Neste sentido, compartilho da ideia de Catherine (texto abaixo):


 “Quando estou muito deprimida, vou ver uma exposição, procurando outra coisa, em outro lugar. Quando o exterior é belo, me imagino bela no interior, é uma espécie de reflexo. Uma coisa bela apaga todo o resto, é um modo de vencer as mesquinharias, as vicissitudes  Eu poderia ficar ali por horas. Estou num mundo de equilíbrio, você respira melhor. Isso me traz muita paz e tenho uma necessidade vital disso. Para minha mãe, era a decoração: ela refazia o tempo todo o seu ‘interior’.”. (Catherine – In. PETIT, Michèle – A arte de ler ou como resistir às adversidades – São Paulo: Ed. 34, 2013).


Ao enxergar todas estas possibilidades, inevitável não pensar nas pessoas que – por inúmeros motivos – foram privados da leitura, da interpretação e da escrita.  Tenho a impressão de que vivem menos intensamente; não por conta do conhecimento intelectual, mas por conta do quanto de ENCANTAMENTO há no fato de ler e de compreender o lido. Isso lhes priva, ainda, de autonomia e cerceia as possibilidades de ascensão social. Conheci algumas pessoas que viveram e morreram sem saber ler e escrever. Pessoas ótimas, de caráter inquestionável, generosas; porém, dependentes de amigos e de familiares para solucionar questões que dependem da leitura e da escrita, o que nem sempre faziam de bom grado. Considero isso TRISTE. Há os que dirão: “são coisas da vida”; “Questão de escolha” etc. Eu não penso assim. Ouso dizer que é uma questão de OPORTUNIDADE!



Lamentavelmente, temos situações muito parecidas acontecendo ao nosso redor. Crianças com seus nove ou dez anos de idade (frequentando a escola!) semi  analfabetas. Diz-me: COMO PODE UM INDIVÍDUO FREQUENTAR AS SALAS DE AULA POR CINCO ANOS E CONTINUAR ANALFABETO OU ALFABETO FUNCIONAL? Não me conformo com coisas assim. Além do mais, creio na questão das oportunidades e nas circunstâncias, mas, creio ainda mais na ”vantagem” que há por detrás daqueles que nasceram e tiveram a oportunidade (não creio em sorte!) de encontrar pessoas que  se (PRE) OCUPARAM com elas, que lhes ofereceram livros e... AFETIVIDADE. Digo isso com certa propriedade, porque encontrei pessoas assim... E isso fez toda diferença na minha vida.

Saliento que acredito na relação entre AFETIVIDADE e APRENDIZADO. Não aprendo quando gritam comigo. Aprendo quando me explicam, educadamente, algo. Não aprendo quando me agridem fisicamente, mas quando me abraçam... Por isso, creio que as palavras abaixo resume a importância desta relação:



“Quando escrevemos, sentimos o mundo se mover, ágil, transbordando de possibilidades, nem um pouco congelado. Enquanto escrevo, mesmo agora, o mundo não se fecha sobre mim, não se torna mais estreito: ele faz gestos de abertura e de FUTURO. Eu escrevo. Imagino. O simples fato de imaginar me dá novamente vida. Não estou nem congelado, nem paralisado diante do PREDADOR. Eu escrevo e percebo que o emprego correto e preciso das palavras é como remédio para uma doença. Um meio de purificar o ar que respiro dos miasmas e das manipulações dos criminosos da linguagem. (...). De repente, não estou mais condenado a essa dicotomia absoluta, falaciosa e sufocante, a essa escolha desumana de ser VÍTIMA ou AGRESSOR sem que haja uma terceira via MAIS HUMANA. Quando escrevo, posso ser humano. (...). Eu escrevo também o que não podemos fazer REVIVER. Escrevo também o INCONSOLÁVEL. (...). Ponho o dedo n aferida e no luto como se toca com as mãos nuas a corrente elétrica e, entretanto, NÃO MORRO. (...)”. (David Grossman – Conferência no Pen Club, 29 de abril de 2007. Grossman escreveu essa conferência após seu filho ter sido morto durante a última guerra no Líbano).

Enfim, se me perguntarem hoje o que quero fazer para contribuir com a qualidade do ensino, responderei: “QUERO PROMOVER ENCONTROS AFETIVOS.” Pois os conteúdos estão todos ao alcance de um click. E eu?  Eu também uso o Google em momentos de dúvida; mas sou MUITO MAIS que uma máquina programada para dar respostas. Prefiro instigar: argumentações, questionamentos, curiosidades, sonhos e desejos. E isso o Google nunca fará. Morra de inveja seu buscador de uma figa! Mesmo porque você (o Google) JAMAIS terá um ENCONTRO AFETIVO com outro buscador. Enquanto eu e meus colegas educadores (ou não... Sei  lá, às vezes, penso que todo mundo é educador) temos a oportunidade de fazer isso todos os dias.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

SE EU FOSSE EU... (inspirado na criação de Clarice Lispector) - IF I WERE ME ...

Por Mari Monteiro
Texto original em: http://pensador.uol.com.br/frase/MzY1MTYz/ (acessado em Julho de 2013)

Para que servem os poemas, a Literatura, as artes em geral senão para suscitar em nós reflexões que nos tornem melhores e transmutem nossos espíritos rumo à liberdade de pensamento e de escolhas. A primeira vez que li o poema “Se eu fosse eu”, de Clarice, fiquei intrigada; sobretudo, porque NÃO SOMOS NÓS MESMOS – não da forma intuitiva como gostaríamos. As chamadas CONVENÇÕES SOCIAIS e os pseudos BONS COSTUMES não permitem tamanha ousadia.

Se eu fosse eu , seria eu o AVESSO do que sou hoje? Ocorreu-me também que preciso, antes, saber quem sou agora. Tal como o poema original, estou certa de que, como eu mesma, não duraria muito em meio à sociedade. Alguns meses de “eu mesma” e seria banida para margem do que chamam NORMALIDADE e eu – abusada – chamo de HIPOCRISIA.

Alguém pode negar que usamos mais de uma máscara por dia? Pois, se ao contrário fosse, talvez nenhum de nós seria mantido nos empregos, por exemplo. Quantas vezes, ouvimos ofensas, cujas respostas custariam uma discussão; mas lá está a máscara do “TUDO BEM”, dizendo: “OK, o senhor está certo.”. E nas relações interpessoais, quando alguém resolve ser “supersincero”, lá está a máscara do “É MESMO!”. Quando tememos perder a pessoa amada, lá está a máscara do “VOCÊ ESTÁ CERTO!”. A questão é o quanto isso nos custa por baixo de cada máscara.

O que   quero dizer é que de tanto trocar as máscaras, nossa fisionomia corre o risco de se DESCARACTERIZAR. Se olharmos nosso semblante por um bom tempo no espelho (fiz isso e não é nada confortável), perceberemos que estamos diferentes. É difícil encarar o PRÓPRIO OLHAR e aceitar as PRÓPRIAS VERDADES, FRAQUEZAS E MEDOS.


Se eu fosse eu, com certeza, seria meio que um “EPITÁFIO AMBULANTE” no tempo presente, realizando todos os desejos pré-morte: uma coisa bastante esquisita. Nada teria sido. TUDO É! Todas as vontades possíveis  realizadas. Nenhum nó na garganta. Mal acabei de escrever esta frase e me sobreveio a inevitável questão: E as consequências? Mal termino esta e me sobressalta o medo. Somos criados assim, com todos nos dizendo o tempo todo: “Toda ação tem uma reação” (no sentido de intimidar e não de ensinar que pode haver reações boas para ações boas); “Tudo tem seu preço” e blá, blá, blá, blá... Portanto, travo. Não sei mais se consigo pensar no assunto. Não pensarei nisso por alguns minutos.

(...) Algum tempo depois...

Mas, logo comecei  a sentir uma comichão e, de novo, penso que se eu fosse eu, seria INSTINTIVA demais para pensar nas consequências. E tem mais, creio que, por breves momentos até consigo ser eu mesma... Basta prestar atenção. De hoje em diante ficarei mais atenta às minhas sensações quando isso ocorrer. A questão é que acontece tudo tão rápido que nem percebemos tais sensações, e  recolocamos a máscara mais “APROPRIADA” para o momento, com a finalidade única de manter uma reputação de boa moça...

Há uma máscara que temo mais que todas as outras: a máscara da INDIFERENÇA. Ela traz consigo a conformidade, a apatia e a covardia de assumir-se para o mundo. E isso é o fim. O fim da iniciativa, dos desejos de mudança, da busca do encontro consigo mesmo, da ousadia de DEMONSTRAR OS SENTIMENTOS (pois, ao contrário do que dizem, isso não é sinal de fraqueza, é coragem pura) e de assombrar-se com tudo que não é bom e nem do bem.


Enfim, humildemente, fiz um pacto comigo mesma: desfazer-me do maior número possível de máscaras. Peço que, por gentileza, leiam o poema original e, de verdade  (isso quase chega a ser uma praga de uma bruxa do bem) desejo -lhe muita INQUIETAÇÃO  e DESCONFORTO nesta hora; pois este é o terreno fértil para as “quedas em si mesmo”. Desejo também que suas decisões sejam tão ou MAIS OUSADAS que as minhas, para que possamos conversar sobre isso por aqui ou pessoalmente. Porque SE EU FOSSE VOCÊ, faria isso! Enquanto isso, pretendo me deliciar com a apreciação das NARRATIVAS DIGITAIS produzidas pelos meus “ALUMIGOS” (alunos-amigos) do Ensino Médio do Colégio Euclides da Cunha e quem mais se dispuser a dissertar sobre o tema!!! Todos ganharão muito com isso: autoconhecimento; amadurecimento e o melhor de tudo: a VONTADE DE FAZER A DIFERENÇA, sendo um ser único, humilde e honesto consigo mesmo.




sexta-feira, 23 de agosto de 2013

“DOBRAR PERÍODO” NO ESTADO = OPERAÇÃO TAPA BURACOS

por Mari Monteiro
Decreto 59448/13 | Decreto nº 59.448, de 19 de agosto de 2013. VEJA MAIS EM: http://governo-sp.jusbrasil.com.br/legislacao/1035783/decreto-59448-13# (acesso em 21/08/2013)

O mais hediondo disso tudo é que, analisando pelo ponto de vista da Secretaria da Educação, QUERO CRER que o Decreto supracitado tenha surgido de uma FALSA IMPRESSÃO de que tudo nas escolas funciona com excelência. Com tanta excelência, qualidade e comprometimento que, obviamente, o professor terá O IMENSO PRAZER de “dobrar período”. Afinal, ele já terá ministrado cinco aulas no período da manhã; já terá feito seu planejamento semanal para uma turma... Não lhe custará nada fazer tudo em dobro e DE DIFERENTES FORMAS, pois é impossível que existam duas turmas exatamente iguais.  E ainda lhe sobrará tempo suficiente para corrigir CRITERIOSAMENTE e com ZELO todas as atividades realizadas. E mais! Terá condições emocionais equilibradíssimas para não alterar a voz com seu segundo período. Sim. Porque já fiz isso de trabalhar dois períodos e, verdade seja dita: o segundo período é sempre prejudicado em detrimento do anterior. É HIPOCRISIA dizer que rendemos igual. Detalhe: os alunos são outros e merecem a mesma atenção e disposição dispensadas aos alunos da manhã.

Sob o ponto de vista docente, percebo mais um agravante: a maioria dos professores vai se prestar a isso. Por quê? Pelo salário. Lamentavelmente, esta é a resposta. O que me obriga  a concordar que isso ocorre também porque UM SALÁRIO DE PROFESSOR NÃO É SUFICIENTE; sobretudo, para os muitos que são arrimo de família. Diante disso, OUSO afirmar que a maioria não optará pelos dois períodos preocupados se darão conta ou não da QUALIDADE. Quando digo qualidade, refiro-me também, e principalmente, à QUALIDADE DAS RELAÇÕES SOCIAIS estabelecidas na sala de aula.


Sei que, no final das contas, cada profissional optará pelo que quiser. A liberdade de escolha existe para isso. Agora, fazê-lo sem ponderar sobre a qualidade e sobre a própria SAÚDE e sem RESPEITAR os próprios limites, é uma atitude INSANA e CRUEL, consigo mesmo e com os alunos que sentirão o “efeito rebote” advindo do caos. Além disso, que tempo sobrará para a tão cobrada FORMAÇÃO CONTÍNUA? Temos outros anseios: pais; nosso lar;  filhos (as); namorado (a); sono; cansaço; necessidade de lazer e de ócio e fome... A FOME DE SER FELIZ E DE TRABALHAR FELIZ.

Enfim, restam duas alternativas: se autoflagelar e contribuir para “TAPAR OS BURACOS” que há na rede para que a sociedade continue achando que está tudo bem. Ou ACORDAR e, consequentemente, optar por um período e OBRIGAR a CONTRATAÇÃO de mais profissionais (se é que eles existem... pois os cursos de graduação voltados para a área da educação estão às moscas) e, acima de tudo SE VALORIZAR. Bem cabem aqui os versos de Rita Lee e Roberto de Carvalho: “Não quero LUXO, nem LIXO. Quero SAÚDE pra gozar no final.”. Porque o que mais vejo são professores que, ao final de suas carreiras, se encontram num estado de total  esgotamento e frustração,  que já não tem mais “saúde” para gozar do que "colhem" enquanto aposentados. Quanto a mim, não quero ficar só com sequelas. QUERO BOAS LEMBRANÇAS. Quero ter sempre um sorriso no rosto ao receber meus alunos. Quero voltar pra casa, literalmente, INTEIRA PARA MIM E PARA OS MEUS. Prioridades, meu caro, prioridades... 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

PROFESSOR FORA DA ZONA DE CONFORTO: uma provocação necessária

por Mari Monteiro
Primeiramente, preciso definir a expressão “zona de conforto” constante do título deste artigo. Trata-se de onde nos encontramos neste exato momento (a maioria de nós). Livros na mão, giz e lousa. Há quem chame isso de falta de estrutura e culpe o sistema, a escola,os gestores... Enfim. Eu chamo isso de zona de conforto.  Enumero os motivos:

- posso justificar a péssima qualidade do meu trabalho;
- não preciso ir além das páginas do livro;
- acomodo e me sinto confortável com o que já sei;
- o conteúdo é considerado, literalmente, DADO, o que não significa: discutido, desenvolvido, trabalhado...
- através dos registros nos livros e das tarefas feitas, posso comprovar que as aulas foram dadas: coloco data e considero aula dada;

Poderia continuar encontrando outros motivos. Mas estes bastam para que possamos REVER NOSSO PAPEL. Tudo, absolutamente tudo, amanhece DIFERENTE à nossa volta, menos a escola e o que fazemos nela.

Conteúdo. O QUE É O CONTEÚDO? “Assunto, teor, soma de conceitos e ideias de texto, obra, filme etc. o conteúdo de um artigo”. Read more: http://aulete.uol.com.br/conte%C3%BAdo#ixzz2cQuu7FU8

 Costumo dizer que conteúdo é tudo que está no GOOGLE e que está nos LIVROS DIDÁTICOS! E quem vai me contradizer? Faça as perguntas e o Google responderá. Isso é confortável. Todos os estudante e professores fazem isso. O que não é nenhum pecado. O mundo usa a internet para descobrir o que não sabe. Mas NÃO É MUITO INTELIGENTE; sobretudo, se o leitor/usuário do buscador não souber FILTRAR e INTERPRETAR os conteúdos oferecidos pelo Google.
Pronto. Chegamos onde queria. PRECISAMOS
DEIXAR ESTA ZONA DE CONFORTO. Por quê? Porque há uma imensa diferença entre LER os conteúdos dos links e FILTRÁ-LOS e; sobretudo, INTERPRETÁ-LOS.  Caso continuemos ignorando as ferramentas usadas pelos alunos para realizarem suas pesquisas e lições, no máximo, estaremos contribuindo para a formação de ANALFABETOS FUNCIONAIS. É bom que tenhamos completa clareza deste termo:
“Termo que se refere ao tipo de instrução em que a pessoa sabe ler e escrever, mas é incapaz de interpretar o que lê e de usar a leitura e a escrita em atividades cotidianas. Ou seja, o analfabeto funcional não consegue extrair sentido das palavras nem colocar ideias no papel por meio do sistema de escrita, como acontece com quem realmente foi alfabetizado. No Brasil, o analfabetismo funcional é atribuído às pessoas com mais de 20 anos que não completaram quatro anos de estudo formal. Mas a noção de analfabetismo funcional varia de acordo com o país. Na Polônia e no Canadá, por exemplo, é considerado analfabeto funcional todo adulto com menos de oito anos de escolaridade.

O conceito de analfabetismo funcional foi criado na década de 30, nos Estados Unidos, e posteriormente passou a ser utilizado pela UNESCO para se referir às pessoas que, apesar de saberem ler e escrever formalmente, por exemplo, não conseguem compor e redigir corretamente uma pequena carta solicitando um emprego. Segundo a Declaração Mundial sobre Educação para Todos, mais de 960 milhões de adultos são analfabetos, sendo que mais de um terço dos adultos do mundo não têm acesso ao conhecimento impresso, às novas habilidades e tecnologias, que poderiam melhorar a qualidade de vida e ajudá-los a perceber e a adaptar-se às mudanças sociais e culturais. Na declaração, o analfabetismo funcional é considerado um problema significativo em todos os países industrializados ou em desenvolvimento. Mais de um terço da população adulta brasileira é considerado analfabeta funcional.” (http://www.educabrasil.com.br/eb/dic/dicionario.asp?id=132 – acesso em 19/08/2013)

Trocando em miúdos: O analfabeto funcional lê e escreve, mas isso não lhe traz qualquer TRANSFORMAÇÃO e nem acréscimo intelectual ou social uma vez que não entende o que lê ou escreve. Diante disso, o Google pode lhe oferecer milhares de links e suas dificuldades continuarão as mesmas. Neste caso nem Google e nem professor fazem o papel de “FACILITADORES DA CONSTRUÇÃO DE SENTIDO DA LÍNGUA ESCRITA”. Denominação comprida não é? Porém, não encontrei definição melhor para o “NOVO” PAPEL QUE O PROFESSOR DEVE ASSUMIR.
Doravante, cada um de nós deve redirecionar sua prática pedagógica. Não podemos nos ater somente aos conteúdos de ensino. Eles estão ao alcance dos alunos em todo lugar. Redirecionar, neste caso, implica em mais oralidade e questionamento acerca de tudo que é lido e “descoberto”. O aluno precisa aprender a CURIOSIDADE e a DESCONFIANÇA SAUDÁVEL sobre as informações que lhes são enfiadas goela abaixo. O aluno deve saber que tudo que foi dito ontem como verdade absoluta, pode não ser tão absoluta assim. Este comportamento deve ser instigado em sala de aula pelo professor.

O novo papel do professor implica ainda em fazer inferências e ensinar seus alunos a fazê-las também. Por exemplo, lido um texto ou uma informação, não cabe querer saber o óbvio sobre o conteúdo, pois o óbvio está explícito nos conteúdos (mídias, textos etc.). É preciso aprender a ler as entrelinhas, perceber a INTENCIONALIDADE dos autores, dos jornalistas, da mídia em geral. Caso contrário, aí sim seremos apenas “DADORES DE AULAS”.
Acredito na profissão de educador, aliás, foi bem por isso que a escolhi, porque a vejo como uma possibilidade de transformação social. Não falo aqui de milagres ou de transformações em massa. Falo de uma transformação paulatina, da diferença que um professor PROVOCADOR e ABUSADO pode fazer na vida do educando. De que adianta conhecimento sem prática? Teoria sem entendimento? Tirar dez na prova se esquece de tudo amanhã? Costumo dizer que o que FICA da vida escolar não são os conceitos aprendidos (a maioria deles é efêmera e esquecida...). O que fica são as PROVOCAÇÕES; os OLHARES SURPRESOS com algum a revelação feita pelo professor e que não estava no texto; o NÓ NA GARGANTA  diante de uma fala emotiva; a AUTENTICIDADE do professor percebida pelos alunos; os VALORES e os PRINCÍPIOS que condizem com a prática...
Enfim, não sei quanto a vocês leitores, mas eu preciso (e tento isso a cada dia) redirecionar minha prática. Penso muito no que não está ao alcance dos alunos e descubro que eles ( a maioria) não tem “acesso” a diálogos, argumentações, direito de questionar,  textos  e obras literárias de boa qualidade, o mesmo vale para a música e para a arte. ENTÃO, O QUE FAZER? Não sei. Não há receita. O que há é uma VONTADE QUE NÃO CABE EM MIM de não me conformar com o que está posto como educação, porque se isso funcionasse, não ocuparíamos uma COLOCAÇÃO TÃO VERGONHOSA no ranking mundial de educação. Assim, continuarei provocando, orientando a filtrar conteúdos e informações, interpretar, argumentar, formar o próprio ponto de vista e defendê-los com bons argumentos e não com gritos ou violência. Pois mesmo o CORRETOR DO WORLD não é capaz de exercer esse papel. Ele “diz”, em suas alternativas, onde está o erro ortográfico, dá algumas sugestões, mas é incapaz de perceber que, no texto digitado, não há coesão ou coerência. Ou seja, no world ainda não há a opção: MELHORE SEUS ARGUMENTOS. Logo, isso continua sendo uma tarefa nossa. Intransferível e muito mais relevante que a “decoreba” de conteúdos. Mesmo porque conteúdo  e informação é o que não falta. Faltam SELEÇÃO, CRITICIDADE e ATITUDE.


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