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EDUCAR É, ANTES, SENTIR... E TODOS SÃO CAPAZES DISSO.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO PRAZEROSO? (Pleasurable COURSE COMPLETION OF WORK?)

POR MARI MONTEIRO

Há quem se apavore só de pensar na possibilidade de realizar um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso).  Contudo, a realização de TCC é um procedimento cada vez mais solicitado; além das instâncias de Ensino superior, também no ENSINO MÉDIO. O que, como professora, considero muito importante. Em primeiro lugar, porque oferece uma excelente base para que o aluno entenda a importância da pesquisa no processo de aprendizagem e, em segundo, porque é uma espécie de “TCC PREPARATÓRIO” para o trabalho a ser realizado na Universidade.

Diante disso, sempre oriento meus alunos para que realizem o TCC da forma mais CONSCIENTE e PRAZEROSA possível. Invariavelmente, ao dizer isso, o que mais ouço são frases como: “Que jeito?”; “É muita coisa no 3º Médio: ENEM; VESTIBULARES e ainda TCC!!!”... E por aí vai.

Assim, elaborei uma espécie de LISTA DE AÇÕES a serem seguidas pelos alunos a fim de que eles percebam que a realização de um TCC não é algo meramente mecânico e que se limita ao em emprego das normas da ABNT.  Um TCC tem regras a serem seguidas; mas é, antes de tudo o “nascimento” e a consolidação de uma ideia que deve  proporcionar ganhos à  FORMAÇÃO GERAL , à elevação da humanização e da reflexão crítica... É A INFORMAÇÃO TRANSFORMADA EM CONHECIMENTO.

A lista a seguir não tem a pretensão de formar “FAZEDORES DE TESES” fadadas a amarelar numa gaveta qualquer até ir para o lixo.  Mas sim de transformar o trabalho de pesquisa em algo que, além de prático e dinâmico, seja prazeroso.  Para que, após a finalização (apresentação do TCC), o aluno sinta-se, no mínimo, um COAUTOR do seu trabalho; um conhecedor porque estudou e não porque “COPIOU” ou “DECOROU”...


1 – Escolha muito bem o tema sobre o qual irá pesquisar.

2 – APAIXONE-SE pelo tema escolhido.

3 – Se nos primeiros “passos” da pesquisa, você não gostar do tema, não hesite em trocá-lo por outro.

4 – Elabore um título que limite seu tema cronológica, histórica e socialmente. Caso contrário, seu trabalho corre o risco de ser amplo demais e; por isso, superficial.

5 – De acordo com o título, faça uma lista dos assuntos mais interessantes para você, sem deixar de pensar no IMPACTO que tais assuntos podem causar em termos de reflexão nos leitores do seu TCC.

– Feita a lista de assuntos, agrupe-os de modo a serem contemplados em três ou quatro capítulos.

7 – Elabore, mesmo que PROVISORIAMENTE, os títulos para cada capítulo e ordene-os. Isso ajudará muito nos procedimentos de pesquisa.

8 – Selecione os materiais de pesquisa: livros; periódicos; sites etc. relacionados ao seu tema.


9 – Inicie a leitura. Ao fazê-lo, tenha em mãos “post its” para colar nas páginas que fizerem ALUSÃO a algum capítulo de seu TCC. Cole-os, marcando na borda dos mesmos os números dos capítulos correspondentes.

10 – Ao iniciar cada capítulo, deve ser feita uma introdução relacionada ao(s) assunto(s) nele tratado. 

11- Todos os capítulos devem ser muito bem FUNDAMENTADOS Lembrem-se: muitas pessoas já dedicaram muito tempo em pesquisas sobre os assuntos abordados.

12 – Ao elaborar os capítulos, tenha em mente que o TCC é como uma “COLCHA DE RETALHOS”, cujos pedaços são “costurados” COM SUAS PALAVRAS E COM SEUS ARGUMENTOS. Portanto, "sua escrita" deve ocupar um espaço maior que as fundamentações teóricas citadas (direta ou indiretamente).

13 – Caso as fundamentações encontradas nos materiais de pesquisas não lhe causem “ESPANTO”, escreva sobre isso; ou seja, reforce com suas palavras o óbvio e expresse suas descobertas; suas discordâncias ou concordâncias; porém, sempre com FORMALIDADE e POLIDEZ. Há diversas maneiras; por exemplo, de discordar com o que um determinado autor afirmou sobre seu tema com muita propriedade (riqueza de argumentos) e de forma diplomática.


14 – Nesse percurso, certamente, se instalará um contato riquíssimo entre o aluno (coautor) e as fundamentações sobre o tema. Este contato favorece: ampliação de vocabulário; reflexões sobre o tema; conhecimento acima da informação; distanciamento do lugar comum...

15 – Uma vez terminado o trabalho escrito, cabe ao aluno escolher os recursos a serem usados para a apresentação. Estes devem ser escolhidos de modo a tornar a apresentação mais interessante e objetivando deixar o aluno mais à vontade. Ou seja; não adianta o aluno escolher um recurso apenas para seguir as tendências tecnológicas se não tem habilidade para usá-lo.

16 - Cada Universidade costuma possuir um "manual de orientações" específico. Porém, considerando que TODOS OS MANUAIS DE TCC devem estar de acordo com as normas da ABNT, eis uma  espécie de "esqueleto" com a ordem a ser seguida:

- CAPA
- PÁGINA DE ROSTO
- EPÍGRAFE
- DEDICATÓRIA
- AGRADECIMENTOS
- RESUMO
- ABSTRACT
- SUMÁRIO
- INTRODUÇÃO
- CAPÍTULOS (I, II, III ...)
- CONSIDERAÇÕES FINAIS
- ANEXOS (quando for o caso)

OBS. A numeração das páginas é feita a partir da INTRODUÇÃO (canto superior direito da página), considerando a contagem das páginas anteriores a partir da página de rosto.

No mais, é "só" formatar o conteúdo pesquisado de acordo com as normas da ABNT (Associação Nacional de Normas Técnica) e NUNCA (nunca mesmo!) cometer plágio. Um pensamento, frase, argumento ou até uma simples frase só é sua QUANDO NASCE NA SUA CABEÇA. Daí a importância de FAZER NASCEREM NOVAS IDEIAS E NOVAS PERSPECTIVAS SOBRE UMA TEMÁTICA, MUITAS VEZES, JÁ CONSIDERADAS ESGOTADAS. AFINAL, TUDO ESTÁ EM CONSTANTE TRANSFORMAÇÃO... Graças a Deus!

E o prazer? Ah! O prazer reside no fato de que, quando um trabalho de pesquisa é realizado de modo a construir CONHECIMENTO e não apenas obter INFORMAÇÃO, o aluno nunca mais pensará como antes. Ou ele terá suas ideias reforçadas ou mudará de ideias. Por que não? Paradigmas podem ser reforçados ou quebrados; mas nunca permanecerão INTACTOS após a pesquisa.

Enfim, estabeleça um “CASO DE AMOR” com seu tema. Escreva seu TCC de modo a SEDUZIR o leitor, seu público-alvo. Para isso, você deve sentir-se seduzido antes de mim e dos outros. Devo ver, em detrimento de qualquer forma de nervosismo inerente à apresentação, que você está APAIXONADO. E uma pessoa apaixonada é sempre capaz de encantar com seus argumentos e com suas convicções. Simplesmente porque não há como estar “MEIO APAIXONADO” ou fingir uma paixão pelo que não existe. Portanto, insisto: APAIXONE-SE PELO SEU TEMA. O prazer será a CONSEQUÊNCIA desta paixão.


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

EU POR MIM MESMA (US SAME FOR ME)

POR MARI MONTEIRO 


Como qualquer mortal, às vezes, me encontro numa frase ou outra de algum autor renomado ou em trechos de música. Não vou negar. Sinto certa felicidade quando isso acontece. É uma sensação de não estar sozinha; de pensar: “Alguém mais pensa assim.” E isso é, no mínimo, reconfortante.  Mas, de uns tempos para cá venho sentindo uma necessidade inquietante de tentar me definir, neste momento, pois tenho consciência de que amanhã (ou no momento seguinte) serei diferente.  Mas a essência, ao menos isso, eu preciso reconhecer em mim... E essa “parte ” não muda assim tão facilmente. Então, vamos lá à árdua, mas gratificante, tarefa.




Essência: entendo como essência tudo aquilo que prevalece apesar dos impulsos, das quedas, das decepções, das dores e da alegria efusiva de um determinado momento. É o que mora em mim. Deve ter nascido comigo e seguirá até o fim... Pois, creio que a essência é O PRESENTE DADO POR DEUS quando viemos para este mundo. E quem só é visível quando se olha no fundo dos olhos. 

Sou TEIMOSA de nascença. Do contrário, não estaria aqui escrevendo. Teria sucumbido a tantas intempéries como preguiça, falta de tempo, problemas do cotidiano...

Sou dotada de uma grande quantidade de AMOR. Eu amo, amo, amo... E ele não tem fim. Amo as pessoas, de diferentes formas e intensidade, até que se prove o contrário. Quando se prova o contrário, se instala em mim um sentimento nada nobre: a indiferença. Aí não existe nem o DESAMOR, o que fica é o NADA.


Tenho facilidade para perdoar os erros das pessoas, mas não para esquecê-los. Quando leio que perdoar não é esquecer, sinto-me aliviada... Porque acho meio ilógico você esquecer as dores, as ofensas... Porque sempre que olhos no espelho lá estão elas: as cicatrizes que tem dupla função: lembrar-me dos fatos e me dizer: “VOCÊ SOBREVIVEU E HOJE É MAIS FORTE!”.


Sinto MEDO de muitas coisas: da solidão; do desamor; do desafeto; da violência;da  arrogância que queima a pele e alcança a alma; da indiferença e das perdas das pessoas que amo.


Não gosto de pessoas submissas, que vendem barato o que não tem preço, não gosto de gente morna, omissa, covarde, que fala apenas pelas costas; não gosto de gente que bate com GRITOS. E que não tem a capacidade de se colocar no lugar do outro.

Gosto de pessoas HUMILDES, simples de coração, feito minha Tia Guinha (minha segunda mãe); minha mãe, meu filho ( que é meu pai e meu irmão mais velho). Gosto de pessoas cuja sabedoria não vem da escola, mas da vida. Gosto de gente que não mistura as coisas e desconta no outro sua ira. Gosto de gente que sorri com os olhos; de gente bem humorada, cujas mazelas da vida lhe tiraram quase tudo, menos a alegria de viver!



















Sofro de INGENUIDADE CRÔNICA. Parto do princípio de que todo mundo é naturalmente bom... Óbvio que, com o tempo, infelizmente, reconheço que não é bem assim. Mas, como disse, é um mal crônico e as   decepções, apesar de grandes e doloridas, não me  servem de antídoto.


Gosto de chorar quando tenho vontade: choro de dor (física espiritual), de saudade, de tristeza, de decepção. Confesso que isso acelera meu bem estar, é como um ritual de purificação... Adoro rir. Tenho riso fácil. Rio das minhas próprias intempéries; gosto de gargalhar quando não dá pra segurar... E de chorar de alegria: uma das sensações mais gratificantes que conheço.

  Outra confissão:    AMO DESMEDIDAMENTE. Se algo der errado, NÃO saberei o que fazer com a dor; mas saberei que, enquanto amei, foi real e intenso. Não creio em "meio amor". E, ficar por ficar; beijar por beijar... Não fazem meu gênero. São coisas que, de tão efêmeras e insignificantes, sequer deixam lembranças...

 

Enfim, não foi nada fácil “dizer tudo isso ”. Virei-me literalmente do avesso e, para aqueles que me acham uma chata, um beijo e um queijo. Para aqueles que me conhecem há algum tempo, sabem que sou EXATAMENTE assim; mas NÃO PARA SEMPRE ASSIM. Adoro me  sentir livre para hoje gostar de algo que ontem odiava. ISSO NÃO É FALTA DE PERSONALIDADE. ISSO É LIBERDADE! Está escrito nos meus olhos. E, para aqueles que ainda não me conhecem ou para aqueles que acreditavam que me conheciam: “Prazer, Mari.”


Ps. Artigo originalmente escrito numa madrugada de segunda –feira, 17/06/2013, Outono...


terça-feira, 22 de julho de 2014

TOUCH SCREEN, MAS NÃO TOQUE EM MIM! (TOUCH SCREEN, BUT DO NOT TOUCH ME!)

POR MARI MONTEIRO



Sobre o título, cabe uma breve definição do termo “touch screen”: refere-se ao toque em um determinado tipo de tela. Ela sensível ao toque é um display eletrônico visual que pode detectar a presença e localização de um toque dentro da área de exibição, por meio de pressão. O termo refere-se geralmente ao toque no visor do dispositivo com o dedo ou a mão, que também podem reconhecer objetos, como uma caneta. Telas sensíveis ao toque estão se tornando cada vez mais comuns. “(In. http://www.tecmundo.com.br/multitouch/177-o-que-e-touch-screen-.htm acesso em 22/07/2014).


Muito raramente faço refeições na praça de alimentação de algum shopping. Aquele burburinho, misturado com música que não dá pra identificar qual é. Não dá pra ouvir direito quem está com você e nem falar baixo. Enfim, é algo que não me agrada.

Porém, hoje foi um daqueles dias sem  escolha. Aproximadamente um ano depois, lá estava eu sentada com minha refeição. Tenho o hábito de comer muito devagar, o que faz com que eu tenha tempo para observar muita coisa. E, como não pude deixar de notar o comportamento das pessoas. Fiz o que denominei de "lista de atitudes". Não é uma lista positiva. A propósito, talvez possa adjetivá-la de depressiva.

A problemática maior é a INTENSIDADE DAS MINHAS PERCEPÇÕES NESTE MOMENTO. Grande parte disso eu atribuo ao fato de estar na metade da leitura da obra: “A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO”, de Mario Vargas Llosa, escritor peruano, que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 2010. A leitura desta obra fez com que eu mudasse meu olhar para o que Llosa chama de "Sociedade do espetáculo", cenário que envolve o fascínio pelo IMEDIATISMO e pelas IMAGENS em detrimento a toda forma de cultura que envolva um pouco mais de "empenho" e de paciência.

Não é novidade que estamos nos isolando socialmente no mundo real. Faz tempo que isso acontece. E a internet não é a única vilã. TEMOS ESCOLHAS. Talvez nos falte discernimento na maioria dos casos... E não é questão de idade. Tem muito marmanjo que, encantado com a tecnologia, já passou mais tempo com seu celular do que com a namorada; muita esposa que já tocou “N” vezes mais a tela touch de seu aparelho do que o corpo de seu esposo... E não? Essa observação é a primeira citada simplesmente porque é GRITANTE! Casais, cada qual com os olhos pregados nas suas telas.  Crianças PEQUENAS (bem pequenas) pedindo a atenção da mãe ou do pai que está muito mais interessado (a) na conversa ao celular. Pessoas sozinhas, que comem com uma mão e com a outra visualiza seus feeds e, na hora de usar a faca, ainda continuam olhando para a tela.

Segunda observação: Como as pessoas comem rápido! Mas não é um rápido comum, é RÁPIDO DEMAIS! E não é para ficar abraçadinho um ao outro (quando se trata de casais) ou para conversar entre si (quando estão em grupo), é para trocar whats; posts; atualizar feeds etc...

 Terceira observação: Fisionomias fechadas.  Algumas já "deformadas" pelo costume. Verdadeiras "carrancas do São Francisco" (me perdoem as carrancas). Rubem Alves (cuja partida me entristeceu muito), certa vez, escreveu que gosta de observar rostos. Faço mais ou menos isso quando saio sozinha. Até um tempo atrás, eu corria o risco de alguém pensar que estaria flertando; mas, agora, para que alguém deixe de olhar os celulares e olhe pra você, é preciso chamar a pessoa pelo nome ou xingá-la sem motivos. Logo, não corro este risco.

Outro comportamento que seria cômico se não fosse trágico, é o da pessoa que usa o fone do celular e que, paradoxalmente, fala mais alto do que quando usa o aparelho. Quando vejo isso, não posso evitar o pensamento de que se trata de uma pessoa ENSANDECIDA andando a pé e falando sozinha.

Percebeu como eu demoro para fazer uma refeição? Deu tempo de fazer todas estas observações e pensar sobre cada uma delas ao ponto de “memorizá-las” para dividir com vocês. Confesso que não foi agradável, mas era o melhor que eu tinha a fazer. Entre checar minhas notificações, preferi olhar para as pessoas, analisá-las no que deveria ser um “habitat” favorável a conversas, a olhares mais demorados entre namorados, familiares...


Confesso que fiquei mexida com isso. Como afirmei no começo do artigo, o isolamento social no mundo real não é nenhuma surpresa. Há quem passe muito mais tempo no mundo virtual. Mas, depois deste meu “trabalho de campo” (permaneci ali por uns quarenta minutos), estou estarrecida. NÃO HÁ MAIS DIÁLOGO.  As pessoas não se tocam mais. AFETIVIDADE ZERO.  Não sei você, mas quanto a mim, já faz um tempo que considero um LUXO e uma PROVA DE APREÇO pela minha pessoa, quando vou falar com alguém e a pessoa coloca o celular “no mudo” ou o deixa “de canto”. Certamente, faço o mesmo. É o mínimo que alguém que ainda tem ao menos um dos pés no mundo real deve fazer.

Enfim, de um modo geral, o que conclui é que a maioria das pessoas possui um aparelho touch screen; os toques são CONTÍNUOS e, ao mesmo tempo, SUAVES. Isso até soaria romântico se eu não estivesse falando de um aparelho de celular. Um aparelho que, como qualquer outro recurso, não chorará por mim; não vivenciará minhas emoções; não acariciará em meu lugar... Mas, imagine sair sem ele, nem pensar. Ficar sem bateria? Passar 24 horas off? Isso é inconcebível. Nesse quesito, chego a INVEJAR OS ANIMAIS, que nunca deixarão de SE TOCAR, seja por instinto de sobrevivência ou por puro gosto pelo toque mesmo; experimente afagar um gato ou um cão... Acredito que uma POSSIBILIDADE ANIMADORA é a EDUCAÇÃO PARA O USO DAS TECNOLOGIAS EM GERAL (assunto sobre o qual escreverei em breve). Não quero ser fatalista; porém, chegará o dia em que o isolamento social será UM MEIO DE VIDA para a maioria; simplesmente porque, sem perceber, o ser humano falará cada vez menos; seu vocabulário se limitará e, em alguns casos, até reduzirá; suas mãos já não tocarão mais a outra pessoa, pois faltará iniciativa e quem sabe até mesmo vontade. Afinal, a tela touch screen, sensível ao toque, ironicamente, NÃO RETRIBUI, NÃO TOCA EM MIM... 


 OBS. Nas próximas semanas, meus alunos do Ensino Médio postarão suas CONTRIBUIÇÕES sobre o tema abordado através de textos opinativos; artigos de opinião e  editoriais. Será um imenso prazer saber como eles percebem este comportamento social...

domingo, 29 de junho de 2014

“NÓS E OS NOSSOS NÓS”

POR MARI MONTEIRO




Sempre que o assunto é RELACIONAMENTO A DOIS, a canção “O mundo anda tão complicado”, de Renato Russo me vem à mente como um ideário muito particular do que entendo sobre relacionamento. Chega a ser INTRIGANTE como um tema tão discutido e analisado em pesquisas e livros (sobretudo, de auto-ajuda) é ainda tão complicado. Complicado no sentido de que, basta um olhar à nossa volta para perceber o quanto existem pessoas sozinhas; pessoas com medo de assumir um relacionamento mais sério; pessoas “mergulhadas” em relacionamentos de fachada; relacionamentos CHEIOS DE NÓS, amarrados... Relacionamentos decadentes...

Sabem o que os “NÓS NÃO DESATADOS” fazem? Eles nos imobilizam. Impedem que nos movimentemos rumo à pessoa amada.  Eles nos fazem pensar que é preciso esperar que até que “ALGUÉM SEM NÓ APAREÇA”! Não há momento certo! Não há a pessoa perfeita. NÃO EXISTEM PESSOAS SEM NÓS PARA SEREM DESFEITOS. Portanto, caso esteja  esperando pela pessoa perfeita, linda e LIVRE DE PROBLEMAS, esqueça! Você  está fadado(a) a viver Sozinho(a)!



Posso fazer, no mínimo, três afirmações irrefutáveis sobre relacionamentos: Trata-se de um tema clichê; é um assunto inesgotável e, por fim, NADA que se diga se aplica a TODOS os relacionamentos. No máximo, o que pode acontecer é uma adaptação superficial daquilo que se lê e daquilo que se aprende.

Penso que TODO relacionamento envolve um MISTERIOSO aglomerado de “coisas”. É como se, o que contasse para dar certo, fosse o “conjunto da obra” e não a obra (entenda - se pessoa) em si. Ou seja, não se ama apenas a pessoa; mas TUDO que a envolve: suas atitudes; seus olhares para os mais diferentes cenários; sua índole; seu cheiro; sua pele; sua voz; seu sono; sua insônia; sua busca; seus sonhos; seus desejos; suas frustrações...

Cada ser possui, em maior ou menor quantidade, uma série de nós que não desatamos durante a vida. Estas situações, muitas vezes não resolvidas ou que nos decepcionaram, “amarram” os relacionamentos presentes e  futuros: minam a confiança no outro; fazem com que se acredite que tudo para dar certo tem de estar tão preso  e seguro quanto um nó bem dado...  Bem por isso, prefiro o titulo “NÓS E OS NOSSOS NÓS” em detrimento ao chavão "Relacionamento a dois". Relacionamentos somente dão certo quando os DOIS estão dispostos a desatarem seus nós, cada um a  seu tempo. Sabendo que há “nós” tão fortes que precisam de CUMPLICIDADE para ser desfeito.

Uma vez que acredito que qualquer relacionamento prescinde de CUMPLICIDADE  e de  CONFIANÇA, sinto-me à vontade para usar esta letra de Renato Russo para ilustrar  o que entendo como um relacionamento, literalmente, a dois.


“O MUNDO ANDA TÃO COMPLICADO

Gosto de ver você dormir
Que nem criança com a boca aberta

O telefone chega sexta-feira

Aperto o passo por causa da garoa

Me empresta um par de meias

A gente chega na sessão das dez

Hoje eu acordo ao meio-dia

Amanhã é a sua vez


Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver

O mundo anda tão complicado

Que hoje eu quero fazer tudo por você.

Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas

Porque a mudança grande chegou

Com o fogão e a geladeira e a televisão

Não precisamos dormir no chão

Até que é bom, mas a cama chegou na terça

E na quinta chegou o som



Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com meu jeito

Agora que temos nossa casa

é a chave que sempre esqueço


Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho

E fica de bate-papo

Temos a semana inteira pela frente

Você me conta como foi seu dia

E a gente diz um p'ro outro:

- Estou com sono, vamos dormir!



Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver

O mundo anda tão complicado

Que hoje eu quero fazer tudo por você
Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança de seu mundo
Por amor”




“(...) Hoje eu acordo ao meio-dia
Amanhã é a sua vez. (...)” 
Estes versos traduzem o que penso de um relacionamento em que há troca; em que há RECIPROCIDADE. Quando um sabe das dores e do cansaço do outro e, COM MUITO ZELO, propõe uma espécie de rodízio para que as mazelas e a rotina não consumam e nem se sobreponham aos sentimentos e ao afeto.

“(...) Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado

Que hoje eu quero fazer tudo por você. (...)”




Já estes expressam o ato, neste caso, simbólico, de “pegar no colo”. Quem, um dia ou outro, não deseja (e precisa!) de  colo? Quanto ao verso “fazer tudo por você”, quase não encontro palavras, pois o verso é tão amplo e completo que vai desde um jantar surpresa, no final do dia, até a resolução dos mais diversos problemas que o outro, em determinado momento, não dá conta sozinho.


Em tempos de relacionamentos que ocorrem, digamos, no modo “INSTANTÂNEO”, a “oferta” é imensamente maior; assim como, as facilidades de acesso ao outro. Qual é o esforço gasto no processo de CONQUISTA? Em alguns casos, o “processo” nem existe. O acesso já é a passagem para “os finalmentes”. É como entrar num trem que te leva direto do ponto “A” ao “B” sem que você tenha apreciado o trajeto.  Viagem sem graça esta. Mas, há quem goste e, pior, quem, lamentavelmente, só fará viagens assim.


Já os relacionamentos mais sólidos exigem um   maior empenho. Quanto mais se conhece o outro, mais nós há para serem desatados.  É preciso caminhar JUNTOS; falar sobre as PAISAGENS. É preciso fazer por merecer cada gesto de carinho e, claro, retribui-lo... Cada um, à sua maneira, sem pressa, revelar suas mais íntimas vontades, virtudes e defeitos... Gostar ou não do que será mostrado é parte do processo. Gostar ou desgostar depende também do quanto o outro está disposto a valorizar e até mesmo a aceitar as diferenças. Graças a Deus somos diferentes.  Eu odiaria namorar uma "MARI". (rsrs). Gostar ou não está relacionado, inclusive, à predisposição para a CONQUISTA, ao tempo dedicado a  esta ARTE.


A letra que, de certa forma, esmiucei, é atemporal. Isso é perceptível no próprio título; pois, como negar que “o mundo anda tão complicado”? Letra pertencente ao CD V, lançado em 1991. Meu Deus! Passaram-se VINTE E TRÊS ANOS e a maioria de nós ainda não consegue se relacionar de modo recíproco e afetivo como propõe canção.  

Posso conjecturar em torno de alguns motivos que "justifiquem" este fato: somos HORRÍVEIS; somos EGOÍSTAS; exigimos DEMAIS do outro; não cultivamos AMOR PRÓPRIO para sermos BELOS aos olhos do outro; não confiamos; potencializamos os defeitos; não elogiamos e nem valorizamos as virtudes; não nos damos ao “trabalho” de falar com um tom de voz suave; somos COVARDES: temos medo de ser piegas ao dizer "eu te amo"... E não me venham com desculpas do tipo: dizer não importa. IMPORTA SIM! E, acreditem, quem ouve sempre sabe a verdade, se a fala foi real ou superficial... estas coisas a gente sente. Ah! como sente...

E o DIÁLOGO??? Cadê? Impressionante como quase tudo, facilmente, SUBSTITUI uma boa conversa: a TV; o Whats; imagens... Os textos viraram frases, as frases se tornaram palavras que tendem a virar – como disse em certa ocasião, José Saramago – GRUNHIDOS até silenciar... Quem dera os relacionamentos fosse similares à letra de Renato:


“(...) Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada

Esquece um pouco do trabalho

E fica de bate-papo

Temos a semana inteira pela frente

Você me conta como foi seu dia

E a gente diz um p'ro outro:

- Estou com sono, vamos dormir! (...)”

O que a gente diz um pro outro? Queixas? Isso cansa! Vez por outra, dizemos. Não somos feitos de ferro! Mas, essas coisas são viciantes. Viram rotina num instante. E, logo, perdemos o jeito. Ficamos sem assunto. Até as queixas já não fazem mais sentido. E os amigos que são comuns aos dois? Aparecem apenas quando tem festa em ocasião especial? Por que não para um bate-papo no meio da semana?

O engraçado é que é fácil enumerar o que não é bom para o relacionamento. Então, basta fazer o contrário! E para fazer? Façamos isso em meio a tudo que for do cotidiano, em meio à correria (que, aliás, serve de desculpa pra tudo...). Ligar no meio da tarde. Conversar até de madrugada. Desligar os celulares... (Nossa! Para algumas pessoas, isso equivale a desligar os aparelhos que os mantém vivos!!! Rsrrsrs)

“(...) Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver. (...)”
 Este é o que chamo de “VERSO DA SAUDADE”. É bom ver e rever a pessoa amada. Contemplá-la sem pressa... Sem medo que  ela se vá  e não volte...


“(...) Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação

De quem deixou a segurança de seu mundo

Por amor.”

Quanto a ouvir canções de amor, sempre haverá alguma que fale da nossa situação. No meu caso, não tenho “uma canção”, tenho uma trilha sonora.

Finalmente, quem disse que amar é seguro? Haverá sempre novos nós a serem desatados. Por vezes, estarão frouxos, bastará puxar uma das pontas e pronto! Outras vezes, estarão apertados, cada um terá que SEGURAR DE UM LADO e esforçar-se para desatar. Amar envolve conflitos e  riscos. O que é bom, porque quando há conflitos, aprendemos  a resolver. E quando há riscos, são necessários CUIDADOS. Não aquele cuidado que sufoca como um nó apertado ou como quem mata uma planta afogada com medo que ela seque... Cuidados como aqueles que se tem com um recém-nascido: afagar sempre; velar o sono; atentar para o primeiro sinal de "instabilidade"; cuidar para crescer com saúde. Porque o amor, PARA DURAR, tem de ser assim: recém-nascido sempre e para sempre...




domingo, 22 de junho de 2014

DOZE ANOS DE ESCRAVIDÃO (“12 YEARS A SLAVE”): FILME RECOMENDADO

POR MARI MONTEIRO


Inquietante.

Intenso.

Sensível.

Uma vez que se assiste a um filme sabendo que o mesmo é baseado em FATOS REAIS, o enredo possui um “peso” diferente. A primeira coisa que me veio à mente ao terminar de ver este filme foi: “E se amanhã eu acordasse totalmente da liberdade que gozo hoje e longe de todos que conheço?” Passei algum tempo pensando sobre esta questão e conclui que, muito provavelmente, não teria a CORAGEM e a RESILIÊNCIA que Solomon Northup teve durante longos e sofridos DOZE ANOS.


Entremeando a trama do enredo central, encontramos questões polêmicas como:  a violência psicológica; o abuso moral; o VALOR e o PODER da ESCRITA e a força interior que nos move quando temos PARA QUEM e PARA ONDE  voltar.

Enfim, há aspectos abordados durante o filme que, por mais que neguemos, não mudaram tanto assim no mundo contemporâneo... Se disser mais, “darei o spoiler”. Então, sinta-se à vontade para descobrir por si mesmo o quanto é possível sobreviver às mais terríveis humilhações quando isso, em determinando momento, é somente o que se tem.

“ Breve sinopse: 1841. Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor) é um escravo liberto, que vive em paz ao lado da esposa e filhos. Um dia, após aceitar um trabalho que o leva a outra cidade, ele é sequestrado e acorrentado. Vendido como se fosse um escravo, Solomon precisa superar humilhações físicas e emocionais para sobreviver. Ao longo de doze anos ele passa por dois senhores, Ford (Benedict Cumberbatch) e Edwin Epps (Michael Fassbender), que, cada um à sua maneira, explora seus serviços. “ ( In. http://www.adorocinema.com/filmes/filme-196885 - acesso em 22/06/2014)

RECOMENDO!!!  Pois, assim como sempre digo com relação  a obras literárias, vale o mesmo para filmes. Obra boa é aquela que te inquieta e remexe o que temos ali guardadinho... Coisas que, por vezes, nem sabíamos que possuíamos até então... Ou seja, até precisarmos tanto delas...

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